Entrevista | Notícias | USCC

United Sportscar Championship

Visão 2020: Entrevista com Scott Atherton, Presidente da IMSA

por Press Release (edição: Andrew Remedios), 6 de Abril de 2015 Sem Comentários

Durante as 12 horas de Sebring, a IMSA assinou com o ACO uma extensão de seis anos na parceria entre as duas organizações. Steven Cole Smith, do gabinete de imprensa da IMSA, realizou uma entrevista com o presidente da IMSA, Scott Atherton, para falar das grandes mudanças que estão para vir.

IMSA (Steven Cole Smith): Qual era a importância para IMSA da confirmação da sua parceria com o ACO?

Scott Atherton: Eu vejo a relação que temos com o ACO como um dos nossos activos mais valiosos. Estamos formalmente alinhados, e genuinamente gostamos de trabalhar juntos. Esta aliança tem sido muito amigável, muito produtiva e mutuamente benéfica. Don Panoz, que criou a American Le Mans Series, merece o crédito de ter reconhecido a oportunidade há muito tempo atrás. Quando primeiro começamos com a fusão, eu estava preocupado que a nossa ligação com a ACO e Le Mans iria chegar ao fim, porque eu pensei que Jim France (fundador da Grand-Am e actual presidente do conselho da IMSA) tinha a sua própria visão que poderia não incluir a continuação dessa relação. No entanto, fiquei positivamente surpreendido com o facto de ele reconhecer , desde o início, a importância em manter essa parceria. Sob a liderança de Jim como nosso presidente, e sob a liderança de Pierre Fillon como presidente da ACO, eu penso que as relações empresariais e pessoais actuais são tão boas – ou melhores. O facto de termos um acordo de seis anos significa que nos podemos focar muito mais nas estratégias de longo prazo.

IMSA: Muitos de nós ficamos francamente surpreendidos com a maneira como as missões muito diferentes da ALMS e Grand-Am se têm misturado quase perfeitamente no United Sportscar Championship.

SA: A IMSA e o ACO estão comprometidos com o crescimento e desenvolvimento das corridas de endurance ao mais alto nível. Nós estamos focados na América do Norte, o ACO na Europa e com o seu Campeonato do Mundo de Resistência volta do mundo. Não há dúvida que Le Mans é a referência da competição, mas eu penso que o nosso campeonato na América do Norte seria mencionado da mesma maneira como referência para as competições domésticas. As nossas organizações trabalham bem juntas nesse ponto.

IMSA: Nós temos um novo protótipo a chegar em 2017. Qual é ponto de situação a esse respeito, e quando sabem as equipas sobre o que esperar?

SA: É realmente um trabalho em curso. Há reuniões a decorrer continuamente (incluindo algumas às 4 da manhã entre as estruturas técnicas da IMSA e das equipas, no dia da entrevista). As equipas aguardam detalhes finais, e nós estamos a trabalhar nesse sentido o mais rapidamente possível. Em princípio, o protótipo será uma plataforma partilhada com alguns elementos únicos que a ACO irá estabelecer para os seus fins e para o European Le Mans Series, outro campeonato gerido pelo ACO, e haverá alguns aspectos únicos que serão específicos para a USCC. No entanto, o núcleo do carro – ou a espinha dorsal do carro, como dizemos – será comum em todos os carros. As nossas equipas terão a oportunidade de correr os seus protótipos em Le Mans – a nossa parceria com a ACO permite a competidores seleccionadas da USCC entradas automáticas – e as equipas que competem nos outros campeonatos do ACO terão a possibilidade de participar nos eventos do nosso USCC, sejam eles Daytona ou Sebring ou outra prova.

IMSA: Só temos que esperar até o próximo ano para as mudanças em GT – em GT Le Mans. Como irão diferir do que temos agora?

SA: Visualmente, pequenas mudanças. Mecanicamente, mudanças mais dramáticas debaixo dos chassis. Há uma movimentação geral em aumentar o desempenho dos GTLM, que são um reflexo dos GTE do ACO, e a razão disso é dupla: em primeiro lugar, tem sido um desejo das marcas de dar a esses carros um nível mais alto de desempenho. E em segundo lugar, com a nossa categoria GT Daytona a evoluir para as especificações FIA GT3, isto irá permitir-nos separar adequadamente o desempenho das quatro categorias para manter a separação apropriada em pista. Se olharmos para os números em Sebring, estamos muito contentes por ver este ano que cada categoria ficou separada por cerca de 4 segundos em cada volta. Sem garantias, parece que algumas das marcas irão evoluir para configurações turboalimentadas, e isso é derivado dos regulamentos de 2016.

IMSA: Referiu que as especificações GT3 da FIA seriam usadas em GT Daytona no próximo ano. Está a espera de ver algumas novas marcas e equipas a inscreverem-se em GTD na próxima época?

SA: Sim. Há muitos carros GT3 que já existem, e há muitas marcas que já produzem carros nessa especificação. Não há dúvida que há marcas que não têm um carro de acordo com os nossos regulamentos GTD, mas têm um carro GT3, e elas terão a oportunidade de começar a competir a partir de Daytona do próximo ano sem alterações ao carro. Nós reservamos o direito de ajustar o desempenho desses carros de acordo com o necessário através do peso e do restritor do motor, mas não prevemos fazer quaisquer alterações radicais que fujam às regras GT3.

IMSA: Há alguma preocupação em que estas alterações possam modificar a personalidade da categoria GTD – torná-la mais como GTLM?

SA: Iremos trabalhar diligentemente para manter a GTD como uma categoria de equipas independentes. Noutras palavras, não prevemos ter programas apoiados por marcas com todos os efeitos que derivam deste tipo de esforço. Pretendemos limitar o nível de envolvimento oficial à nossa categoria GTLM. Isso não quer dizer que as marcas não possam ter algum nível de envolvimento na categoria GTD, mas isso terá de ser limitado.

IMSA: Algumas reflexões finais?

SA: Nós sentimos de facto uma energia geral positiva no nosso paddock neste momento, seja do piloto, dono de equipa, patrocinador, promotor de evento – parece que estamos num lugar realmente bom. O nosso desafio é não só manter essa energia, mas desenvolvê-la ainda mais. Acabamos de gastar dois dias em planeamento estratégico com a nossa equipa de gestão sénior, que se manteve em Sebring depois da prova, e um dos nossos colaboradores de longa data disse no fim que em todos os seus anos de competições, pensa que estes foram os dois dias de reuniões mais produtivos e positivos em que já participou. Não vou partilhar nada do que se passou nesses dois dias para já, mas mantenham-se atentos, porque vamos apresentar os resultados num futuro próximo.

Fonte: Comunicado de imprensa da IMSA