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VIR: Muscle Milk e Level 5 vencem nos protótipos; Risi de regresso aos triunfos nos GTs

por Andrew Remedios, 8 de Outubro de 2013 Um Comentário

Fonte: Art Fleischmann / Motorsport.com

Fonte: Art Fleischmann / Motorsport.com

Na penúltima prova do American Le Mans Series, Lucas Luhr e Klaus Graf venceram de novo, mas desta vez com forte concorrência, enquanto que Scott Tucker subiu ao primeiro lugar na luta pelo título na P2 e a Risi Competizione voltou às vitórias em GT. Um acidente aparatoso entre dois Porsche, mas sem consequências para os pilotos, marcou também a corrida disputada este fim-de-semana na Virginia.

P1: Muscle Milk com mais uma vitória mas suada

Klaus Graf e Lucas Luhr venceram a prova no HPD ARX-03c #6 da Muscle Milk Pickett Racing mas, pela primeira vez em muito tempo, tiveram que suar para o conseguir. Guy Smith, no Lola B12/60 Mazda #16 da Dyson Racing, conseguiu a pole position no seu regresso, e na sua última prova no ALMS (não irá participar em Petit Le Mans por ter outros compromissos), mas foi o outro britânico, Johnny Mowlem, a começar a corrida no Lola #16. Embora tivesse arrancado bem, Mowlem não conseguiu evitar perder o primeiro lugar para Graf logo na primeira curva, permitindo ao alemão abrir uma vantagem confortável nas primeiras voltas.

No entanto, com 45 minutos de prova, Graf saiu de pista devido a um desentendimento com um Porsche GTC e cedeu a liderança a Mowlem, que estava a ficar cada vez mais a vontade no Lola Mazda #16. Após as paragens nas boxes, e já com Guy Smith atrás do volante, o carro da Dyson Racing manteve-se na frente da corrida, mas foram as duas neutralizações a uma hora do fim que selaram praticamente o destino da corrida.

Na primeira neutralização, a 1:15 do fim, a Muscle Milk decidiu arriscar e chamou Lucas Luhr às boxes, enquanto Smith permanecia em pista. No entanto, logo que a neutralização terminou, um acidente entre os dois Porsche causou uma segunda neutralização, que se previa longa, e desse modo a Muscle Milk já não teria que parar de novo, ao contrário da Dyson. Guy Smith acabou por fazer a paragem e, quando a corrida se reiniciou, a 40 minutos do fim, Luhr tinha praticamente todos os carros entre ele e o Lola #16 do britânico. Sendo assim, já não havia dúvidas quanto ao vencedor, salvo incidentes, os quais não ocorreram, e o alemão levou para casa a sua 49ª vitória. Petit Le Mans será a primeira e única oportunidade de Luhr chegar à meia centena de vitórias no ALMS, mas terá não só a oposição da Dyson Racing, como dos regressados Rebellion Racing, com vontade de repetir a vitória de 2012.

Para Graf, “foi uma grande batalha com a Dyson Racing. Ficamos um pouco aquém nas Qualificações, mas na corrida tive um bom arranque e fui capaz de conseguir ultrapassar o Mowlem na primeira curva e, em seguida, abrir uma boa vantagem e manter a liderança. Mas depois surgiu o amarelo e o pelotão juntou-se de novo. Tive um bom recomeço, liderava por alguns segundos e depois fui empurrado por um carro GT que imagino não me tenha visto, pois o tráfego no VIR é muito difícil para todos. Perdemos a liderança nessa altura, mas parti em contra-ataque e aproximei-me do Johnny (Mowlem) até que ele parou nas boxes.” O alemão ainda acrescentou que “tenho de dizer que  o Lucas e eu conduzimos muito bem hoje mas a estratégia da equipa deu-nos a vitória. Foi uma decisão muito boa de Brandon Fry e do pessoal da Muscle Milk. Estamos a realizar muito boas paragens nas boxes, sem erros, e toda a gente sabe o que está a fazer.”

Para o britânico Guy Smith da Dyson Racing, “nós tínhamos um carro sólido ao longo de todo o fim-de-semana. Em cada sessão fomos os mais rápidos, ou perto disso. [Fazer] a pole position foi fantástico: foi uma recompensa para todo o trabalho que todos fizeram. O carro tem melhorado muito ao longo do ano. Realmente senti que tínhamos chances na corrida. Corremos com muito empenho e lideramos a corrida. Eu gostaria que tivéssemos [antes] o carro que temos agora e que a época estivesse a começar de novo em Sebring!”

O DeltaWing LM12 Coupé #0 esteve também presente, mas um problema com a correia da bomba de óleo atirou o carro para fora da prova muito cedo. No entanto, apesar de ter chegado a circular em 3º lugar, continuou bem distante da frente, e até serviu de obstáculo aos líderes da P2 durante algumas voltas, levando-os mesmo ao desespero. Para Andy Meyrick, piloto da DeltaWing, “o coupé teve grande equilíbrio. Consegui forçar bastante. O carro estava óptimo no tráfego, eu tinha um bom ritmo e fui capaz de usar a velocidade em linha recta para me distanciar dos outros. Estamos desapontados por termos tido o problema técnico. Esta foi apenas a segunda corrida do coupé e penso que o desempenho até agora tem sido muito impressionante."

P2: Scott Tucker sobe para primeiro no campeonato graças aos jogos de equipa

No início do fim-de-semana, Scott Tucker estava em 3º lugar no campeonato atrás dos companheiros de equipa Marino Franchitti e Guy Cosmo. Estes dois correm no HPD #552 da equipa, mas, para este fim-de-semana, receberam a companhia de um terceiro piloto, o sueco Stefan Johansson, que não só iniciou a corrida como, com o desenrolar da mesma, ditaria que nem Cosmo nem Franchitti tivessem realizado o tempo mínimo exigido para pontuar. Deste modo, o patrão Tucker eliminava dois ‘concorrentes’ de uma cajadada, restando-lhe assim apenas Scott Sharp, no HPD ARX-03b #01 da Extreme Speed Motorsports (ESM), como adversário para o título.

E o fim-de-semana não estava a correr bem para Sharp. Logo nos testes a meio da semana, o HPD da ESM sofreu de problemas de transmissão tendo mesmo sido necessário substituir o motor e a caixa de velocidade antes dos treinos oficiais. E quando se pensava que estavam livres do azar, Sharp teve um acidente nos treinos cronometrados que o deixou muito atrás dos seus adversários directos na grelha.

No entanto, durante a corrida, os jogos de equipa da Level 5 Motorsports quase entregaram a vitória a Sharp e Anthony Lazzaro. Como sempre, Tucker iniciou a corrida no HPD #551, e apesar de Johansson, no HPD #552, ser claramente mais rápido, o sueco era forçado a manter-se atrás do chefe de equipa. Isso permitiu a Lazzaro alcançar os dois HPD da Level 5 no início da corrida, acabando mesmo por ultrapassá-los. Com o mal feito, Johansson passou para 2º a fim de se lançar na perseguição ao novo líder, o HPD #01 da ESM.

Foi na segunda metade da prova que o melhor desempenho do pessoal das boxes da Level 5 permitiu ao HPD #551 voltar a assumir a liderança na categoria. Embora Sharp nunca tenha chegado a ficar muito para trás, Ryan Briscoe, agora ao volante do HPD #551, era um pouco superior e acabou por vencer a prova com uma vantagem de 13 segundos.

Scott Tucker assumiu, assim, a liderança do campeonato, com uma vantagem de apenas 6 pontos sobre Scott Sharp. Para o patrão da Level 5, “esta foi realmente uma grande vitória para nós. Construímos uma grande estratégia em conjunto com os engenheiros. Havia muito em jogo, incluindo o campeonato de equipas. O carro estava óptimo para mim no meu primeiro turno. O Ryan (Briscoe) fez um trabalho fantástico, juntamente com toda a equipa da Level 5. Não houve erros. A nossa engenharia e estratégia deram certo. Eu aprecio muito o trabalho de todos os pilotos ao longo do fim-de-semana, tal como o do pessoal de equipa, para conquistar mais um título de equipas.” Ryan Briscoe, colega de equipa, ainda acrescentou que “conseguimos recuperar a liderança na segunda parte da corrida depois do Scott (Tucker) ter tido azar com o DeltaWing. O Scott Sharp fez alguma pressão com os pneus novos mas parece que o tínhamos controlado. No final do dia, nós simplesmente fomos embora. Foi perfeito.”

Por seu lado, Scott Sharp estava satisfeito com a evolução do carro: “A equipa fez um grande trabalho nas boxes. A estratégia foi tão boa como poderíamos fazer. Eu penso que tinha litro e meio de gasolina no carro, no fim. Tínhamos um carro rápido, mas não tão rápido como Ryan Briscoe. Parecia que eu tive o azar todo no tráfego. Eu apanhava os GT e os GTC nas curvas e ele alcançava-os nas rectas. Eu perdia um segundo e meio a 2 segundos nessas voltas, e acontecia volta após volta.” No entanto, em termos gerais, Sharp estava satisfeito com uma corrida que representou “uma grande recuperação e uma boa pontuação. Ainda temos hipóteses no campeonato. Muita coisa pode acontecer numa corrida de 10 horas.”

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GT: Risi Competizione regressa às vitórias e Corvette garante títulos de equipas e construtores

No dia em que a Corvette Racing garantiu dois títulos e ficou mais perto de outro, o Ferrari 458 Italia #62 da Risi Competizione voltou à subir ao lugar mais alto do pódio ao fim de mais de dois anos (Road America, em 2011), aproveitando a ajuda da ESM, que partilhou a configuração que usaram em 2012, e o excelente desempenho de Olivier Beretta e Matteo Malucelli.

Foi no entanto a BMW Team RLL quem dominou a qualificação, colocando os dois BMW Z4 GTE nos 1º e 3º lugares da grelha, com o Ferrari #62 entre eles, enquanto os Corvette C6.R #3 e #4 da Corvette Racing ficaram nos últimos lugares, sem grande capacidade de resposta. No entanto, o início da prova foi feliz para todos menos para os BMW. Tanto Bill Auberlen, no BMW #55, como Joey Hand, no BMW #56, ficaram para trás na primeira meia hora, com o Ferrari #62 e os dois SRT Viper GTS-R a assumirem a luta na frente. Por seu lado, Antonio Garcia, no Corvette #3, e Oliver Gavin, no Corvette #4, subiam lentamente na classificação à medida que o Corvette C6.R voltava ao seu ritmo normal.

Na parte final da prova, e fruto de uma boa estratégia, e das duas neutralizações, dois Porsche 911 GT3 RSR estavam em 1º e 2º lugares. Enquanto Bryan Sellers, no Porsche #17 do Team Falken Tire, não tinha pedalada (recordamos também que a equipa competia com o modelo de 2010 que ainda tinham), já Patrick Long, no Porsche #06 da CORE Autorsport, resistiu na frente, e só um Ferrari ao mais alto nível com um Matteo Malucelli em grande forma, conseguiu ultrapassar o piloto oficial da Porsche a 25 minutos do fim.

Atrás destes dois, a Corvette Racing e a BMW Team RLL lutavam pelos títulos. Após uns 15 minutos finais bastante excitantes, foi Jan Magnussen, no Corvette #3, a assegurar o 3º lugar, chegando mesmo a alcançar Long, com os dois BMW Z4 em 4º e 5º seguidos do Corvette #4. A meio da prova, este Corvette bateu por engano num Porsche GTC que entrava nas boxes, tendo sido penalizado com um drive-through, mas, mesmo assim, chegou a estar em 4º lugar a quatro minutos do fim. Após uma manobra de defesa um pouco fora de lei de Dirk Müller no BMW #56, Tommy Milner acabou por cair para 6º.

Matteo Malucelli, piloto da Risi Competizione, era um homem feliz no final: “Nós não paramos de trabalhar no carro durante toda a temporada e melhoramos muito. Fomos rápidos no CotA mas tivemos alguns problemas, mas desta vez tudo foi perfeito – a equipa, o carro e os pneus Michelin. Foi uma corrida muito boa e tivemos um bom ritmo, especialmente no meio do turno. Tivemos um pequeno problema na segunda paragem nas boxes, e saí em quinto lugar, mas com estes pneus eu consegui andar muito depressa e fui capaz de ultrapassar todos. Eu fiz todas as manobras e consegui chegar à liderança. Foi uma vitória divertida.” Para o colega de equipa, Olivier Beretta, “foi bom estar de volta e fizemos uma boa corrida. Temos tido azar desde Sebring, e em Long Beach e Laguna Seca fizemos a pole. Estou muito contente pelo Risi e pelo Matteo, é a sua primeira vitória. O 458 é um grande carro, mas esta época foi um grande desafio do princípio ao fim.”

Por seu lado, Jan Magnussen estava também satisfeito com o resultado: “O Antonio (Garcia) fez um trabalho fantástico nos seus dois primeiros turnos. Quando entrei no carro, senti como se houvesse muito em jogo. Eu não podia arriscar nada – não podia haver penalizações, nem nada. Tínhamos que assegurar o campeonato de marcas, e poderíamos fazer isso terminando na frente dos BMW. Esse era o objectivo número um. Fui de longe muito menos agressivo do que normalmente seria. Foi difícil, porque assim perdes um pouco da tua vantagem. Tive que me defender algumas vezes do Dirk Müller: ele era rápido nalguns lugares e eu era mais rápido noutros. Cada vez que abria uma vantagem sobre ele, algo acontecia e ele recuperava. Foi difícil, mas estou feliz pela Chevrolet. Estou feliz pela Corvette Racing. É óptimo alcançar os títulos aqui. Agora vamos para Petit Le Mans com uma boa vantagem no campeonato de pilotos. Podemos relaxar um pouco, a pressão de vencer ou terminar em segundo está no carro #56. Se pontuarmos um pouco, acho que o título é nosso.

Já para os homens da BMW, especialmente Dirk Müller, “primeiro de tudo, ainda estamos na luta pelo campeonato, por isso um grande agradecimento a Joey Hand. Sabíamos que seria difícil desde o início, mas depois, com todos as neutralizações, a corrida resumiu-se a um sprint no final. Por isso, foi assim que conduzi; foi uma corrida difícil e dura, e tentei a minha manobra na antepenúltima volta, no gancho. Na verdade, o 4º lugar parece uma vitória porque não permitiu ao #3 de fugir com o campeonato.”

Challenge: Corridas mornas e Campeonatos em aberto

Desta vez as categorias PC e GTC foram bastante calmas tirando alguns incidentes, incluindo um acidente bastante assustador mas sem consequências excepto para os carros.

Na categoria PC, a prova começou logo sem dois concorrentes, a Starworks e a RSR Racing, que não vieram a Virginia, ficando a corrida reduzida a seis carros. No início, a corrida foi muito disputada mas o choque entre o líder do campeonato, Mike Guasch, no ORECA FLM09 #52 da PR1 Mathiasen Motorsports, e Ryan Booth, no ORECA #18 da Performance Tech Motorsports, deixou a frente da corrida para os dois ORECA da BAR1 Motorsports e da da CORE Autosport. O ORECA #52 da PR1 perdeu mais de 20 minutos nas boxes mas acabou por terminar em 5º lugar, permitindo a Guasch manter a liderança no campeonato, agora com apenas 11 pontos de vantagem sobre Chris Cumming, vencedor da corrida no #8 da BAR1 pela segunda vez consecutiva com Kyle Marcelli.

Na categoria GTC, Damien Faulkner e Ben Keating, no Porsche 911 GT3 Cup #66 da TRG, lideraram praticamente do início ao fim, vencendo também pela segunda vez consecutiva. Embora nunca tenham chegado a dispor de uma grande vantagem, nem Sean Edwards, no Porsche #30 da NGT Motorsport, nem Jeroen Bleekemolen, no Porsche #22 da Alex Job Racing, conseguiram suplantar o Porsche da TRG. Bleekemolen e Cooper MacNeil continuam a liderar o campeonato, com 13 pontos de vantagem sobre Henrique Cisneros no Porsche #30 da NGT.

Foi um Porsche da categoria GTC que teve uma saída de pista aparatosa a uma hora do fim. No arranque após uma neutralização, Marco Holzer, no Porsche 911 GT3 RSR #48 da Paul Miller Racing fazia uma dobragem a Eduardo Cisneros no Porsche GTC #31 da NGT quando o Holzer mudou um pouco de trajectória, tocou no carro de Cisneros, atirando os dois para fora da pista. Cisneros foi directo ao muro de pneus, sobre o qual, e após o primeiro embate, o carro faz várias piruetas, acabando por aterrar em cima do mesmo, mesmo à frente de uma câmara de televisão.

Foi assim a penúltima prova de sempre do ALMS. Daqui a duas semanas, o ALMS fecha as portas com o grande espectáculo das 12 horas de Petit Le Mans em Road Atlanta. Cá estaremos para contar como fecha a temporada e um ciclo, e quem leva para casa os últimos títulos P2, GT, PC e GTC!

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Fontes (declarações): comunicados de imprensa do ALMS, Muscle Milk Pickett Racing, Dyson Racing, DeltaWing Racing, Level 5 Motorsports, Extreme Speed Motorsports, Corvette Racing, BMW Team RLL e Risi Competizione