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WEC / 6H Austin

Toyota brilha mas Audi volta a vencer — Aston Martin domina em toda a linha nos GTE

por Hugo Ribeiro, 23 de Setembro de 2013 3 Comentários

© FIA WEC / François Flamand

A Audi soma e segue no Campeonato Mundial de Resistência, mas, em certa medida, a estrela no Circuit of the Americas foi a Toyota. Sarrazin, Davidson e Buemi deram luta praticamente até ao fim a Kristensen, Duval e McNish numa das provas mais entusiasmantes da temporada 2013 do WEC, em claro contraste com a prova de São Paulo. Entre os GTE, a Aston Martin Racing dominou em toda a linha (Pro e Am). Quanto aos lusitanos, Lamy desistiu e Águas foi 4º na classe GTE Am.

Grande corrida aquela a que assistimos na estreia do Circuit of the Americas (CoTA) no Campeonato Mundial de Resistência (WEC)! 6 horas de pura emoção, com alguns momentos que fariam (ou deveriam fazer) corar de inveja qualquer um dos intervenientes no GP da Malásia de F1, que teve lugar no mesmo dia e hoje irão encher as manchetes dos jornais, revistas e sites, mais ou menos "especializados" no fenómeno automobilístico. Uns terão a fama... outros têm certamente o proveito! E ontem quem dedicou 6 horas, ou quase, da sua vida a seguir a etapa norte-americana do WEC 2013, não as terá dado por perdidas.

© Toyota Racing

© Toyota Racing

LMP1: Toyota brilha... Audi vence

Excelente corrida na classe LMP1 com alguns momentos de pura emoção, sobretudo o período durante a segunda hora de corrida em que McNish (Audi) e Buemi (Toyota) com um período de cerca de 10 minutos em que houve mais luta em pista pelo primeiro lugar do que em meia temporada de F1! Brilhante! Soberbo! À partida para a prova, a Toyota Hybrid Racing justificava que em São Paulo não deu para ver algumas das melhorias produzidas pós Le Mans no Toyota TS030, e com uma estratégia de turnos duplos com o mesmo jogo de pneus, aliada a uma melhor eficiência de combustível, a luta só terminou nos momentos finais quando cumpridas todas as paragens previstas... com a marca nipónica, ainda assim, a ficar a pouco mais de 20s da Audi.

Stéphane Sarrazin, Toyota TS030 HYbrid #8: “Estou muito satisfeito por regressar ao pódio. Após o primeiro turno, enquanto nós não precisávamos de trocar de pneus, a Audi precisava, e vimos aí uma hipótese de ganhar a corrida. O nosso carro estava muito bom com os pneus e nós conseguimos ir a fundo até à última volta do segundo turno. Não tínhamos o andamento, mas a nossa estratégia era a certa. Todos fizeram um bom trabalho, particularmente o Sébastien (Buemi) que esteve no carro durante um longo período em condições de grande calor. Não foi fácil, mas ele manteve a pressão. Mal posso esperar por Fuji onde queremos estar num lugar acima.”

© Audi Motorsport

© Audi Motorsport

Para o segundo lugar da Toyota contribuiram também os (novos) problemas sofridos pela tripla Campeã Mundial. Não haverá grandes dúvidas que a tripla Fässler/Lotterer/Tréluyer é o futuro da Audi Sport Team Joest na endurance, mas este ano a velha guarda está empenhada em conquistar o derradeiro título, aquele que só desde 2012, após 20 anos de travessia no deserto, voltou a ser justamente atribuído: O título de Campeão Mundial de Resistência.

Cedo na corrida começaram os problemas para a #1, com o intenso tráfego a fazer estragos quando Fässler tentava passar o único Toyota em pista para "dar caça" aos seus companheiros de equipa. Esquecendo-se que os GTs não são obrigados a abrir espaço para os "Sr.s" LMP passarem à vontade, o piloto suíço, numa manobra mais arriscada, acabou por embater num dos Porsche oficiais da GTE. O carro acabaria na box a reparar o difusor traseiro, e mais tarde — ainda fruto do impacto após levantar voo no corrector — um problema eléctrico atrasou-os ainda mais na corrida e na luta pelo título.

© Audi Motorsport

© Audi Motorsport

Por sua vez, a tripla Kristensen / Duval / McNish assumiu as rédeas da corrida, tendo suado as estopinhas para impedir que o Toyota não lhes permitisse ganhar o tempo que a estratégia lhes roubava, "McCrash" mostrou estar como o Vinho do Porto nas várias lutas com Buemi, e no fim levou para casa uma merecida e trabalhosa vitória e um avanço pontual que começa a ser importante. Facto curioso: para a Audi esta foi a sua 100ª vitória com um LMP desde a estreia do Audi R8 em 2000. Kristensen estava nessa primeira vitória, nas 12 Horas de Sebring, na altura com Franck Biela e Emanuele Pirro.

Tom Kristensen, Audi R18 e-tron quattro #2: “Estou muito orgulhoso por toda a equipa ter conseguido ultrapassar todos os desafios. Vencer no Circuit of the Americas foi fantástico. A 100ª vitória da Audi é um grande tributo a todos, incluindo aos que estão em Ingolstadt e Neckarsulm. Tenho muito orgulho por fazer parte desta equipa, e, após a primeira vitória em 2000, é muito bom vencer de novo no nosso 100º sucesso.”

Depois da grande abébia da Toyota em São Paulo, por pouco em Austin a Rebellion Racing não conseguia de novo subir ao pódio da geral. Os problemas sofridos pelo #1 não foram suficientes, pelo que Heidfeld, Prost e Mathias Beche se limitaram a demostrar a fiabilidade do Lola B12/60 Toyota — bem mais fácil quando não há pressão — e confirmaram este fim-de-semana o primeiro título WEC de 2013, a Taça Mundial de Equipas Privadas LMP1.

Bart Hayden, Team Manager da Rebellion Racing: “Tivemos uma corrida à prova de bala no CoTA, e por momentos tivemos uma pequena luta com um dos Audi. O ritmo dos carros de fábrica é demasiado para nós, mas temos boas recordações deste fim-de-semana. Subimos ao pódio como vencedores entre os LMP1 privados e estivemos muito bem nas paragens na box e em pista. Usamos os testes para testar algumas afinações, e umas funcionaram, outras não, mas escolhemos a melhor para a corrida e os pilotos ficaram muito satisfeitos.”

Com este resultado, Kristensen, Duval e McNish aumentam para 33 pontos a diferença para os seus companheiros de equipa, Lotterer, Tréluyer e Fässler, e com três provas ainda em discussão (78 pontos no máximo), este é um passo significativo rumo ao bem merecido Título Mundial. No que toca ao Mundial de Construtores, a Audi lidera para o praticamente certo Título Mundial, com 154 pontos contra 85 da Toyota. Entre os LMP1 privados, o título está entregue.

© DPPI

© DPPI

LMP2: G-Drive Racing vence novamente

Uma vez mais foi pouca a emoção na LMP2, com a G-Drive Racing a demostrar pela segunda vez consecutiva uma grande consistência em pista, dominando grande parte da prova com Martin, Rusinov e Conway ao volante do Oreca Nissan #26. Ainda não é tarde para o título, mas vencer todas as provas até ao final não será suficiente para a equipa que compete com bandeira russa. Para ajudar à (nova) festa da G-Drive Racing, a OAK Racing por pouco não cometia hara-kiri em pleno circuito com as duplas dos Morgan Nissan #24 e Morgan Nissan #35 a levarem demasiado a sério a luta interna pelo título na classe, esquecendo que, por estas bandas, está em primeiro lugar o resultado da equipa. Com a brincadeira, lá se foi um potencial bom resultado (ambos os carros seguiam nas duas primeiras posições) acabando por não irem além dos 6º e 7º lugares.

Com isto, e com mais uma corrida bem conseguida, Perez-Companc, KafferMinassian colocaram o Oreca Nissan #49 da Pecom Racing na liderança do campeonato ao subirem ao segundo lugar do pódio. Calmamente, sem se meter em grandes confusões, um pódio lá caiu do céu para a Lotus - ou Praga, ou Kodewa, ou lá o nome com que é designada esta semana... Depois de terem visto os seus colegas de equipa ficaram pelo caminho logo nas primeiras curvas, Holzer, Kraihamer e Charouz partiram para uma corrida serena, sem deixar de demostrar um ritmo sólido e a fiabilidade desejada e que por norma bons frutos dá. E assim deu. Aproveitando os problemas dos outros, a equipa soube estar no sítio certo no momento certo e com isso capitalizar o investimento realizado (embora a ADESS, que lhes fabricou o Lotus - ou Praga, ou Lotus Praga, ou Praga Lotus, ou... - reclame o mesmo) e conquistar de uma só vez praticamente os mesmos pontos que até agora haviam conquistado.

Contas feitas, a Pecom lidera agora com 104 pontos, mais três do que o #35 da OAK Racing e mais treze que o #24. A G-Drive Racing é 4ª, com 72 pontos - e não fosse o buraco negro pontual em Le Mans, o projecto desportivo russo gerido pela ADR Delta estaria no calor da discussão do título.

© Aston Martin Racing

© Aston Martin Racing

GTE: Aston Martin Racing no topo em ambas as frentes

Nas classes GTE, a Aston Martin Racing voltou a não dar hipóteses a ninguém. Makowiecki e Senna vergaram a AF Corse e a Porsche AG Team Manthey na GTE Pro, com o Vantage #99, enquanto na GTE Am Campbell Walter e Hall discutiram a vitória com os colegas de equipa Poulsen, Nygaard e Thiim, nos Vantage #96 e #95, respectivamente, proporcionando vários grandes momentos em pista, mas também algumas acusações no final da corrida por parte da 8Star Motorsports, que terminado na 4ª posição em Austin e descendo ao 3º lugar no Campeonato, afirma que irá ponderar a sua continuação no que resta da temporada. Em causa está a abertura do ACO e da FIA para com a Aston Martin, permitindo que este corra com apenas dois pilotos, que estão longe de serem gentlemen-drivers de facto. Afastada da luta pela vitória, a IMSA Performance Matmut acabaria no entanto por ser superior à 8 Star de Rui Águas — mais uma excelente corrida, contudo — e conquistar mais um pódio.

© Aston Martin Racing

© Aston Martin Racing

Na GTE Pro também só deu Aston Martin, mas dois dos três carros ficaram pelo caminho, com o #97 a não conseguir pontuar após um muito zeloso Comissário Desportivo não ter permitido que o GT saísse para a pista após ter reparado a suspensão da frente, reparação esse que não convenceu o dito Comissário. Ainda antes, já o #99 de Pedro Lamy — prova algo apagada — havia ficado pelo caminho, também com problemas na suspensão. Com a Porsche a não dar grande luta, foi a Ferrari via AF Corse quem mais tentou incomodar a Aston Martin na GTE Pro, mas no regresso às vitórias, a Aston Martin estava simplesmente imbatível. Bruni e Fisichella foram segundos, liderando agora o Título de Pilotos GT com 99 pontos, mais quatro três que Lieb e Lietz, o já clássico o duo da Porsche. Turner e Mücke não pontuaram e são agora terceiros com 86 pontos. Vilander e Kobayashi fecharam o pódio, e seguem na 4º posição com 72 pontos.

No Campeonato reservado aos construtores, a Porsche saltou para o último lugar com 163 pontos, contra 170 da Aston Martin (2º) e 182 da líder, a Ferrari. Nas equipas GTE Pro, a AF Corse e Porsche AG Team Manthey estão empatadas com 99 pontos, enquanto na GTE Am a Aston Martin lidera com 99 pontos, mais 8 que a IMSA Performance.

Quanto aos portugueses, Rui Águas segue na 3ª posição com 79 pontos, menos 16 que os lideres, enquanto Pedro Lamy é 12º no Mundial de Pilotos GT, com 24.5 pontos, muito longe dos 99 de Fisichella e Bruni.

Por fim... o WEC regressa a daqui a pouco mais de um mês, a 20 de Outubro, para as 6 Horas de Fuji, no Japão.

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