Notícias | Opinião | WEC

WEC / 6H Xangai

Toda a Informação sobre as 6H de Xangai: As Estratégias

por Pedro Correia, 8 de Novembro de 2013 Sem Comentários

© FIA WEC

O Campeonato do Mundo de Endurance está de regresso, depois da (não) corrida em Fuji há três semanas, novamente na Ásia, desta vez na pista dos arredores de Xangai, na República Popular da China.

2012

No ano passado a corrida chinesa encerrou o calendário, tendo-se assistido à vitória do único Toyota TS030 presente, pilotado por Wurz e Lapierre, que dominaram a seu bel-prazer, sem que a sua hegemonia tenha sido posta em causa pelos Audi. Então a Toyota realizou turnos de 25 voltas e a Audi turnos de 28 voltas. Nos treinos de qualificação, o melhor tempo marcado foi então de 1:48.273, pelo Toyota que haveria de se sagrar vencedor.

2013

Este ano, tal como se tem assistido, o cenário deverá ser totalmente inverso, em termos de cadência de paragens para reabastecer, com a Toyota a prolongar mais os seus turnos, que acreditamos poderem chegar às 27 voltas, contra apenas 25 voltas da Audi.

Neste fim de semana, o melhor tempo absoluto realizado foi logo no primeiro treino livre, com o Audi dos líderes do campeonato a realizar 1:47.442, ou seja, 0,8 segundos mais rápido que o melhor tempo de 2012.

Com estes dados, num cenário cada vez mais improvável de assistirmos a uma corrida sem qualquer intervenção do Safety-Car, algo que se verificou em 2012, prevemos uma distância total de 192 voltas a percorrer. Nesta perspectiva, tanto Audi como Toyota teriam que realizar oito paragens para reabastecimento, sendo que a Toyota apenas teria que realizar a derradeira paragem a somente 3 voltas do fim, pelo que facilmente, com uma intervenção do Safety Car, por mais breve que seja, significará que o modelo japonês, num ápice, poderá retirar uma paragem do seu planeamento. Mesmo que haja necessidade de realizar essa paragem, será sempre muito mais rápida que a oitava paragem da Audi.

Turno 25 voltas Volta Turno 27 voltas Volta
1ª paragem 24 1ª paragem 26
2ª paragem 25 2ª paragem 27
3ª paragem 50 3ª paragem 54
4ª paragem 75 4ª paragem 81
5ª paragem 100 5ª paragem 108
6ª paragem 125 6ª paragem 135
7ª paragem 150 7ª paragem 162
8ª paragem 175 8ª paragem 189
200 216

E, uma paragem a mais significará que a Audi teria que ser 4 décimos de segundo por volta mais rápida que a Toyota, o que parece pouco provável atendendo aos resultados dos treinos até agora realizados. É certo que os alemães conseguiram realizar um tempo canhão logo no primeiro treino, bem melhor que o melhor tempo absoluto da qualificação (1:48.012), mas o melhor tempo ideal (soma dos melhores sectores) do Toyota #7 seria de 1:47.448, apenas 7 milésimos mais lento do que o tempo da Audi no FP1. Curiosamente, o tempo ideal do Audi #1 seria de 1:48.449, a apenas 1 milésimo do Toyota!

Não se adivinha assim que qualquer dos competidores revele uma diferença de andamento avassaladora, o que só poderão ser boas notícias para os nipónicos, que terão a vantagem estratégica do seu lado, isto no caso de não terem problemas com os pneus, algo que já vimos acontecer para qualquer dos lados da barricada, em distintas ocasiões. Recorde-se que, em 2012, a opção foi por trocas de pneus a todas as paragens, em qualquer dos casos.

Mas, recordando novamente 2012, a diferença entre Audi e Toyota, nos treinos, era mínima, da ordem da décima de segundo, o que se revelou diametralmente oposto na corrida, que foi certamente a mais sonolenta de 2012, com o domínio inquestionável da Toyota de fio a pavio. É certo que a estreia a vencer em 2013, na prova caseira de Fuji, pelos moldes em que se registou, não servirá para motivar por aí além os japonesas, poderá muito bem ter continuidade na R. P. da China.

1422920_594425100595460_284654698_n

Utilização dos sistemas híbridos

No Circuito Internacional de Xangai serão quatro as zonas de recarga/utilização dos sistemas secundários de propulsão, o primeiro logo na curva 1, a que se segue uma sequência que ilustra bem o epíteto de "Mickey Mouse" atribuído aos circuitos saídos da pena do Sr. Tilke, toda ela negociada abaixo dos 100 km/h, pelo que a Toyota tirará sempre melhor partido do seu sistema, que a Audi só poderá accionar quando ultrapassar os 120km/h, algo que só deverá acontecer algures na curva 4. A segunda zona será na curva 6, um lento gancho negociado a apenas 70km/h, a que se segue uma recta, o que significa que a Audi apenas beneficiará do seu sistema com um ligeiro atraso em relação à Toyota, mas nada de verdadeiramente significativo.

A terceira travagem de recarga do sistema será na curva 11, a que se seguirão as curvas 12 e 13, uma espécie de parabólica de acesso à principal recta do circuito, com a barreira dos 120 km/h a ser ultrapassada logo no início da curva 13, pelo que não deverá aqui também resultar grande prejuízo para os carros alemães. A última zona será na curva 14, o gancho abordado a 60km/h no final da grande recta, num cenário idêntico ao da segunda zona, pelo que a Toyota apenas deverá tirar uma vantagem significativa da primeira zona de recarga do sistema híbrido.