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CNV / Braga: Corridas

Stefano de Val bisa no Circuito Vasco Sameiro

por Pedro Correia, 14 de Abril de 2014 Sem Comentários

© Nuno Organista

Corrida 1

Na partida, Carlos Vieira, no Tatuus da Veloso Motorsport, aproveitou a pole position conquistada no dia anterior para assumir a liderança da corrida, destacando-se apenas a subida ao quarto lugar de César Campaniço em carro idêntico da Novadriver, superando Gonçalo Inácio no Norma da Araújo Competições e António Nogueira a fazer valer os cavalos do Porsche 911 GT3-R para superar o Radical de Armando Parente. Logo à segunda volta, Carlos Vieira entrou para a história ao estabelecer um novo recorde oficial absoluto da pista dos arredores de Braga, realizando uma volta em 1:13.917, mais rápido um décimo que a pole conquistada no dia anterior.

Apesar do ritmo forte nas primeiras voltas, José Pedro Fontes acompanhou de perto Carlos Vieira, surgindo ligeiramente atrasados, na luta pela terceira posição, Stefano de Val e César Campaniço. Com o passar das voltas, o Tatuus da Sport & You começou a perder terreno para o líder, sendo apanhado por De Val e Campaniço que passaram assim a estar em posição de atacar a segunda posição. Entretanto, mais atrás, Armando Parente recuperava a posição de partida, superando António Nogueira. Na luta pela segunda posição, José Pedro Fontes parecia começar a funcionar como tampão do Wolf da CRM e do Tatuus da Novadriver, enquanto Carlos Vieira se escapava na liderança.

Assim, tanto a CRM como a Novadriver optaram por fazer as trocas de pilotos (paragem obrigatória no caso do Wolf, já que Stefano de Val corria a solo) mal entraram na janela regulamentar para o efeito. Aí o mais rápido foi o italiano, saindo com uma vantagem confortável sobre Francisco Abreu, que assumiu o lugar de César Campaniço. E a primeira surpresa surgiu quando o líder parou, pois regressou à pista apenas na terceira posição, com De Val e Abreu a capitalizarem o facto de rodarem com pista livre para superarem o carro agora pilotado por Pedro Salvador. A confirmação de que o carro de José Pedro Fontes estaria mais lento veio aquando da sua paragem para passar o testemunho a Miguel Barbosa, pois regressaria à pista apenas em quarto.

A segunda surpresa viria pouco depois, com a desistência dos líderes da primeira parte da corrida, quando seguiam no terceiro lugar, com problemas com o acelerador que já os tinham feito perder terreno e também, duas voltas depois, do carro de Campaniço e Abreu, que seguia então em segundo lugar, depois de um pião provocado por óleo proveniente do motor nos pneus traseiros. A partir deste momento, Stefano de Val passou a gerir a corrida, já que o carro de Fontes e Barbosa tinha já uma desvantagem de sensivelmente meia volta. O ponto de animação passou então para a luta pelo degrau mais baixo do pódio com o segundo Wolf de António Ricciardi e Nuno Santos, a fazer uma prova muito regular, a aproximar-se do Norma dos irmãos Montez.

Uma hesitação na dobragem ao outro Norma de Gonçalo Araújo e Miguel Cristovão fez com que Miguel Cristovão entreabrisse a porta a Nuno Santos que aproveitou para colocar o Wolf no pódio. No quinto lugar terminou o melhor C3, o de Armando Parente e Rafael Lobato, que realizaram uma prova imaculada que lhes permitiu superar o Norma de Gonçalo Araújo e Miguel Cristovão, que terminaram em sexto. No sétimo lugar ficou a dupla belga Donald Mnaessens Donald e Wim Geemtjens, à frente de António Nogueira e Amândio Dias. No décimo lugar ainda se classificou o Tatuus de Campaniço e Abreu, que cumpriu o número mínimo de voltas para se classificar. Não classificados ficaram Carlos Vieira/Pedro Salvador e o Juno de José Pedro Faria e Paulo Macedo que continuou a sentir problemas durante a corrida.

P.Cl.N.PilotosChassis 
1.SP88Stefano de Val / De ValWolf G80836 voltas
2.SP7José Pedro Fontes / Miguel BarbosaTatuus PY012+ 1:06.203
3.SP77António Ricciardi / Nuno SantosWolf G808- 1 volta
4.SP32Eugénio Montez / Sérgio MontezNorma M20FC- 1 volta
5.SP24Armando Parente / Rafael LobatoRadical SR3- 2 voltas
6.SP51Gonçalo Araújo / Miguel CristovãoNorma M20FC- 2 voltas
7.SP52Mnaessens Donald / Geemtjens WimRadical SR3- 3 voltas
8.GT32António NogueiraPorsche 911 GT3 R- 3 voltas
9.GTC22Amândio DiasPorsche 911 GT3 CUP- 7 voltas
10.SP11César Campaniço / Francisco AbreuTatuus PY012- 10 voltas
NC
SP33Carlos Vieira / Pedro SalvadorTatuus PY012- 12 voltas
NCSP20José Pedro Faria / Paulo MacedoJuno CN09- 22 voltas

© Nuno Organista

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Corrida 2

Para a segunda corrida do fim de semana, definida pelos tempos da segunda sessão de qualificação, a grelha apresentava-se ligeiramente diferente da primeira para uma corrida disputada a uma temperatura ligeiramente superior. Na pole estava novamente o Tatuus de Pedro Salvador e Carlos Vieira preparados para vingar o azar da primeira corrida mas sendo agora acompanhados do carro de Francisco Abreu e César Campaniço, seguindo-se na segunda linha o vencedor da primeira corrida, Stefano de Val, e o protótipo de Miguel Barbosa e José Pedro Fontes.

No arranque, boa manobra para o jovem italiano que supera o carro pilotado por Francisco Abreu, instalando-se no primeiro lugar, enquanto mais atrás António Nogueira realizava novo arranque canhão, saltando para o sexto posto que de pouco lhe iria valer, já que um erro logo na volta inicial o fazia perder várias posições e quase meia volta. E António Nogueira só não caiu para último porque no final da primeira volta Pedro Salvador confirmava que este fim de semana seria para esquecer para os homens do Tatuus da Veloso Motorsport, perdendo volta e meia para colocar o carro a 100%. Isto deixou Stefano de Val na liderança seguido de perto por Francisco Abreu e Miguel Barbosa, enquanto Pedro Salvador atacava ao máximo numa tentativa de recuperar o máximo possível do atraso perdido.

Durante as primeiras voltas Francisco Abreu acompanhou o andamento do italiano, cavando alguma distância para Miguel Barbosa. Mais atrasados seguiam os restantes CN até que o Norma de Gonçalo Araújo e Miguel Cristovão se viu obrigado a desistir, ao cabo de 14 voltas. Entretanto, o Radical de Mnaessens e Geemtjens perdia a asa traseira e completaria o resto da prova a ritmo bastante mais lento. Com o aproximar do meio da corrida e as trocas de pilotos, o Wolf de Stefano de Val mantinha o mesmo ritmo forte, cavando uma ligeira vantagem para Francisco Abreu, que começava a sentir alguns problemas de aderência.

Com as trocas de pilotos, nada de novo na frente na corrida, mas César Campaniço continuou a debater-se com os mesmos problemas de aderência dos pneus traseiros, sendo impotente para contrariar a supremacia italiana e tendo agora que se haver com a recuperação de José Pedro Fontes no Tatuus da Sports & You. Até final da corrida, Stefano de Val construiu uma vantagem que ficou perto de perfazer uma volta completa à pista bracarense, sendo em alguns momentos da corrida três segundos por volta mais rápido que os seus rivais, enquanto José Pedro Fontes conseguiu chegar-se à traseira de César Campaniço mas sem o conseguir atacar pois os seus pneus também já não se apresentavam nas melhores condições.

Já a alguma distância ficou o Norma dos irmãos Eugénio e Sérgio Montez, que superaram desta vez o Wolf de António Ricciardi e Nuno Santos. O Radical de Armando Parente e Rafael Lobato voltou a ser o melhor C3 a que somou o sétimo lugar na geral, enquanto os seus rivais belgas acabaram por não conseguir realizar voltas suficientes para se classificarem e António Nogueira recuperou até oitavo, à frente do Juno de José Pedro Faria e Paulo Macedo que finalmente conseguiram realizar tempos competitivos, embora nunca contando com uma colaboração a 100% do carro inglês. O Porsche 911 Cup da classe GTC pilotado a solo por Amândio Dias fechou a tabela dos carros classificados.

P.Cl.N.PilotosChassis 
1.SP88Stefano de Val / De ValWolf G80838 voltas
2.SP11César Campaniço / Francisco AbreuTatuus PY012+ 1:13.503
3.SP32Eugénio Montez / Sérgio MontezNorma M20FC+ 1:14.528
4.SP7José Pedro Fontes / Miguel BarbosaTatuus PY012- 1 volta
5.SP77António Ricciardi / Nuno SantosWolf G808- 1 volta
6.
SP33Carlos Vieira / Pedro SalvadorTatuus PY012- 2 voltas
7.SP24Armando Parente / Rafael LobatoRadical SR3- 3 voltas
8.GT32António NogueiraPorsche 911 GT3 R- 4 voltas
9.SP20José Pedro Faria / Paulo MacedoJuno CN09- 5 voltas
10.GTC22Amândio DiasPorsche 911 GT3 CUP- 8 voltas
NCSP52Mnaessens Donald / Geemtjens WimRadical SR3- 12 voltas
NCSP51Gonçalo Araújo / Miguel CristovãoNorma M20FC- 24 voltas

No final do dia o italiano Stefano de Val estava obviamente satisfeito com o pecúlio acumulado: "O fim de semana não podia ter corrido de melhor maneira para nós. Não conhecida de todo a pista até quinta-feira e depois dos treinos privados e os treinos oficiais pensava que seria possível lutar pelo terceiro ou quarto lugar. Na primeira corrida beneficiamos dos problemas dos nossos rivais para vencer pois em condições normais não conseguiríamos acompanhá-los. Para a segunda corrida reservamos os pneus mais frescos e sabia que isso nos poderia dar alguma vantagem ao longo da corrida para os adversários com pneus mais usados, e procedemos também a algumas alterações no acerto que resultaram em pleno, com o carro a ficar mais fácil de pilotar."

Sobre a impressão de que o italiano tinha gerido melhor que os adversários o desgaste dos pneus, mantendo um andamento mais consistente ao longo dos 50 minutos de prova, este afirmou que "os nossos adversários mais fortes estavam a competir com estes protótipos pela primeira vez e eu tinha a vantagem de ter corrido com o mesmo carro no Supercar Challenge [NdR: Stefano e o irmão Nicola foram vice-campeões na Classe CN, e fez também as 12 horas do Dubai deste ano] na Bélgica e Holanda, onde já trabalhava com o mesmo engenheiro e os mesmos mecânicos que estão aqui com a CRM. No caso dos pneus, no Supercar Challenge eram usados os pneus de outra marca e não os Pirelli usados aqui pelo que aí estou em pé de igualdade com os adversários" E abordando as perspectivas para o resto do campeonato: "Este resultado abre-nos boas perspectivas para a classificação final mas não temos planeado participar nas duas rampas do calendário, já que a actividade profissional tanto minha como do meu irmão limita as deslocações às provas em Portugal, pelo que optamos por abdicar das provas de montanha."

Nas hostes da Novadriver o fim de semana deixava um travo agridoce, conforme confirmou Francisco Abreu: "Sabia que esta prova seria complicada para nós pois apenas finalizamos o acordo há muito pouco tempo e apenas tive oportunidade de testar o carro pela primeira vez na tarde de quinta-feira. O César (Campaniço) foi imprescindível na minha adaptação à condução do Tatuus que é bastante diferente dos carros que já tive oportunidade de conduzir. Na primeira corrida, um problema fez com que, ainda no turno do César, começasse a ser projectado óleo para os pneus traseiros, o que tornou o carro muito complicado de pilotar quando estava a tentar acompanhar o Stefano (de Val) e acabei por não evitar um pião.

O maior problema foi que, talvez por não podermos usar o booster na grelha de partida, não consegui colocar o motor em funcionamento, terminando ali a nossa corrida. Na segunda corrida ainda tentei acompanhar o andamento do Stefano mas o acerto do Wolf era muito eficaz e pude aperceber-me disso quando seguia atrás dele, sendo capaz de imprimir um ritmo muito forte sempre com o carro muito composto, por isso acabamos por sofrer mais com o desgaste dos pneus. Mas apesar das dificuldades o César conseguiu manter o segundo lugar e assegurar pontos importantes para o campeonato depois do azar da primeira corrida, até porque mesmo sem a questão do desgaste dos pneus, penso que seria muito difícil atacar a liderança."

O prémio dos azarados do dia, a existir, seria conquistado indubitavelmente pela dupla Carlos Vieira e Pedro Salvador, que levam de Braga apenas duas poles categóricas e o novo recorde do Circuito Vasco Sameiro, um magro pecúlio depois de problemas mecânicos em ambas as provas quando lideravam. Os dois eram por isso o espelho da desolação: "Sentimos-nos muito frustrados pois tínhamos a primeira corrida completamente controlada quando o pedal do acelerador começou a prender, obrigando primeiro a atrasar-nos e finalmente desistir. Na segunda corrida sabíamos que tínhamos um carro muito bem afinado, com um comportamento que agradava bastante a ambos, mas logo na primeira volta não queríamos acreditar quando voltamos a sentir problemas e tivemos que entrar nas boxes, atrasando-nos irremediavelmente e afastando qualquer possibilidade de lutar por uma vitória que sabíamos ter todas as condições para conquistar. Como se não bastasse, começamos a sofrer com algum problema que resultava em óleo atirado para os pneus traseiros, que terão acelerado o desgaste dos pneus traseiros, pelo que recuperamos até onde foi possível."

Confrontados com o facto do problema do desgaste dos pneus se ter verificado em quase todos os carros... "Para nós foi uma surpresa, na sexta feira realizamos 50 voltas com o mesmo jogo de pneus e nas derradeiras voltas os tempos registados eram vários segundos melhores do que os tempos que fizemos nas últimas voltas, pelo que é difícil perceber o que aconteceu, mesmo sabendo que há pequenos factores que poderão influenciar o desgaste, como a temperatura ligeiramente superior, a pista com muita borracha de proveniências diferentes, já que correram várias categorias ao longo do fim de semana, etc."

Mas não foi a única surpresa com que a dupla se deparou no fim de semana, já que o regulamento desportivo também surpreendeu: "Correndo a solo há algumas vantagens, como não ser necessária uma solução de compromisso entre a uma dupla de pilotos no acerto do carro, além de que na reentrada em pista já tem o conhecimento das condições de pista e ritmo de corrida, ao contrário dos adversários que aguardam a passagem de testemunho nas boxes e não existe o risco de atraso na mudança de piloto. Até agora, para compensar estas vantagens, havia um handicap em tempo acrescido ao tempo de paragem obrigatória, algo que entenderam eliminar do regulamento para este ano, o que nos colheu de surpresa. Apesar dos poucos pontos recolhidos vamos continuar a lutar prova a prova para recuperar este atraso."

Num último apontamento, é de destacar que pela primeira vez nas corridas de circuito das provas nacionais tivemos um sistema de live timing disponível em tempo real online que permitiu aos espectadores presentes no circuito com telemóveis ou tablet com ligação 3G acompanhar a prova com maior facilidade, principalmente na fase de paragens nas boxes, em que é muitas vezes quase impossível desvendar as posições em pista - uma evolução muito bem vinda.