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Challenge Ibérico de Sport-Protótipos
Sport-Protótipos em Portugal: a saga continua…
por Hugo Ribeiro e Vitor Ribeiro, 6 de Abril de 2012 6 Comentários

Com a publicação, na passada quinta-feira (5 de Abril), do calendário actualizado do Challenge Ibérico de Sport-Protótipos (CISP) no sítio da FPAK, cumpriu-se mais um capítulo na (aparentemente) interminável saga dos sport-protótipos em Portugal. Agora reduzido a apenas quatro das seis provas anteriormente previstas e com o seu começo adiado para o fim-de-semana de 9 e 10 de Junho, em Albacete, esperemos que as equipas e pilotos interessados possam (finalmente!) preparar convenientemente uma competição que ingredientes suficientes para captar o interesse e atenção daqueles que apreciam corridas animadas e bem disputadas.
O facto, no entanto, não pode deixar de merecer algumas reflexões sobre a forma como se organizam (?) e promovem (?) as (ou só algumas?) competições automobilísticas nacionais.
Denunciando velhos hábitos que tardam em ser abandonados, a FPAK, numa semana, voltou a mexer nos calendários de algumas competições, ora com estas já a decorrer (CPGT), ora com estas perto de arrancar (CISP). No Campeonato de Portugal de GT, foi incluída uma prova no final da temporada, em Espanha, fruto de um acordo celebrado entre a FPAK e a sua congénere espanhola, RFEdA, que estipulava poderem que os campeonatos nacionais de cada um dos dois país realizar uma prova - e apenas uma - no país vizinho. Mas se em Espanha o acordo foi imediatamente posto em marcha ainda antes do arranque do campeonato, como se deve fazer, já em Portugal a alteração do calendário teve de esperar (?)... pela realização da primeira prova!
Embora não seja nada a que já as equipas, pilotos e fãs nacionais não estejam habituados, não deixa mesmo assim de ser algo que merece ser criticado, pois pese embora poder-se sempre admitir alterações por força maior, este não parece que seja o caso. E sublinhamos o 'parece' porque - como também tem sido (infeliz) hábito - nem a entidade organizadora, a quem caberia em primeira instância essa explicação, nem a FPAK, que se limita, como é sua obrigação, a homologar e publicar o calendário devidamente actualizado, prestam qualquer explicação pública.
Mas pior ainda foi o que se passou, ou tem passado, com o CISP, campeonato que algumas equipas e pilotos interessados procuraram pôr de pé desde os finais do ano passado de forma a devolver às pistas nacionais os (mal amados?) pequenos protótipos das classe CN e CM, entre outros, afastados na sequência das polémicas que ditaram o fim do Campeonato de Portugal de GTs e Sport-Protótipos. Se a confirmação algo tardia da realização do campeonato já não havia sido do agrado de muita gente - embora o facto de as negociações para a sua realização se terem iniciado também algo tardiamente possa ser considerado atenuante -, a marcação do seu início para uma data tão precoce, face à data dessa confirmação, e, pior ainda, a subsequente alteração a pouco mais de uma semana do seu início, deixaram boa parte dos interessados (como podemos confirmar nos contactos informais que temos feito nos últimos dias) com 'os cabelos em pé'.
Numa altura em que vários pilotos, sobretudo os oriundos de Espanha, desesperavam por falta de informação - o site Racing Weekend é omisso no que respeita aos protótipos, pese embora o organizador ser o mesmo, não havendo qualquer outro espaço online dedicado ao CISP, ao contrário do que o organizador em Espanha, a V-Line Org já está a fazer (ver aqui) - e a outros, sobretudo os nacionais, escasseava o tempo para viabilizar tão cedo a sua participação (de facto, e apesar de termos identificado cerca de uma dezena de potenciais inscritos para a prova do Estoril, só entre os veículos das classes CN e CM - conforme aqui havíamos referido-, a verdade é que à data da alteração do calendário apenas haveria a confirmação de dois inscritos...), não nos parece admissível a forma como este processo foi gerido.
De facto, caso só não atingirá proporções mais dramáticas, no que ao futuro do campeonato diz respeito, porque essa era uma alteração desejada pelos interessados, pois desde o início que aqueles que têm estado na linha da frente da luta pela realização desta competição haviam manifestado o seu desejo de que o início da mesma não ocorresse tão cedo, a fim de possibilitar ao maior número possível de interessados reunir e montar o orçamento necessário. E daí que a indignação e o desagrado por esta alteração tão tardia e em cima da hora acabem por ser mitigadas pelo regozijo de poder dispor de mais algum tempo para preparar convenientemente uma participação condigna. Essa é, pelo menos, a leitura que fazemos dos ecos que nos chegaram ao conhecimento.
Tal não invalida, no entanto, que se levante aqui outro problema que é o da comunicação, pois foi com alguma surpresa que os pilotos viram no site da FPAK o calendário alterado sem sequer terem sido avisados do que quer que seja. É responsabilidade destes andarem sempre informados? Terão eles a obrigação de consultar todos os dias o site da Federação para constatarem factos sem a correspondente explicação ou justificação? Sim, talvez o devam fazer, mas também é responsabilidade das entidades responsáveis comunicar aos interessados o que se passa antes de divulgarem publicamente o que quer que seja. Aliás, foi precisamente o que a LMEO fez no passado fim-de-semana com o cancelamento da prova de Zolder que só foi oficializado publicamente após uma reunião com as equipas. O rumor já circulava, mas o Le Mans Portugal sabe que as equipas do ELMS já haviam sido informadas dessa possibilidade antes da partida para Paul Ricard.
Pelo contrário, em Portugal, tiveram de ser os próprios pilotos a entrar em contacto com a FPAK e com a Full Eventos (o promotor das etapas portuguesas do CISP) para perceber o que é que passava, pois do outro lado da fronteira a V-Line Org (o promotor das etapas espanholas do CISP), já sabendo que não haveria prova, anunciava no seu próprio site, lançado no início desta semana, um calendário diferente onde não constava já a prova do Estoril prevista para este fim-de-semana remetendo o início do campeonato para Junho, em Albacete. E aqui está outro exemplo de falta de profissionalismo: um campeonato que organizado por duas entidades distintas, incapazes de abrirem um site conjunto em português e espanhol com todas as informações necessárias (com uma zona de comunicação privada para equipas e pilotos) sobre o campeonato, pois o que há actualmente é um sub-site associado apenas a um dos organizadores.
É um facto indesmentível que em Portugal o automobilismo é "coisa de gente rica" - como, aliás, os próprios responsáveis da FPAK, e mesmo do ACP, já o afirmaram por diversas vezes sem qualquer pudor - mas mesmo essa "gente rica" tem responsabilidades profissionais e mais que fazer do que estar dependente de calendários desportivos que muda ao sabor do vento. Para além de que, ainda pior do que isso, a maior parte precisa de saber atempadamente com o que conta a fim de poder reunir um orçamento capaz. Pelo que, mesmo não havendo pilotos profissionais, na verdadeira acepção da palavra, estas competições não abdicam de um grau mínimo de profissionalismo na sua organização e gestão. Profissionalismo esse que é muito do que não se vê quando se fala na organização e promoção do automobilismo em Portugal, salvo raras e honrosas excepções. Profissionalismo esse que parece esgotar-se na organização e promoção daquela mão-cheia de competições internacionais que passam pelo nosso país, sem que a experiência aí adquirida aparente aportar, a esse nível, qualquer benefício para as competições nacionais...
A verdade é que as competições automóveis em Portugal parecem ser tratadas como qualquer reunião de amigos para meia dúzia de corridas em kartódromos. Mas diferença entre o CPGT ou CISP e uma "competição" dessas é que há um título oficial em disputa, há centenas de milhares euros investidos e não somente algumas poucas centenas, e há alguma imprensa (embora muito pouca) presente para dar a notícia…
Também é verdade que nem sempre "de cima" vêm os melhores exemplos, e este ano já tivemos alguns: recentemente a LMEO, o organizador e promotor do European Le Mans Series, cancelou um prova quando o campeonato estava a dar as suas primeiras voltas; e a SRO, organizador e promotor do Mundial de GT1, foi ultrapassando todos os prazos por si própria definidos para juntar as equipas necessárias para colocar o Mundial em marcha, alterando o calendário em função da proveniência de financiamento capaz de assegurar, à última hora, as equipas necessárias à viabilização do campeonato. Mas nem esses exemplos servem de desculpa.
E como o país é pequeno, o mercado ainda menor e toda a gente se conhece e acaba por encontrar nos mesmos sítios, a auto-censura predomina e as criticas acabam por ser feitas em surdina, salvo honrosas excepções, por receio de represálias, sem que a comunicação social, cada vez mais politicamente correcta, desempenhe cabalmente o seu papel - como de resto, o estranho (?) silêncio em torno do Challenge parece demonstrar. Até quando?
PS: Relativamente ao calendário disponível no site da V-Line Org, convém sublinhar que a realização de um número ímpar de provas está posta de parte, pois o acordo estabelecido entre as duas federações nacionais impõe um número de provas idêntico em cada um dos países. Entretanto, a FPAK decidiu de novo aceitar os protótipos no Estoril para uma prova extra-campeonato...
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A FPAK precisa urgentemente de sangue novo.
Automobilismo em Portugal nesta altura? Vão mas é trabalhar.
Porque José? Queres desenvolver?
Não, mas custa-me ver queimar dinheiro para diversão.
Meu caro: por essa ordem de ideias, não haveria nenhuma categoria de automobilismo (incluindo F1) que se salvasse… Talvez te deva lembrar que embora haja a maior parte destes senhores corram apenas por diversão, outros há que o fazem de forma profissional e que as equipas que os assistem (a todos) e respectivos engenheiros, mecânicos, etc, não andam lá por carolice. Se te estás a a referir a outras questões (relacionadas com a proveniência do dinheiro que alguns investem ou com a forma como alguns gerem as suas empresas) aí a conversa já é outra, mas seja como for, o automobilismo, como referi atrás, também alimenta alguns empregos que, de outra forma, estariam condenados (aliás, não é por acaso que alguns dos nossos jovens engenheiros se vêem obrigados a procurar lá fora as oportunidades que cá não existem – como não existem em muitas outras áreas, obviamente.
Futebol em Portugal nesta altura??? VÃO MAS È TRABALHAR…