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World Endurance Championship

Será o Nissan GT-R LM Nismo um LMP1 de acordo com as regras?

por Pedro Correia, 17 de Março de 2015 3 Comentários

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A Nissan teve uma leitura do regulamento definitivamente diferente dos restantes construtores. Em rigor, o Nissan GT-R LM Nismo não será ainda um LMP1 homologado, por isso não há qualquer problema de estar ou não de acordo com o regulamento em vigor.

No entanto, a homologação terá que ser uma realidade a curto prazo, uma vez que esta terá que acontecer antes da prova de Silverstone (se quisermos ser picuinhas, teria que estar homologado antes do Prólogo de Paul Ricard, no final do mês de Março), cujo evento se inicia a 10 de Abril. Seguindo as regras à letra, teria que existir um  período de 30 dias entre o envio do processo para homologação e a decisão de homologação, acrescido de um posterior período de 30 dias entre a decisão de homologação e o evento em questão. Neste momento, mesmo para a prova de Spa, seria necessário que todo o processo fosse encaminhado até ao início de Março, dados os prazos cumulativos representarem, grosso modo, dois meses. Esta questão não será por certo problema, pois certamente a FIA e o ACO não colocarão entraves à participação da Nissan por meras questões administrativas.

No entanto, a julgar por imagens divulgadas do recente teste em Sebring, a Nissan não terá qualquer sistema motriz no eixo traseiro. Já era conhecido que o motor de combustão interna transmitiria potência ao eixo dianteiro, sendo intenção que o sistema de flywheel transmitisse potência a ambos os eixos, transformando temporariamente o protótipo num veículo de tracção integral. Logo que foram divulgadas informações concretas sobre o modelo, até porque não foi anunciada a classe de energia em que o carro seria homologado, se percebeu que seria muito complicado à Nissan colocar o protótipo perto do peso mínimo usando um sistema capaz de armazenar a energia necessária para aproveitar a classe mais alta e ainda ter o sistema ligado a ambos os eixos. Problemas semelhantes sentiu a Audi em 2014, e sabemos actualmente que a própria Porsche, com um sistema de 6 MJ e um motor com menos 2 cilindros e 1000 cm3 do que o Nissan, estava no ano passado acima do peso mínimo regulamentar.

Em relação ao teste de Sebring, circula uma fotografia que é particularmente informativa (foto em baixo), sendo óbvio que não há qualquer ligação motriz às rodas traseiras, confirmando rumores de que a Nissan teria sido obrigada a abdicar do sistema de transmissão traseira por questões de peso e dificuldades de instalação dos semi-eixos traseiros sem entrar em conflito com os túneis aerodinâmicos que serão uma das bases do conceito do Nissan GT-R LM Nismo.

Isto poderá levantar uma questão muito pertinente relativamente a um ponto do regulamento técnico, mais concretamente do que se define como sendo o sub conjunto mecânico do eixo traseiro que o artigo 1.19 define como sendo "formado por toda a suspensão traseira, rodas, travões, caixa de velocidades e veios de transmissão". Observando o Nissan, não há qualquer caixa de velocidades, veio de transmissão ou semi-eixos, pelo que não se enquadrará nos requisitos regulamentares. É óbvio que quando o regulamento foi redigido não foi prevista a possibilidade algum construtor optar por tracção primariamente dianteira, mas também parece ser óbvio que não terá havido grande diálogo da Nissan com a FIA e o ACO, ao contrário do que tem sido normal com os restantes construtores no últimos anos, pois facilmente o texto do regulamento poderia ter sido retocado neste ponto na revisão para 2015 sem que isso resultasse em quaisquer implicações de maior para os restantes construtores. Assim, será necessário um fechar de olhos a esta questiúncula técnica na homologação do Nissan.

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