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Rebellion Racing em Portimão para preparar temporada 2010
A ex-Speedy Racing Team Sebah, agora rebaptizada com o nome do seu principal patrocinador, a Rebellion Timepieces, apresentou-se na pista de Portimão, nos dias 17 e 18 deste mês, para uma sessão de testes privados com os dois carros com que irá disputar o título na classe P1 do LMS.

O Lola Rebellion, já com a configuração 2010 (B10/60) em acção no Autódromo do Algarve. IMAGEM: Rebellion Racing
Duas grandes novidades fazem, para já, atrair as atenções para esta equipa anglo-suíça - não sendo nenhuma delas as novas cores que decoram os dois protótipos, em que o dourado assume o protagonismo anteriormente atribuído ao prateado: os novos motores, desenvolvidos pela Judd mas rebaptizados Rebellion e... Jean-Christophe Bouillon.
Tendo utilizado em 2009, na categoria P1, um Lola equipado com motor Aston Martin, idêntico ao que a marca inglesa utilizou, a Rebellion decidiu este ano apostar num motor diferente porque, como nos revelou Bart Hayden, Team Manager da equipa, "pretendíamos, por um lado, levar o peso do carro ao limite mínimo, e um motor de produção é bastante pesado; mas também porque queríamos ter a certeza de usufruir do melhor motor possível, e é do interesse da Judd serem os melhores. E quando corres com um motor fornecido por uma equipa que é tua concorrente directa, a suspeita [de não fornecerem o melhor motor], mesmo que não tenha fundamento, fica sempre no ar. Não que eu ache que a Aston Martin o fez, mas nestas situações poderá sempre haver a tendência para o fazer, e nós não queríamos continuar nessa situação, preferimos ser independentes".
Este motor, que começou por ser o mesmo motor que a Judd vende a qualquer um seus clientes, possui já, no entanto, algumas alterações que fazem dele uma evolução do motor original, justificando também dessa forma a adopção de nome diferente. Esta visita ao Algarve serviu, aliás, para testar algumas configurações que, embora não devam vir a ser usadas em corrida, constituirão informação preciosa para o desenvolvimento do motor. A equipa tem já algumas ideias relativamente às novas alterações que pretende introduzir, embora, como reconheceu Hayden, estejam conscientes da importância de garantir a fiabilidade do conjunto.
Quanto aos objectivos para esta temporada, e às possibilidades da equipa face à concorrência, e em especial ao Peugeot 908 de que a Oreca irá dispôr, Hayden, no que respeita ao LMS, foi peremptório: "Acho que podemos ganhar! A fiabilidade é sempre um factor importante; e eles têm só um carro e nós dois. O Peugeot é um carro muito forte, que em Le Mans constituirá uma vantagem importante. Mas nos outros circuitos, mais curtos, não será tanto assim. A ver vamos!" Precisamente no que concerne às 24 Horas de Le Mans, o discurso é bem mais comedido, reconhecendo que "aspirar à vitória será ambicionar demasiado", pelo que ser o melhor dos carros a gasolina (e entre os privados) e alcançar um lugar entre os seis primeiros serão os objectivos mais razoáveis e que, acredita, estarão ao alcance da equipa.
Relativamente ao futuro da equipa, Hayden considera que "fazer alinhar dois carros com aspirações à vitória, é o máxima que uma equipa privada pode aspirar. O nosso principal objectivo será surpreender as equipas de fábrica. As alterações regulamentares que entrarão em vigor em 2011 constituirão um importante desafio, para o qual quer Audi quer a Peugeot terão de construir carros novos, enquanto nós queremos aprofundar ainda mais a forte relação que já temos com a Lola".
Revelando o interesse da equipa em participar no Intercontinental Challenge (IC), que terá este ano a sua primeira edição - "se queremos trabalhar ao mais alto nível e esse é o mais alto nível, é aí que termos de estar, lutando com os melhores" - Hayden não deixou, no entanto, de manifestar algumas reservas relativamente às questões logísticas, considerando que sem um forte financiamento que sirva de alavanca ao campeonato e de um maior envolvimento e trabalho em conjunto das equipas, a exemplo da F1, bem como dar maior atenção a todo o espectáculo que possa envolver as corridas de forma a atrair mais público - "porque neste momento só vão assistir a uma corrida de endurance os verdadeiro fãs e apaixonados por esse tipo de corridas" - dificilmente o IC terá sucesso. Quando lhe perguntamos se achava que corridas mais curtas, eventualmente mais 'tv friendly', como as que constituem a maior parte do American Le Mans Series, poderiam ser uma solução possível, Hayden, embora admitindo que sim, não deixou de lembrar que o ALMS nem mesmo assim tem conseguido aumentar, ou sequer conservar, as suas audiências e que até uma corrida de duas horas, na televisão, pode ser 'demasiado' para muita gente.
Entretanto, a outra grande novidade que a equipa apresenta para esta temporada é, nem mais nem menos, que o piloto francês Jean-Christophe Bouillon, seguramente um dos melhores pilotos de endurance da actualidade. Ao fim de 9 anos de ligação à equipa de Henri Pescarolo, Bouillon, viu-se forçado, no final do ano passado, a procurar alternativas para prosseguir a sua carreira, face aos problemas por que passa a Pescarolo Sport: "Sim, foi uma grande mudança", reconheceu Bouillon, "e é muito triste, para ele e também para mim, porque [a Pescarolo] era como uma família para mim. Mas estou muito contente por me ter juntado à Rebellion, que é uma boa equipa e cujo trabalho está aqui bem à vista. Estou a fazer 'figas' pelo Henri [Pescarolo], mas tinha que tomar uma opção, porque não podia esperar mais".
O veterano piloto francês, campeão LMS em 2004 e 2005 e vice-campeão em 2007 e 2009, revelou-nos ainda que, dos vários contactos que teve, a escolha acabou por ser fácil, já que a Rebellion não só foi a primeira a dar uma resposta como lhe apresentou aquele que acredita poder ser o melhor conjunto, "pelo menos, tão bom como aquele de que dispunha [na Pescarolo]". A sua já longa experiência na disciplina é, na sua opinião - e para além da sua rapidez, dizemos nós - aquilo que poderá dar 'em troca' à equipa anglo-suíça.
Embora tenha confessado não ter tido ainda a possibilidade de tirar grande partido do carro - completamente novo, tendo apenas feito o shakedown, em Snetterton, antes de vir para Portimão - Bouillon não escondeu a satisfação com a qualidade do conjunto de que vai dispor, afirmando que o objectivo "obviamente, é ganhar! É para isso que andamos aqui."
Bouillon irá formar equipa com Andrea Belicchi, ao volante do Lola Rebellion #13, no carro (re)construído a partir do chassis Lola utilizado pela equipa na categoria P1, e que agora surge equipado pelo novo motor Judd/Rebellion. Para o piloto italiano esta será uma oportunidade de ter ao seu lado um dos melhores pilotos de endurance: "Estou muito satisfeito, e estamos todos, porque é um piloto muito rápido e que nos pode dar uma grande ajuda no desenvolvimento da equipa e da performance do carro, em todos os aspectos".
Quando instado a comparar o motor Rebellion com o Aston Martin, Belicchi revelou que "logo à partida, têm comportamentos bem diferentes, com um a mostrar-se mais potente numas situações e o outro noutras. Mas, no geral, apresentam potência semelhante, estando ambos ao mesmo nível. Bom, talvez com uma ligeira vantagem para este motor [Rebellion]".
Belicchi, que já faz parte da equipa desde 2007 (dos tempos em que a Speedy Racing Team ainda disputava a categoria GT2 com o Spyker C2) e tem assistido ao seu crescimento desde então, considera que equipa tem assim, este ano, uma boa oportunidade de ir ainda mais longe: "É uma equipa muito profissional mas onde o ambiente é fantástico, como uma família. E este ano acho que temos boas hipótese de obter bons resultados. Trabalhamos durante todo o Inverno no desenvolvimento do carro, e nestes primeiros testes o carro pareceu-me muito bom. A primeira impressão é que melhorámos em todas as áreas do carro".
Com os dois pilotos mais experientes a partilharem o volante do carro #13, o #12 irá ter ao volante uma dupla de jovens lobos à procura de afirmação na disciplina. Com um carro completamente novo nas mãos, Nicolas Prost e Neel Jani serão certamente uma dupla a seguir com atenção.
Para Nicolas Prost, este é já o segundo ano completo com a equipa, depois de em 2009 ter partilhado o Lola Aston Martin #13 com Andrea Belicchi e Marcel Fassler. "O primeiro ano foi de aprendizagem", reconheceu Prost, " mas foi bom. Tivemos problemas de fiabilidade, mas mostramos que éramos rápidos e, por isso, foi encorajador. Este ano acho que temos um bom conjunto e tenho esperança de que possamos fazer melhor, ganhar algumas corridas e terminar nos três primeiros lugares". Para isso, o jovem piloto francês conta com o novo motor, que considera "definitivamente, melhor [que o Aston Martin]. Pelo menos melhor, do que aquele que nos deram..."
Quando lhe perguntamos se não gostaria, a exemplo da família Mansell, de ter o pai Alain Prost a partilhar o volante consigo, nem que fosse nas 24 Horas de Le Mans, a resposta foi 'de campeão': "Não. Primeiro porque ele já não pretende correr mais e não vou ser eu a forçá-lo. Depois, porque o meu pai é alguém que onde entra é para ganhar, não estando disposto a correr só para se divertir, e ele acha que, aos 55 anos, já é talvez demasiado tarde para regressar".
Com as portas da F1 'fechadas', o jovem suíço (filho de pai indiano) Neel Jani, que deu à suiça o titulo da A1GP em 2008, é mais um dos exemplos de que só o talento não chega para conquistar um lugar na F1, tendo encontrado na endurance a oportunidade de prosseguir carreira a nível profissional, mas sem esconder o desejo de que essa seja uma situação apenas transitória: "A melhor opção, para mim, neste momento, é a endurance, porque aqui não preciso de entrar com dinheiro. Porque quero ganhar corridas e não tenho dinheiro para pagar um lugar - e 1,5 milhões de euros é muito dinheiro! Claro que gostaria de ir para a F1, mas é realmente preciso muito dinheiro. Mas estou em conversações com equipas da Indy Car e talvez consiga fazer umas corridas de Indy Car este ano. Gosto muitos dos sportscar, mas acho que, na minha idade, ainda tenho de continuar nos monolugares, é aí que vejo o meu futuro imediato".
Mas enquanto tal não sucede, "conquistar o titulo do LMS e obter a melhor classificação possível nas 24 Horas de Le Mans" - prova que irá disputar pela segunda vez, depois de o ano passado se ter estreado na mítica prova ao volante do Lola Aston Martin da Speedy Racing Team Sebah - são os objectivos para esta temporada, que será a sua primeira na disciplina.
Depois de Portimão, a Rebellion Racing marcará presença nos testes oficiais que terão lugar em Le Castellet, nos dias 7 e 8 de Março, altura em que já se poderá fazer uma primeira ideia da relação de forças entre os vários concorrentes ao título LMS 2010.
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