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World Endurance Championship

Porsche desconfia da fiabilidade do fluxómetro após polémica na F1

por Hugo Ribeiro, 21 de Março de 2014 Sem Comentários

© Porsche AG

O WEC 2014 ainda não começou, o novo regulamento ainda não teve nenhuma prova de fogo e já há olhares desconfiados sobre o fluxómetro que irá medir a quantidade de combustível que chega aos motores 'convencionais'. A polémica estalou no fim-de-semana passado na F1 (que também os utiliza) e já começou a ter ecos com WEC também...

O Mundial de Resistência, e o Mundial de F1 também, apostam este ano numa redução de 30% do consumo dos motores utilizados por cada uma das disciplinas, tendo para isso alterado substancialmente o seu regulamento no que toca aos motores. Em ambos os casos, dado o envolvimento da FIA, os fluxómetros a utilizar para controlar a quantidade de gasolina que chega ao motor, são construídos pela mesma companhia — a Gill Sensors — sendo os modelos a utilizar, quer nos LMP1, quer nos F1, exactamente os mesmos. No caso dos LMP1, FIA e ACO pretendem limitar a quantidade de combustível entre os 87.3 e os 93 kg/h para os carros híbridos-gasolina (dependendo dos sistema híbrido produzirem 2 ou 8 Mj) e entre os 76.2 e os 83.4 kg/h para os híbridos-diesel. Dois destes medidores serão colocados nos carros com motores a gasolina (Porsche e Toyota) e três nos carros a diesel (Audi).

No primeiro Grande Prémio do ano, na Austrália, um dos Red Bull Renault acabaria por ser desclassificado por ter ultrapassado consistentemente o limite estabelecido na F1 (100 kg/h), mas a equipa austríaca desde o primeiro momento colocou em causa a veracidade dos valores medidos pelo fluxómetro, afirmando possuir valores contrários aos medidos por este. A FIA não desarmou, reafirmando a mais completa confiança no sistema e no seu fabricante — e que não se encontram homologados pela FIA quaisquer sistemas alternativos de medição —, que avança que o fluxómetro por si fabricado tem uma margem de erro na medição de apenas 0.25%.

No Mundial de Resistência, que só arranca daqui a uma semana para testes oficiais e terá a prova de abertura daqui a um mês, a polémica sobre o sistema poderá ter episódios extra. Certo é que a Porsche — que curiosamente até defendeu a sua presença em Le Mans pelo facto de ser a competição onde só se fala de carros e não de regulamentos, pneus e polémicas acessórias, como na F1 — já deu o sinal de partida na discussão sobre a fiabilidade das medições do fluxómetro da Gill Sensors. Embora deixado claro que “o nosso desenvolvimento não está dependente [da fiabilidade da medição] do sistema”, Alex Hitzinger, Director de Engenharia do Projecto LMP1 da Porsche (e, sublinhe-se, ex-Director para as Tecnologias Avançadas da Red Bull Racing), aponta já o dedo ao sistema. “A FIA está ainda esperançada que a última versão [do fluxómetro] irá trabalhar e será fiável, mas tal não está ainda provado. Nós optimizámos a forma como estes são montados de forma a providenciar as melhores condições, mas neste momento não sabemos o quão robusto o sistema é, mas deveremos sabê-lo lá para o fim de Março.” 

Fonte: Racecar Engineering