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ALMS / Petit Le Mans

Rebellion Racing regressa a Petit Le Mans e vence no último desfile do ALMS

por Andrew Remedios, 21 de Outubro de 2013 Sem Comentários

Fonte: Eric Gilbert / Motorsport.com

Caiu o pano no American Le Mans Series num dos seus circuitos emblemáticos, Road Atlanta, palco da Petit Le Mans, com o mesmo espectáculo com que habituou os seus fãs desde 1999. A Rebellion Racing regressou, viu e venceu, enquanto a Level 5 Motorsports garantiu o título após uma vitória trabalhada e a Corvette ganhou todos os títulos numa corrida conquistada pela Team Falken Tire Porsche.

P1: Vitória fácil da Rebellion Racing após abandono da Muscle Milk Pickett Racing

Neel Jani, no Lola Toyota #12 da Rebellion Racing, conquistou a pole position, demonstrando a vontade da equipa suíça em chegar, ver e vencer. No entanto, os campeões já anunciados, Muscle Milk Pickett Racing, não tinham intenções de baixar os braços. Com uma primeira parte de corrida bastante traiçoeira devido às constantes mudanças meteorológicas, a aparente maior potência e velocidade do Lola Toyota #12 sucumbiu quando, com uma hora de corrida, Neel Jani bateu num PC e, para além de precisar de vir às boxes reparar a parte de frente do carro, ainda levou uma penalização de 60 segundos. Deste modo, Lucas Luhr, no HPD ARX-03c #6 da Muscle Milk Pickett Racing, aproveitou para reduzir a desvantagem que tinha e até se colocar na frente da prova. Durante as quatro horas seguintes, tanto Nicolas Prost como Nick Heidfeld, no Lola #12 da Rebellion, como Klaus Graf e Romain Dumas, no HPD #6 da Muscle Milk, deram espectáculo e muita corrida. Infelizmente, exactamente a meio da corrida o conto de fadas que estava a ser a despedida do ALMS teve um final prematuro. Um problema desconhecido no HPD #6 levou Dumas a rumar às boxes de onde, ao fim de 15 minutos, saiu a notícia de que a Muscle Milk Pickett Racing abandonava a corrida com problemas de sobreaquecimento.

Assim, à Rebellion Racing bastou-lhe passear as últimas cinco horas de prova até uma vitória fácil já que o Lola Mazda #16 da Dyson Racing nunca foi ameaça, terminando a 20 voltas, e o DeltaWing DWC13 #0 desistiu na 7ª hora com problemas de transmissão.

O suiço Neel Jani, piloto da Rebellion que se despedia da equipa para se tornar piloto oficial da Porsche a 100%, referiu que “o início não foi nada fácil, estava seco, molhado, seco, mas molhado o suficiente para manter os pneus de chuva. Foi uma espécie de aposta com os pneus. E uma questão do que estavas disposto a arriscar. Eu tentei não queimar os pneus, mas a chuva nunca chegou, por isso, tivemos que troca para os slicks.”

Para um dos campeões do ALMS, Klaus Graf da Muscle Milk, “foi um fim difícil para uma grande temporada. Não foi bem a maneira como queríamos acabar em Petit Le Mans mas tivemos uma boa vantagem e a estratégia acertada, especialmente em condições difíceis, e o pessoal da Muscle Milk fez um excelente trabalho nas boxes. Não foi uma corrida fácil e depois fomos obrigados a parar devido ao problema de sobreaquecimento, mas mostramos a nossa força em velocidade e em condições difíceis”. Graff ainda fez menção especial ao excelente palmarés da equipa, acrescentando que “ganhamos muitas corridas com o nosso carro HPD e não devemos esquecer isso. Ganhamos 14 corridas em dois anos com este carro, o que é excelente, num total de 20 provas. É o fim do ALMS mas estamos ansiosos pelo futuro. Temos uma equipa forte e mal podemos esperar pelo próximo ano.”

P2: Level 5 e Scott Tucker com 10º título e a vitória

À chegada a Road Atlanta, a conquista do título de pilotos estava ao alcance de Scott Tucker. Um 2º lugar final asseguraria esse objectivo e, tendo em conta os inscritos, com uma boa estratégia de equipa, tal antevia-se fácil de alcançar. A corrida até foi bastante disputada do início ao fim, e com reforços de peso, tanto para a Level 5 como para a Extreme Speed Motorsports, a vitória na corrida tinha tanto peso como a conquista do título. Com Tucker a partir no HPD ARX-03b #551, a luta no início da prova foi entre Guy Cosmo no HPD ARX-03b #552 e Scott Sharp no HPD ARX-03b #01. Tucker chegou mesmo a estar a mais de 2 voltas a meio da corrida, mas beneficiando dos preciosos préstimos de Ryan Briscoe e Marino Franchitti, e alguma ajuda das neutralizações, o HPD #551 foi diminuindo a desvantagem, aproveitando a constante tensão entre os pilotos do HPD #552 (Cosmo, Jonny Kane e Peter Dumbreck) e do HPD #01 (Sharp, Anthony Lazzaro e David Brabham) na luta pelo primeiro lugar.

A sensivelmente três horas do fim, o HPD #551 estava praticamente de volta à luta pela vitória, e os estrategas da equipa Level 5 Motorsports já sabiam o que fariam para garantir o 2º lugar do carro do patrão, sacrificando o HPD #552, mas tal não foi necessário porque tanto Franchitti como Briscoe não são homens para se contentarem apenas com um 2º lugar. Tinham, no entanto, um adversário de peso no veteraníssimo australiano David Brabham que conduziu os últimos turnos no HPD #01 da ESM. Mas quando Brabham liderava e mostrava sinais de ter ritmo para se defender do HPD #551 da Level 5, na última paragem nas boxes, o carro da ESM não quis arrancar fazendo o piloto australiano perder preciosos segundos, que Briscoe aproveitou para roubar a liderança e consequente vitória, dando dupla alegria à Level 5 e a Scott Tucker, no dia da conquista do seu 10º título pessoal.

Apesar de terem ficado em 2º lugar, Scott Sharp estava contente pela equipa: “foi uma grande semana. Nós estivemos bem nos treinos e melhoramos o carro. Obviamente que nos qualificamos muito bem, e corremos bem porque estivemos quase sempre na frente durante boa parte do dia. Pensei realmente que tínhamos um grande carro. Tudo se resumiu à parte final Na nossa última paragem, houve uma pequena confusão quando abastecemos o carro. Normalmente, há alguém a frente do carro para mandar sair o piloto, e essa pessoa não estava lá. Penso que isso causou alguma confusão e Brabham naturalmente hesitou uns 3 ou 4 segundos. Infelizmente, essa foi a desvantagem de quatro segundos no fim. Ryan Briscoe no Level 5 #551 parou na volta seguinte e regressou à pista mesmo à frente de nós. É uma pena porque penso que merecíamos vencer esta corrida, mas estamos a batalhar com alguns dos melhores. Mostramos que aprendemos bastante este ano. Isso é muito gratificante para nós todos. A Level 5, em termos de  pilotos e equipa, é uma das melhores equipas P2 do mundo. Isso é um grande barómetro para nós, e se conseguimos lutar com eles, deveríamos conseguir com qualquer um.”

Fonte: Eric Gilbert / Motorsport.com

Fonte: Eric Gilbert / Motorsport.com

GT: Vitória merecida da Team Falken Tire e Títulos para Corvette Racing

A prova dos GTs foi o conto de fadas que a corrida dos P1 não foi. A Team Falken Tire ficou sem o seu modelo mais recente do Porsche 911 GT3 RSR #17 no grande acidente de Baltimore. Tendo optado por competir nas últimas três provas do ano com uma versão 2010 do carro alemão,  tanto no CoTA como em Virginia, a equipa parecia estar um pouco abaixo do resto do pelotão. A qualificação e o início da corrida iam no mesmo sentido, mas quando uma equipa que já contava com um piloto-oficial Porsche, Wolf Henzler, integra um segundo, Nick Tandy, o baralho de cartas passa a ser completamente diferente. E foi o que aconteceu. O Porsche #17 começou a prova muito discretamente, mas ao longo da primeira metade da prova foi lentamente subindo na classificação, ultrapassando uns e aproveitando os deslizes doutros.

Até então a corrida parecia entregue, essencialmente, ao Ferrari 458 Italia #62 da Risi Competizione, ao SRT Viper GTS-R #91 da SRT Motorsports, ao Corvette C6.R #3 da Corvette Racing que lutava para assegurar o título de pilotos e ao BMW Z4 GTE #56 da BMW Team RLL. Um dos deslizes de que o Team Falken Tire beneficiou foi o do Corvette #4, que perdeu várias voltas nas primeiras duas horas de corrida com problemas mecânicos no alternador, que sem dúvida provocou muito nervosismo na equipa por causa do Corvette #3 de Jan Magnussen e Antonio Garcia.

A meio da prova, Ryan Dalziel despistou o seu Viper #91 nos Esses e ficou fora da luta, enquanto o Porsche 911 GT3 RSR #06 da CORE Autosport e o segundo BMW #55 da BMW Team RLL também aproveitaram para voltarem a imiscuírem-se na luta pela vitória com o Ferrari #62, o Corvette #3, o BMW #56 e o Porsche #17. Mas a praticamente três horas do final da prova, a disputa pela vitória ficava entregue apenas aos dois BMW, ao Ferrari #62 da Risi e ao Porsche da Falken Tire. O Corvette #3, que necessitava apenas de terminar em 7º lugar, teve azar nas paragens nas boxes durante uma das oito neutralizações e ainda fez alguns peões, acabando por perder uma volta e contentar-se com o 6º lugar fina, mais do que suficiente para assegurar o título de pilotos para Magnussen e Garcia após a conquista dos títulos de construtores e equipas na Virginia.

Na frente, as últimas voltas foram renhidas e stressantes, especialmente para quem assistia nas boxes, e em particular para a Team Falken Tire dado que o farol dianteiro direito do Porsche apagou-se durante algumas voltas por mau contacto. Tandy, no Porsche #17, e Dirk Müller, no BMW #56, trabalhavam a 150%, e com noite cerrada e faróis a brilharem numa pista sinuosa e já por si complicada, cruzaram a meta separados por apenas 0,74 segundos, com vantagem para o inglês da Falken Tire! Matteo Malucelli, no Ferrari #62, aproveitou para alcançar a dupla na última volta a ficou a apenas 0,36 segundos do alemão da BMW.

Um dos vencedores, Bryan Sellers, estava muito feliz com o resultado, reconhecendo que “foi claramente difícil ganhar a corrida em GT, especialmente quando é uma corrida de 10 horas. Tudo se resumiu à resistência. Ninguém baixou os braços e o pessoal foi fantástico nas boxes. É algo muito especial estar em Petit Le Mans na última corrida do ALMS e ficar na história e fazer parte do que é considerada a melhor corrida de GTs no mundo.”

O alemão Dirk Müller, 2º em Petit Le Mans e vice-campeão em GT, estava contente com o resultado: “Que diabo de corrida. Eu tudo tentei para vencer esta corrida. Passei as últimas duas horas a tentar alcançar o carro da Falken. Eles foram muito rápidos, por isso, parabéns para eles. Tivemos um excelente segundo lugar e todos sabíamos que não era possível fazer mais. Estou feliz pela equipa e pelo BMW; estamos todos em 2º lugar nos campeonatos (pilotos, equipas e construtores). Não é uma má maneira de terminar o último ano do ALMS. Obrigado aos organizadores do ALMS por uma história incrível e por terem tornado possível ver corridas tão boas. Agora estamos ansiosos por um futuro brilhante.”

O mítico Giuseppe Risi estava também feliz com a recta final da sua equipa, no campeonato e na corrida, dado que “a certa altura não parecia que iria acontecer. Em primeiro lugar tenho que agradecer à equipa e aos pilotos; eles fizeram um trabalho estupendo. Esta equipa é uma das melhores em termos de mecânicos e técnicos – o carro não falhou uma. Os pilotos disseram que o carro estava fantástico, por isso estou extremamente feliz, e nunca erramos nas boxes". Em relação a Petit Le Mans e ao ALMS, para Risi “é uma pena ver Petit Le Mans acabar tal como a conhecemos, mas estou seguro que há algo para a substituir com o mesmo modelo de competição. Esperamos, se tudo se juntar, estar de volta no próximo ano.”

Apesar do 6º lugar final, os campeões entre pilotos, Magnussen e Garcia, estavam obviamente felizes. Para o espanhol, “com certeza é um grande dia para nós. Fizemos uma temporada fantástica. Era impossível pensar que isto era possível depois de não termos pontuado em Sebring. A equipa da Corvette Racing nunca desistiu. Depois de não termos vencido nenhuma corrida em 2012, este ano ganhamos três. Os nossos adversários são todos muito bons, por isso estou muito feliz com o meu primeiro título no ALMS". Garcia ainda fez menção à perda da sua amiga Maria de Villota, frisando que “é muito difícil celebrar seja o que for. Perdi uma amiga próxima na semana passada – Maria de Villota – e depois Sean Edwards esta semana. Mesmo quando vi a bandeira de xadrez, eu não sentia que poderia celebrar ou ser feliz. Eu estava a pensar mais neles". Por seu lado, para o dinamarquês este título teve um sabor especial, já que “o meu filho Kevin venceu o World Series by Renault no Sábado, de modo que foi uma boa maneira de começar o dia. Foi bom que ele conseguisse resolver o assunto para que eu pudesse concentrar-me no meu próprio campeonato. Nem sei por onde começar para descrever como estou orgulhoso dele. Gostaria de poder celebrar com ele mas é óptimo termos a oportunidade de ganharmos um grande campeonato no mesmo dia. Iremos celebrar quando chegarmos a casa.”

Challenge: Histórias de Resistência

Na categoria de protótipos, a dupla canadiana de Chris Cumming e Kyle Marcelli, apoiadas pelo veterano sueco de 57 anos, Stefan Johansson, venceram pela terceira vez consecutiva no Oreca FLM #8 da BAR1 Motorsports. Apesar das três vitórias consecutivas, o sprint final no campeonato não foi suficiente para Cumming roubar o título de pilotos a Mike Guasch, no Oreca #52 da PR1 Mathiasen Motorsports. O Oreca #8 da BAR1 arrancou das boxes porque Marcelli substituiu Cumming no arranque da prova por decisão da equipa, já que as condições na pista eram difíceis, e ao fim de uma hora de corrida, Marcelli já estava entre os três primeiros no momento em que o #52 de Guasch foi batido pelo Lola #12 da Rebellion, perdendo mais de 20 voltas nas boxes.

Guasch e companhia não conseguiram recuperar a desvantagem ficando assim à mercê do azar dos outros. A certo momento parecia que a estreia da equipa #25 da 8Star seria gloriosa, já que Oswaldo Negri e Sean Rayhall lideraram boa parte da segunda metade da prova, mas Marcelli e Johansson foram fortes demais e subiram ao 1º posto a pouco mais de uma hora do fim. O 5º lugar final de Guasch não teria sido suficiente para aguentar a liderança, mas dado que o carro #25 da 8Star ser uma inscrição extra-campeonato, na classificação de pontos eles seriam ignorados e todos subiam um lugar. Assim, com o 4º lugar de pontos, Guasch ganhou o título por apenas 1 ponto (!!) sobre Cumming.

Na categoria GTs, a prova foi a mais afectada com o desaparecimento prematuro e triste do britânico Sean Edwards na semana passada. O Porsche #30 da NGT Motorsport, com o qual Sean participava com Henrique Cisneros (2º na classificação antes de PLM), retirou-se da prova, e o sentimento de pesar entre amigos, companheiros e adversários era especialmente mais forte no paddock dos GTC. O seu amigo Jeroen Bleekemolen partia com vontade de segurar a vantagem que partilhava com o companheiro de equipa Cooper MacNeil sobre Cisneros e a dupla da Flying Lizards, Spencer Pumpelly e Nelson Canache Jr., e foi isso que fizeram. Como sempre, os Porsche 911 GT3 Cup deram espectáculo, embora durante boa parte da corrida a disputa ficasse resumida a três carros  - o #66 da TRG, o #45 da Flying Lizards de Pumpelly e Canache e o #22 da AJR de MacNeil e Bleekemolen. Nos últimos 60 minutos, a vitória ficou entregue à Flying Lizard, primeiro com a perda de tempo nas boxes do #22 de Bleekemolen, quando o Porsche demorou a arrancar, e depois a desistência do #66 de Damien Faulkner a 20 minutos do fim, quando o Porsche basicamente parou, segundo o próprio irlandês.

Fecha-se assim a porta do American Le Mans. Para quem seguiu a competição desde 1999, que teve os seus altos e baixos, mas sempre dando o espectáculo pelo qual os americanos são reconhecidos, fabricado ou não com neutralizações de corrida, sábado foi um dia triste. O fim dum ciclo. Veremos em 2014 com as 24 horas de Daytona como arranca o novo United Sportscar Championship, com mais 'DP-centrismo' ou não, já que ainda esperamos pelos detalhes concretos da equivalência entre os P2 e os DP. Lugares emblemáticos, haverá de certeza, começando logo com Daytona e Sebring. Espectáculo haverá também. Falta confirmar se será um espectáculo completamente à Nascar ou ainda com os vestígios de Le Mans e do ALMS.

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Fontes (declarações): Comunicados de imprensa do ALMS, Muscle Milk Pickett Racing, Level 5 Motorsports, Extreme Speed Motorsports, Corvette Racing, BMW Team RLL e Risi Competizione