Entrevista

9 de Maio de 2009

Philippe Sinault (Signature Plus)

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Philippe Sinault. Imagem: Signature

Quando em Dezembro do ano passado a Signature - desde há quase duas décadas presença habitual nos campeonatos francês e, mais recentemente, europeu de F3 - anunciou a sua intenção de participar no Le Mans Series 2009, com um Courage-Oreca LC70 versão cliente, poucos acreditariam que uns meses depois a equipa francesa se tornaria a grande revelação da primeira prova da temporada.

Criada em 1990 por Philippe Sinault, publicitário de formação, como agência de comunicação e eventos, a Signature estrear-se-ia nas competições automóveis em 1993, como estrutura de apoio à carreira desportiva do seu fundador, nos campeonatos franceses de Formula Renault e F3. Em 1996, porém, Sinault arruma as luvas e dedica-se exclusivamente à gestão e direcção da equipa, que ao longo dos 12 anos seguintes conquistaria vários resultados de relevo na F3, nomeadamente: 1 título francês (2000), 4 Taças da Europa (1999, 2000, 2001 e 2003), 1 Masters de Zandvoort (2000), 1 Taça do Mundo (2003), uma 'dobradinha' no GP de Macau de 2003 e 1 vitória no GP da Coreia de 2003, e ainda dois vice-campeonatos (2005 e 2008 - num ano em que também um dos seus pilotos, o italiano Edoardo Mortara, foi vice-campeão) e dois terceiros lugares (2004 e 2006), por equipas, no F3 Euro Series.

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Pierre Ragues ao volante do Courage-Oreca da Signature nos 1000 Km de Barcelona 2009. Imagem: L. Cortalade/Pitlane Vision

Apresentando-se nos 1000 km de Barcelona com o Courage-Oreca na configuração 2008 (à excepção do ailleron traseiro - já de acordo com o novo regulamento) e ainda equipado com o motor Judd (contrariamente à equipa oficial, que trocou o propulsor inglês pelo japonês AIM), e uma jovem dupla de pilotos franceses - Pierre Ragues (25 anos) e Franck Mailleux (23 anos), este também um estreante na endurance - a equipa sediada em Bourges (pequena cidade a 250 km a sul de Paris) a mais não aspirava, de acordo com as declarações de Sinault uns dias antes da prova, que a um lugar no top ten.

No entanto, fruto de uma prova muito consistente e regular dos seus dois pilotos - que andaram envolvidos em luta directa com os dois Courage-Oreca oficiais, o 'Pesca' de João Barbosa e os dois Audi da Kolles - e feita de trás para a frente, desde o 15º lugar onde cairiam depois de uma passagem pela boxe para trocar o capô danificado na sequência de um incidente com um dos Audi logo no início da corrida - a Signature ficou a um passo do que seria um histórico pódio na sua prova de estreia na categoria.

Duas semanas antes da segunda prova da temporada, que está a decorrer este fim-de-semana em Spa-Francorchamps, L. Cartalade e M. Cubizolles, do site francês Pitlanevision, foram ao encontro de Philippe Sinault, patrão da equipa, para conhecer melhor as suas ambições na categoria, numa interessante entrevista em que este revela também o porquê do 'salto' para a endurance de uma equipa cujo 'ambiente natural' têm sido os monolugares.

Pitlane Vision (PLV): Porque se decidiram vir para a Endurance?

Philippe Sinault (PS): Há muito tempo que pensávamos em dar o salto, são duas filosofias totalmente diferentes relativamente ao que poderíamos fazer. Queríamos dar o passo por causa das 24 Horas de Le Mans - participar um dia nessa prova é o sonho de qualquer amante do desporto automóvel. Esperamos até termos a maturidade suficiente para o fazer, e creio, sem quaisquer pretensões, que hoje temos essa maturidade. Pelo menos para tentar a aventura com humildade.

PLV: Sendo a F1 é praticamente inacessível , acha que a Endurance representa a melhor escolha possível para uma equipa privada?

PS: Sim, é o último reduto onde pequenos artesãos como eu podem lutar - entre aspas - com armas iguais com os construtores. Há vinte anos atrás, alguém como eu ainda poderia sonhar chegar um dia à F1. Hoje é absolutamente impossível. A Endurance permite-nos trabalhar a um alto nível com espírito artesanal e profissional.

PLV: Dos monolugares à Endurance ainda vai uma certa distância. Viu-se obrigado a reestruturar a equipa ou o salto foi fácil de dar?

PS: O nível de exigência técnica é o mesmo - só a abordagem é que é totalmente diferente, a finalidade é totalmente diferente. Nos monolugares trata-se de um sprint de 40 minutos. Assim que é dada a partida, o nosso trabalho está terminado e ficamos a assistir à corrida esperando que o piloto cumpra a sua parte. Na Endurance é totalmente diferente: assim que a corrida começa é ainda preciso geri-la, e a montante já tínhamos trabalhado como doidos para apresentar a viatura o mais fiável e performante possível. Há toda uma preparação, uma abordagem, uma gestão e uma estratégia muito diferentes. A Endurance é muito mais completa no que respeita ao trabalho de equipa e ao papel humano! Na F3, há um enorme trabalho de preparação e acerto, a montante, mas depois é o piloto sozinho que tem de dar o melhor de si.

PLV: Como é que se decidiram pela escolha do Courage-Oreca? Porque não um Pescarolo, um Lola...?

PS: Contactámos todos. Mas foi com a Oreca que conseguimos o melhor acordo global. Não falo só do produto: falo da colaboração técnica, da manutenção, do diálogo e das possibilidades de evolução.

PLV: Relativamente às evoluções, espera receber as da equipa oficial ao longo da época?

PS: Progressivamente. Há coisas que é possível aplicar no nosso carro mas outras não. Eles têm um motor AIM e nós um Judd, cuja montagem é diferente. Eles têm direcção e suspensões diferentes dos nossos. Há por isso certas evoluções que poderemos usufruir e outras não, talvez só no final de 2009 ou em 2010.

PLV: O vosso é um programa a longo prazo?

PS: Sim, claramente. É uma escolha reflectida, não é apenas 'uma experiência'. Já temos uma base montada e, se imaginarmos isto como uma casa, diria que já construímos as fundações e agora estamos a erguer o ré-do-chão onde pensamos ficar por muito tempo.

PLV: Como é que foi feita a escolha dos pilotos?

PS: Foi uma escolha muito reflectida: já conheço o Pierre [Ragues] há muito tempo. Tenho o line-up com que sonhava, verdadeiramente, sem qualquer demagogia. São dois rapazes rápidos, maduros, que aceitaram o desafio de debutar com com uma equipa jovem e estreante na Endurance e que aceitaram jogar o jogo, como em Barcelona quando lhes pedimos que poupassem o combustível no interesse e de acordo com a estratégia da equipa. Dão-se-lhes as oportunidades e trabalha-se para o bem da equipa. É o espírito da Endurance, que muitas vezes não é compreendido pelos pilotos mais jovens que chegam e querem provar ao seu colega e a toda a gente o quão rápidos são. O meu grande orgulho é esta noção de equipa, que por vezes se perde nas categorias de monolugares.

PLV: Em Barcelona, na vossa primeira corrida, terminaram ao pé do pódio. Que conclusões tira dessa experiência?

PS: Que ainda há muito para aprender, que a estratégia é preponderante, assim como a gestão do esforço. Em consequência do pequeno incidente no início da corrida 1 tivemos de de alterar a nossa estratégia o que talvez nos tenha permitido conquistar no final da corrida essa posição. Mas apesar do bom resultado, ainda temos muito a ganhar no trabalho de equipa e na organização, mais do que nos pilotos e na sua performance. Temos ainda muito trabalho a fazer.

PLV: Quais são os vossos objectivos para esta temporada?

PS: À imagem de Barcelona: mostrar que somos ma equipa profissional, séria, fiável, que faz bem o seu trabalho. É absolutamente necessário que terminemos as 24 Horas de Le Mans, para que, se quaisquer parceiros ou patrocinadores importantes se queiram associar à Endurance lhes possamos dizer: "Vejam, a Signature é uma boa escolha, são uma equipa com uma boa abordagem". É este o objectivo que fixamos.

PLV: Está nos vossos horizontes contruir o vosso próprio chassis ou é ainda algo utópico, de momento?

PS: Não, isso faz parte dos nossos projectos. Temos um gabinete de estudos que concebeu e fabricou um monolugar para a F3, a Formula Academy, pelo que isso faz parte dos nossos sonhos mais loucos, fazer jovens pilotos correr com as nossas próprias viaturas. Mas é ainda cedo para dizê-lo, veremos dentro de dois ou três anos, em função do lugar que ocupemos e se somos capazes de funcionar bem na Endurance, talvez então valha a pena dar esse passo.

PLV: O que representa, para vocês, as 24 Horas de Le Mans?

PS: Nada que se consiga explicar... (pausa), é arrepiante, é uma aventura humana extraordinária. Mesmo não a tendo vivido ainda por dentro, já a acho fantástica.

PLV: Didier André será o vosso terceiro piloto, em Le Mans. Porquê essa escolha?

PS: É um piloto que adere ao projecto. Já conheço o Didier há muito tempo, cheguei inclusive a correr com ele e sei que é um bom rapaz, que tem a cabeça no lugar, que não tem necessidade de provar a toda gente que é um piloto rápido, pois toda a gente sabe que ele o é. Já conquistou a simpatia dos dois outros pilotos, o que é importante. Tivemos muitos contactos e solicitações de "jovens lobos" e de pilotos consagrados. Mas acabamos por resolver esta equação de uma incógnita com o Didier. Segue a linha das escolhas que temos feito nesta nossa estreia. O futuro dirá se nos enganámos ou não, mas para já estou satisfeito com a escolha que fizemos.

PLV: O facto de Didier André não ter competido nos últimos dois anos e meio não poderá constituir um handicap?

PLV: Hoje sim, é um handicap! Mas entretanto temos já previsto um programa de testes em que ele vai poder fazer alguns minutos esta tarde e amanhã [sábado e domingo, no último fim-de-semana de Abril] e uma outra sessão onde ele vai correr um pouco mais, mas sei que o Didier se vai pôr em forma rapidamente.

Entrevista de L. Cartalade e M. Cubizolles para o site Pitlanevision

Tradução: Vítor Ribeiro, Maio 2009
Aos autores, a David Bristol e ao Pitlanevision, aqui fica o nosso agradecimento.

A entrevista original, em francês, pode ser consultada aqui

  1. Com cerca de meia hora de corrida cumprida, um toque entre Pierre Ragues e o Audi #14, na altura pilotado por Michael Krumm, obrigou não só à entrada em pista do safety-car mas também os dois carros a ir às boxes para reparações

3 comentários até ao momento...
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  1. Olá pessoal por motivos de saúde (tendinite)estou um pouco fora do ar,mas acompanhando a nova casa,parabéns e boa sorte o site continua excelente.

    abs

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