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19 de Novembro de 2009

Olivier Quesnel: “Façam um campeonato do mundo de resistência…”

Olivier Quesnel, Director da Peugeot Sport. IMAGEM: Peugeot Sport

Olivier Quesnel, Director da Peugeot Sport. IMAGEM: Peugeot Sport

Em entrevista à revista francesa Auto Hebdo, Olivier Quesnel, Director da Peugeot Sport pôs o dedo na ferida em relação à saída da Peugeot do Le Mans Series - atitude que, afirma, é para manter - sendo bem claro na sua opinião sobre que rumo que deve tomar a endurance: "Façam um campeonato do mundo de resistência".

Embora não conheçamos a entrevista na sua totalidade, já que esta só foi publicada na integra na edição impressa, o excerto colocado no site da revista francesa é já bem sumarento: "Tive a confirmação de que o endurance é uma disciplina que não é estruturada, que vive apenas de uma prova. Esta situação não pode durar. Devia-se poder usar o mesmo orçamento distribuído por várias corridas, ou seja, por um campeonato".

Uma das coisas que Quesnel sente falta é a regularidade competitiva de um campeonato, como o próprio confirma: "Após Le Mans, falta o stress da competição. Quando comparo com o que vivo nos Ralis, isso não é normal. Pondo à parte as 24 Horas, o endurance é uma casca vazia. Em vez de fazer testes para nos prepararmos, seria bem melhor rolar frente ao público numa competição com direito a um título. Se esse botão [ndr.: organização] for pressionado, certamente desencadeará um fenómeno capaz de fazer interessar cinco, seis ou sete construtores". Sabe-se que o ACO tem reunido regularmente com diversos construtores, e Quesnel certamente sabe do que fala, e de facto  tem saltado à vista uma evidente desorganização no mundo do endurance. Basta ver que apesar de várias equipas já terem começado a desenvolver trabalho para 2010, a LMEO ainda nem sequer publicou um calendário fixo para essa temporada e algumas das alterações regulamentares previstas ainda não estão devidamente esclarecidas.

No entanto, para o Director  da Peugeot, o endurance encerra em si a chave para o sucesso, embora insista na questão da organização como meio indispensável para lá chegar; "Actualmente vemos os construtores a largar a F1 e que as novas tecnologias são desenvolvidas para responder a problemas ambientais. No imaginário do grande público, Le Mans serve para validar este tipo de tecnologias. O endurance é uma mina de ouro e tem aí um trunfo a jogar nos próximos anos, mas é necessário organização";

Sendo evidente que o que falta neste mesmo neste momento, no endurance, é organização, a começar pelo Le Mans Series, como já vimos, a questão, para Quesnel, não fica por aí. Indispensável, não só para os grandes construtores mas também para as equipas privadas, pequenas ou grandes, é o factor TV bem como a promoção dos próprios eventos. Questionado sobre a ausência da Peugeot do LMS, Quesnel, sem apontar razões directas, lança no entanto algumas questões que dão algumas pistas: "Se bem compreendi, e acredito ser a vontade do seu promotor, trata-se de uma competição que tem uma grande margem de crescimento. Mas penso que são necessárias algumas decisões que a curto prazo poderão ser duras, mas que, a médio prazo, serão largamente compensadoras. Inevitavelmente, vai ser necessário investir quer seja na promoção quer nos circuitos, no calendário ou na cobertura televisiva. Este ano, a Peugeot esteve apenas em Spa, mas foi o suficiente para ver o evento sobreposto com a realização de um Grande Prémio de F1 [ndr.: O GP de Espanha decorreu no mesmo dia que os 1000Km de Spa] - isso é logo um problema".

Para além da questão da organização e da promoção, Quesnel vai ainda mais longe e põe em causa o próprio conceito de corridas de endurance - que tradicionalmente mistura protótipos com GTs na mesma corrida - que, segundo afirma, encerra alguns problemas, sobretudo na Europa onde existem imensos gentlemen-drivers, sobretudo nas categorias GT: "Temos de partilhar a pista com um certo número de viaturas pilotadas por gente que não tem lugar numa disputa que se quer de alto nível, mesmo sendo próprio da endurance essa mistura entre protótipos e GTs. Em Petit Le Mans, os GT2, na sua grande maioria, eram pilotados por pilotos profissionais e tudo correu pelo melhor. O que constato, é que estranhamente e sem haver concertação, a Audi esteve em Sebring e nós também, Audi esteve em Petit Le Mans e nós também, a Peugeot esteve em Spa e a Audi não veio… tirem as conclusões que quiserem..."

O WSC em 1990. Uma imagem que ainda deixa muitas saudades...

O WSC em 1990. Uma imagem que ainda deixa muitas saudades...

Por fim, pelo menos no excerto a que tivemos acesso, Quesnel dá a sua visão sobre o futuro da modalidade e aponta o que julga ser o caminho a seguir: "Para mim, endurance quer dizer corridas de pelo menos dez horas. Façam um campeonato do mundo de resistência e, de um golpe, tudo se estruturará. Sob a égide da FIA ou da ACO, pouco importa, mas não pode ser um campeonato nivelado por baixo. É necessário uma competição mundial que passe pelas provas históricas e, em paralelo, por 'series' de um nível mais continental que interessem às equipas que não têm os meios e/ou o desejo de se confrontarem com as equipas de fábrica."

Por nós, assim seja - um campeonato europeu (LMS), outro norte-americano (ALMS), maisum asiático (AsLMS) e um mundial com as melhores provas de cada campeonato continental, reservado à classe principal, a LMP1 - mas deixem a FIA em paz, que ainda há quem não se tenha esquecido dos 'acontecimentos' de 1993...

Entrevista Auto Hebdo (em francês)

17 comentários até ao momento...
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  1. Fast diz:

    Muito Bem … Gostaria de intervir acrescentando algo mais ao que já foi abundantemente escrito (e bem), mas fico-me por aqui!

    De um modo geral, percebe-se que ainda estamos no ‘domínio das intenções’, faltando percorrer várias etapas até chegar ao acerto ideal para todas as classes concorrentes, duração da prova, cobertura mediática …!

    Uma coisa parece estar acente: circuitos com história no campo da Endurance não faltam e seria (eventualmente) por aí que se poderia começar a (re)conquistar o público para estas provas!

  2. Villickx diz:

    Olivier Quesnel tem toda a razão.
    O Endurance precisa urgentemente voltar a ocupar o lugar que é seu e que foi vergonhosamente “roubado” pelo grande negócio em que a F1 se transformou.
    Sem duvida que um campeonato mundial com 15 provas seria uma excelente iniciativa e se fosse corrido nas pistas tradicionais era um enorme passo para reconquistar uma enorme audiencia dos mais puristas e tradicionalistas seguidores da competição automovel.
    Concordo muito também com a destinção entre os prototipos e os Gt´s. É uma confusão do caraças.
    Discordo somente numa coisa que é a duração das corridas.
    Corridas de 4 horas para mim era o ideal pois conseguiria com este formato atrair as TV´s e os construtores precisam disso para se empenharem e justificarem o investimento. É claro que as clasicas Le Mans e Daytona deveriam se manter mas as outras deveriam ser menores.
    1000 km em Nurburgring, Spa, Silverstone, Monza e outros do genero seria fantastico.
    Não estou a dizer com isto que as classes inferiores deveriam desaparecer mas sim que deveriam ter campeonatos proprios.
    O que o automobilismo de competição precisa é de organização. Todt poderia ser o homem certo mas duvido pois esta por demais comprometido coma F1 e com a sua Ferrari. Infelizmente.
    abraços

    • Ainda teremos de esperar uns bons anos até que haja condições para termos um mundial com 15 provas! Se se conseguir organizar um com metade disso, já vai ser muito bom! A logística para ir disputar uma prova ao Japão já deu uma pequena ideia do (muito!) que há ainda para resolver.
      Quanto à distinção entre protos e Gts, eu não concordo. A diversidade é precisamente uma das ideias chave associadas à endurance: diferentes carros, diferentes motorizações, diferentes combustíveis, pilotos e equipas amadoras e profissionais… e também diferentes formatos de corrida em diferentes pistas. Aliás, gosto do termo genérico que os ingleses utilizam para os carros geralmente associados a este tipo de provas: sports (que chegou a dar nome ao campeonato: World Sportscar Championship). E não vejo que haja confusão nenhuma: a riqueza da endurance, para mim, está precisamente aí. Eu percebo que ao Quesnel ainda custe a engolir a forma como a Pjot perdeu o campeonato de 2008, mas a um (bom) piloto de endurance exige-se não só rapidez (e hoje estas corridas são autênticos sprints de 6 horas!) e capacidade de trabalho em equipa mas também, e sobretudo, a frieza suficiente para lidar com o tráfego e saber onde, quando e como meter o ‘nariz’ ou levantar o pé. E isso é um desafio e mais um factor de imprevisibilidade também para quem está de fora, como nós, a assistir.
      No que respeita ao formato das corridas… bom, eu percebo que 6 horas não seja nada ‘tv friendly’. Mas eu acho que há formas de ultrapassar esse handicap. O que faltará, isso sim, é algum arrojo e investimento agora para depois colher daqui a algum tempo. Há que conquistar primeiro o público: eu vi este ano algumas das corridas do FIAGT no site oficial do campeonato, à borla – é claro que a qualidade não era a melhor, mas o essencial estava lá e o que interessa é que, hoje, o ‘bichinho’ fique instalado. Com melhor qualidade e mais alguns aplicativos, provavelmente já mais gente estará disponível para pagar, amanhã, alguma coisa. E uma pessoa até pode estar a fazer um piquenique ou a assistir a um jogo de futebol e ir acompanhando a corrida no seu iPhone. Ou estar no sofá a ver uma telenovela e ter a possibilidade de abrir uma janela no canto do ecrã da TV para ir deitando o olho à corrida… E porque não dar às pessoas a possibilidade de elas próprias escolheram o que querem ver da corrida e não o que a realização escolhe para mostrar? Isso nem é nenhuma novidade… Tem de se começar por algum lado. O ideal, para mim, era ter corridas de 24 horas, 12 horas, 6 horas e 3 horas, como havia antigamente – Le Mans, Daytona, Sebring, Petit le Mans, Nürburgring (de preferência na versão Norschleife), Hockenheim (na versão longa, sempre ‘a abrir’…), Monza, Spa, Suzuka, Brands Hatch, Interlagos, Buenos Aires… Algarve, pois claro… (sonhar é fácil: sonhemos, pois, que sonhar ainda não paga imposto…

      • Villickx diz:

        Meu caro Hugo,

        “Apesar dos fãs mais hardcore (no bom sentido) não gostarem da ideia de Le Mans ser só para protótipos, a verdade é que a existência de 4 classes é um claro obstáculo para a popularização do endurance. O adepto ocasional, aquele que verdadeiramente enche os circuitos, sente-se perdido com 4 classes e outras tantas classificações, mas, a opção de colocar LMPs e GTs a competir pela vitória à geral em pé de igualdade seria totalmente desastrosa. Já é é difícil equipara diferentes motorizações em carros idênticos, imagina equiparar diferentes motorizações e diferentes concepções de carros em conjunto…” …. eu não diria melhor.

        Gostaria que me explicasses quais são as tuas “formas” para ultrapassar o handicap das 6 horas de prova nas tv´s. É que realmente não consigo ver.

        O sonho é o combustivel de qualquer realização e portanto sonhar é muito bom e sempre positivo e creio que com os regulamentos certos e um formato correcto muito rapidamente “este campeonato” poderia ultrapassar em popularidade a F1. Creio que o publico em geral é adepto da competição automovel mas a F1 à muito tempo que não tem uma competição saudavel. Desde que no “nosso” campeonato houvesse competição á séria não tenho duvidas do seu sucesso.

        A mim parece-me contudo que o espirito do endurance e de um campeonato de marcas/construtores tem pouco a ver com regulamentos que igualem os participantes e sendo assim acho dificil que eles os aceitem.

        • O Vitor já aqui levou a “forma” de o fazer.
          O que é importante é não esquecer que o endurance não pode de forma alguma ser um campeonato com provas de 2h como nos EUA. Nem precisa… Portimão e Silverstone foram provas disputadas ao segundo e duraram mais de 5 horas. Aliás, Portimão esteve em Risco de acabar mais cedo porque o nº de voltas fixado por pouco não passava das 6 Horas de duração.

          É claro que não é fácil acompanhar 6 horas de prova, nem mesmo no circuito. Em portimão, eu e o meu irmão tivemos acesso a condições privilegiadas que fez as 6 horas parecerem pouquíssimo tempo, mas se tivéssemos a ver a corrida das bancadas, íamos ter dificuldades em conseguir estar lá 6 horas mesmo tendo em consideração o entusiasmo de assistir ao LMS na nossa terra.

          Em primeiro lugar, a TV é um mito já posto por terra. Podemos, com qualidade mais do que razoável, assistir às provas de qualquer desporto, pela internet, e com vantagens que nem mesmo a chamada televisão interactiva consegue atingir. Para quem está habituado a ver as transmissões clandestinas do Justin.tv, do tvtuga.com ou outros do género, não associa boa imagem à transmissão pela TV, mas o FIA GT era totalmente televisionado de borla no site do campeonato, e com boa qualidade, assim como as provas do LMS que passaram no europsort webplayer.

          Este é o futuro para quem pretende chegar a um publico alargado sem estar dependente dos interesses comerciais das TVs, e no caso dos campeonatos mais pequenos, com menor dimensão ou com provas que se adaptam à realidade da TV, tenho sérias duvidas que compense continuar a apostar em ganhos minimos com resumos a altas horas da noite em TV como a eurosport, ou sporttv…

          Veja-se o WRC. As provas são difíceis de acompanhar em directo na TV, e só é possível acompanhar as provas em resumos diários. Se a organização transmitisse na web, nem que seja a troco de uma quantia simbólica, quantos fãs de ralies não iam subscrever este serviço? Convém lembrar que pelo menos na europa, existem mais casas com a acesso à internet do que com televisão por cabo.

          Quanto ao resto, o vitor já explicou bem… e o que falta é mesmo arrojo como ele diz e bem, em apostar em situações alternativas, mas o problema é que os senhores que mandam nestas organizações, parecem viver ainda no tempo da idade da pedra, e procuram as soluções tradicionais.

          Quanto aos regulamentos, também não acredito na igualdade pura, mas muito mais pode ser feito do que actualmente é em termos de equivalência e falta saber até que ponto será possível agradar a 4,5,6 ou mais construtores em simultâneo, mas exemplos do passado, bon e maus não faltam, e o que é preciso é aprender com eles.

          • Villickx diz:

            Concordo que a internet é uma optima opção e como sabes tenho acompanhado muitas provas no Eurosport player mas, se for só por ai vai se estar totalmente a abdicar do dinheiro que movimenta as coisas.
            Para haver equipas é necessario patrocinios e hoje em dia, como sei que sabes, para um minimo de competitividade numa categoria como a LMP2 são necessarios uns bons milhões de euros e quem é que vai colocar esse tipo de volume de dinheiro numa equipa se comparativamente e pelo mesmo dinheiro consegue fazer chegar a sua mensagem a muitas mais pessoas via TV.
            Creio que a TV no mundo de hoje é fundamental para o sucesso duma categoria como esta que estamos a falar. Teria que se encontrar um compromisso na durabilidade da prova e creio que os 1000km/4hr seriam ideais. O ideal mesmo seria uma prova com duas horas de dia e duas horas de noite como foi o GP de Abu Dahbi (50% com sol e 50% noite) apesar que isto iria encarecer muito o custo da corrida.
            Olha só a cena:
            Local: Nurburgring (o unico, com nevoeiro e chuva).
            Quando: Num domingo qualquer de um qualquer mês de Março.
            Como: Num bom LCD.
            O que: 2 Ferraris, 2 Porsches, 2 Audi´s, 2 Mercedes, 2 BMW´s, 2 Toyotas, 2 Pescarolos, 2 Peugeot´s, 2 Renault e mais umas duplas destas a competirem para os 1000Km da Alemanha.
            Quem:
            Ferrari: Alonso/Badoer e Massa/Gene.
            Mercedes: Rosberg/Hamilton e Button/Raikonen
            Renault:Kubica/Vettel e Webber/Parente
            etc,etc.
            Acorda pá….isto é só um sonho.
            Abraço

            • De que ‘televisão’ estamos a falar? Da ‘televisão’ clássica, que põe meia-dúzia de câmaras espalhadas pelo circuito mais um gajo com uma à costas a andar para a frente e para trás no pit-lane, mais uma ou outra num cockpit, e mais um fulano numa regie a seleccionar as imagens para tu veres, e pouco mais informação que a classificação geral e à classe? Esquece. Essa tem os dias contados e é claro que poucos aguentam ficar sentados seis horas e assistir a isso. Eu falo da Net/TV que te dá a possibilidade de tu próprio escolheres as imagens (e assim não teres de aguentar voltas e voltas sempre com a imagem do primeiro classificado mesmo que lá para trás se desenrolem lutas interessantíssimas) e informações que queres ver (ou seja, pores-te no papel de realizador), sendo as informações disponíveis as mesmas que cada box tem disponível sobre os seus carros (ou seja, tudo ‘às claras’ – ou, vá lá, pelo menos, quase tudo…). Falo de uma televisão que, ao longo dessas seis horas, vai introduzindo curtos documentários sobre os mais diversos aspectos técnicos e organizativos dos carros, pilotos, corridas, circuitos, pneus, motores, regulamentos, e corridas, carros e pilotos do passado, etc, etc, etc (e nem precisas de perder a corrida, porque já não é nada do outro mundo teres mais que uma imagem em simultâneo na pantalha). E a vantagem da net é que podes ir para a praia com a família, descansado da vida, que chegas lá, ligas o teu iphone e vês a corrida na maior enquanto os miúdos se divertem a construir castelos de areia… e imagina até que vais ao circuito mas em vez de apenas poderes ver os carros a passar, ligas o teu iphone e acompanhas todas as incidências da corrida, mesmo (e sobretudo) aquelas que não vês do lugar em que te encontras. E, de qualquer maneira, não me parece que a miudagem de hoje se sente no sofá a ver esse tipo de TV. Ou melhor, fá-lo-á, mas apenas se o comando for tipo PS (não o do governo, que é um desconsolo, mas sim a das consolas) e lhes der oportunidade de se sentirem parte activa do espectáculo.
              Essas duplas seriam interessantes.
              Mas falta uma muito importante: JC Boullion/João Barbosa, num Pescarolo…
              e ainda uma tripla ainda mais importante: Carmen Jordá/Milka Dunno/Danica Patrick num… Compact Pitstop
              PS: 1000 Km correspondem a cerca de 6 horas de corrida e não 4.

  3. Gustavo Oliveira diz:

    Muito infelizmente, o que é proposto por Quesnel, um campeonato de 15, 16 etapas, predominância de pilotos profissionais e apenas duas classes de prototipos, só seria possível se os acontecimentos de 92 não tivessem existido. Assim teriamos um forte campeonato mundial, vários construtores, grelha concorrida, um campeonato norte americano e até uma série paralela a correr junto com Gts, e abarrotada de gentleman drivers, uma espécie de Endurance Open… Isso teria efeitos até em outras categorias, acredito que copias da F1, com a A1GP e a Superleague nem existiriam, e o numero de categorias nível F2 seria muito menor.
    Mas deixando a fantasia de lado, é esperar para ver o que acontece em 2011 com os novos carros, maior organização e interesse da ACO, as bases para uma mundial poderiam começar a serem construídas, mas de maneira sustentável, e não como aconteceu na transição de 2008 para 2009, onde quase todos, Peugeot inclusa, sumiram.

  4. Victor MENDES-FRANCO diz:

    Eu concordo com Olivier Quesnel, aliaz não é nada que eu não já dito AQUI ainda não há muito tempo, o que me faz um certo prazer visto eu ser um simples amador e o Quesnel ser um profissional na materia da competição !

    É evidente que ele defende os interesses da Peugeot, o mesmo acontece com qualquer marca que investe quantias colossais na competição de alto nivel e esses interesses são paralelos aos da endurance, certo?
    Se a endurance não tiver sucesso é evidente que as marcas não recuperam os seus investimentos, o que acontece actualmente, é por isso que participam só nas provas com mais cobertura dos midia e dos espectadores !

    E porquê ? Simplesmente como ele diz, os campionatos actuais não estão devidamente organizados para a importancia das provas !
    Com os regulamentos sempre em fase de mudança, com invenções de hibridos e electricos favorizados pelos regulamentos ora que não há muitos anos proibiram a Mazda de competir com o seu motor ” fetiche” que é o rotativo, depois de lá andar mais de dez anos, quando consegui ganhar, impediram os Japs de utilizarem aquele motor, ,ora que hoje qualquer trampa serve com o intuito de angariar participantes ! Não vai tardar para ver-mos prototipos a vapor com uma chaminé no lugar do escape !

    Já com a entrada dos Diesel, foi o que foi, favorizados pelos regulamentos, os taxis passavam pelos tradicionalmente competitivos como se estivessem parados, e tudo isso para defenderem alguns (dois ) constructores que alinharam nessa fantuchada!!!

    Quem é que gosta de ver as marcas de prestigio desportivo, levarem coça dos taxis nas rectas de um circuito ! Eu de certo que não !

    Por outro lado, estão a fazer provas para Europeus, pois não estou a ver os Americanos ou os Japs a correrem com Diesel !
    Entretanto estes ganharam uns titlositos e de novo toca a mudar, desta vez para hibridos, com se estes fossem melhores para o ambiente !

    Sejamos serios pois a competição automovel é uma coisa seria e os construtores querem um campionato serio, estavel e todos com armas iguais, senão nunca vão alinhar seriamnete ou então como acontece agora, escolhem uma a duas provas e as restantes que se lixem !

    Por este andar, vamos assistir a provas de endurance sem barulho de motores, com os carros carregados de baterias, ou então para ficarem sem esse peso, ligam os carros a um cabo há maneira dos velhos troleis !!!
    Eh,eh,eh…..

    Quanto aos GTs, eu tambem acho que deviam ter o seu proprio campionato, com um calendario diferente e profissionalmente organizado !
    Não faz sentido andarem a atrapalhar os LMPs quando estes dois podem ter os seus campionatos ddistintos.
    Muito provavelmente, as marcas alihariam nos dois com carros adequados e o merito seria outro que agora, onde uns correm para ganhar e os outros só podem ganhar a classe !!!

    Bem hajam !!!

    • A história da proibição do rotor da Mazda está ligada ao facto da FIA ter impostos os motores de F1 de 3.5litros no endurance em vez da formula do consumo, em 1990.

      Em 1991, ano que a FIA considerou de transição, os carros baseados no antigo regulamento dominaram categoricamente em Le Mans, com a Mazda a levar a melhor sobre todos eles, e apenas 3 dias depois, a FIA decretou que qualquer motor que não fosse o 3.5 litros estava proibido.

      Quanto à questão das motorizações, sou totalmente favorável a existências de LMPs a diesel, híbridos ou outras que entretanto surjam, mas que a competição seja feita em pé de igualdade como respondi ao Sky. Le Mans é variedade e diversidade, e esta não deve ser apenas em relação às diferentes concepções de um motor de explosão, tecnologia com mais de 100 anos e praticamente inalterada desde então. Aliás, os diesel são motores de explosão… e Ferdinand Porsche foi o primeiro a construir uma carro híbrido gasolina-eléctrico!

      O que falta é que estas tecnologias sejam equiparadas… e que haja competição leal.

      Em relação aos GTs, não me incomodam apesar de eu ser daqueles que gosta do endurance por causa dos protótipos e não por causa dos GTs. O que acho, é que seria melhor (mal altamente improvável de colocar em prática) integrar os LMPs com os campeonatos de GTs já existentes em que algumas provas seriam só de protótipos ou só de GTs, e as de longa duração com as 4 classes.

      Apesar dos fãs mais hardcore (no bom sentido) não gostarem da ideia de Le Mans ser só para protótipos, a verdade é que a existência de 4 classes é um claro obstáculo para a popularização do endurance. O adepto ocasional, aquele que verdadeiramente enche os circuitos, sente-se perdido com 4 classes e outras tantas classificações, mas, a opção de colocar LMPs e GTs a competir pela vitória à geral em pé de igualdade seria totalmente desastrosa. Já é é difícil equipara diferentes motorizações em carros idênticos, imagina equiparar diferentes motorizações e diferentes concepções de carros em conjunto…

      • Victor MENDES-FRANCO diz:

        Oi Hugo,

        thanks pela tua resposta que me foi util pois tens conhecimentos de factos que eu não tenho.
        Mas na generalidade concordo contigo só que vai ser muito dificil arranjar uma equivalencia sem prejudicar ninguem nessa historia de hibridos , etc,etc.

        Como já aconteceu com os diesel que nitidamente foram favorizados pelos regulamentos de nem sei de quem!
        É contra isso que eu sou, não o facto de serem diesel ou hibridos pois quanta mais diversidadem mais interesse têm as provas, uma vez que consigam uma forma equilibrada sem prejudicar nem favorizar ninguem, o que acho que vai ser muito dificil! Tenho mesmo a impresão que já li algures, que tinha sido anunciado que íam favorisar os comcurrentes que participassem de hibridos !!!! Por alma de quem ????

        Quanto ás diferentes classes, eu até curto bem os GTs, aliaz gostos deles todos e em particular os GTs, mas não acho bem é eles lá estarem só para encher a grelha de partida!

        os ” Sport prototipes ” devem conseguir subreviver sozinhos aí sim é que teriamos campionatos de endurance á maneira, o que não impediria de tambem haver endurance nos GTs e porque não nos turismos, que eram um espectaculo nas 24 horas de SPA, deves concertesa te lembrar da festa que era. Eu durante mais de dez anos nunca falhei uma, e o circuito estava cheio de malta e de participantes, uma porção de marcas diferentes, etc,etc. Era verdadeiramente um dia de desporto automovel, quase ousaria dizer um mini Lemans !

        No que diz respeito á organização e sem estar dentro assunto como vocês, tenho a impresão que a FIA está já há tempos a precisar de sangue novo, acabarem com Bernies, Tods, etc,etc, já me faz lembrar o que aconteceu com o J.M.Balestre, só fazia ….trampa, com uma arrogancia pas possible e por fim lá conseguimos-nos vêr livre dele.
        Agora está lá outro que não arreda pé e quem paga é o desporto automovel !

        Um abraço e
        bam haja !!!

  5. Sky diz:

    Hmm seria uma óptima dica, se não tivesse “água no bico”.

    Basicamente a Peugeot quer uma alternativa à F1, tudo bem, mas agora pergunto, e onde é que há grelhas de LMP1 suficientes para fazer um campeonato digno desse nome? Nem nos anos 80s isso aconteceu, pois também tinhamos os C2 metidos ao barulho.

    Depois, estar a pedir que os GTs não participem também é para rir. A Audi não veio a Spa porque os EUA têm muitos mais olhos a seguir o endurance lá que a europa tem a seguir o LMS, por muito que isso nos custe a admitir!

    Ele esquece-se é que quando as marcas debandaram todas, foram os privados com as Barchettas do IMSA, e os GTs que mantiveram o endurance vivo, e eu não aceito que de um dia para o outro os chutemos assim para fora. Afinal grande parte da história do endurance é feita com GTs, e se os anos 80 não os tiveram, foi porque as marcas não investiram na homologação de grupos B, ao contrário de hoje me dia, em que existem N carros homologados para GT, e que trazem sempre muito público para as pistas, basta ver as batalhas nessas classes no ALMS.

    No entanto, concordo com a criação de um campeonato do mundo sim, mas um campeonato do mundo onde privados e endinheirados também tenham lugar, e não um campeonato para meia dúzia de marcas que como ele próprio admitiu, só o querem para promover HDIs, Hibridos e outras coisas para eles venderem mais na rua no dia seguinte.

    • E não havia?
      Amigo Sky, a tua memória está a ficar fraca… não te esqueças que não era obrigatória a inscrição em todas as provas, e as equipas seleccionavam as que queriam fazer. Não eram raras as corridas com mais de 20 inscrições na classe C1, e a classe C2, era o equivalente ao nosso actual LMP2.

      Repara que o que ele pretende não é fazer corridas só com LMP1, mas sim reservar o Mundial para os LMP1, sejam eles 4, 8, 12 ou 24… as provas continuarão a ter LMP2, e GTs, que competirão apenas para os campeonatos regionais, e quanto aos GTs, não penso que a ideia dele seja retirar estes da grelha. O problema está nos pilotos amadores.

      De resto concordo contigo fazendo a ressalva que os construtores, seja onde for e quem for, não entram no desporto automóvel por amor à camisola. O desporto não é barato e seja na F1, no Endurance, nos Turismos ou nos Ralies, o objectivo é vender carros no dia seguinte… como dizem os americanos “win on sunday, sell on monday”. Importante é não criar condições para que determinadas tecnologias tenham vantagem. Sou totalmente favorável a existências de LMPs a diesel, híbridos ou outras que entretanto surjam, mas que a competição seja feita em pé de igualdade.

      • Sky diz:

        Bem, sim, dou a mão à palmatória, realmente nos “tempos auréos” havia. Também sou a favor das várias tecnologias em pé de igualdade. É o que tenho vindo a defender nos ultimos anos. Nunca quis a proibição dos diesel.

        Um abraço!

  6. IlGuerrieri diz:

    Muito interessante.

    Não nos podemos esquecer obvio que ele está a defender o seu interesse é um homem de negócios, mas também é um facto que tudo o que ele argumenta é real e é bom ver um construtor a insurgir-se contra isso.

    Creio que nestes últimos 2 anos ficou-se com a ideia para os grandes construtores de automóveis que a F1 não é uma mina de ouro automática, podendo ser no caso das 4 companhias que a abandonam, um poço onde se atira ouro para dentro.

    COm ou sem construtores espero sim é que o Jean Todt se lembre das raízes e faça algo para animar os sportscars, que bem mereciam um “revival”. Com construtores como a Audi, Peugeot e agora Toyota, pode ser que surja o lobby que consiga puxar o campeonato para cima novamente.

    Muito bom Le Mans

    • O Jean Todt? Nã… isso seria para mim uma ENORME surpresa! Qualquer competição que ouse tirar prestigio à galinha dos ovos de ouro da FIA e do Bernie tem os dias contados.

      • IlGuerrieri diz:

        Bem visto amigo Hugo.

        Realmente um bocado utópica a minha ideia de ver um homem daqueles “lembrar-se das raízes” quando o que conta é o dinheiro a bater em cima da secretária.

        De qualquer maneira saliento que seria espectacular voltar a ter uns campeonatos como nos bons velhos tempos, mas pela tendência que vejo actualmente todos os campeonatos que começam a ganhar destaque começam logo a ter as perninhas cortadas… Quem não gostava do DTM nos anos 90 ou do BPR? E nem falo no Mundial de Ralis.

        Abraço

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