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World Endurance Championship

No controlo da corrida — 2ª Parte

por Press Release (edição: Hugo Ribeiro), 22 de Agosto de 2014 Sem Comentários

A mesa do Director de Corrida, Eduardo Freitas, durante as 24 Horas de Le Mans de 2014. © JohnRourke / AdrenalMedia.com

Como segue então o Director de Corrida Eduardo Freitas, e a sua equipa, a acção em pista? Quais os equipamentos usados para manter o pulso desta? Na segunda parte desta entrevista, vamos dar uma olhada por algumas das inovações utilizadas.

“Recebemos informações sobre o que acontece na pista através de câmaras CCTV e imagens TV, algo que melhorou imenso nos últimos anos. Estamos também desde esta temporada a utilizar um novo sistema de comissariado dentro dos carros, o que nos leva a um admirável mundo novo no que toca à gestão das corrida. Permite-nos compreender um pouco melhor o que se passa dentro de pista quando juntamos o comissariado com o timming. Novas ferramentas chegam até nós a toda a hora para que possamos assegurar o cumprimento das regras de uma forma mais inteligente, eficiente e precisa.”

À frente da equipa, na maioria das corridas, está uma enorme parede de ecrãs que cobrem todas as área e aspectos do circuito, e tanto Eduardo Freitas como Lisa Crampton usam 10 ecrãs específicos, cada um, durante o desenrolar de uma sessão, 8 nessa parede, mais um computador e um sistema vídeo com uma mesa de controle dedicada. Existem pessoas responsáveis por comunicar individualmente com cada comissário, a direcção do CCTV e, onde estiver instalado, o vídeo é usado para análise e para uso pelos Comissários Desportivos, no caso de eventuais litígios ou penalidades.

Desde a introdução de um sistema de intranet, que liga o Controlo de Corrida a cada uma das equipas no muro das boxes (o Sistema de Notificação do Controlo de Corrida ou RCNS [ndr.: do inglês Race Control Notification System]), Team Managers e engenheiros deixaram de correr de um lado para o outro na linha de boxes para fazer perguntas ou para consultar decisões. O RCNS é dedicado a cada equipa, e cada e-mail é enviado apenas para um indivíduo. A excepção ocorre quando um Team Manager ou piloto é chamado ao "Gabinete do Director" para uma explicação sobre um incidente ou para a receber uma repreensão por comportamento incorrecto em pista!

O Director de Corrida também tem acesso directo ao Timing/Scoring plus, como explica Eduardo Freitas, “uma frequência dedicada que me dá acesso ao muro das boxes, que é o que as pessoas às vezes ouvem em casa pela TV. Esta frequência sobrepõem-se aos sinais de rádio que temos na linha de boxes, razão pela qual é apenas usadas para informações importantes e urgentes.

Eu também consigo comunicar com as equipas através dos monitores de tempo ou pelo sistema de comissariado, que é onde a Lisa entra — ela é a única que coloca as mensagens que vocês vêem em monitores na pista, e quem gere o RCNS. Agora também temos a capacidade de enviar mensagens para os pilotos nos carros, que é algo que estamos a desenvolver e que não será usado muitas vezes. Tal exige a atenção dos pilotos, e quando se está a rodar a 300km/h, eu prefiro que a sua concentração esteja direccionada mais para a pista do que para o tipo de mensagens que podem ser enviadas. É uma nova ferramenta para este ano e vamos ver, basicamente, se é útil e como podemos lidar com ela, tanto do nosso lado como do lado do piloto.”

Se perguntássemos ao nosso Director de Corrida qual a sua corrida ideal, a resposta é fácil. “Aquela onde não existem intervenções, e onde os pilotos cuidam de si mesmos sem me dar qualquer tipo de trabalho!”

Por outro lado, existem corridas — como as 6 Horas de Fuji no ano passado —, onde as chuvas torrenciais e as condições da pista subsequentes, proporcionaram ao Controlo de Corrida o "pior cenário", e que levou à suspensão da corrida por duas vezes, seguindo-se a bandeira vermelha depois de apenas 16 voltas cumpridas. “Tivemos 293 mensagens no RCNS no espaço de 4 horas, e a Lisa nunca deixou o seu posto em nenhum momento,” lembra Eduardo Freitas. “Tudo acrescido com o lidar com todas as mensagens de rádio e as pessoas que entraram no Controlo de Corrida para fazer perguntas. Foi desgastante na altura, mas, estranhamente, é assim que se aprende onde há falhas no sistema, e foi assim que mudamos, evoluímos e introduzimos novos regulamentos para a seguinte temporada.”

Decisões como intervenções de safety car durante o mau tempo não são tomados de ânimo leve, e as opiniões dos pilotos de todas as quatro classes são procuradas pelo Controlo de Corrida, porque os diferentes tipos de carros reage de forma diferente à diferentes condições. É pedido um feedback abrangente, e sempre dado, e o Director de Corrida reconhece ser uma enorme ajuda.

“Eles são os principais afectados, no carro, e não importa o quão bom é o CCTV, o sistema de comissariado ou de câmaras a bordo, ou os relatórios dos comissários, o mais importante é saber como o piloto se sente dentro do carro. Quando se tem vários pilotos de diferentes classes a dizer que as condições da pista, por exemplo, estão a ultrapassar as fronteiras do aceitável, o que é que fazes? Corres o risco de alguém se magoar no final do dia? A segurança de todos é fundamental, e nós nunca iremos correr riscos desnecessários.”

Os Directores de Corrida — tal como os árbitros de futebol — muitas vezes recebem um boa dose de críticas pois é impossível agradar a toda a gente, a toda a hora, e às vezes as corridas são ganhas ou perdidas através de decisões tomadas no Controlo de Corrida. Eduardo Freitas é, no entanto, universalmente respeitado pelas equipas e pelos pilotos dentro do FIA WEC ... estamos em boas mãos, e que assim continue!

Fonte: FIA WEC