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Montezemolo este ano em Le Mans – e a Ferrari, quando?

por Vitor Ribeiro, 29 de Abril de 2009 13 Comentários

O Ferrari 166M #22, vencedor das 24 Horas de Le Mans de 1949, numa foto de 1982.

O Ferrari 166MM #22, vencedor das 24 Horas de Le Mans de 1949, numa foto de 1982.

Como forma de comemorar o 60º aniversário da primeira vitória da Ferrari em Le Mans (obtida em 1949, na 17ª edição - primeira depois do interregno decorrente da 2ª Guerra Mundial - pela dupla anglo-americana constituída por Peter Mitchell-Thompson, 2ª Barão de Selsdon, e Luigi Chinetti, ao volante de um 166MM inscrito por aquele lorde escocês), Luca di Montezemolo, presidente do Grupo Fiat e da Ferrari,  foi incumbido de dar a partida para a 77ª edição das míticas 24 Horas.

A notícia, ontem divulgada pelo Endurance-Info , é uma boa ocasião para, ainda que de forma breve (com a promessa de que um dia voltaremos, com mais profundidade, ao assunto...), lembrarmos que a presença, a nível oficial, da marca do "cavallino rampante" em Le Mans ajudou a escrever algumas das páginas douradas da história das 24 Horas, com modelos como o 250P e LM, o 330P, o 412P, o 312P e PB e o 512S e M, os quais ainda hoje preenchem o imaginário de muitos adeptos.

A essa primeira vitória seguir-se-iam nos anos '50 as de José Froilán González (ARG)/Maurice Trintignant (FR),  num 375 Plus (1954) e Oliver Gendebien (BE)/Phil Hill (USA), num 250 TR58 (1958).

Batida em 1959 pela Aston Martin, naquela que constitui a úniva vitória absoluta da marca inglesa na prova - e cujo cinquentenário também este ano se comemora - a Ferrari dominaria a primeira metade da década de '60 com seis vitórias consecutivas, entre 1960 e '65: Oliver Gendebien (BE)/Paul Frère (BE), num 250 TR59/60; Oliver Gendebien (BE)/Phil Hill (USA), num 250 TRI/61, que repetiriam no ano seguinte com um 330 TRI/LM Spyder; Ludovico Scarfiotti (IT)/Lorenzo Bandini (IT), num 250P; Jean Guichet (FR)/Nino Vaccarella (IT), num 275P;  e, finalmente, Jochen Rindt (AUT)/Masten Gregory (USA), num 250LM.

Esta última vitória seria já obtida pela NART (North American Racing Team), equipa fundada  em 1958 precisamente por Luigi Chinetti - um italiano que a 2ª Guerra Mundial fez emigrar para EUA tendo adquirido a nacionalidade americana em 1946 - para fazer a representação oficial da marca italiana naquele país.

Embora oficialmente sejam referidas uma certa insatisfação com o rumo que a endurance estava a levar nos inícios da década de '70 e a decisão de concentrar esforços na F1, ao abandono do investimento oficial nos sport-protótipos por parte da Ferrari não serão certamente também alheias as estrondosas e consecutivas derrotas perante o GT40 da Ford (entre '66 e '69), o 917 da Porsche ('70 e '71) e o MS670 da Matra-Simca ('72 e '73).

Em 1973, a marca italiana ainda parece capaz de se despedir de Le Mans em beleza, obtendo as duas primeiras posições na qualificação e assumindo as  primeiras 'despesas' da prova, mas o segundo lugar final de Arturo Merzario (IT) e José Carlos Pace (BR), no único dos Ferrari 312P oficiais a terminar a prova, constituirá a consolação possível num ano em que acabará por ver fugir, também para a Matra, o título de construtores.

1999: o 333SP de Jérome Policand (F)/Mauro Baldi (I)/Christian Pescatori (I), último sport-protótipo da Ferrari a competir em Le Mans.

1999: o 333SP da JB Jabouille Bouresche, conduzido por Jérome Policand (F)/Mauro Baldi (I)/Christian Pescatori (I), foi o último sport-protótipo da Ferrari a competir em Le Mans.

Seria preciso esperar vinte longos para voltar a ser construído um sport-protótipo Ferrari  fazendo renascer nos 'tiffosi' e fãs da endurance a esperança de voltar a ver marca empenhar-se oficialmente na categoria. Construído, de facto, pela Dallara para disputar o campeonato IMSA, o Ferrari 333P registaria, sempre através de equipas privadas, algumas passagens sem sucesso por Le Mans entre '96 e '99 (com o 6º lugar em 1997 a constituir o melhor resultado), ganhando segunda e bem sucedida vida, já no final da década, no FIA Sportscar Championship, com a conquista de quatro campeonatos consecutivos (entre 1998 e 2000).

Com a Ferrari ausente assim da categoria principal, o máximo a que Montezemolo poderá aspirar este ano é ver um dos dez F430 GT conquistar a categoria GT2, esperando nós que isso, a acontecer, o inspire ou incuta o desejo de voltar a ver um carro pintado de vermelho com um cavalinho negro empinado estampado a lutar pelos primeiros lugares.

Não dizia o poeta que o sonho comanda a vida? Sonhemos então...