LMS Opinião
Le Mans Series 2010: Lista de inscritos oficial – a análise Le Mans Portugal
LMP1
Em situações normais, a Audi seria o grande destaque entre os inscritos na classe LMP1, mas é impossível não olhar com grande tristeza para a ausência da Pescarolo. A estrutura que Henri Pescarolo fundou em 2000 é uma presença assídua desde que o LMS existe e tem um enorme capital de simpatia junto dos fãs das provas de endurance, mas a equipa vive tempos de enorme dificuldade e nem o facto de Henri ter vendido a equipa à empresa Sora Composites foi suficiente para que esta se tivesse mantido em competição.
A Sora Composites entretanto transformou a Pescarolo em Sora Racing, tendo sido sobre essa bandeira que a Pescarolo correu no Asian Le Mans Series, no final da anterior temporada, e apesar da vitória na primeira edição do novo campeonato, era evidente um grande mal estar entre a equipa e os novos patrões. Henri Pescarolo deixou a equipa abandonada na Ásia, e a Direcção da Sora também não fez questão de viajar até ao Japão para seguir de perto a sua nova jóia... Resta agora a muito ténue esperança de que a Pescarolo ainda regresse, e que a sua ausência desta lista preliminar se deva apenas à necessidade de ainda fechar parcerias para que a sua continuidade seja uma realidade.
Tirando a Pescarolo da equação, a grande surpresa é o regresso da Audi Sport Team Joest, embora esta inscrição deva ser analisada com alguma cautela. Tal como noticiamos ontem, a presença da Audi é meramente uma questão de logística, pois a equipa alemã apenas prevê participar nas provas de Le Castellet e Spa, e ainda na de Silverstone, que marcará o arranque da Le Mans Intercontinental Cup, o balão de ensaio para o próximo World Le Mans Series. Mas se por um lado é verdade que a Audi apenas planeia participar nestes provas, por outro lado é também um facto que a porta não está fechada a uma presença nas restantes duas.
Também pela positiva, registe-se a presença da Noël Del Bello Racing, com um competitivo e actualizado Lola B10/60 Judd. A equipa do ex-piloto francês Noël Del Bello, na qual já competiu o piloto português Ni Amorim, está assim de regresso à classe principal, depois de ter competido nesta classe em 2004 com o Reynard 2KQ-LM. Jean-Marc Gounon é o único piloto confirmado para já, mas é já de si um bom indicador.
É verdade que falta aqui a Peugeot e a Aston Martin (a Peugeot fará a prova de Spa e a Aston estará em Castellet), mas duas equipas privadas representá-las-ão no LMS: a Oreca e a Signature. Esperemos que no futuro, com as equipas de fábrica possivelmente concentradas no World Le Mans Series (Le Mans Intercontinental Cup), esta política de marcar a sua presença nos campeonatos 'regionais', neste caso no LMS, através de equipas privadas, se mantenha.
LMP2
Na LMP2 também não faltam surpresas. Se por um lado já estava mais que confirmado que a Strakka Racing iria mudar-se para a LMP2 e ira usar um HPD (ex-Acura) ARX-01c, por outro lado estranha-se a ausência da JAS Motorsport. Esta equipa italiana, com longos anos de ligação à Honda, já havia confirmado publicamente que iria adquiri um HPD, para o qual já havia reunido todas as condições financeiras necessárias para uma temporada do LMS e uma eventual participação nas 24 Horas de Le Mans, tendo ainda avançado que estava a tentar fechar algumas parcerias para colocar dois HPD em pista, acaba assim, surpreendentemente, por não estar nesta lista.
Na mesma nota, encontram-se a Pegasus Racing, que ira fazer regressar a Norma à LMP2, e a própria Norma, que também havia anunciado uma temporada inteira do LMS com o Norma, para além de tentar estar também nas 24 Horas de Le Mans. Os pilotos também tinham sido confirmados, e os próprios confirmaram a sua presença no Norma, mas a equipa acaba por só inscrever o seu Courage LC75. O Norma só esta semana passou no crash test, e é possível que o desenvolvimento esteja atrasado o suficiente para o programa ter sido reequacionado.
Outra estranha ausência é a de Pierre Bruneau, que também havia lançado um comunicado a confirmar a sua presença com o Radical SR9 oficial, até agora gerido pelo Team Bruichladdich. Também ausente está a WFR, ex-Embassy, que em Silverstone regressou ao activo após ter encerrado portas nos fim de 2008, mas neste caso Jonathan France, Director da equipa, apenas tinha confirmado a vontade de regressar ao activo a tempo inteiro em 2010.
No campo das surpresas está a RML, que depois de uma temporada desastrosa com o motor Mazda havia divulgado que iria mudar de motor em 2010. Quando todos esperavam pelo Judd, eis que a RML aparece com um HPD. Durante a pre-época, técnicos da HPD estiveram nos ateliers da Lola para encontrar a melhor solução para adaptar o coupe inglês ao motor da HPD... agora percebe-se porquê!
Outra novidade é o aparecimento de um equipa suíça desconhecida, a Race Performance (ex-Trading Performance e GAC?) que ira colocar em pista um Radical SR9 com um motor Judd, assim como a escolha da Hache pela Zytek para a sua segunda inscrição. A Racing Box está de volta, e com os dois Lola Judd, faltando saber se sempre conseguiram convencer a Pirelli a alinhar nesta aventura, como pretendiam.
Uma coisa é certa: perante a qualidade dos inscritos nesta classe, a LMP2 vai ser extremamente competitiva. Pelas nossas previsões, em 16 inscritos, 6 LMP2 terão condições reais para lutar pela vitória em cada uma das cinco corridas.
GT1
O que dizer da classe GT1? Honestamente não faz qualquer sentido a sua existência... duas inscrições com o Sallen SR7, da Larbre e da Full Speed e a dúvida se estes GTs estão adaptados ao novo regulamento GT1...
Uma classe GT era mais do que suficiente e com um Campeonato Mundial criado pela FIA para esta classe em andamento, tirando Le Mans, dificilmente voltaremos a ver inscrições de qualidade ou em quantidade nesta classe. É conhecido que os construtores pediram uma única classe GT para as provas sobre a égide do ACO, e não nos parece um boa política por parte do LMS manter um classe claramente só para 'encher chouriços'...
GT2
A Luc Alphand não aparece nem na GT1 nem na GT2 e é, tal como a Pescarolo, uma ausência muito notada. A equipa já havia confirmado que estava a estudar alternativas ao seu Corvette GT1, e que a mudança para a GT2 era uma certeza. Depois disso, acabou por confirmar que afinal iria a Le Mans com o Corvette, para o qual tem uma entrada directa, mas que para o LMS haveria outra solução, falando-se insistentemente na BMW, mas, aparentemente, não há solução.
Falando em BMW, é com grande satisfação que se vê a marca da Baviera regressar ao endurance e apresentar-se com pelo menos um dos seus recém homologados M3 GT2, através de um velho aliado, o Team Schnitzer. É apenas uma inscrição, mas que em Spa passará a duas caso se confirme o que foi adiantado pela organização da prova. Sendo certo que a BMW pretende voltar a Le Mans, falta saber se a sua inscrição em Spa, e a eventual participação em Le Mans, envolverá também (ou não) a equipa americana Rahal-Letterman, que estreou o M3 no ALMS em 2009 num altura em que só a IMSA havia homologado o carro sob condição.
Saúda-se duas inscrições de peso, ambos com a Ferrari: a AF Corse e a CRS Racing - no caso da AF Corse, com 3 carros, o que é estranho pois o regulamento desportivo diz claramente no art.º 3.2, que cada competidor está limitado a duas inscrições. As equipas geralmente contornam esta questão inscrevendo o 3º carro com um nome diferente (basta ver o que a Peugeot, Audi, Aston Martin ou o Team Farnbacher têm feito). Quanto às saídas, nada fora de comum, pois apenas as equipas que já em 2009 não participaram em todas as provas não constam desta lista.
Veremos que mais surpresas nos esperam com as eventuais entradas em provas seleccionadas, e se entretanto algumas das equipas que confirmaram os seus projectos para toda a temporada e não surgem nesta lista nos dão alguma informação sobre a sua ausência. Por outro lado, amanhã é dia de divulgação da lista de inscritos nas 24 Horas de Le Mans de 2010, e é bem possível que alguns dos projectos presentes nesta lista acabem por ficar efectivamente de fora caso não lhes seja confirmada a presença na prova que justifica, de facto, todo o dinheiro investido.


Estava a ver que faltava… e no entanto é bem provável que venha a ser uma realidade… dizem…
Ops, estava a responder ao último cometário e vim parar aqui, ao primeiro. Assim a minha anterior resposta fica sem nexo nenhum. As minhas desculpas…
Ontem vi um comentário curioso no Ten Tenths… para 2011, o Porsche RS Spyder é um LMP1 sem precisar que grandes alterações. Sendo que apenas um dos carros construídos está em actividade (os restantes estão em museus e nas mãos de coleccionadores privados), será que alguém vai ter coragem (ou se a Porsche ‘permitirá’) de os colocar de novo em pista? Uma coisa é certa, o HPD Arx01c, não fica muito mais barato de por em pista que o RS Spyder, pelo que a questão monetária, que sempre assombrou o Porsche, parece muito relativa.
Quanto a outro modelo… eu aposto que ele aparecerá, mas não em 2011, mas, sem garantias de uma luta justa (ou, perdoa-me o picanço, a pender para a vontade da Porsche), muito dificilmente esta irá dar-se ao trabalho de voltar à classe rainha. Uma coisa tenho eu certeza: Será um híbrido.
Sobre o facto do RS Spyder poder facilmente configurar um LMP1 (vencedor, acrescente-se) em 2011, já eu havia comentado contigo, lembras-te? O regresso da Porsche não se fará, certamente, com o RS Spyder, mas que ele constitui uma boa plataforma e serviu para a Porsche tirar as suas ‘conclusões’, não tenho dúvidas.
Oxalá que sim. Lindo, lindo era também o regresso dos ‘cavalinhos empinados’…
Começa a definir-se a ‘grelha ‘ de participantes, depois de serem clarificadas alguns processos de intebnção em particuipart. A ausência da Pescarolo (vamos a ver se de facto estará totalmente confirmada forcing deles) nota-se pois era uma equipa ’simpática’ e clientes habituais do campeonato (torna-se estranho os contornos da venda da equipa à Sora Composites …)
Perspectivam-se alguns duelos entre várias formações, sendo pena a Audi, Peugeot e a Aston Martin não se envolverem mais. Dever-se-á seguir com interesse a participação da B.M.W. (que deveria estar noutro patamar de participação). A Porsche, enfim…
Vamos aguardar por mais confirmações …
A venda da equipa foi já em 2008/2009…. não havia dinheiro e a Sora comprou a equipa por um preço simbólico (1 euro) assumindo as dividas. Bom ou mau negocio, na altura foi o negocio possível para manter a Pesca de portas abertas, mas, ao que sabemos, a Sora julgou que Le Mans era pêra doce, e barata, e só depois de se por ao corrente de tudo é que se apercebeu que isto não é a F1, os patrocínios não caem do ceu, e também não é assim tão barata quanto isso embora os valores são muitíssimo inferiores à F1.
Para já, a Pesca fará a primeira prova do LMS, eventualmente Spa também… esperemos que encontre dinheiro para a restante temporada pois LMS sem o Henri não é a mesma coisa.
Agora um pouco mais a sério, tambem é com tristeza que não vejo o SENHOR Pescarolo na lista mas espero sinceramente que ele esteja a trabalhar para 2011.
Na minha opinião 2010 e 2011 vão ser anos de transição, prevendo que, com o conjunto de regras equitativas e uma competiçao de nivel mundial (Campeonato Mundial de Endurance) poderemos assistir ao retorno de grandes provas.
Para o endurance continuar a evoluir deve claramente seduzir os construtores, preparadores, o que lhe quiserem chamar, com a introdução de tecnologias inovadoras(Construtores) e soluções económicamente sustentáveis (Privados).
A F1 está a piscar o olho a um tipo de competição ecológicamente aceitável por isso o Endurance deve anticipar-se definindo regras claras para este tipo de competição em que a “criatividade sustentável ecológicamente competitiva” fosse um factor proeminente na aceitação das inscrições para LE MANS.
Os Construtores são importantes para o Endurance mas não são insubestituiveis… tenho dito
A nossa vantagem é que a F1 limita-se a piscar…. verdadeiramente, a menos que haja uma grande transformação na F1, não veremos grande verde por lá tirando nos compostos do combustível e no KERS, e materiais recicláveis ou reciclados…
Eles não estão abertos a novas motorizações, novas ou mesmo revolucionárias, enquanto que a ACO (mesmo que com isso crie desníveis competitivos como o fez com o diesel) lá arranja algum espaço para coisas diferentes, desde que essas venha de um construtor.
A questão dos construtores serem ou não importantes para Le Mans, é complexa. Por um lado concordo contigo, até porque não é por estar lá a Audi a Peugeot ou outro qualquer que vou gostar mais ou menos de Le Mans. É sempre bom ver lá os grandes construtores, mas esses vão e vêm conforme o sitio para onde estão virados, enquanto que os construtores pequenos e independentes e as equipas privadas, muitos estão lá porque gostam mesmo de lá estar.
Por outro lado, em termos mediáticos é muito importante quando estes lá estão porque despertam o interesse dos media e dois fãs mais casuais… basta ver as grande diferenças entre o que se passou em Le Mans durante meados de 90 e os fins de 90, ou mais recentemente, o interesse que a vinda da Peugeot despertou após anos de Audi a solo…
Ou, ainda melhor, a diferença abismal entre as assistências e o interesse mediático que o LMS teve em 2008 com o confronto Audi/Peugeot, e o que tem agora! É a triste cina…
E que tal, sem qualquer tipo de ironia, as seguintes categorias:
Desculpem este devaneio mas hoje acordei inspirado,com esta ideia para 2011…
LMP1: Audi R18, Peugeot 909, Astons Martin DB 11, Toyota LMP, Ferrari LMP, Lotus LMP.
LMP2: Acura Arx- 01d, Lola B11, Zytek 011S, Mazda LMP, Pescarolo LMP.
GT: Bmw M3 gt, porsche 998 gt, Corvette Z07 gt, Aston Martin db9 gt, Ferrari F480 gt, Ford GT, Spyker C8 gt, Nissan Gt-r, Honda HSV GT, Lexus LFA gt.
Se por mero exercicio imaginativo quiserem contribuir para esta lista é só acrescentar…
Bolas Gustavo… já estou a salivar….
Falta aí a Jaguar, na GT2, a Lola e a Zytek também na LMP1 (equipas privadas) assim como a Pescarolo!
…e Porsche LMP