História / Le Mans

11 de Junho de 2009

Le Mans 2009: efemérides e curiosidades (parte 1)

O ano de 2009 encerra algumas efemérides 'redondas' relacionadas com as 24 Horas de Le Mans. Passar os olhos, ainda que de forma breve, por alguma delas e outras tantas curiosidades, é o, sempre interessante, exercício que vos propomos agora.

As efemérides...

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The Lords of the Rings

100. Em 1909, na sequência da sua expulsão da própria marca que fundara, com seu nome, dez anos antes, August Horch dava inicio à fundação da Audi. Impedido legalmente de utilizar o seu nome, Horch adopta o étimo latino Audi correspondente a Horch (cuja tradução em português é o imperativo Oiça!, do verbo ouvir), nome que no entanto só se tornaria efectivo em 25 de Abril do ano seguinte. Os quatro anéis que actualmente identificam a marca só surgiriam nos anos 30 com a criação do grupo Auto Union, resultante da  fusão da Audi com a Horch original, a DKW e a Wanderer, correspondendo cada um dos anéis a uma destas quatro marcas.

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By Her Majesty's Request

50. No ano em que se comemora o cinquentenário da sua primeira e única (até à data) vitória  em Le Mans, a Aston Martin está de regresso ao mais alto nível, recuperando ainda, para a ribalta - e num genial golpe publicitário - as míticas cores da Gulf Oil. Em 1959, o DBR1/4 #4 de  Stirling Moss e Jack Fairman, equipado com um motor mais 'musculado', foi incumbido da tarefa de forçar o andamento de forma a provocar o máximo de 'estragos' na forte concorrência italiana constituida pelos Ferrari 250 TR 59, e assim abrir caminho à vitória de um dos outros dois Aston Martin. E de facto, a táctica resultou de forma brilhante, pois não só os três Ferrari oficiais acabariam por desistir como os DBR1 - com a dupla americano-inglesa Shelby/Salvadori à frente, no #5, secundada pela dupla belgo-francesa Frére/Trintignant, no #6 - acabariam por conquistar a dobradinha com larga margem sobre o terceiro classificado.

Se é verdade que hoje dificilmente uma táctica semelhante poderá ter os mesmos resultados, pois a fiabilidade das actuais viaturas nada tem a ver com a das viaturas dessa época, também não será menos verdade que a marca inglesa tudo fará para repetir a façanha. No entanto, e sejamos realistas, face ao poderio dos 'diesel', pouco mais resta à Aston Martin que aspirar ao  'prémio de consolação' que será a vitória entre os 'gasolinas'.

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A Rebel with a Good Cause

40 (1). Foi há quarenta anos: enquanto todos os outros correm, há um piloto que atravessa em passo lento a pista de La Sarthe, ajustando calmamente as luvas. Dirige-se, como todos os outros, para o seu carro, no caso o Ford GT40 #6, que o aguarda junto muro das boxes, do outro lado da pista, cumprindo o tradicional procedimento de largada. Jacky Ickx, belga de nascimento, 24 anos de idade, um dos melhores pilotos da sua geração (e não só) protesta assim contra o que considera um desajustado e perigoso procedimento. Ainda não se tinha cumprido a primeira volta ao circuito, e já o (triste) destino lhe dava, de certa forma, razão - é, pelo menos, o que muitos defendem: John Wolfe, que na pressa do arranque teria apertado mal (ou nem sequer teria apertado) o cinto de segurança, viria a encontrar a morte ao ser projectado do seu um Porsche 917 privado na sequência do embate com as barreiras de protecção, em Maison Blanche.

No ano seguinte, os carros largariam ainda, e pela última vez, da tradicional formação em espinha (com os carros colocados a 45º em relação ao muro) ao longo do muro das boxes, mas já com os pilotos devidamente acomodados dentro dos respectivos cockpits - procedimento que o filme "Le Mans", em parte rodado durante essa edição das 24 Horas, imortalizaria.

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The Winner Takes it All

40 (2). Mas a edição das 24 Horas de Le Mans de 1969 não ficam apenas marcadas pelo 'passeio' de Jacky Ickx na largada e a morte de Wolfe. Ao executar todo o procedimento de largada na maior das calmas, o jovem piloto belga acabaria por sair na cauda do pelotão e ter assim de ir atrás do prejuízo. Mas numa prova tão longa em que a fiabilidade das mecânicas joga um papel preponderante no resultado final, o melhor, para ele e para a equipa anglo-americana, ainda estava para vir. Embora dominando a maior parte da corrida, numa clara demonstração de força, os Porsche 908 e 917 - este fazendo a sua estreia de forma retumbante, encontrando-se na liderança com oito voltas de avanço quando foi obrigado a desistir, a duas horas do final da prova - a vitória acabaria por sorrir, por escassos 120 m(!) à dupla Jacky Ickx/Jackie Oliver, no Ford GT40 #6. Seria a primeira das seis vitórias de Ickx na prova, o que lhe valeria o epíteto de "Mr. Le Mans", que ainda ostenta com orgulho apesar de Tom Kristensen, com as usas oito vitórias, já lhe ter 'roubado' o recorde.

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David vs. Goliath

25 (1). Vinte e cinco anos é quanto já leva de vida a sociedade criada em 1984 por David Richards e Ian Parry e que dá pelo nome de Prodrive, contando já, entre muitas outras, com 100 vitórias e 6 títulos no Mundial de Ralis, com a Subaru; cinco títulos ingleses de Turismo, com a BMW, Alfa Romeo e Ford; e três vitórias em Le Mans, na classe GT1, com um Ferrari (em 2003) privado e com a Aston Martin, a nível oficial, em 2007 e 2008.

Nesta sua participação na classe rainha, e se bem que o sonho comande a vida, dificilmente David levará a melhor sobre os 'Golias' movidos a diesel, transformando em obra o sonho de uma vitória em Le Mans.

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Mon Oncle

25 (2). Em 15 de Julho cumprem-se igualmente 25 anos sobre a primeira e única experiência de Ayrton Senna com um sport-protótipo. Foi em 1984, nos 10oo Km de Nürburgring, a primeira prova oficial disputada no novo circuito, ao volante do Porsche 956K #7 da NewMan Joest Racing , o mesmo que havia ganho, um mês antes as 24 Horas de Le Mans pelas mãos de Henri Pescarolo e Klaus Ludwig. A convite de Domingos Piedade, que era na altura não só o seu manager mas também Director Desportivo da Joest, Senna juntava-se ao já veterano Pescarolo e a outro 'jovem lobo' em ascenção, o sueco Stefan Johansson. Nonos na qualificação, a 4 s do Rothmans Porsche oficial de Stefan Bellof e Derek Bell, na corrida acabariam em 8º, a 10 voltas da mesma dupla, que se sagraria vencedora da corrida, muito por culpa de problemas com a embraiagem. Da sua prestação diria Norbert Haug, na época jornalista de serviço para a Auto Motor und Sport, ter estado ao nível dos bem mais experientes na categoria, incluindo Bellof, que se sagraria campeão mundial nesse ano.

Vinte e cinco anos depois, o apelido está de regresso à categoria, cabendo ao sobrinho Bruno Senna Lalli defendê-lo. Se bem que o tio dele tenha dito um dia ter ainda mais talento que ele próprio, Bruno, e apesar dos bons desempenhos já realizados, ainda estará longe de o demonstrar cabalmente. Enquanto aguarda a oportunidade de dar o salto para a F1, este será um bom teste às capacidades do jovem brasileiro.

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Deutschland Über Alles

10 (1). Dez anos e oito vitórias: para a história, a primeira década do séc. XXI será indubitavelmente a década Audi. Uma década de domínio quase absoluto que começou logo na segunda presença, em 2000, e só foi interrompida em 2003, com a vitória da Bentley (cujo Speed 8 tinha mais semelhanças com o Audi R8C do que o nome deixa perceber, não pertencesse a Bentley, já na altura e desde 1998, ao grupo Volswagen/Audi).

Comemorar o centésimo aniversário da marca e o décimo da sua primeira participação em Le Mans seria assim mais do que uma simples cereja em cima do bolo (de aniversário)...

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New Team in Town

10 (2). Trinta e três participações como piloto (recorde que tão cedo não será batido) e quatro vitórias absolutas depois, Henri Pescarolo apresenta-se à partida das 24 Horas de Le Mans de 1999, na dupla condição de piloto (naquela que constituiu a sua 34ª participação, e também despedida, como piloto) e chefe de equipa. Preparando já o futuro, Pescarolo 'dá o salto' e constitui o embrião da actual Pescarolo Sport: a Pescarolo Promotion Racing Team, inscrevendo um Courage C50 com apoio oficial do pequeno construtor francês, para o qual aliás Pescarolo havia corrido em Le Mans desde 1994. No ano seguinte, seria já sob a designação Pescarolo Sport - com Henri já de luvas 'arrumadas' e assumindo as novas funções a tempo inteiro - que a equipa alinharia nas 24 Horas. Fiel à Courage até 2003, em 2004 Pescarolo resolve introduzir significativos desenvolvimentos no C60 daquela marca, passando a designá-lo por Pescarolo C60 - estava dado mais um passo, passo esse que levaria a equipa ao título do LMS em 2005 e 2006 (ano em venceria todas as cinco corridas do campeonato) e ao segundo lugar em Le Mans nessas mesmas épocas.

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