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In Memoriam: Ronnie Peterson, o “super sueco”
por Vitor Ribeiro, 12 de Setembro de 2009 15 Comentários
Quando foi anunciada, às 9:11 do dia 11 de Setembro de 1978, a morte do piloto sueco Ronnie Peterson, em consequência do acidente sofrido no dia anterior no Autodromo Nazionale de Monza, na largada para o Grande Prémio de Itália de F1, as corridas de automóveis, e em especial a F1, ficavam mais pobres com a perda trágica de um dos seus mais exímios praticantes, unanimemente considerado um dos mais talentosos da sua geração.
Dotado de um imenso talento natural e uma rapidez acima da média a que, dizem alguns, apenas terá faltado um pouco mais de método e meticulosidade, em termos técnicos, e, quiçá, alguma frieza e calculismo, Peterson não só encantou os adeptos como, graças ao seu carácter afável, terá sido dos poucos a granjear amigos no paddock e entre os seus pares, não lhe sendo reconhecidas particulares inimizades.
Da carreira do "super sueco", como ficou alcunhado, muitos lembram, essencialmente, nos obituários ou notas biográficas, o seu percurso na Formula 1. E com razão, reconheça-se. Afinal foram nove épocas ininterruptas, entre 1970 e 1978, ao longo das quais disputou 123 Grandes Prémios e conquistou 10 vitórias, dois vice-campeonatos e um terceiro e, além de tudo, a coroação, unânime, a par de Stirling Moss e Gilles Villeneuve, de campeão sem título (de resto, com mais vitórias conquistadas que alguns que o foram de facto).
No entanto, e a exemplo de muitos seus contemporâneos, a sua carreira não se resumiu à F1, e entre os sport-protótipos, os turismos e, até, embora mais por puro prazer e brincadeira, os ralis (o KAK, por três vezes: em 1969 com um VW1600L, '70, com um Porsche, e '73, com um Ford Escort) e ralicross (três, com um VW, em 1975), Peterson não deixou de emprestar o seu virtuosismo e espalhar o perfume da sua condução por muitas outras pistas e corridas.

Le Mans, 1970: Peterson à frente do seu compatriota Reine Wisell, ambos ao volante dos Ferrari 512S oficiais, naquela que foi também a sua primeira prova com a marca italiana.
Foram mais de 50 provas disputadas entre 1969 e 1978, na sua larga maioria no Campeonato de Mundo de Marcas, de que resultaram mais 8 vitórias, 5 segundos e outros 5 terceiros lugares, ao volante de carros tão diversos como os Chevrolet Corvette e Camaro, os Lola T70 Mk.3B - Chevrolet, T210 e T212 - Ford, os Ferrari 512S e 312PB, os Porsche 908/2 e Carrera RSR, o Alfa Romeo T33/3, os Ford Capri e Escort e os BMW 3.0 CSL, 3.2 CSL Turbo, 3.5 CSL Turbo e 320i Turbo, e em que partilhou o volante com pilotos como Henri Greder (F), Reine Wisell (S), Jorge Cupeiro (RA), Derek Bell (GB), Jo Bonnier (S), Andrea de Adamich (I), Tim Schenken (AUS), Hans Stuck (D), Jody Scheckter (ZA), Brian Redman (GB), Gunnar Nilsson (S), Harald Grohs (D), Hughes de Fierlant (BE), Dieter Quester (A), Albrecht Krebs (D), John Fitzpatrick (GB), David Hobbs (GB), Sam Posey (USA) e Helmut Kelleners (D).
Esta sua carreira paralela, por assim dizer, pode ser dividida em duas fases. Uma primeira nos sport-protótipos (depois de uma primeira experiência no ano anterior, que não passou da qualificação para uma prova 'caseira') iniciada em 1969 em Le Mans, com a Scuderia Filipinetti (em que, mais uma vez, não passaria dos treinos), e que culminaria em 1972, naquela que ficaria para a posteridade como a sua melhor época nestas categorias, em que ajudaria a Scuderia Ferrari a conquistar o título mundial de marcas desse ano, sagrando-se vice-campeão mundial oficioso (uma vez que não era ainda atribuído o titulo de pilotos) atrás dos seus colegas Mario Andretti e Jacky Ickx.
A segunda fase, depois de um ano sabático, em que, para além da F1, apenas disputou uma prova do campeonato sueco de turismo e um rali, ambos ao volante de um Ford Escort, vai de 1974 até à data da sua morte, agora no papel de piloto oficial da BMW. Esta fase, no entanto, ficaria bastante aquém das expectativas, com os resultados finais a não corresponderem à excelência do seu desempenho em qualificação e corrida, enquanto os BMW duravam, tendo ficado marcada por número significativo de abandonos e apenas um segundo, um terceiro e um quarto lugares como melhores classificações.
Apesar disso, Peterson deveria manter-se fiel à BMW (o que lhe teria permitido, certamente, correr com o novíssimo M1), preparando-se para, em 1979, lançar a sua própria equipa de F3 e fazer, segundo afirma o seu irmão Tommy, a sua última época na F1, mudando-se da Lotus para McLaren. Mas, infelizmente, assim não quis o destino, fruto das circunstâncias de uma época em que a morte era uma visita mais assídua das corridas de automóveis.
Já agora, e para terminar (com a promessa de um dia voltarmos com maior profundidade), recorde-se que a carreira do piloto sueco conta duas passagens (muito aventurosas, diga-se de passagem, pelas circunstâncias em que foram feitas...) pelo nosso país: a primeira em 1967, naquela que foi também a primeira aventura internacional de Ronnie Peterson (ver aqui uma tradução que em tempos fizemos do respectivo relato) e a segunda, no ano seguinte, ambas para a disputa da prova internacional de F3 que naquela época se realizava no velho e mítico circuito de Vila Real.
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A exemplo de Gilles Villeneuve, Ronnie Pertenson deixou saudades pelo seu comportamento e pilotagem. Mereciam ter sido campeão mundial. Prá mim eles são, nem que seja campeão moral.
No plano do carácter pessoal eram, sem dúvida, verdadeiros campeões. Mesmo sendo muito combativos e competitivos, eram pilotos sérios, honestos e leais.
A exemplo de Gilles Villeneuve, que falecera posteriormente, era um piloto que prá mim deveria ter sido campeão mundial. Qualidades indiscutível. Deixou saudades, o sueco Peterson e canadense Villeneuve.
Realmente fiz confusão ….com J. Rindt…mas já tinha enviado o comentário …era das horas …as minhas desculpas….mas há pessoas atentas aos comentários,ainda bem.
f.silva santos
Ainda me lembro da transmissão televisiva da RTP e do desastre de encontro ás protecções.
Na altura havia 2 pilotos que eram os “MAIS” Emerson Fittipaldi e J ackieStewart eu torcia pelo J.S. mas fiquei muito emocionado na altura com este acidente, que se viu em directo. O carro da frente até ao cockpit encolheu todo foi HORRIPILANTE…
Ainda hoje com 63 anos o recordo.
Veio a ser coroado campeão do mundo a título póstumo.Até hoje foi o único.
Sua esposa Nina Rindt ainda andou muitos anos no circo da F.1.
Boas corridas.
fernando silva santos
Deves estar a fazer confusão com Jochen Rindt. De facto, Rindt morreu também na sequência de um acidente, no mesmo circuito de Monza, mas na curva Parabolica, nos treinos para o GP de Itália de 1970, e acabaria, efectivamente, coroado a título póstumo.
Nunca será demais recordar RONNIE PETERSON, que pelo seu virtuosismo e generosidade ao volante, conquistou um lugar cativo nas preferências de muitos adeptos. Era super rápido e o título de 78 devia ter sido de PETERSON. Grande carácter!
Consigo ainda vizualizar o acidente, é daquelas coisas que não nos deixa sair da frente da televisão e que nos acelera o ritmo cardiaco enquanto não sabemos muito bem o q se passa.
Já naquela altura um acidente, mesmo com aquela violência com chamas à mistura e tudo não significava q o piloto viesse a morrer. Quando saiu do carro estava vivo e do q me lembro nem estava muito mal tratado.
No dia seguinte, nas noticias, o Peterson tinha morrido, qq coisa nas pernas.
Lembro-me do Capacete com a pala em amarelo desde os tempos do Lotus 72 e de achar a era preterido na Lotus em favor do Andretti e rebentar com os carros era lá com ele. (isto são as impressões q eu tenho dele agora q me us a recordar).
Por esta razão aprendi muito cedo q se deve admirar os pilotos mas nunca me afeicoar muito a eles pq por vezes morrem (sic Enzo Ferrari).
Este tipo de artigos só os encontro nos sites normalmente escritos em Inglês. Poder ler em português, é um must!!!!! Obrigado!!! O vosso site é fantastico!!!!!
Era o meu piloto preferido. E curiosamente, há medida que fui lendo mais sobre ele, bem depois da sua morte, ainda mais fiquei a gostar dele. E foi o único, que depois dessa experiência deixei de me afeiçoar, como dizes.
Peterson foi preterido na Lotus, clara e assumidamente. Ele aceitou ser segundo piloto – e cumpriu – porque Chapman não tinha ficado muito satisfeito com ele após a primeira saída dele da Lotus e só o aceitou de volta nessa condição. Mesmo assim foi o que se viu.
Obrigado José, e volta sempre!
Ronnie Peterson fez parte de uma impressionante (em número e qualidade) geração de pilotos de competição. Após o seu primeiro ano na Formula 1, era considerado o sucessor natural de Jochen Rindt, e futuro campeão do mundo.
Para mim Ronnie Peterson não foi o melhor, não foi o maior, não foi divinal, não foi demoníaco; é apenas o referencial da sua actividade.
Obrigado por não o esquecerem.
Como é que eu poderia esquecer? Foi o meu único piloto verdadeiramente preferido na F1.
Excelente manos Ribeiros
Muito bom trabalho! Nada como dar uma vista de olhos pelas outras corridas que as lendas da F1 fizeram, e mais importante, provar que não eram lendas somente nesse campo.
Os meus parabéns
Sem dúvida, um piloto fabuloso que derrapava como ninguém com o Lotus 72-D, um campeão sem título que foi vítima de uma época em que a segurança e a medicina nada puderam fazer por ele naquela tarde cinzenta e dramática em Monza.
Um abraço
Arlindo
Se bem me lembro … foi nos idos de 1973 que vi a primeira vitória deste piloto ( não terá sido a 1ª, mas é a de que me lembro), coroada no final da transmissão com uma paragem fotográfica da emissão. ‘Fabuloso’, pensei … e de Peterson nunca mais me esqueci (obviamente, a par dos pilotos que na altura faziam parte do meu imaginário – Stewart,Cévert Fittipaldi, P. Revson, P. Rodriguez, Ickx …)
Alguns destes pilotos eram também conhecidos pelas provas de protótipos que realizavam (era este o nome da época e assim se mantiveram por vários anos), mas curiosamente nunca as associei ao piloto sueco. Só mais tarde vim a saber que esteve em V. Real, cidade que pela primeira vez visitei nas férias deste ano (com visita a pé a grande parte do circuito, tentando lembrar como teriam sido as corridas de que ouvia falar nos anos 70 e 80, especialmente pelas reportagens lidas no A.S. e sobretudo no Auto Mundo da época).
Mas voltando a Peterson, lembro-me ainda da corida de Monmza de 1978, do brutal acidente e curiosamente, nunca pensei no seu destino finalno dia seguinte. Dizia-se até que V. Brambilla estaria em pior estado, mas afinal …
Foi-se o piloto, ficou a sua passagem nas pistas e o que produziu para história do automobilismo, com página de ouro sem dúvida alguma…
Fica o depoimento de quem se lembra deses tempos, a par do excelente texto sobre Ronnie Peterson, mostrando afinal que os pilotos de excelência, mesmo sem terem sido campeões do Mundo, acabam por sê-lo de outra maneira …
Merecida esta homenagem. A morte dele foi recebida na altura com incredulidade já que ele sempre se tinha safado dos azares e multiplos despistes quase incólume. Como se fosse indestrutivel.
Uma grande perda para todo o desporto automóvel.