
Stefan Bellof.
Por breves instantes terão perpassado pela memória de muitos dos que assistiam àquela corrida as famosas imagens dessa épica e memorável luta, descendo Eau Rouge, entre Pedro Rodriguez e Jo Siffert pela liderança dos 1000 Km de Spa de 1970, logo desde os primeiros metros de uma longa corrida.
Quis no entanto o destino que, contrariamente a essa, a que se travou no dia 1 de Setembro de 1985, no mesmo local, tivesse um final trágico, tirando a vida a um dos mais talentosos e promissores pilotos da sua geração, em consequência de uma manobra que, ainda hoje, 25 anos passados, continua a dividir aqueles que atribuem a sua certa dificuldade em aceitar o inevitável por parte de Jacky Ickx, a velha e experiente raposa que se via a ser ultrapassado no 'seu' circuito, por um jovem lobo de 'sangue na guelra', ou à excessiva impetuosidade de Stefan Bellof, alguém de cujo dicionário parecia não fazer parte a palavra 'calculismo'.
Là, où il y a le risque, il y a la mort – terá dito o Padre Duruz durante as cerimónias fúnebres de Jo Siffert, quatorze anos antes - Là, où il n'y a pas de risque, il n'y a pas de vie. Stefan Bellof era daqueles pilotos para quem parece não haver meios termos, encarando cada corrida de endurance como se de um sprint se tratasse, aceitando o risco, com o seu sorriso franco nos lábios mas sempre com a mesma determinação inabalável, como fazendo parte do jogo e jogando-o até ao limite das suas capacidades, sempre de 'prego a fundo', sempre procurando ir mais longe, mais rápido, mais forte.
Estrela ainda em ascensão na F1 (vinculado ainda à Tyrrell, diz-se que teria já um contrato com a Ferrari - embora, segundo Angelika Langner, sua noiva na altura, ele, para quem as corridas era sobretudo um divertimento, se lamentasse já da "excessiva importância dada ao dinheiro" na F1), Stefan Bellof ostentava já um título mundial na endurance, conquistado no ano anterior ao volante do mítico Porsche 956, e nada mais nada menos que 12 vitórias em 28 corridas disputadas na categoria, entre 29 de Agosto de 1982 e aquela fatídica tarde de Setembro de 1985.
A sua morte, a juntar à do seu compatriota Manfred Winkelhock, ocorrida apenas três semanas antes em Mosport, também numa corrida a contar para o Campeonato do Mundo de Sport-protótipos, significaria também o fim de uma era em que os sport-protótipos e os monolugares da F1 partilhavam muitos dos seus melhores e mais versáteis pilotos, e nomeadamente daqueles que, como Bellof, procuravam ainda o seu espaço na F1.
Para a história ficam não só esse título, o que já de si seria suficiente, mas também aquela corrida fenomenal à chuva, no GP do Mónaco de F1 de 1984, e a volta mais rápida ao velho Nürburgring-Nordschleife.
E agora, para quem perceber alemão...
(nota: os vídeos poderão demorar um pouco a carregar)
Stefan Bellof - King of Nordschleife: The life of a genius. Part 1

Stefan Bellof - King of Nordschleife: The life of a genius. Part 2

Stefan Bellof - King of Nordschleife: The life of a genius. Part 3

Stefan Bellof - King of Nordschleife: The life of a genius. Part 4

Stefan Bellof - King of Nordschleife: The life of a genius. Part 5

Stefan Bellof - King of Nordschleife: The life of a genius. Part 6

Stefan Bellof - King of Nordschleife: The life of a genius. Part 7

Stefan Bellof - Nordschleife in 6:11

Dossier: In Memoriam
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Bellof, assim como Rinnie Perterson, gentlemans nas pistas mas sabiam atacar.
Tinha tudo para se dar bem na F1, claro, mas lá vale o dinheiro que se leva.
Valeu SB, o mundo não esquecerá de você.
Gostei muito de ler estas linhas. A partir de 1982 ou 83, o meu capacete integral ostentava as cores dos carros de Bellof, o meu piloto favorito. O artigo diz tudo, faltando, talvez, referir que no meio de tanto virtuosismo e audácia, o jovem alemão era um piloto simples, correcto e simpático, contrastando fortemente com alguns dos seus competriotas e outras vedetas do circo da F1. Imaginem um Schumacher, educado, leal e simpático, dez anos antes do tempo. Teria sido o caminho de Bellof, se não fosse aquela manobra impossível que, por simples pertinácia, decidiu ousar naquele dia.
Bom artigo.
Já agora, na senda dos 25 anos daquela terrível corrida em Spa, fica este artigo do John Brooks: http://speedhunters.com/archive/2010/09/08/retrospective-gt-gt-25-years-gone.aspx
Meus caros,
Parabéns pela simplicidade da narração, foi como ele, simples e rapido.
Tenho a certeza de que SB teria sido um dos grandes campeões da sua época emparelhando sem duvida em talento com Ayrton Senna.
Bellof tinha também muito de Gilles Villeneuve e o principal era, além da coragem desmedida, que não se conformava nunca com os limites do seu carro. Cada curva era um desafio e cada volta era para ser mais rápida e a sua volta recorde no “Pai” de todos os circuitos, Nurburgring, onde foi quase 5 seg mai rapido que o seu companheiro Jochen Mass diz tudo,
Morreu prematuramente numa das mais bonitas curvas do mundo num acidente com um dos melhores e mais experientes pilotos do mundo, à là Villeneuve… só pelo desafio, sem necessidade nenhuma. Que pena.
Um abraço
Excelente comentário a um excelente artigo onde o mais importante é a homenagem
Belo trabalho sobre um piloto que tinha muito de virtuoso e pleno de generosidade ao volante, lembro-me do espectáculo que proporcionou no Estoril no seu Tyrrel e fico grato ao Vitor e ao Hugo por este trabalho que lembra Stefan Bellof ! A todos melhores cumprimentos!
Excelente trabalho o vosso, que muito enobrece a memória de Stefan Bellof…