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FIA impõe ‘barbatana de tubarão’ em Le Mans?

por Hugo Ribeiro, 18 de Março de 2010 23 Comentários

O Gebhardt JC2 853 de 1985

O Gebhardt JC2 853 de 1985

O Red Bull RB4 em 2008. IMAGEM: GEPA Pictures

Segundo o site francês endurance-info.com, uma pequena revolução poderá estar a ser preparada pelo ACO no sentido de transformar radicalmente a silhueta dos protótipos LMP actuais.

Trata-se da possível (ou "altamente provável", segundo o endurece-info) inclusão regulamentar do apêndice aerodinâmico chamado 'Shark Fin', ou 'Barbatana de Tubarão', um apêndice aerodinâmico situado logo atrás do 'roll bar' e que se desenvolve longitudinalmente até à asa traseira, à imagem do que está tão em voga actualmente na F1 depois da equipa austríaca Red Bull o ter introduzido em 2008.

Ao que tudo indica, esta medida será uma exigência da FIA, que apesar de estar, felizmente, afastada de Le Mans desde o célebre e 'assassino' regulamento 3.5 litros que literalmente matou o endurance em princípios de 90, ainda tem algo a dizer em matéria de segurança, seja em competições por si sancionadas ou não. Esta imposição deverá ter como objectivo acabar com uma série de acidentes (Orteli no Oreca-Courage em Monza'08, Gené nos testes para Le Mans'08, e mais recentemente Scott Sharp, no Acura ARX-02, em Petit Le Mans '09 e Jon Field, num Lola B06/10 AER, agora em Sebring) em que os LMPs levantam voo lateralmente quando em slide lateral. Esta asa, deverá ser a solução para evitar que situações dessas, que têm resultado em terríveis acidentes, felizmente sem grandes consequências físicas tamanha é a actual segurança dos chassis, não se voltem a repetir.

O Gebhardt JC2 853 de 1985

Curioso é que apesar desta asa ser uma novidade muito recente na F1, que em dois anos alastrou a praticamente todas as equipas e cuja função é apenas a performance pura, está longe de ser uma novidade no endurance. De facto, em 1998, a Moretti Racing havia usado uma pequena asa deste género mesmo por cima do eixo das rodas traseiras do Ferrari 333SP, inspirada no que então se fazia na Formula Indy, e já uns anos antes a Gebhardt havia feito o mesmo no Gebhardt JC2 853 de 1985 e no Gebhardt JC 853 de 1986, neste último caso muito próximo dos actuais F1. Em ambas as situações, e tal como na actual F1, a asa tinha como objectivo aumentar a performance aerodinâmica dos respectivos protótipos e não resolver uma qualquer questão de segurança que já em ambas as alturas existia.

Certo é que os actuais LMPs já se parecem em demasia com a F1, sobretudo com os 'narizes' pontiagudos e elevados (Audi, Peugeot, Epsilon Euskadi...), e com os flancos descontinuados em relação à cobertura das rodas da frente (Audi R15, WR...). Se para os fãs que cresceram a ver os sport-protótipos dos anos 70 e 80 isto já é demais, então preparem-se que ainda não acabou...

Não fossem as luzes obrigatórias e...

O Ferrari 333SP da Moretti Racing em 1998

Fonte: Endurance-info.com (em francês)