Le Mans / Notícias

18 de Março de 2010

FIA impõe ‘barbatana de tubarão’ em Le Mans?

O Red Bull RB4 em 2008. IMAGEM: GEPA Pictures

Segundo o site francês endurance-info.com, uma pequena revolução poderá estar a ser preparada pelo ACO no sentido de transformar radicalmente a silhueta dos protótipos LMP actuais.

Trata-se da possível (ou "altamente provável", segundo o endurece-info) inclusão regulamentar do apêndice aerodinâmico chamado 'Shark Fin', ou 'Barbatana de Tubarão', um apêndice aerodinâmico situado logo atrás do 'roll bar' e que se desenvolve longitudinalmente até à asa traseira, à imagem do que está tão em voga actualmente na F1 depois da equipa austríaca Red Bull o ter introduzido em 2008.

Ao que tudo indica, esta medida será uma exigência da FIA, que apesar de estar, felizmente, afastada de Le Mans desde o célebre e 'assassino' regulamento 3.5 litros que literalmente matou o endurance em princípios de 90, ainda tem algo a dizer em matéria de segurança, seja em competições por si sancionadas ou não. Esta imposição deverá ter como objectivo acabar com uma série de acidentes (Orteli no Oreca-Courage em Monza'08, Gené nos testes para Le Mans'08, e mais recentemente Scott Sharp, no Acura ARX-02, em Petit Le Mans '09 e Jon Field, num Lola B06/10 AER, agora em Sebring) em que os LMPs levantam voo lateralmente quando em slide lateral. Esta asa, deverá ser a solução para evitar que situações dessas, que têm resultado em terríveis acidentes, felizmente sem grandes consequências físicas tamanha é a actual segurança dos chassis, não se voltem a repetir.

O Gebhardt JC2 853 de 1985

Curioso é que apesar desta asa ser uma novidade muito recente na F1, que em dois anos alastrou a praticamente todas as equipas e cuja função é apenas a performance pura, está longe de ser uma novidade no endurance. De facto, em 1998, a Moretti Racing havia usado uma pequena asa deste género mesmo por cima do eixo das rodas traseiras do Ferrari 333SP, inspirada no que então se fazia na Formula Indy, e já uns anos antes a Gebhardt havia feito o mesmo no Gebhardt JC2 853 de 1985 e no Gebhardt JC 853 de 1986, neste último caso muito próximo dos actuais F1. Em ambas as situações, e tal como na actual F1, a asa tinha como objectivo aumentar a performance aerodinâmica dos respectivos protótipos e não resolver uma qualquer questão de segurança que já em ambas as alturas existia.

Certo é que os actuais LMPs já se parecem em demasia com a F1, sobretudo com os 'narizes' pontiagudos e elevados (Audi, Peugeot, Epsilon Euskadi...), e com os flancos descontinuados em relação à cobertura das rodas da frente (Audi R15, WR...). Se para os fãs que cresceram a ver os sport-protótipos dos anos 70 e 80 isto já é demais, então preparem-se que ainda não acabou...

Não fossem as luzes obrigatórias e...

O Ferrari 333SP da Moretti Racing em 1998

Fonte: Endurance-info.com (em francês)

23 comentários até ao momento...
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  1. [...] utilização da famigerada 'barbatana de tubarão', imposta pela FIA por razões de segurança (ver aqui), uma vez que é ainda incerta a sua obrigatoriedade, aguardando-se que o ACO esclareça de forma [...]

  2. Jose A. Ruas diz:

    Muitas das vezes a verdadeira competição não é nas pistas, mas sim fora delas, por outras palavras, a FIA tem que mostrar trabalho se não ela não serve para nada, porque os únicos serviços que ela faz é marcar os calendários e introduzir regras que ninguem consegue compreender a não ser eles próprios. Muitas das vezes eles conseguem ser uma especie de ditactores desportivos.

  3. Gustavo Flório (BRA) diz:

    Eu tinha lido no mulsannescorner.com que esse tipo de acidente poderia ser extinto se as “saias laterais” fossem mais baixas como sempre foi até antes do ano de 2005!

    Meus parabéns pelo site!!!

    • Obrigado Gustavo!
      Confesso que não me lembro desse artigo. Consegues especificar melhor? Ou talvez o Hugo saiba…

    • Olá Gustavo. Bem Vindo e Obrigado!

      De facto o Mike do mulsannescorner.com havia defendido já essa ideia, e no fórum do Ten Tenths já demonstrou muitas dúvidas quando ao facto de essa asa realmente cumprir essa função. Algo me diz que isto foi um rumor fabricado pelo endurance-info

  4. Miguel Lacerda diz:

    Recuemos aos anos 50 e ao Jaguar D,que já apresentava uma barbatana de tubarão por detrás do apoio da cabeça do piloto.Portanto a actual onda não é nenhuma modernice,mas sim aproveitar e tirar partido da aerodinâmica,

  5. Litleoak diz:

    Tou do lado do “puristas” no que diz respeito á forma dos prototipos, aliás penso que desde os 956/962, Lancia LC8 etc que não se fazem prototipos com um verdadeiro cockpit, e não pouco mais do que um “single seater” carenado.
    Quanto ao shark fin, é ridiculo, se querem que os carros não levantem, instalem apendices aerodinamicos que só actuam quando o carro se atravessa (do tipo dos carros das Nascar que sofrem exatacemte do mesmo mal).

  6. afrancis diz:

    Penso que talvez não se perca muito daquela personalidade que todos reconhecemos nos sport protótipos. Se recuarmos uns anos veremos que os Jaguar D tinham algo que muito se assemelha curiosamente às barbatanas dos formula 1 actuais e um pouco mais recentemente os 917 K e L de 1972 também ostentavam umas orgulhosas barbatanas que lhes permitiam atingir mais de 350 Km h nas Hanaudiéres sem levantar voo dando-lhes um aspecto de monstro terrífico.

    • afrancis diz:

      Aliás os 917 K e L eram de 1971 e não de 72

      • A versão L é a primeira a aparecer e é a que corresponde aos 25 chassis obrigatórios homologados em 1969. O primeiro K é o chassis #026, de 1970, e o primeiro LH é o chassis #040, também do mesmo ano. Em 1972 já só se fazem as versões Can-Am.

    • O Jaguar Type-D é muitíssimo bem lembrado, com a sua ‘barbatana’ única colocada atrás do piloto, ou seja, em posição descentrada, ao contrário dos actuais F1 ou dos que o Hugo referiu. Já no que respeita aos Porsche, as ‘barbatanas’ são duas correspondendo aos apoios laterais da asa traseira, tendo de facto surgido sem essa asa em alguns chassis 917K e L, no famoso 917/20 “Pink Pig”.

  7. Gustavo Oliveira diz:

    Gosto bastante dos atuais protótipos e não vejo mal algum no fato deles serem parecidos com os F1, é a função moldando forma, só isso.

    • Pessoalmente, gosto dos protótipos bem diferenciados dos F1…
      A César o que é de César, e a Deus o que é de Deus! ;)

      • Johnny diz:

        Concordo com o Hugo. Estive a olhar para as fotos do 908 e a imaginar como ficaria com a barbatana… Se for mesmo por razões de segurança… Mas, como gato escaldado de água fria tem medo, tudo o que vem da FIA é para desconfiar…

      • Gustavo Oliveira diz:

        Tudo bem que a barbatana é realmente muito feia, aliás a F1 tem, além dela, a gigantesca asa dianteira que é horrorosa. Mas se pensarmos em um LMP sem nariz fino e alto, com os flancos inteiriços (os do lindo 908 também são descontinuados) e com um cockpit maior, onde caibam realmente duas pessoas, não estaremos pensando no Maserati MC12? Hoje em dia, um carro com essas características é um GT, não é?

        • Gustavo Oliveira diz:

          Não que seja impossível um LMP ter essas características, muito menos que sejam elas que diferenciem um GT1 de um LMP, mas o fato é que a corrida tecnológica é o que molda um carro de corrida. E hoje o Ferrari Enzo/Maserati MC12 lembra muito mais um prototipo nesses moldes.

          • Gustavo… já não te lembras dos Grupo C como o Porsche 956/962, os vários Jaguar XJR, os Sauber Mercedes, o Peugeot 905 os Spice, Algas, Tigas, Mazdas, Toyotas, Courages… ou dos WSC de meados de 90 como o Ferrar 333SP, o BMW V12 LM e LMR, o Courage C41, os Riley & Scott Mk, o Kremer K8 Spyder, o fabuloso Cadillac Northstar…

            Talvez por causa da minha formação em artes, o aspecto visual é para mim muito importante, e deve haver uma clara distinção entre LMPs e F1. os LMPs não podem ser, visualmente, Formulas com cabines e rodas tapadas.

            Ne todos os narizes são feios… os do Lola e do Porsche são aceitáveis, já o dos Peugeot e sobretudo do novo Audi R15…. minha nossa!!!!

            • Gustavo Oliveira diz:

              Nossa, Hugo, acho o Peugeot 908 o carro de corrida mais bonito do mundo, de verdade! Conheço grande parte desses carros que vc falou, e também não acho os LMP tão parecidos com os F1. A evolução faz com que o aspecto dos carros mude mesmo, e é normal se apegar aos carros que nos marcaram em algum momento. Mas, uma coisa é certa, o caminho é irreversível (a função molda a forma) e se a FIA não tivesse destruído o WSC em 93, o Grupo C de hoje seria mais radical ainda, pois com mais popularidade mais marcas investiriam e mais soluções aerodinâmicas seriam implementadas. Agora, o R15+ é feio mesmo, imagina com uma bigorna (que é com chamamos a barbatana aqui no Brasil) ?

  8. Jójó diz:

    E já agora acabem com os reabastecimentos, a mudança de pilotos e de pneus.

    Sim ficaria interessante.

    Já estou a ver as 24 horas de Le Mans com o carro do Batman a perseguir um qualquer Fiat 600 de barbatana eriçada.

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