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FIA GT1/Spa: Os GT1 estão de regresso a Spa, mas agora na versão sprint…
Aquele que é um dos mais adorados circuitos do mundo irá receber no próximo fim-de-semana a 5ª ronda da primeira temporada do Campeonato Mundial FIA GT1, prova que encerrará também a primeira metade do novo campeonato, que regressa depois de quase um mês de interregno desde a última prova, disputada no início do mês em Paul Ricard.

Os dois Maserati da Vitaphone em Paul Ricard, onde a dupla do #1, Bartels e Bertolini, venceu as duas corridas. IMAGEM: DPPI
Falamos, claro está, do circuito belga desenhado nas florestas das Ardenas, que apesar das muitas alterações que já sofreu, mantém boa parte do carisma que faz dele um dois mais citados como pista favorita por muitos pilotos, sendo o palco privilegiado da 'rainha' das corridas de GT, as famosas 24 Horas de Spa. Mas este ano, ao contrário do que tem sido habitual, a visita do FIA GT1 não se fará para a participação na tradicional corrida de 24 Horas, reservada agora apenas aos carros das classe GT2, GT3, GT4 e GTN, mas para o formato de duas corridas de 1 hora cada adoptado pelo Mundial de GT1
Os 24 carros, em representação de 6 construtores - Aston Martin, Corvette, Ford, Lamborghini, Maserati e Nissan - ao volante dos quais estarão 48 dos melhores pilotos mundiais de GT, terão assim pela frente um dos mais importantes desafios da temporada.
Na última jornada, disputada em Paul Ricard, Michael Bartels e Andrea Bertolini, ao volante do Maserati MC12 #1 da Vitaphone Racing Team, foram 'reis e senhores', vencendo ambas as corridas que compunham o evento. Já na luta pelos restantes lugares do pódio da Championshipe Race a luta foi bastante animada, com Michael Krumm e Peter Dumbreck, no Nissan GT-R #23 da Sumo Power, a levarem a melhor no final sobre o Maserati MC12 #33 de Altfrid Heger/Alex Margaritis, que deram Triple H Team Hegersport o primeiro pódio da temporada.

A VDS é um nome bem conhecido das pistas desde os anos 70, cabendo hoje a Marc prosseguir a herança do pai Rudolph van der Straten. IMAGEM: DPPI
Para os fãs locais, as atenções estarão concentradas certamente no desempenho dos pilotos belgas inscritos: Bert Login e Nico Verdonck (este em substituição do italiano Matteo Bobbi) no Maserati #34 da Triple H Team Hegersport; Bas Leinders, Maxime Martin e Renaud Kuppens nos Ford GT da equipa, também belga, Marc VDS Racing Team; e Frank Kechele, que regressa ao Lamborghini #25 da Reiter. E embora sem qualquer piloto local, a Mad Croc Racing tem a sua sede em Merchtem, nos arredores de Bruxelas, pelo que também bem se pode dizer que dupla holandesa Mike Hezemans/Xavier Maassen, que partilharão o volante do Corvette #11 da Mad Croc, corre em casa.
Para nós, portugueses, o interesse, como vem sendo habitual, centrar-se-á na dupla formada pelo piloto portuense Miguel Ramos e pelo ex-piloto brasileiro de F1 Enrique Bernoldi, que estarão ao volante do Maserati #2 da Vitaphone. Sem esquecer, obviamente, a presença de Pedro Lamy na corrida de 24 Horas, conforme noticiamos em separado, aqui...
Nas contas do campeonato, lembremos que as duas vitórias da dupla Bertolini/Bartels em Paul Ricard deu aos dois pilotos da Vitaphone uma vantagem de 15 pontos sobre Grosjean e Mutsch, com a equipa alemã a liderar também a tabela das equipas com 23 pontos de vantagem sobre a britânica Sumo Power GT. Mas com um máximo de 33 pontos em disputa em Spa nada garante que não se possa dar uma reviravolta.

Depois de em Paul Ricard ter tido a experiente companhia de Olivier Panis, Natacha vai estar ausente em Spa. IMAGEM: DPPI
Entretanto, nas habituais 'danças de cadeiras' o destaque vai para as novidades nos alinhamentos da Matech, com Romain Grosjean a passar do carro #6 para o #5, onde irá encontrar o suíço Neel Jani, piloto da Rebellion Racing no LMS, enquanto no carro #5 Thomas Mutsch recebe a companhia do inglês Richard Westbrook, campeão GT2 em título, pelo que jovem piloto suíça Natacha Gachnang, depois da paragem forçada em consequência do acidente em Abu Dhabi, vai ficar novamente de fora - com Martin Bartek, patrão da equipa suiça, a revela , em entrevista ao endurance-info, ter decido proceder a essas alterações após a prova de Paul Ricard, reconhecendo que "para se ganhar o campeonato há que estar fisicamente a 100%", e que embora Natacha tenha feito um bom trabalho, o acidente terá "reduzido um pouco as suas capacidades", admitindo assim que as razões para a substituição se prendem com as fracas prestações de Natacha em Le Mans e, sobretudo, Paul Ricard, onde o seu andamento ficou muito aquém do que seria de esperar.
Richard Westbrook (Ford GT Matech #5, Matech Competition): "Vai ser interessante aprender este novo formato - as duas corridas de 'sprint' e o sistema de qualificação parecem-me interessantes, pelo que há muita estratégia para aprender. Já conheci o Thomas (Mutsch), na oficina, e penso que temos um forma de trabalhar muito similar, mas apenas o poderemos confirmar durante o fim-de-semana. Ele é muito rápido, já conhece o Ford muito bem e está em segundo lugar no campeonato, por isso estou muito feliz por me juntar a ele. Toda a gente já conhece Spa-Francorchamps, pelo que só nos resta encontrar o acerto ideal paras curvas ultra-rápidas e para a secção mais técnica do segundo sector. A pista é muito exigente para os pneus e todos já conhecemos também o famoso micro-clima de Spa. O meu objectivo é ajudar o Thomas na conquista do título mundial. Vai ser um fim-de-semana de aprendizagem para mim, mas como já conheço a pista apenas terei de conhecer bem o carro para poder ajudar o Thomas a amealhar o máximo de pontos."
Neel Jani (Ford GT Matech #6, Matech Competition): "Nunca conduzi um GT pelo que suspeito que a condução no campeonato GT1 será completamente diferente de tudo aquilo em que até aqui competi. Com pouco tempo para aprender o carro, sei que tenho pela frente uma enorme tarefa e um processo de aprendizagem! Já tinha trabalhado com o Romain na A1GP, onde tínhamos ambos corrido pela equipa suíça, e por isso vai ser bom partilhar o carro com ele. Também já conheço Spa, onde já corri algumas vezes incluindo a prova deste ano do LMS, com um LMP1, mas penso que esta será uma experiência bem diferente, com um carro de GT. Em Spa, o que há a fazer, geralmente, é encontrares o ritmo. Eau Rouge é umas curvas mais famosas do mundo, e também uma das minhas preferidas. Vai ser interessante descobrir se a consigo fazer de 'prego a fundo', como o fiz com o LMP1, mas desconfio que isso possa não acabar bem! Para qualquer piloto, o objectivo é sempre ganhar. É por isso que andamos aqui. Como disse, tenho pela frente um processo de aprendizagem este fim-de-semana, com um novo carro e uma nova equipa, mas tentarei fazer o meu melhor e espero dar a equipa a sua terceira vitória no campeonato!"
Uma volta a Spa com Bert Longin
"Bem, começamos pela recta da largada e meta, que se faz em subida muito ligeira em direcção a La Source. La Source é uma curva muito importante, que se deve tentar cortar ao máximo, tentando chegar o mais possível junto do muro, se possível a 10 cm, e depois, na saída, pode-se ser bem agressivo pois há bastante aderência.
"Depois descemos para Eau Rouge e Radillon. Todos sabem que esta uma zona bastante excitante da Spa, mas há que ter cuidado e fazê-la bem, caso contrário ou pode ser perigoso ou és demasiado lento. Para mim, Eau Rouge é uma das duas curvas mais excitantes do mundo - Eau Rouge e Blanchimont, e são ambas em Spa. Eau Rouge pode-se fazer a fundo - eu fi-lo com o Corvette C5 duas ou três vezes, em qualificação, mas apesar do carro o poder fazer nem todos os pilotos o conseguem. O mais importante em Eau Rouge é estabilizares o carro na entrada, seres suave na direcção e seguires a fundo no Radillon. Veremos se este ano isso é possível no GT1 - eu acho que não, mas vou tentar.
"Passado o Radillon, sobe-se para Les Combes, pelo que se ganhares uma boa velocidade no Radillon também vais ser rápido em Les Combes. Podes travar muito, muito tarde para esta curva, e também a podes cortar. Tens os correctores e depois tens a relva mas atenção que mais para lá apanhas uma depressão no terreno onde os pilotos que puxam demasiado têm de ter cuidado.
"A seguir temos Malmedy e Rivage. Rivage é também uma curva muito difícil, onde se vê muita gente sair de pista pois é uma curva de sobreviragem que te pode apanhar desprevenido. E com chuva torna-se bastante lenta, mas há muita gente a ser 'apanhada' pelo nível de aderência. As condições da pista mudam todos os dias, e por isso tens de encontrar desde logo bem cedo onde está e quanta aderência encontras em cada ponto.
"Chegamos depois a Pouhon, uma dupla esquerda também bastante excitante. Aqui, o truque é não chegar à curva com muita velocidade, porque depois puxas demasiado a frente do carro e podes entrar em subviragem, e a saída já não será grande coisa. É uma curva longa e rápida, da qual se sais mal vais pagar por isso. Aqui, é crucial encontrar o ponto certo de travagem e o ponto certo de voltar a pisar o acelerador. Se fizeres bem Pohoun, podes ganhar bastante tempo.
"Depois subimos para Les Fagnes, a que nós conhecemos por Pif Paf. Pif Paf é uma grande chicane cuja saída é a parte mais importante. Quando sais bem, pisando progressivamente o acelerador, ganhas tempo. Pode parecer que vais lento, mas se puxares demasiado no princípio e a meio da chicane, vais perder tempo na saída.
"A seguir temos uma curva de sobreviragem, a parte nova de Stavelot. Esta é uma curva muito importante, pois é o início de uma subida em recta muito, muito longa. Se fizeres bem Stavelot, garantes uma boa velocidade para a parte final do circuito. No meu pensamento, prevejo fazer Stavelot a fundo no Maserati, estou convencido disso.
"E agora continuamos a subir para Blanchimont, outra curva muito excitante. Entre nós, pilotos, há sempre a discussão sobre se devemos travar para Blanchimont ou fazê-la a fundo. Mas quer a faças a fundo ou não, não ganhas muito tempo, é mais uma questão psicológica. Uma curva que pode realmente fazer muita diferença é a Bus Stop.
"Para a Bus Stop a travagem faz-se muito tarde, com a secção intermédia a fazer-se em sobreviragem bem como a secção final, sendo por isso necessário um bom compromisso entre uma travagem tardia, deixar andar e depois uma boa saída. A saída faz-se em subida, e se não a fizeres bem arruínas a parte final da tua volta. E já está, cruzas a meta e inicias outra volta.
"Em Spa, não faltam oportunidades para ultrapassares: tens Les Combes, Bus Stop, La Source e, se fizeres bem Pouhon, ainda tens uma possibilidade em Les Fagnes. Não há nenhuma diferença entre uma corrida de 1 hora e uma de 24 horas. Para ser franco, o ano passado fiz as 24 Horas de Spa como se fosse uma corrida de 'sprint', pois os carros actuais são muito fortes."
Fonte: comunicado de imprensa da SRO/Mundial de Fia GT


