No próximo fim-de-semana os fãs das corridas de automóveis da Europa de Leste terão a oportunidade de ver ao vivo as potentes máquinas que compõem o novíssimo Campeonato do Mundo FIA GT1, com a disputa da sua terceira ronda no Automotodrom Brno, na Republica Checa.
Embora seja a primeira visita do Mundial GT1, para o circuito construído nas proximidades da segunda maior cidade checa, que lhe dá o nome, esta será no entanto a 10ª ocasião que os motores dos FIA GT lá se farão ouvir, tendo na última visita, em 2008, a vitória sorrido a Karl Wendlinger e Ryan Sharp ao volante de um Aston Martin DB9, à frente de quatro Corvettes liderados por Mike Hezemans e Fabrizio Gollin.
Este ano, o interesse local centrar-se-á no piloto da casa Tomas Enge, que fará equipa com Darren Turner ao volante do Aston Martin da Young Driver AMR Team, e nos eslovacos Stefan Rosina, que acompanhará Mike Hezemans no Corvette #14 da Phoenix Carsport, e Jan Danis, que partilhará com Frank Kechele o volante do Lamborghini Murcielago #25 da Reiter.
Com seis marcas diferentes envolvidas e quatro vencedores diferentes nas quatro corridas já disputas a batalha pelo primeiro título mundial de carros GT1 promete durar até às últimas duas jornadas duplas previstas para a Interlagos (BR) e San Luís (AR), entre o final de Novembro e o principio de Dezembro.
A prova checa contará ainda com a presença do piloto oficial da Peugeot Sport no LMS, Stéphane Sarrazin, que fará equipa com Frédéric Makowiecki ao volante do Aston Martin DB9 #9 da Hexis AMR, substituindo Thomas Accary. O ex-piloto de F1, que tem aparecido ocasionalmente no WRC, será assim um dos poucos pilotos a ter já participado em três diferentes Mundiais FIA. Sarrazin deverá, além de Brno, fazer com a Hexis a prova seguinte do FIA GT1 a disputar em Paul Ricard no fim-de-semana de 3 e 4 de Julho.
De fora continua a jovem piloto suíça Natacha Gachnang, que prossegue o processo de reabilitação física das lesões resultantes do acidente a alta velocidade de que foi vítima em Abu Dhabi com o Ford GT #6 da Matech, prevendo os médicos que a acompanham que possa voltar às pistas durante o mês de Junho. "Continuo bastante positiva, " afirmou a jovem suíça da Matech Racing, "pois as 24 Horas de Le Mans são em Junho e esse é o meu objectivo, mas tudo depende do meu médico e da minha recuperação."
Em declarações ao sítio oficial do FIA GT1, Natacha não esconde que o seu desejo "é, obviamente, voltar o mais rapidamente possível," embora reconheça que "não se pode apressar estas coisas - a tíbia partiu e sei que é preciso tempo até que o osso recupere convenientemente."
Depois de ter falhado Silverstone, por não ter sido possível à e1quipa suíça reconstruir o carro a tempo, o Ford GT #6 irá regressar às pistas em Brno, com Rahel Frey a fazer equipa com Cyndie Allemann. Frey substitui assim Natacha fazendo a sua estreia no FIA GT1 ao volante do GT americano que as três jovens pilotos suíças deverão partilhar nas 24 Horas de Le Mans.
Entretanto, o Tribunal de Apelo da FIA reafirmou hoje, em resposta ao recurso interposto pela Young Driver AMR, a decisão de desclassificar o Aston Martin #7 no final da segunda corrida de Silverstone tomada pelos comissários face à desconformidade da altura ao solo do patim de fricção inferior do carro com o disposto no artigo 257.3.3.2.d.3 do Apéndice J do Código Desportivo Internacional 2010, e que custou àquela equipa a vitória na prova. Face a essa decisão, a Sumo Power vê assim confirmada a vitória então 'herdada' pelo seu Nissan GT-R #22 de Jamie Campbell-Walter e Warren Hughes.
Uma volta a Brno com Tomas Enge
“Após cruzarmos a linha de meta para iniciarmos uma nova volta, naquela que é a recta mais longa do circuito, iremos atingir a velocidade de 260km/h antes da travagem para a primeira curva, uma curva a 180º bastante rápida e longa. Esta curva faz-se em 4ª e a uma velocidade mínima de 140km/h, sendo muito importante garantir uma boa saída para a longa recta em subida que vem a seguir.
Na subida, vamos engrenando velocidades e chegamos aos 240km/h antes da zona de travagem para a próxima curva, no ponto mais alto do circuito. Trata-se de uma longa chicane, de velocidade média e com o pavimento da zona de travagem algo irregular. Primeiro engrenamos 3ª e descemos aos 115km/h, na primeira parte da chicane, depois engrenamos 4ª para a segunda parte, com um ligeiro toque no travão antes da direita que se segue. Mais uma vez, é fundamental garantir uma boa saída desta curva, uma vez que logo a seguir temos uma recta que, embora curta, é bastante rápida.
Esta recta faz-se a descer e atingimos os 230km/h, em 6ª velocidade, antes da forte travagem para a curva 4. Parece lenta, no mapa, mas é de facto bastante rápida. Depois temos uma esquerda rápida, na curva 5, que se faz quase a fundo em 4ª velocidade mas é bastante traiçoeira, pois temos logo a seguir de travar forte para a curva 6. Esta é uma esquerda longa, quase a 180º, que se faz a 110 em 3ª. Na saída, devemos procurar o máximo de potência o mais cedo possível e usar bastante o corrector para a abordagem à curta recta seguinte, engrenando a 4ª antes da curva 7, uma curva de 3ª velocidade que nos leva directamente à direita lenta da curva 8. Este é outro ponto onde é importante ter uma boa saída, usando o corrector ao máximo, assim que entramos na segunda mais longa recta do circuito.
Aqui, puxamos até aos 250 antes de chegarmos à mais difícil zona de travagem do circuito, na curva 9, também conhecida por curva Schwantz, assim designada por causa do acidente de Kevin Schwantz durante a primeira prova de MotoGP realizada neste circuito. Esta é a travagem mais difícil do circuito porque é feita em descida e com camber ligeiramente negativo, constituindo assim um grande desafio para os pilotos. Se conseguires travar o mais tarde possível e fazer a curva, podes ganhar bastante tempo aí.
A saída é muito larga e pode-se usar o corrector, e entramos na secção final que nos leva de volta à recta da meta, que é a feita a subir. Subimos até à 5ª velocidade e aos 200km/h antes da travagem para a curva 10, uma esquerda muito lenta, e que é provavelmente a mais lenta do circuito. Depois temos a curva 11, da qual é importante garantir uma boa saída e carregar cedo no acelerador, porque logo a seguir temos uma longa subida onde atingimos os 210 antes da parte final do circuito, que são as curvas 12 e 13. Não é necessário sermos muito rápidos nesta curva, mas sim sairmos bem da última para a recta da meta. Travagem forte para a curva 12 e reduzimos de 6ª para 3ª. A velocidade aqui deverá ser cerca de 110km/h, e depois aceleração forte na curva 13 para a recta da meta.
Em geral, o circuito é bastante suave, uma vez que foi-lhe colocado um novo tapete entre 2008 e 2009, que deve ser, provavelmente, mais rápido 2 segundos que o anterior, e tem melhor aderência e menos irregularidades. Os correctores são planos, o que permite maior velocidade em curva. O circuito possui bastantes curvas de média velocidade e não há curvas mais lentas que de 3ª, por isso é mais uma questão de conseguir um bom andamento para obter o tempo por volta ideal."
O que os pilotos dizem...
Tomas Enge, Young Driver AMR Aston Martin DB9 #7: "A última vez que corri em Brno com os GT1 foi em 2002, com um Ferrari 550, tendo largado da 'pole' e liderada a primeira parte da corrida. Lembro-me da multidão em pé, e por isso estou ansioso por voltar a correr lá, em casa e frente aos meus fãs. Sei que vamos ter bom tempo e uma grande assistência e vai ser uma grande corrida na Republica Checa."
Andrea Bertolini, Vitaphone Racing Team Maserati MC12 #1: "Brno é um dos meus circuitos favoritos, muito semelhante a Mugello, e onde o equilíbrio do carro e é muito importante. O campeionato está a ser muito disputado e o nosso objectivo é pontuar sempre. Vamos a ver como o carro se porta, mas penso, e espero, que ele se porte bem em Brno, como no passado."
Bas Leinders, Marc VDS Racing Team Ford GT #40: "Considero o circuito de Brno uma versão reduzida de Spa, possuindo algumas curvas interessantes e difíceis com significativas diferenças de cotas de nível. Há muitas acelerações em subida, o que favorece os motores mais potentes, mas a mistura de bons chassis e bons pilotos deve equilibrar as coisas. Nas duas primeiras provas mostramos que temos potencial, mas houve sempre alguma coisa que correu mal durante as corridas, por isso espero que tenhamos um pouco mais de sorte em Brno para terminarmos nos cinco primeiros. A nossa vitória recente nos 1000 Km de Spa deu-nos o alento de que necessitávamos, uma vez que toda a equipa tem feitos todos os esforços possíveis nos últimos meses."
Karl Wendlinger, Swiss Racing Team Nissan GT-R #3: "Brno é um circuito onde já corri muitas vezes e de que gosto muito, pois tem um pouco de tudo: curvas médias e rápidas, outras mais apertadas e diferenças de nível. penso que a maior parte dos circutios do calendário do Mundial FIA Gt1 adequam-se bem ao Nissan, desde que consigamos o acerto ideal. Em Silverstone, para a qualificação, nem o acerto do carro nem a minha condução foram os adequados. Para a corrida, tentamos um acerto diferente, que melhorou bastante o carro e me permitiu puxar bastante mais. O problema com as corridas curtas é que não há muito a fazer se ficares cá para trás na qualificação. Sabemos agora o que fazer no acerto do carro, e por isso penso que estaremos competitivos em Brno."
Fontes: comunicados de imprensa da SRO, Tribunal de Apelo da FIA e sítio oficial do Mundial FIA GT1
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