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Grand Am / Detroit
Exibição de luxo dá vitória a João Barbosa em Detroit
por Vitor Ribeiro, 3 de Junho de 2012 Um Comentário

© Grand-Am Rolex Sports Car Series
Com uma exibição de luxo do piloto português, a dupla João Barbosa/Darren Law, ao volante do Corvette DP #9 da Action Express Racing, venceu ontem a Chevrolet Grand-Am Detroit 200, quinta prova da temporada 2012 do Grand-Am. Comemorando da melhor forma o seu 60º aniversário, a Corvette, a correr em casa, assegurou não só uma dobradinha na classe DP como ainda se impôs na classe GT às suas rivais europeias nas ruas da ilha de Belle Isle, ali mesmo ao lado do quartel-general da Chevrolet.
Para Barbosa esta foi a seu primeira vitória da temporada e oitava da sua carreira no Grand-Am, uma carreira onde a falta de um companheiro de equipa ao seu nível e muitos azares não têm permitido outros resultados mais consentâneos com as boas exibições que regularmente tem protagonizado. E se Terry Borcheller é indubitavelmente um bom piloto, já com um título no seu currículo, a verdade é que com Darren Law, piloto com o qual Barbosa nos afirmou ter mais afinidades em termos estilo de condução, poderão finalmente estar criadas as condições para o talento de Barbosa tenha melhor tradução em termos de resultados.
Refira-se que estas alterações nas duas duplas da Action Express vieram por fim ao mais duradoiro dos 'casamentos' ainda existentes no Grand-Am, já que Darren Law e David Donohue haviam já partilhado o volante por 108 ocasiões (!). Mas, como referia Gary Nelson, Team Manager da equipa, aos microfones da Speed TV, "sentíamos que estava na altura de da um abanão à equipa e tornar as coisas menos confortáveis". O tempo o dirá se é este o caminho certo, mas o que é facto que rivalidade não faltou dentro de pista entre os dois carros da Actiuon Express, como a cara de poucos amigos de Donohue, pouco satisfeito com a manobra temerária de Barbosa, bem parecia expressar no final da corrida.
Para já, tudo parece ter corrido bem, mas se coube a Law as despesas do primeiro turno mantendo o #5 no top5, foi o talento de João Barbosa - verdadeiramente endiabrado! - que emergiu posteriormente e assegurou uma vitória que chegou a estar em risco na sequência de uma confusão gerada por ordens (aparentemente) contraditórias da direcção da corrida no acesso às boxes aquando de uma neutralização. Uma vitória que corou um fim-de-semana em grande para a Action Express Racing que colocou os seus dois carros nos dois primeiros lugares no final de uma corrida - finalmente! - isenta de problemas... e também de erros, coisa de que alguns dos seus adversários não se podem, desta vez, orgulhar.
Mas comecemos pelo princípio, um princípio que viu os três primeiros na grelha Jon Fogarty (no #99 da Gainsco), Max Angeleli (no #10 da Suntrust) e Terry Borcherler (#5) assumirem o comando das operações enquanto Darren Law, que largara da 4ª posição, perdia um lugar no arranque para Memo Rojas (no #01 da Chip Ganassi). O trio da frente irá manter-se colado durante as primeira voltas até Borcheller ser penalizado com um drive-through por um toque - considerado evitável - num GT numa dobragem, enquanto os dois primeiros ganhavam uma ligeira vantagem.
Na primeira neutralização, com com cerca de meia-hora de prova cumprida, Law cede o lugar a João Barbosa. No reinício, Pruett (#01) lidera mas rapidamente é ultrapassado pelo rapidíssimo Ricky Taylor (#10), vencedor das duas corridas anteriores, que nas duas voltas seguintes ganha uma ligeira vantagem sobre o campeão em título, claramente mais lento e a servir de tampão para os seus perseguidores. E logo a seguir, é a vez de Barbosa passar Pruett mesmo antes de mais uma neutralização reagrupar os carros novamente.
Mostrada a bandeira verde de novo, rapidamente Taylor e Barbosa se entretêm a ver quem é o mais rápido em pista - com o português agora radicado nos EUA a fazer a melhor volta até então com 1:22.234, à 31ª volta - até uma fase que se revelaria decisiva para o desfecho da corrida.
Primeiro, e aproveitando uma nova neutralização da prova, Barbosa e Gurney (#99) aproveitam para entrar nas boxes, para descobrir de imediato que o terão feito cedo demais, pois apesar de, terem havido indicações de pit lane aberta por parte da direcção de corrida, estas foram logo a seguir contraditas, e é verdade que os dois carros nem chegaram a parar - o que lhes custaria uma penalização - também não é menos verdade que ambos perderam imenso tempo caindo na tabela de 2º (Barbosa) e 3º (Gurney) para, respectivamente, 8º e 7º.
A seguir, é Taylor, líder da prova, que ao sair das boxes, ainda com os pneus frios, deixa o carro escorregar demasiado o #10... de encontro ao muro exterior das boxes mesmo à saída da pit lane! Provavelmente sem se aperceber bem ainda dos danos, o jovem piloto entra em pista mas é obrigado a fazer uma volta completa muito lentamente, para desespero do seu pai e patrão da equipa Wayne Taylor.
No recomeço, é Donohue quem encabeça o pelotão DP, com Barbosa a perder uma posição, caindo para o 9º lugar. Mas este é também o momento então que o espectáculo irá verdadeiramente começar. Visivelmente endiabrado e 'de faca nos dentes', Barbosa rapidamente recupera a posição para logo a seguir, 'limpar' também Gurney e Pruett, com duas manobras em grande estilo. E enquanto na frente Richard Westbrook (#90) pressiona fortemente Donohue, Barbosa ‘despacha mais um - Ozzi Negri (#60) - e é já terceiro mas com pouco mais de 5 segundos para recuperar.
Mas o que são 5 segundos para um piloto em estado de graça e com um bom carro nas mãos? Aparentemente, nada...pois com série de voltas em se revela entre meio segundo a 1 segundo mais rápido que os dois homens da frente - entrando no segundo 21 por, pelo menos duas vezes, e fazendo aquela que se quedaria como a volta mais rápida da corrida em 1:21.745, à 44ª volta - Barbosa não demora mais que uma mão cheia de voltas a reduzir a nada aquela desvantagem.
Entretanto, à 48ª volta, Westbrook consegue finalmente passar Donuhue e Barbosa cola-se ao seu colega da Action Express - a corrida está ao rubro e ainda mais ficará logo a seguir. Westbrook - arriscando em demasia? - na dobragem a um GT, bate neste e por pouco não causa um acidente que poderia afastar também os dois carros da Action Express, pois na confusão, surpreendidos, estesainda se tocam quando Donohue se vê obrigado a desviar-se de Westbrook e surpreende Barbosa que segue logo atrás e não tem já tempo de se desviar. Felizmente sem consequências para ambos, o #5 e o #9 isolam-se assim na liderança, folgada (15s), com meia hora ainda para correr e reduzem a decisão da corrida a um duelo particular a dois.
A correr numa pista que não dá espaço para erros e apresenta poucos pontos de ultrapassagem, e mesmo sem ordens de equipa, o mais fácil seria aguentar as posições e esperar pelo erro ou problemas do adversário. Barbosa escolheu, no entanto, a via mais difícil, aquela que separa os pilotos de primeira linha dos restantes. Preferiu não ficar de braços cruzados, à espera e arriscou. Arriscou e ganhou, para desespero de Donhoue que logo ali, na comunicação rádio com a sua box, manifestou o seu desagrado pela manobra temerária, mas limpa, do piloto português. Tudo aconteceu numa dobragem a um GT, em que Donohue tem uma ligeira hesitação, procurando evitar cometer o mesmo erro de Westbrook, deixando algum espaço a Barbosa que, vendo a oportunidade de ouro, não se fez rogado e se coloca de imediato ao lado do seu colega de equipa na abordagem à curva seguinte. Entalado entre o #9 e o GT que estava a dobrar, Donohue pouco ou nada pode fazer e os carros ainda se tocam de raspão, mas a posição é já de Barbosa e é essa já ninguém lha tirará até à bandeira de xadrez.
Barbosa ganha então uma ligeira vantagem, que nova neutralização, à 62ª volta, para limpar a pista de detritos, riá reduzir a nada e fazer regressar alguma incerteza quanto ao vencedor. Gurney aproveita para ir às boxes meter pneus frescos, procurando assim estar em melhores condições para arriscar tudo na parte final. No horizonte, as nuvens adensam-se e a hipótese de ainda poder vir a chover nos dez minutos que faltam para o final surge no ar.
A corrida recomeça e Donohue ‘aperta’ Barbosa, parecendo estar, nesta altura, mais forte, enquanto mais atrás está tudo ao rubro ente a 4ª e a 7ª posições. Última volta e Donohue não se dá por vencido, espreitando a sua oportunidade com a pista limpa, uma oportunidade que Barbosa não lhe dá cruzando a linha de chegada na primeira posição.
"Foi uma corrida interessante," afirmou Barbosa, no final da corrida. "Tivemos um carro óptimo e estivemos muito perto de vencer em corridas anteriores. Mas por qualquer razão, isso não aconteceu... Estavamos realmente muito motivados para dar um bom resultado à Chevy aqui em Detroit. Foi de facto um fantástico trabalho durante toda a semana."
Este resultado permitiu a Darren Law aproximar-se dos líderes do campeonato, Ryan Dalziel e Enzo Potolicchio, que dispõe agora de uma vantagem de apenas 1 ponto. João Barbosa ocupa a 6ª posição com 128 pontos, menos 14 que os dois pilotos do #8 da Starworks.
O Grand-Am regressa já no próximo fim-de-semana para a disputa da EMCO Gears Classic, sexta prova da temporada, no Mid-Ohio Sports Car Course.
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Mais uma vez uma brilhante vitoria para um piloto que orgulhosamente representa o seu País no exterior….
Parabens Johnny por mais esta brilhante vitoria.