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Equipas de fábrica serão banidas do Le Mans Series?

23 Jul 2010 // Hugo Ribeiro // 8 Comentários

IMAGEM: Frederic Le Floc / DPPI (lemans-series.com)

Segundo a edição desta semana da revista inglesa Autosport, Patrick Peter e a LMEO estarão a equacionar seriamente proibir a participação de equipas de fábrica  nas provas do Le Mans Series que não contem para a Intercontinental Le Mans Cup. Como diria o saudoso jornalista Fernando Pessa... «E esta, hein?»

A ideia revelada por Patrick Peter à conhecida publicação é uma num pacote de ideias que tem como base a tentativa de fidelização das equipas ao campeonato de forma a evitar constantes ausências ao longo da temporada, e que, entre outras possibilidades, poderá passar pela obrigatoriedade de participação em todas as provas, tal como nos mundiais de F1 ou GT1. "Penso que as equipas de fábrica deveriam ser proibidas no Le Mans Series. Penso que elas não fazem parte do nosso futuro. Temos de dar mais valor às equipas privadas", afirma Patrick Peter. "É muito confuso ter equipas que entram e saem do campeonato. Não é bom para as equipas que fazem toda a temporada."

A ideia parece agradar às equipas do LMS, mas tanto Audi como Peugeot não quiseram fazer comentários. Contactado pelo Autosport, François Sicard, da OAK Racing, uma das equipas que para o ano passará da LMP2 para a LMP1, mostrou-se agradado com a ideia: "É uma boa ideia que será justa para todos. Precisamos de ter algo para vender aos nossos parceiro e assim teremos uma hipótese de seremos o 'rei do castelo'". Hugues de Chaunac, CEO do Grupo Oreca, cuja equipa de competição corre este ano com um Peugeot 908 também se mostrou favorável.

O que no entanto parece ser uma ideia interessante vai na verdade ao encontro do que uma grande parte dos fãs parecem temer. Com uma campeonato mundial com 7 provas (Le Mans incluída), a Intercontinental Le Mans Cup, é quase certo que os construtores irão desinteressar-se da participação no LMS, ou no ALMS, e uma boa parte de quem segue estas competições é da opinião que a ausência de equipas de fábrica nos campeonatos "regionais" levará inevitavelmente ao seu fim.

A verdade é que são as equipas de fábrica que fazem mexer o público e que enchem as bancadas de aficionados, pelo que deixamos a seguinte pergunta: poderá o LMS viver só de equipas privadas?

Fonte: Edição Impressa do Autosport UK

8 comentários até ao momento...
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  1. Vasco Simões diz:

    Eu acho que as equipas de fábrica não deveriam ser banidas. Deveria era haver a obrigatoriedade de cumprir todo o campeonato, ou a possibilidade de apenas faltar uma prova e a prova a faltar nunca poderia ser a prova a seguir às 24h de Le Mans, pois caso contrário, quase todos faltariam a esta prova.
    Ou então fazer ao contrário do que é dito neste artigo, as equipas de fábrica para participarem nas 24H Le Mans , deveriam cumprir o LMS na integra, caso contrário não teriam direito a participar nas 24H Le Mans.

    Depois, penso que deveria haver mais espaço de tempo entre as 24h de Le Mans e a prova seguinte do LMS, de modo a não haver desculpas de falta de tempo.

    Eu sendo de Lisboa, fui a Portimão e gostei muito e não me arrependo, dei por bem empregue o esforço. Não me importei que as equipas de fábrica não estivessem lá, até porque têm motorização Diesel.

    • Muito bem, concordo com muito do que diz, principalmente a possibilidade de não correr a totalidade do campeonato, num modelo semelhante ao que a FIA usa para o P-WRC e o JWRC, com as equipas a nomearem antecipadamente, por exemplo 5 de 6 provas, ou 6 de 7, em que estariam presentes e pontuariam, podendo participar na outra prova extra campeonato.

      Quanto à questão das equipas participantes em Le Mans terem que participar também nas Le Mans Series, isso seria mais complicado…

      Não esquecer que o LMS é uma série europeia e em Le Mans há equipas americanas e asiáticas (bem, não nos preocupemos com as asiáticas), mas as equipas americanas, que chegam via ALMS, não têm interesse nenhum em fazer as LMS.

      Mas compreendo o ponto de vista, o ACO distribui convites a determinadas formações para Le Mans, em detrimento de outras e depois, muitas vezes, são as formações preteridas a preencher as grelhas, como no ano passado em que preteriu a Larbre nos GT1 e durante o ano foi muitas vezes a única formação a correr na classe.

      Para mim, quanto à interdição das equipas de fábrica, é um pau de dois bicos. Na fórmula actual a categoria principal é muito pouco interessante para equipas privadas, que apenas podem aspirar a ver os diesel passar, agora sem as equipas oficiais, ficará tudo mais aberto.

  2. wildcat diz:

    Confesso que me parece bem a ideia com algumas arestas limadas, por exemplo 80% e não 100% de obrigatoriedade de participação. É que assim, são os privados que fazem o campeonato e como tal também merecem ser as estrelas de Le Mans

  3. Fernando diz:

    Pois é Hugo
    não sei se é uma boa idéia. Deveria ser feito um estudo para ver se nas provas em que aparecem equipes de fábrica o publico aumenta também. Se for comparado a F1 só temos Ferrari e Mercedes equipes 100% de fábrica. A Renault se não me engano apenas fornece o motor. Para mim a LMS deveria ter mais provas. Mesmo saudando a taça intercontinental tanto a LMS quando ALMS ficaram um pouco avulsas já que uma equipe vai optar pela taça do que por campeonatos “regionais”.
    Abraços e parabéns pelo ótimo site.

  4. Ricardo diz:

    Podiam até fazer as corridas para GT4, com handicaps para os pilotos mais rápidos. A questão é o poder de atracção que deixam de exercer sobre os aficionados. Quando à obrigatoriedade de participar em todas as provas, apenas recordo que foi esse o início do fim dos Grupo C no final dos anos 80, numa farsa orquestrada que passaria ainda pela “Fórmula 3500cc” e levou o Campeonato Mundial ao desaparecimento… até hoje!

    Com os novos LMP1 3400 cc e obrigatoriedade de participação em todas as provas, começa a ser tudo demasiado parecido. Espero bem estar enganado.

    • Há alguns pontos em comum de facto com o assassinato perpetrado pela FIA nos finas de 80 princípios de 90, mas há diferenças substanciais: os novos P1 não têm de usar todos motores de 3.4l, e em 90 tinham; os motores não são utilizáveis noutras disciplinas nem foram desenhados para corridas de sprint, e em 90 foram; nem a obrigatoriedade de participar em todas as provas implica deslocações muito caras pelo mundo fora, são limitadas à Europa. Esta ideia (não se sabe ainda como será implementada de facto ou se será mesmo implementada) é limitada ao LMS e não será (que se saiba) extensível à Intercontinental Cup.

      É bem verdade que são as equipas de fábrica as maiores responsáveis por trazer fãs aos circuitos, mas também é verdade que para o público em geral, um campeonato onde as equipas aparecem só quanto lhes apetece, é muito confuso e desconfortável. Podia fazer sentido nos anos 60/70 ou mesmo nos anos 80, mas actualmente não faz qualquer sentido. Já é confuso o suficiente haver 4 campeonatos a correr em simultâneo.

      Há uns tempos li um excelente texto de opinião de um jornalista americano (já não me lembra onde mas creio que foi no site da SpeedTV) onde ele referia-se ao LMS não como um campeonato mas sim como um taça (Championship vs. Cup), precisamente porque num campeonato, espera-se ver todas as equipas a correr em todas as provas. Com muitas pessoas com quem falei em Portimão nas bancadas e no Paddock, a queixa era sempre a mesma: «Que raio de campeonato é este com as equipas a aparecerem só quando lhes dá jeito?».

      É excelente falar com quem não é um fã hardcore de endurance (ou qualquer outra disciplina) pois são estes que enchem as bancadas e não os outros. E é precisamente nas preocupações destes que se encontram os problemas e as possíveis soluções para fazer crescer o campeonato.

      Com tu, também tenho as minhas dúvidas sobre a viabilidade de uma medida destas, mas para ser honesto, com o actual modelo desportivo, o LMS não tem mais por onde crescer. Ou se fixa equipas ao longo do campeonato, criando ‘de facto’ um campeonato, onde a grande maioria dos fãs de automobilismo vão continuar a considerar tudo isto muito confuso e manter-se afastadas.

      O grande problema no Grupo C foi mesmo os motores de 3.5L para F1. Os custos dispararam para números nunca vistos em endurance (varias marcas queixaram-se que era mais caro fazer o Mundial de Marcas do que o Mundial de F1), e os privados não aguentaram a pedalada, com a marcas a desistirem pouco depois perante alternativas mais baratas, e mais apropriadas aos motores.

  5. Gustavo Oliveira diz:

    Realmente uma excelente noticia, se a intenção da LMS for ter apenas P2s, FLMs e GTs em suas grelhas!

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