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Entrevista a Vincent Beaumesnil, Director Desportivo do ACO

por Hugo Ribeiro, 12 de Agosto de 2010 2 Comentários

VINCENT BEAUMESNIL

Vincent Beaumesnil. IMAGEM: ACO

VINCENT BEAUMESNIL

Vincent Beaumesnil. IMAGEM: ACO

No ano passado, Vincent Beaumesnil foi nomeado para o cargo de Director Desportivo do Automobile Club de l’Ouest (ACO) pouco depois da edição 2009 das 24 Horas de Le Mans. Agora, com a passagem de um ano à frente do cargo, Beaumesnil respondeu a algumas perguntas colocadas pelo departamento de comunicação do ACO que foram divulgas em comunicado de imprensa.

A entrevista não acrescenta nenhum facto novo ao que já é conhecido do que nos espera nos próximos anos em Le Mans, mas não deixa de ser uma boa oportunidade de ficar a conhecer um pouco melhor o homem por onde passa toda a discussão que moldará as provas de endurance baseadas nas 24 Horas de Le Mans no futuro próximo.

Quais são os seus antecedentes?
Vincent Beaumesnil: Sempre estive ligado ao mundo do automobilismo. O meu pai trabalhou com o Jean Rondeau na equipa Inaltera e eu comecei a minha carreira profissional na equipa de Michel Ferté antes de me juntar à DAMS em 1998. Estive à frente do Marketing, Comunicação e Logística, nomeadamente durante as 24 Horas de Le Mans, com o chassis Panoz. Trabalho no ACO desde 2006, e fui responsável pelas pistas e pelas escolas de condução até 2009.

Como explicaria o seu trabalho como Director Desportivo?
VB: O trabalho cobre diversas áreas: a regulamentação desportiva e técnica, problemas relacionados com a segurança e com a gestão das pistas e das escolas de condução.

Quais têm sido as suas acções nos últimos 12 meses?
VB: Têm sido tantas!… Temos trabalhado nos regulamentos para 2011, estabelecendo um novo relacionamento com os competidores. A título de exemplo, montamos um espaço de internet privada reservada às equipas. Formamos novos grupos de trabalho, nomeadamente o grupo de consultores técnicos.

Como sentiu as suas primeiras 24 Horas de Le Mans como Director Desportivo?
VB: Fiquei muito satisfeito. A corrida foi maravilhosa mesmo apesar da frustração causada pela desistência de todos os Peugeot, e este ano não tivemos qualquer foco de tenção devido à interpretação do regulamento técnico. Introduzimos algumas alterações no programa, como as verificações técnicas a começarem no Domingo, e reintroduzimos a Porsche Supercup como prova de abertura. Todos essas alterações foram muito satisfatórias.

Irá a largada tipo Le Mans continuar no futuro?
VB: Sim, este novo  procedimento foi muito bem aceite. Houve um piloto que não compreendeu o principio, e isso induziu os restantes em erro, mas no próximo ano todos saberão como se desenrola o procedimento.

Porque existiu um terceiro safety-car em pista?
VB: Não queremos que exista um carro sozinho em pista durante uma neutralização. Uma vez na box, um carro regressará à pista atrás do safety-car. Introduzimos o terceiro safety-car para evitar que um carro ficasse à espera no fim da linha de boxes.

Porque esteve presente Jean Todt no inicio da prova?
VB: Todos os anos o ACO convida o Presidente da FIA a estar presente, mas este convite nunca havia sido respondido positivamente. Jean Todt está intimamente ligado às 24 Horas de Le Mans, onde venceu por duas vezes como Director da equipa Peugeot, e por isso decidiu  comparecer.

Têm todas as equipas conhecimento do regulamento para 2011?
VB: Sim, todas elas receberam-no durante a semana das 24 Horas de Le Mans, em Junho. Há ainda alguns pormenores a resolver, mas os regulamentos estão fechados em 99%.

Foi anunciada a chegada das tecnologias híbridas em 2011. Será apenas para os protótipos LMP1 ou poderemos ver carros como o Porsche 911 GT-R Hybrid a competir nas 24 Horas de Le Mans?
VB: Não, serão reservadas apenas aos LMP1.

Não pensa que a demanda por tecnologias alternativas poderá trazer projectos um pouco exóticos?
VB:  Temos regras muitos estritas a respeito de segurança. Quanto à performance, teremos o cuidado de nos certificarmos que o nível de preparação dos competidores estão no standard para as 24 Horas de Le Mans.

O ACO conseguirá controlar as restrições impostas a quem usar sistemas de recuperação de energia?
VB: Sim, claro. Estabelecemos limites aos competidores e conseguiremos certificar-nos que são cumpridos por estes.

Não teme conflitos a respeito das equivalências nos regulamentos de 2010 e 2011 entre diesel, gasolina e híbridos?
VB: Temos uma equipa de engenheiros a trabalhar nessas questões [NdR: que inclui Bernard Dudot, ex-Director da Renault Sport], e já estamos a trabalhar nos regulamentos para 2014-2015. Há opções a serem tomadas. Podes não fazer nada ou podes assumir o risco, e está nos genes do ACO olhar para o futuro. Queremos abrir a corrida a novas tecnologias e para tal ser feito terão de existir equivalências.

Foram os construtores ausentes de Le Mans consultados a respeito dos futuros regulamentos?
VB: Sim. Há imensa gente com os olhos postos em nós e que trazem as suas próprias ideias. É nisso que estamos a trabalhar no duro a respeito dos regulamentos de 2014-2015. Precisamos de muitas opções para estabelecer as ideias base, mas a maior de todas será o desenvolvimentos sustentável.

O futuro regulamento GT Endurance será baseado na actual classe GT2. Serão os GT em fibra de carbono como o McLaren MP4/12C parte desta nova classe?
VB: A decisão final é do ACO, mas com uma discussão preliminar. Criamos um grupo dedicado ao carros de Grand Touring para estudar todas as possibilidades, incluindo essa.

Fonte: ACO