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Prémio Personalidade do Ano FIA 2013

Eduardo Freitas (Director de Corrida WEC) entre os dez nomeados para eleição da Personalidade do Ano FIA 2013

por Vitor Ribeiro e Hugo Ribeiro, 23 de Novembro de 2013 Um Comentário

Habituados que estamos a admirar e celebrar ‘apenas’ as proezas dos ases do volante – e com toda a justiça, assinale-se, pois são esses os verdadeiros heróis – nós, simples adeptos, mais distanciados que estamos, por força das circunstância, do fenómeno, tendemos a esquecer ou ignorar todo um conjunto de outros actores - secundários, é certo, mas nem por isso desprovidos de importância.

Importância que se revela – pelo menos aos olhos de quem acompanha o fenómeno de mais perto, ou seja, e no caso em apreço, a imprensa creditada junto da FIA – no esforço, muita das vezes ‘invisível’, de assegurar àqueles - os nossos verdadeiros heróis- a quem compete a tarefa de nos fazer vibrar e sonhar, os instrumentos e o palco mais adequados ao desempenho das suas habilidades.

Não surpreende, por isso, que entre nomes tão óbvios como os dos campeões mundiais 2013 Tom Kristensen (WEC), Sebastian Vetel (F1), Sébastien Ogier (WRC), Yvan Muller (WTCC), Robert Kubica (WRC2) ou do multicampeão mundial de ralis Sébastien Loeb, surjam na lista dos dez finalistas candidatos (seleccionados de entre uma lista inicial de 80 indicados) ao prémio de Personalidade do Ano FIA outros nomes que não se sentam habitualmente atrás do volante dos carros que nos fazem sonhar. São eles Jost Capito (Chefe da Volkswagen Motorsport), Monisha Kaltenborn (CEO da Sauber F1 Team), Adrian Newey (Director Técnico da Red Bull Racing F1 Team) e… o português Eduardo Freitas, actual Director de Corrida do Fia WEC.

Em declarações exclusivas ao Le Mans Portugal, Eduardo Freitas começou por nos afirmar que “encaro [esta nomeação] como uma recompensa para a minha família […] especialmente”, dir-nos-á mais à frente na conversa, “à minha mulher, [pois] sem ela nada disto teria sido possível […]. Ao mesmo tempo as [minhas] filhas também têm direito à sua quota-parte, pois são as minhas fãs número um.”

Embora esta nomeação seja individual, Freitas não esquece, no entanto, que o seu é (também, e sobretudo) um trabalho de equipa. “Ao mesmo tempo não posso ignorar”, reconhece, “o facto de em qualquer dos campeonatos que dirigi, nunca o fiz a sós. Entre adjuntos, assistentes e comissários desportivos tenho tido a honra de trabalhar com pessoas muito dedicadas e competentes, o que em muito facilita.” E acrescenta, por isso: “Também o devo a quem comigo trabalha/trabalhou.  Se sem eles teria sido ou não nomeado, é uma questão de difícil resposta. Mas que foram parte do resultado foram. Estou inserido num grupo. Se esse grupo trabalhar mal isso irá certamente afectar o meu rendimento, se o grupo trabalhar bem o meu rendimento será certamente afectado positivamente. Em desporto motorizado, já nada se faz individualmente. De maneira directa ou indirecta é sempre trabalho de equipa.”

Tendo dado os seus primeiros passos como comissário de pista, Freitas havia já desempenhado no FIA GT e no WTCC idênticas funções de Director de Corrida, figura-chave de qualquer corrida de automóveis - e espécie de maestro sobre cujos ombros recai a tarefa de, quase nos apetece dizer, dirigir a orquestra - que, entre os actores ‘secundários’ de que atrás falávamos,  tem ganho ultimamente especial visibilidade (ou, pelo menos, será mais acertado dizê-lo, audibilidade…), por força da transmissão das comunicações radio entre direcção de corrida e pit wall.

De facto, o acesso a estas comunicações tem permitido, aos adeptos que seguem as provas do Mundial de Endurance através da TV ou live streaming, familiarizar-se um pouco mais com o trabalho do Director de Corrida e suas contingências ao longo do desenrolar das provas. Um trabalho que, no caso de Eduardo Freitas, tem recebido não poucos elogios dos jornalistas e comentadores que habitualmente acompanham as provas de resistência, não surpreendendo por isso que o seu nome figure nessa lista restrita, mas cuja exposição pública, assume, “requer habituação e, isso sim, incomoda-me, pois não há maneira de me habituar. Por outro lado tenho a ideia que o desporto é para quem o pratica. Assim, entendo que a exposição é para pilotos e equipas.” E reconhecendo que  “os directores de corrida ou de prova, quando aparecem, normalmente é por motivos menos positivos. Entendo que a coisa corre bem quando não dão pela minha presença”, conclui - “é sinal que não tive de intervir e isso é sempre bom.”

Por outro lado, num momento em que temos, mais do que alguma vez na história do automobilismo nacional, um conjunto significativo de pilotos (e não só) em posições de destaque além-fronteiras, embora a nível interno se vivam tempos de alguma indefinição, Eduardo Freitas encara também esta nomeação como “uma forma de reconhecer Portugal e que em Portugal há capacidade para se estar ao mais alto nível no desporto mundial. Penso que esta nomeação é também, um modo de dizer que há em Portugal algo que merece ser mencionado. Curiosamente”, acrescenta, “num campo onde durante anos fui quase único. Hoje já há mais portugueses envolvidos sem ser ao volante ou numa equipa de competição. A componente organizacional e desportiva começa a ter nomes de portugueses e isso é importante. Temos em Portugal capacidade organizativa de nível mundial e isso deve ser dado a conhecer.”

Rejeita, por isso, que se encare as provas nacionais de forma diferente das internacionais, afirmando que “enquanto se olhar para as provas [nacionais] com alguma síndrome de inferioridade, não vamos longe. Talvez tenha sido essa a razão de me ter dado bem lá por fora, pois para mim todas as provas são importantes. São pilotos dentro de carros a velocidades que podem ter consequências graves. O carro com que o Campaniço disputou o antigo PTCC era igual aos que disputavam o WTCC na altura. As poucas provas de PTCC que fiz cá tiveram o mesmo tratamento, do meu lado, que as lá de fora. Agora se as pessoas pensam á partida que, pelo facto de ser nacional, pode-se cortar na segurança e outros detalhes, então mal vai o barco. Portugal tem muito bons pilotos e muito bons organizadores.”

E sem ir mais longe na análise à actual situação do automobilismo nacional, não fugiu a formular aquele que, mais que um ‘recado’, é um desejo também partilhado por todos nós, o de que “o automobilismo nacional tem de encontrar modo de levantar a cabeça e afirmar-se mais a nível internacional.”

Esta segunda (e última) fase de eleição da Personalidade do Ano FIA 2013 está já a decorrer desde o dia 18 deste mês de Novembro e encerra no próximo dia 4 de Dezembro. A votação está aberta ao público, pelo que não deixe de contribuir com o seu voto no site da FIA. Até lá, resta-nos aguardar reconhecendo a dificuldade que deverá ser, de entre os dez nomeados, escolher um só…