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United SportsCar Championship

Divulgados pormenores do regulamento técnico e desportivo do United Sportscar Championship

por Hugo Ribeiro, 20 de Outubro de 2013 Sem Comentários

Devagar devagarinho, para fazer "render o peixe" mediático, a IMSA lá vai divulgando pormenores relativos ao regulamento técnico e desportivo do United SportsCar Championship. Ontem, em alguma imprensa especializada norte-americana, foram avançados alguns pormenores relativos ao regulamento técnico para a classe de Protótipos, enquanto que semana passada havia sido revelado um tecto de inscrições para cada classe.

Mas duas últimas semanas, surgiram novas a respeito do United SportsCar Championship (USCC) no que toca aos seus regulamentos técnicos e desportivos. Semana passada, a IMSA anunciou que todas as classes iriam ter um tecto de inscrições (numa muitíssimo optimista, na nossa opinião, projecção sobre o real interesse do campeonato) que poderá frustrar algumas das intenções de equipas americanas e também europeias. Com o North American Endurance Championship — campeonato surgido no seio do Grand Am que juntou as três provas de longa duração — agora aumentado para quatro provas — Daytona, Sebring, Watkins Glen e Petit Le Mans — algumas equipas pretendiam competir  apenas nestas provas, com outras (as europeias) a pretenderem marcar presença em Daytona.

Os seus anseios prometem sair frustrados: a confirmarem-se as projecções que a imprensa norte-americana tão diligentemente avança (e que ano após ano falharam em relação ao ALMS), não haverá espaço para ninguém, ou quase. A IMSA anunciou que a classe de protótipos terá um tecto de 20 inscrições em Sebring, Long Beach, Laguna Seca, Belle Isle (Detroit) e Indianapolis, e 19 para as restantes provas, enquanto que os Prototypes Challenge serão limitados a 10 em todos os eventos. Entre os GTs, a classe GTLM terá um tecto de 19 carros na Virginia, 16 em Long Beach, 14 em Sebring e Indianapolis e 12 nas restantes, enquanto que a classe GTD será limitada a 21 carros em Belle Isle (Detroit) e 19 em todas as outras.

As provas que mais atraem participações esporádicas, sobretudo vindas da Europa — Daytona, Sebring e Petit Le Mans — poderão muito bem não ter qualquer espaço para as receber, mas tudo isto aplica-se na melhor das hipóteses. Haverá assim tanto interesse neste novo campeonato?

Interesse há, mas para que o interesse se torne numa inscrição efectiva, para toda a temporada como a IMSA pretende, há ainda uma longo caminho pela frente, e na classe e protótipos esse caminho poderá mesmo ser demasiado longo. Ontem, o site norte-americano Racer.com avançou com alguns dos pormenores técnicos relativos à classe de Protótipos que foram divulgados às equipas, e dando estes por verdadeiros — e nada leva a crer que não o são na totalidade — não será de admirar que vários projectos para esta classe fiquem pelo caminho. Segundo a Racer.com, os até agora altamente restritos Daytona Prototypes verão o seu regulamento técnico a ser altamente liberalizado de forma a que possam ser competitivos juntos dos LMP2 ou do DeltaWing. Um regulamento que até agora reduzia grande parte dos componentes mecânicos e à versões de produção, irá agora aceitar todo o tipo de tecnologia que se pode encontrar num LMP2 ou mesmo num LMP1, aumentando consideravelmente os custos dos DP.

Difusores traseiros, travões de carbono, kits de high-downforce, novos diferenciais, liberdade na escolha de materiais para certos componentes que até tinham de ser idênticos aos dos carros de produção (como a embraiagem, as rodas, os travões, aceleradores), tudo isto irá não só fazer disparar o custo final de um DP, como os custos de operação e manutenção. Claro que a IMSA irá permitir que os actuais DPs de mantenham em 2014 sem qualquer alteração, mas as equipas saberão de antemão que terão um carro que jamais será competitivo. Com os custos a duplicar, e com grande parte das equipas ex-Grand Am (se não quase todas entre os DPs) a terem o seu orçamento parcialmente ou totalmente suportado pelos organizadores, haverá quem aguente? Em última analise, o orçamento para competir com um DP ficará ao mesmo nível de um LMP2.

No campo dos LMP2, as únicas alterações que deverão ser feitas serão o aumento do peso mínimo de 900 para 960kg — peso que terão os "novos" DP — e a obrigatoriedade de utilizarem o kit aerodinâmico de Le Mans nas provas em Daytona, Road America e Indianapolis.

Ficará por aqui o BoP para que DPs, LMP2 e DeltaWing possam competir numa única classe? Certamente que haverá ainda mais capítulos desta história.

Fonte: Comunicado de Imprensa IMSA e Racer.com