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CoTA: Corrida 100% ‘Verde’ vencida pela Muscle Milk com suspense entre os GT

por Andrew Remedios, 22 de Setembro de 2013 2 Comentários

Fonte: Eric Gilbert / Motorsport.com

No dia em que foi conhecido o calendário de 2014 do USCR, a nova pista do Circuit of the Americas, no Texas, apresentou uma corrida sem bandeiras amarelas (a primeira vez desde Utah em 2009) e vitórias previsíveis e fáceis em P1 e P2 para Muscle Milk e Level 5 Motorsports, respectivamente. Nas categorias GT e Challenge já não foi tão seguro. Foi demonstrado, assim, que mesmo sem neutralizações o ALMS dá espectáculo.

P1: Muscle Milk sem oposição vence sétima corrida consecutiva

Com a Dyson Racing a participar de novo com Chris McMurry e Tony Burgess no Lola B12/60 Mazda #16, o HPD ARX-03ª #6 da Muscle Milk Pickett Racing liderou do início ao fim sem oposição e a dupla Lucas Luhr/Klaus Graf levou para casa o sétimo triunfo consecutivo, mais um recorde batido no ALMS. Para Klaus, “Lucas assumiu a liderança na primeira curva, e disparou a partir daí. Com pouca ou nenhuma corrida em pista seca, a equipa merece um elogio. Realmente, nós montamos um conjunto excelente. Agora, queremos vencer as duas últimas corridas – especialmente Petit Le Mans – e se conseguirmos dar a Lucas a sua 50ª vitória seria inacreditável.”

Sem poder fazer frente ao HPD, a Dyson Racing teve que se contentar com o 2º lugar final, a mais de duas voltas. Por seu lado, a DeltaWing Racing Cars estreou a versão coupé denominado DWC13 mas não foi uma corrida fácil para os britânicos Katherine Legge e Andy Meyrick no #0. Desde muito cedo o DeltaWing andou longe dos primeiros, ficando inclusivamente atrás dos PC e mesmo dos GTs, acabando por ser o penúltimo a terminar a prova.

P2: Regras de equipa ditam vitória para Scott Tucker e Ryan Briscoe

Ao contrário da categoria P1, na P2 a corrida  P2 ficou praticamente decidida com uma decisão algo estranha da Extreme Speed Motorsports nas primeiras voltas. Com Anthony Lazzaro a iniciar a corrida no HPD ARX-03b #01, a equipa decidiu fazer uma troca de pilotos nas primeiras voltas para colocar Scott Sharp atrás do volante, piloto que estava na luta pelo campeonato. O HPD #01 ficou a 1 minuto dos líderes e nunca mais recuperou esta desvantagem numa jogada de estratégia que não fez muito sentido, já que tanto Lazzaro como Sharp tinham praticamente o mesmo andamento no protótipo.

Com a vitória praticamente entregue de bandeja (Johannes Van Overbeek chegou a liderar no HPD #02 da ESM mas o seu companheiro de equipa Ed Brown não tinha capacidade suficiente para manter a liderança), a Level 5 Motorsports geriu a corrida à sua maneira, com o intuito de colocar o carro de Scott Tucker em primeiro lugar no final. E foi assim que aconteceu, com Ryan Briscoe a vencer no HPD ARX-03b #551 à frente dos seus colegas de equipa no #552, Marino Franchitti e Guy Cosmo. Tucker reduziu a desvantagem para Marino e Scott Sharp, no campeonato, mas ainda está a mais de 10 pontos.

Para Scott Tucker (Level 5 Motorsports), “foi uma grande recuperação para nós. Viemos ao COTA testar há cerca de um mês, e sentimos que valia a pena. A equipa foi impecável. A nossa estratégia correu como planeado e, como esperado, Ryan (Briscoe) fez uma corrida fantástica, tal como o Marino (Franchitti) e o Guy (Cosmo). Eu consegui fazer o meu trabalho no primeiro turno. No geral, não foi muito dramático para nós, o que foi bom. Tivemos algumas dificuldades normais com o tráfego, mas, além disso, foi uma corrida normal para nós.”

Por seu lado, Scott Sharp (ESM), não conseguia lembrar-se da última vez que tiveram uma corrida sem bandeiras amarelas: “Eu teria apostado muito dinheiro que teríamos pelo menos uma neutralização. Não foi o fim-de-semana do #01. Foi difícil, passamos o tempo a perseguir o carro #551. Deveríamos ter testado aqui como fez a Level 5. É um bom circuito, um lugar difícil, com 20 curvas, ao qual não vais conseguir entrosar-te com apenas alguns dias de treinos. E depois tivemos chuva na Sexta-feira. Tentamos uma estratégia de conservar combustível no início. Pensamos que iria resultar, especialmente se tivéssemos uma neutralização, mas nenhuma chegou. Foi um pouco infeliz, mas isso acontece às vezes. A equipa do #02 fez um óptimo trabalho. O Ed fez a sua melhor corrida até agora. Houve tempos em que ele estava ao ritmo do resto. Foi mesmo impressionante e eles mereciam o pódio.”

GT: Corvette segura a vantagem por uma unha

Os Corvette C6.R da Corvette Racing lideraram na primeira e última volta mas com alguma sorte e azar e muita habilidade de um piloto espanhol. O Corvette #4 desistiu ao fim de uma hora com problemas na transmissão e cedeu assim a liderança no campeonato para.... os colegas de equipa no Corvette #3, após uma corrida extremamente disputada do início ao fim.

Nas primeiras voltas o Corvette #3 de Jan Magnussen teve que se debater com o SRT Viper GTS-R #93 de Jonathan Bomarito, à medida que os dois BMW Z4 GTE da BMW Team RLL e o Ferrari 458 Italia #62 da Risi Competizione iam subindo na classificação geral. O início da corrida para a Risi foi um contraste positivo relativamente ao resto da época, e que colocou Olivier Beretta e Matteo Malucelli em apuros na equipa para 2014, dado a falta de velocidade e a quantidade de erros e acidentes.

Já com os segundos pilotos ao volante ao fim de pouco mais de uma hora de corrida, o espanhol Antonio Garcia, no Corvette #3, recuperou a liderança das mãos de Kuno Wittmer, no Viper #93, e abriu uma vantagem confortável. No entanto, a BMW Team RLL não o deixou ir, e depois de alguma luta animada, o BMW #56 de Dirk Müller (o aspirante ao título) surgiu da última paragem nas boxes em 2º e em clara ascensão. O piloto alemão conseguiu diminuir a desvantagem de 6 segundos para apenas 1 segundo, a 30 minutos do fim, e começou a atacar o espanhol que estava a lutar com um Corvette em progressiva degradação nas últimas voltas. A salvação de Antonio Garcia foi o tráfego, que este geriu de uma forma espectacular, e um ressurgente Bomarito no Viper #93 nos últimos 5 voltas. Bomarito acabou por ultrapassar Müller, mas, com apenas 2 voltas para o fim, já não conseguiu chegar ao Corvette.

Para Antonio Garcia (Corvette #3), “tomamos a decisão certa com a estratégia. Vimos que o BMW #55 parou cedo por causa do tráfego, e é por isso que a minha equipa decidiu mandar-me para as boxes mais cedo também na última paragem. Eu sabia que estávamos a parar antes de todos os outros, e tive que estar realmente concentrado e agressivo na volta de saída com os pneus novos. Eu acho que foi isso que nos deu a liderança. A partir desse ponto, o tráfego desempenhou um papel importantíssimo nesta corrida. Desde a curva 3 à curva 7, ninguém conseguia ultrapassar. Tenho a certeza que todos os protótipos estavam a enlouquecer atrás de nós, e nós estávamos a enlouquecer com os carros GTC. Por isso, basicamente, só precisamos de nos mantermos na fila e continuar a ser agressivos. Houve um momento, com 30 minutos para o final, em que Dirk (Müller) estava colado ao meu para-choques. Pensei que seria um final de corrida muito longo, com 30 minutos a tentar segurá-lo. Não havia tráfego nessa altura, mas quando vi tráfego eu sabia que seria a minha única oportunidade. No fim, é a segunda vitória consecutiva para nós e passamos para a liderança do campeonato GT. Estou muito feliz."

Com a tarefa difícil de assistir aos momentos finais com a equipa,  o seu colega de equipa Jan Magnussen confessa que esses momentos foram “stressantes e frustrantes, vendo alguém sob o tipo de pressão a que Antonio estava sujeito. Sei o que ele estava a passar, e eu estava honestamente a explodir por dentro. Olhei para o relógio a 17 minutos do fim e vi muita corrida. Olhei de novo e o relógio dizia 16 minutos para o fim! Sentes-te completamente desamparado olhando para o monitor.”

Por seu lado, Dirk Müller (BMW #56) afirmou que “foi uma corrida espectacular, como uma montanha russa. Apenas pouco antes do início da corrida recebi a mensagem de que iríamos começar do fim da grelha, e naquele momento fiquei muito em baixo e queria ir para casa. Mas quando vi o John (Edwards) a desafiar o tráfego e chegar-se à frente, ele mostrou-me que de facto a cabeça dele estava 'ligada', e fiquei muito motivado com isso. Quando entrei no carro, depois de ele fazer 55 minutos, eu sabia que tinha que atacar ao máximo. Fiz o que parecia uma qualificação de hora e 55 minutos. Eu tinha aquela máquina amarela à minha frente, mas antes tive o Joey (Hand). Foi muito divertido correr com ele e gostei bastante. Depois, tentei perseguir o Corvette e quis apanhá-lo, como um Terrier... e consegui, décima-a-décima. Fiquei um pouco preso no tráfego e utilizei toda a minha experiência, mas no fim o Viper ultrapassou-me numa recta como se fosse um carro da categoria GT1. Eu queria vencer, mas estou contente com o 3º lugar porque dei o meu tudo.”

Para o 2º classificado, Jonathan Bomarito (SRT Viper #93), “acho que só precisávamos de mais uma volta, para ser honesto. É absolutamente incrível. É um testemunho de quão renhida é a categoria GT. Sem neutralizações numa corrida de 2 horas e 45 minutos e a corrida é apenas decidida no fim. Foi um trabalho extraordinário de toda a equipa SRT. O nosso SRT Viper GTS-R estava espectacular. Obrigado ao Kuno (Wittmer), trabalho fantástico e boas paragens nas boxes da equipa. Estou cansado mas muito contente. O carro esteve rápido o dia todo. Conseguir recuperar 17 segundos em uma hora e quase arrancar a vitória é simplesmente fantástico.”

Challenge: PC decidido cedo e GTC decidido no fim

Foi uma história de contrastes nas categorias Challenge. Nos protótipos, Chris Cumming e Kyle Marcelli, no Oreca FLM09 #8 da BAR1 Motorsports, lideraram praticamente a corrida toda e terminaram com uma vantagem de mais de 20 segundos, após uma corrida em que o resto dos carros sofreram pelo menos um percalço a mais, ficando arredados da luta pela vitória. Destaque para a ‘transferência’ de Colin Braun do PC da CORE Autosport para o Porsche GT da equipa, já que Colin ultrapassou o patrão Jon Bennett na classificação em Baltimore. Com o 3º lugar no CoTA, tanto Braun como Bennett perderam a liderança para Mike Guasch da PR1 Mathiasen Motorsports, que terminou em 2º, após muita luta entre Dane Cameron e Tom Kimber Smith nos últimos minutos da prova.

Em GTC foi uma corrida a dois entre o Porsche 911 GT3 Cup #30 da Momo NGT Motorsport da dupla Henrique Cisneros/Sean Edwards e o Porsche #66 da TRG da dupla Ben Keating/Damien Faulkner. Nas últimas voltas Edwards e Faulkner estavam bastante próximos, e quando o britânico Edwards seguia na frente do Corvette #3 a 6 minutos do fim, levou um ligeiro toque que o empurrou para fora da pista, com o seu Porsche a ficar algo descontrolado e acabar por perder a liderança algumas curvas depois para o irlandês Faulkner. A TRG, que tem tido uma época muito atribulada, regressou assim ao lugar mais alto do pódio. Para Faulkner, “foi basicamente uma batalha do início ao fim com o Sean Edwards no carro #30, e estávamos milhas a frente do 3º classificado. Eu sabia que o Sean estava a ser um pouco mais duro com os pneus, por isso sabia que podia recuperar a desvantagem. Com 20 minutos para o final, comecei a  puxar. Foi uma luta fantástica. Ele envolveu-se com alguns GTs, saiu da pista e eu consegui ultrapassá-lo.”

Jeroen Bleekemolen e Cooper MacNeil no Porsche #22 da Alex Job Racing lideravam o campeonato mas o carro deles sofreu durante a corrida toda e acabaram por terminar em 6º, cedendo a liderança para os homens da Flying Lizard Motorsports, Spencer Pumpelly e Nelson Canache Jr., no Porsche #45, tendo agora estes uma vantagem de apenas 4 pontos sobre Bleekemolen e MacNeil!

Com apenas duas provas por concluir, os títulos em P2, GT, PC e GTC estão por decidir e, muito provavelmente, só na última corrida em Petit Le Mans ficaremos a conhecer os campeões. Antes disso ainda teremos a prova de Virginia a 5 de Outubro.

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Fontes (declarações dos pilotos): comunicados de imprensa do ALMS, Level 5 Motorsports, Extreme Speed Motorsports, Corvette Racing, BMW Team RLL e SRT Viper Motorsports