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World Endurance Championship

Corvette Racing diz-se atenta ao WEC, mas mostra (muito) pouco interesse

por Hugo Ribeiro, 10 de Julho de 2014 Um Comentário

© IMSA

Com o Campeonato do Mundo a gerar cada vez mais interesse, a pergunta era mais do que inevitável: estará ou não a Corvette interessada em alinhar no WEC? Resposta... Nim! Doug Fehan, Project Manager da Corvette Racing, afirma estar atento ao WEC, mas a verdade é que o interesse não é muito...

Porsche, Ferrari, Aston Martin. Três grandes construtores encontram-se envolvidos nas classes GTE no Campeonato Mundial de Resistência, e mais importante, na classe GTE Pro. A Corvette já por lá andou, dando um factual mas envergonhado apoio à Larbre Competition (e na classe GTE Am), mas o que todos querem é ver a equipa de fábrica a lutar contra as suas congéneres europeias na classe rainha do Mundial e de Le Mans. Em entrevista ao site americano Sportscar365.com, Doug Fehan, Project Manager da Corvette Racing, afirma que a marca americana está atenta ao Campeonato Mundial, mas num futuro próximo não vê esta a envolver-se nele.

“Estamos sempre atentos às oportunidades que existam,” afirma Fehan. “Se vejo alguma alteração no futuro próximo? Não. Mas isso significa que temos umas palas relativamente ao que fazemos? Não. Nós olhamos para tudo. Neste momento, para a equipa de fábrica, não está nos nossos planos, a curto prazo, competir no WEC, mas estamos atentos à forma como este se desenvolve. Nunca viramos ou fechamos os olhos a tal. Será sempre uma opção para nós.”

E a palavra chave é mesmo essa: opção.  E a opção parece sempre ser entre competir nos EUA e competir internacionalmente, o que para as marcas americanas, sejamos honestos, não é sequer opção! O mercado nacional é o único que faz sentido para a larga maioria delas, e a verdade é que é mais do que suficiente. À excepção da Ford, a presença de marcas americanas noutros mercados é residual. Recentemente, a Chevrolet (casa-mãe da Corvette) anunciou que iria deixar de comercializar os seus produtos na Europa, e embora o Corvette continue a ser comercializado, mas com vendas anuais a ultrapassarem timidamente as 200 unidades ano, este pouca ou nenhuma concorrência faz aos seus rivais directos — precisamente a Ferrari, Porsche e Aston Martin! Por outro lado, a marca também não parece capaz de basicamente duplicar o seu orçamento de forma a levar os seus carros ao WEC.

Claro que Le Mans é um assunto diferente: os americanos sempre viram a prova com respeito, quanto mais não seja como palco privilegiado para mostrar aos europeus como os seus carros são melhores. Nem sempre assim foi, e na maioria das vezes andou bem longe de assim o ser, mas pelo meio houve momentos épicos como os dos tempos do saudoso Ford GT40. A verdade é que, fora Le Mans, e regra geral no automobilismo, as marcas americanas mostram pouco ou mesmo nenhum interesse (por vezes até algum desdém), porqu qualquer competição que as leve para fora da sua zona de conforto, que são as competições nacionais americanas, não tem grandes repercussões no mercado americano.

As razões são várias e variadas: desde questões culturais (as competições nacionais são vistas como mais importantes do que qualquer campeonato do mundo, e o poder da FIA é nulo ou quase em questões de desporto automóvel), a comerciais (alguns dos construtores não são comercializados fora do continente norte-americano). Certo é que quando algum dos construtores norte-americano faz algo "Mundial", geralmente são as filiais europeias que avançam com os projectos. A última vez que uma marca americana alinhou num Campeonato Mundial de Resistência foi em 1982 pelas mãos da Ford com o Ford C100, que foi uma iniciativa da então chamada Ford Werke AG, a filial alemã da Ford Motor Co.

Mas interesse pelo Corvette C7.R é que parece não faltar. No início desta temporada, a Larbre terá tentando convencer o ACO a permitir a participação de um deste chassis na classe GTE Am. Diz-se que o ACO não terá permitido — a classe GTE Am só permite modelos com pelo menos um ano de vida — mas o problema terá sido mesmo o facto da Corvette não se encontrar disponível para dar o apoio de fábrica que a estrutura de Jack Leconte pretendia, e que levou esta a optar por nem sequer alinhar o C6.R. Na entrevista, é referido ainda o potencial interesse em fazer alinhar o C7.R na classe GTE Pro no WEC em 2015 (uma equipa privada, seguramente), mas o que os fãs pretendem mesmo é ver a Corvette (e porque não a Viper também) a lutar de igual para igual com as marcas europeias no palco mundial. Haveria tira-teimas mas perfeito do que este? Ir a Le Mans uma vez por ano não nos parece suficiente para mostrar a excelência dos construtores norte-americanos (ou lutar com as  filiais norte-americanas das marcas europeias no USCC), por muito que Le Mans seja a prova mais importante do mundo de resistência.

Fonte (citação): Sportscar365.com