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Chip Ganassi vence as 24 horas de Daytona — João Barbosa foi segundo

por Andrew Remedios, 27 de Janeiro de 2015 2 Comentários

© IMSA

As 24 horas Rolex de Daytona foram uma corrida renhida desde o primeiro minuto, com a Chip Ganassi Racing a vencer após uma luta feroz com a Wayne Taylor Racing e a Action Express Racing de João Barbosa. O português acabou por terminar em segundo lugar após um pequeno percalço a meio da corrida. Os três outros portugueses tiveram corridas difíceis, com Filipe Albuquerque a desistir e Pedro Lamy e Rui Águas a fazerem corridas de trás para a frente terminando em 6º e 4º nas respectivas categorias.

João Barbosa arrancou da segunda fila da grelha no Corvette DP #5 da Action Express Racing (AER) e durante as primeiras horas esteve sempre entre os primeiros num grupo de cinco a oito protótipos. Embora o Ligier JS P2 #60 da Michael Shank Racing tenha dominado todos os treinos, viu-se rapidamente suplantado pelos dois Riley FordEcoboost de Chip Ganassi Racing e acabou por ficar um pouco à margem da liderança, mas sempre entre os primeiros lugares. Por seu lado, os dois Riley da Ganassi e o outro Corvette DP #10 da Wayne Taylor Racing foram uma presença constante nas primeiras posições do princípio ao fim. O Corvette DP #5 da AER chegou a liderar a prova à 8ª hora quando o francês Sébastien Bourdais ia ao volante, mas pouco depois parou em pista e perdeu mais de 3 voltas nas boxes para reparar um conector partido entre o depósito de combustível e o motor.

Com a queda da Action Express Racing para o 7º lugar, a luta na frente ficou assim reduzida a três carros - o DP da Wayne Taylor Racing e os dois DP da Chip Ganassi Racing - durante boa parte da prova. Mas como cada incidente no USCC obriga a uma neutralização de corrida, Barbosa e companhia aproveitaram esses momentos, e os infortúnios dos seus adversários à frente, para se reaproximar da liderança. Assim, a 6 horas e meia do fim da corrida, foi com o português ao volante que o Corvette DP #5 voltou à mesma volta em que seguiam os três primeiros, vendo-se mesmo, pouco depois, na frente da corrida graças a paragens nas boxes desalinhadas. A partir daí foi uma luta de titãs entre os dois Corvette DP (#5 da AER e #10 da Wayne Taylor Racing) e os dois Riley FordEcoBoost (#01 e #02, ambos da Ganassi Racing).

Entretanto, o #01 da Ganassi perderia terreno com problemas na transmissão. E enquanto Jordan Taylor, no Corvette DP #10, se revelava bastante forte, um pequeno erro do brasileiro Christian Fittipaldi estragou ligeiramente os pneus do Corvette DP #5 no seu último turno, levando-o a cair para 3º e a perder mais de 20 segundos. A decisão de Wayne Taylor em deixar Jordan no carro nas últimas horas acabaria por se revelar mal calculada, pois a equipa viu-se forçada a trazer o Corvette #10 para as boxes a 10 minutos do fim, na última neutralização, quando lideravam a prova, a fim de evitar uma infracção às regras. Com Bourdais a herdar o 2º lugar, mas separado de Scott Dixon no Riley #02 por dois protótipos, a 7 minutos do fim, restava pouco tempo para o francês alcançar o neozelandês num DP já sem grande fôlego. Assim, a Chip Ganassi regressou ao mais alto grau do pódio de Daytona desde a sua última vitória em 2013, conquistando o seu sexto triunfo na Florida.

Para João Barbosa, ficar a menos de 2 segundos da vitória pode deixar um sabor amargo, mas tendo em conta que chegou a estar a 3 voltas dos líderes a meio da prova, o resultado acaba por ser bastante positivo, desde logo para as contas do campeonato. “Foi um fim de semana que terminou com um resultado muito positivo,” afirmou João Barbosa em exclusivo ao Le Mans Portugal “Tivemos sempre alguma dificuldade em encontrar o setup ideal, o carro esteve sempre com a traseira muito solta e com falta de tracção, não sendo muito confortável para uma corrida 24H. Apesar de tudo, conseguimos sempre estar entre os primeiros até que tivemos um problema com a pressão da gasolina e perdemos três voltas. Foi nesta altura que realmente vimos uma equipa vencedora em acção. Assim que o Corvette chegou à garagem para reparação, a equipa encontrou logo o problema, e regressámos à pista com o objectivo de recuperar o terreno perdido. Estava a ser difícil, pois passaram-se várias horas e não o conseguíamos fazer. O campeonato está muito competitivo e é cada vez mais difícil recuperar estas desvantagens.

De qualquer maneira, acreditámos sempre e, com uma excelente estratégia, conseguimos regressar à volta do vencedor e discutir a liderança durante várias horas. Chegamos a liderar uma boa parte da manhã mas faltava-nos a velocidade pura dos nossos adversários, mas sempre pensámos que seria possível um bom resultado. Num final, já típico, das 24H de Daytona tudo se iria decidir nos últimos minutos. Tivemos um "presente" da WTR e alcançamos o 2º lugar final. Temos que agora melhorar até Sebring. Para já, conseguimos sair de Daytona na liderança do campeonato, pois o #02 não irá participar em todas as corridas e isso foi muito positivo. Apesar de termos um carro não tão competitivo como o ano passado conseguimos um excelente 2º lugar e isso é um grande mérito do trabalho da equipa!”

 

© Action Express Racing

© Action Express Racing

Os P2 tiveram uma corrida pouco afortunada. O Ligier #57 da Krohn Racing chegou a estar entre os seis primeiros mas desistiu à 6ª hora com problemas de pressão de óleo. Por seu lado, o Ligier #60 da Michael Shank, que liderou todas as sessões de treinos e partiu da pole, manteve-se entre os cinco primeiros ao longo da primeira metade da corrida, mas as muitas neutralizações e o problema do aquecimento dos pneus Continental nos mais leves P2, não ajudaram  o protótipo francês a alcançar o seu potencial máximo. Foi durante a noite que o Ligier ficou afastado da luta pela vitória quando, num dos arranques com pneus frios, John Pew perdeu o controlo e bateu na barreira de pneus da curva 3, perdendo algumas voltas com a subsequente passagem pelos boxes. O momento alto do resto da prova acabaria por ser a realização, por AJ Allmendiner, da volta mais rápida da corrida nas primeiras horas da manhã. Um problema com a suspensão a quatro horas do fim atirou finalmente a equipa para o 6º lugar em que terminou.

Referência positiva para duas outras equipas. A evolução do protótipo diesel da Mazda desde o 'Rugido' tem sido notória e, apesar de acabar por abandonar antes do meio da prova, chegou a liderar a corrida através do #07, um feito inédito em Daytona para a Mazda e para um protótipo de motor a diesel. Por seu lado, o DeltaWing abandonou depois de duas horas com problemas de transmissão - algo que já tinha afectado o protótipo nos últimos treinos - tendo-se mantido até esse momento na luta pelos primeiros lugares com os P2 e os DP.

© IMSA

© IMSA

Na GTLM, foi uma questão de sobrevivência, com apenas dois carros a terminar a prova na mesma volta. O português Pedro Lamy e o Aston Martin Vantage #98 tiveram uma prova para esquecer. Lamy foi o primeiro em pista e, embora tenha feito um bom arranque, acabou por não conseguir acompanhar o ritmo, caindo rapidamente para os últimos lugares da categoria. Mas foi no turno de Paul Dalla Lana, com duas horas da prova, que a corrida ficou feia para a equipa. O canadiano fez um pião e o Vantage ficou parado em pista, só tendo conseguido chegar às boxes num reboque, acabando por perder mais de 6 horas a tentar reparar a embraiagem danificada. Voltou à pista sem grandes esperanças e ainda teve mais alguns pequenos problemas, resignando-se a um 6º lugar final só possível pelo elevado número de desistências na categoria.

“Não foi um fim-de-semana fácil. Logo na fase inicial da corrida tivemos problemas mecânicos e ficámos arredados da luta pela vitória da prova. Contudo, foi um bom teste para a restante temporada que promete ser bastante competitiva. Apesar de termos perdido muito tempo nas boxes, a equipa conseguiu reparar o carro, conseguimos regressar à pista e concluímos a prova. Não foi o resultado desejado, mas sim o possível,” afirmou Pedro Lamy.

Em relação à luta pela vitória, e como sempre no arranque da corrida, a categoria mostrava-se bastante competitiva. O Ferrari F458 Italia #51 da AF Corse foi o primeiro líder e o outro Ferrari da Risi Competizione também marcou presença na frente do pelotão, mas tanto um como o outro acabaram por abandonar. Foi entre a 8ª e 11ª horas que a corrida deu uma reviravolta. Primeiro o Ferrari #51 envolveu-se com o Aston Martin GTD e ficou fora de prova. Duas horas depois, esse mesmo Aston Martin foi o epicentro da queda dos dois Porsche 911 GT3 RSR da Porsche North America que circulavam nos lugares cimeiros até então. Ao mesmo tempo, o líder à 10ª hora, o Ferrari #62 da Risi foi para as boxes com uma perda de potência que a equipa nunca conseguiu resolver , acabando por abandonar por motivos eléctricos.

A discussão ficou assim entregue aos dois Corvette C7.R, ao Porsche 911 #17 da Falken Tire e ao BMW Z4 GTE #25 da BMW Team RLL. As seis horas seguintes foram um constante rodopio entre estes quatro GT até que o Porsche #17 saiu de pista devido a um problema com a transmissão. Pouco depois foi a vez do Corvette #4 bater num DP no arranque após mais uma neutralização, e voltou a fazer o mesmo a três horas do fim, danificando bastante a parte de frente do carro e perdendo quatro voltas nas boxes. O caminho ficava assim livre para o Corvette #3 conduzido por António Garcia, que tinha aberto uma confortável vantagem sobre o BMW #25 de Dirk Werner, mas a neutralização a 10 minutos do fim permitiu ao alemão colar o seu BMW ao Corvette. O espanhol defendeu-se nas últimas voltas para dar a vitória ao conjunto da Pratt & Miller com uma vantagem de apenas 0.478 segundos.

Na PC e na GTD, tanto Filipe Albuquerque como Rui Águas tiveram problemas. Em relação a Albuquerque e à equipa Starworks, o Oreca FLM09 #8 foi uma presença assídua na frente, chagando a liderar à 8ª hora, mas pouco depois da 9ª hora parou nas boxes, com problemas de motor, para não mais voltar à pista. "Foi uma pena o que aconteceu. Tivemos um início complicado mas já estava tudo no bom caminho quando fomos obrigados a desistir. Da minha parte fica o sentimento de dever cumprido, fiz tudo o que estava ao meu alcance em pista. Este resultado fica longe da vitória que ambicionava mas valeu uma vez mais pela experiência e por poder participar numa prova tão especial. Um obrigado especial ao dono da Starworks, Peter Baron, pelo convite. Fica agora o desejo de regressar a Daytona já no próximo ano", comentou Filipe Albuquerque.

Por seu lado, Rui Águas e o Ferrari 458 Italia #49 da AF Corse lideraram durante a 3ª hora quando o português nascido em Moçambique ia ao volante, mas ainda antes da 5ª hora a equipa perdeu muito tempo nas boxes devido também a problemas no motor, tendo voltado à pista com um atraso de 13 voltas para os líderes. Graças a voltas bastante rápidas, incluindo a volta mais rápida da corrida, a algumas desistências à sua frente e às neutralizações de corrida, a equipa ainda conseguiu terminar no 4º lugar a uma volta do pódio e a três da vitória. Depois dos problemas que tiveram, foi certamente notável o resultado, para o qual muito contribuiu o português e os seus dois colegas, pilotos habitualmente bastante velozes ao volante de carros da marca de Maranello, o irlandês Matt Griffin e o italiano Michele Rugolo.

O United Sportscar Championship faz agora um interregno de dois meses até à prova de 12 horas de Sebring.

P.ºN.Cl.EquipaChassis / MotorVLTDif.P.º CL.
1.º02PChip Ganassi RacingRiley DP Ford740(24h00:57.667)[ 1.º ]
2.º5PAction Express Racing [ Barbosa ]Corvette DP740+1.333[ 2.º ]
3.º10PWayne Taylor Racing Corvette DP740+1:07.074[ 3.º ]
4.º90PVisitFlorida.com RacingCorvette DP734-6 voltas[ 4.º ]
5.º3GTLMCorvette RacingChevrolet Corvette C7.R725-15 voltas[ 1.º ]
6.º25GTLMBMW Team RLLBMW Z4 GTE725-15 voltas[ 2.º ]
7.º31PAction Express RacingCorvette DP721-19 voltas[ 5.º ]
8.º4GTLMCorvette RacingChevrolet Corvette C7.R718-22 voltas[ 3.º ]
9.º52PCPR1/Mathiasen MotorsportsORECA FLM09714-26 voltas[ 1.º ]
10.º16PCBAR1 MotorsportsORECA FLM09713-27 voltas[ 2.º ]
11.º60PMichael Shank RacingLigier JS PS2705-35 voltas[ 6.º ]
12.º54PCCORE autosportORECA FLM09704-36 voltas[ 3.º ]
13.º93GTDRiley MotorsportsDodge Viper SRT704-36 voltas[ 1.º ]
14.º22GTDAlex Job RacingPorsche 911 GT America 704-36 voltas[ 2.º ]
15.º58GTDWright MotorsportsPorsche 911 GT America 702-38 voltas[ 3.º ]
16.º24GTLMBMW Team RLLBMW Z4 GTE701-39 voltas[ 4.º ]
17.º85PCJDC/Miller MotorsportsORECA FLM09701-39 voltas[ 4.º ]
18.º49GTDAF Corse [ Águas ]Ferrari 458 Italia701-39 voltas[ 4.º ]
19.º48GTDPaul Miller RacingAudi R8 LMS695-45 voltas[ 5.º ]
20.º63GTDScuderia CorsaFerrari 458 Italia691-49 voltas[ 6.º ]
21.º81GTDGB AutosportPorsche 911 GT America 687-53 voltas[ 7.º ]
22.º009GTDTRG-AMRAston Martin V12 Vantage678-62 voltas[ 8.º ]
23.º33GTDRiley MotorsportsDodge Viper SRT674-66 voltas[ 9.º ]
24.º45GTDFlying Lizard MotorsportsAudi R8 LMS670-70 voltas[ 10.º ]
25.º01PChip Ganassi RacingRiley DP669-71 voltas[ 7.º ]
26.º66PRG RacingRiley DP644-96 voltas[ 8.º ]
27.º911GTLMPorsche North AmericaPorsche 911 RSR640-100 voltas[ 5.º ]
28.º98GTLMAston Martin Racing [ Lamy ]Aston Martin Vantage V8632-108 voltas[ 6.º ]
29.º44GTDMagnus Racing Porsche 911 GT America 616-124 voltas[ 11.º ]
30.º97GTDTurner MotorsportBMW Z4604-136 voltas[ 12.º ]
31.º007GTDTRG-AMRAston Martin V12 Vantage593-147 voltas[ 13.º ]
32.º50PHighway To HelpRiley DP590-150 voltas[ 9.º ]
33.º912GTLMPorsche North AmericaPorsche 911 RSR581-159 voltas[ 7.º ]
34.º64GTDScuderia CorsaFerrari 458 Italia545-195 voltas[ 14.º ]
35.º18GTDMühlner Motorsports AmericaPorsche 911 GT America 539-201 voltas[ 15.º ]
36.º11PCRSR RacingORECA FLM09535-205 voltas[ 5.º ]
37.º73GTDPark Place MotorsportsPorsche 911 GT America 532-208 voltas[ 16.º ]
38.º17GTLMTeam Falken TirePorsche 911 RSR530-210 voltas[ 8.º ]
39.º7PStarworks MotorsportRiley DP426-314 voltas[ 10.º ]
40.º19GTDMühlner Motorsports AmericaPorsche 911 GT America 414-326 voltas[ 17.º ]
41.º1PTequila Patron ESMHonda HPD ARX389-351 voltas[ 11.º ]
42.º61PCBAR1 MotorsportsORECA FLM09361-379 voltas[ 6.º ]
43.º07PSpeedSource Mazda348-392 voltas[ 12.º ]
44.º62GTLMRisi CompetizioneFerrari F458 Italia310-430 voltas[ 9.º ]
45.º8PCStarworks Motorsport [ Albuquerque ]ORECA FLM09299-441 voltas[ 7.º ]
46.º38PCPerformance Tech MotorsportsORECA FLM09238-502 voltas[ 8.º ]
47.º23GTDTeam Seattle/Alex Job RacingPorsche 911 GT America 233-507 voltas[ 18.º ]
48.º51GTLMAF CorseFerrari F458 Italia211-529 voltas[ 10.º ]
49.º70PSpeedSourceMazda198-542 voltas[ 13.º ]
50.º28GTDKonrad MotorsportPorsche 911 GT America 176-564 voltas[ 19.º ]
51.º57PKrohn RacingLigier JS PS2172-568 voltas[ 14.º ]
52.º2PTequila Patron ESMHonda HPD ARX49-691 voltas[ 15.º ]
53.º0PDeltaWing RacingDeltaWing DWC1342-698 voltas[ 16.º ]

Fonte (citações de Lamy e Albuquerque): Comunicados de Imprensa dos pilotos Pedro Lamy e Filipe Albuquerque