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Breves do Mundo Le Mans…
por Hugo Ribeiro, 31 de Agosto de 2010 6 Comentários

IMAGEM: Arash Racing
Participação obrigatória em todas as provas do ILMC
Numa entrevista ao site francês endurance-info.com, o Presidente do ACO Jean-Claude Plassart revelou que as equipas que em 2011 pretendam participar no Intercontinental Le Mans Cup, que incluirá como jóia da coroa as 24 Horas de Le Mans, terão de participar obrigatoriamente em todas as provas, como aliás acontece com os Campeonatos do Mundo de F1 ou GT1, sob chancela FIA, pois esta poderá ser a condição necessária para o ACO suportar parte das despesas de deslocação pelos 3 continentes que receberão corridas daquele campeonato.
Mas as novidades não se ficam por aqui. O ACO está também ciente das criticas ao actual modelo de de transmissão TV, e com os contratos a terminarem este ano, a situação será revista para o LMS e ILMC. Tanto as equipas como os fãs exigem mais tempo de corrida em directo, e é desejo do ACO ir nesse sentido, não esquecendo também outros formatos tipo magazine. Certo parece ser que a Eurosport não irá continuar a deter os direitos, a acreditar nas palavras de Plassart quando este afirma que irão mudar de "prestador".
Desafiado a comentar as declarações de Patrick Peter da LMEO, que há cerca de um mês defendeu o fim das equipas oficiais no LMS, Plassart deixou claro que os pilares do LMS assentam num conceito de corridas disputadas entre grandes construtores e as melhores equipas privadas…
Em estudo está ainda o novo formato de entrada nas 24 Horas de Le Mans, pois com estas a pertencerem agora a um campeonato regular, e com o fim da classe GT1 assim como da ligação com o FIA GT, o sistema de atribuição de convites de entrada directa nas 24 Horas de Le Mans terá de ser revisto.
Fonte: Endurance-info.com (em francês)
ALMS em queda livre…
Segundo insistentes rumores que correm nos EUA, a Dyson Racing estará a preparar-se para mudar de ares e apresentar-se na Grand-Am Sports Car Series no próximo ano.
A relação com a Mazda estará pelas 'horas da morte', pois mesmo tendo a equipa — finalmente — vencido este ano, a falta de competitividade do motor Mazda é mais que evidente. Por outro lado, não parece haver por parte do construtor japonês alguma vontade em manter-se no activo nos protótipos. E, para completar o ramalhete, temos o principal patrocinador da Dyson, a BP, com a sua imagem tão suja quanto ficou a costa no golfo do México após o gigantesco derrame causado por um acidente numa das suas torres de exploração marítimas...
Com tudo isto, crescem também as críticas ao modelo do ALMS (sobretudo à obediência aos regulamentos do ACO), havendo quem clame por uma guerra aberta entre IMSA e ACO para ver quem atrai mais construtores. O Intercontinental Le Mans Cup é mal amado e visto como uma forma do ACO destruir o sucesso do ALMS, e há mesmo quem defenda o cortar de amarras com a IMSA a seguir uma caminho diferente.
Certo parece o risco de o ALMS ter ainda menos LMP em 2011 do que teve este ano.
Mais um construtor a caminho de Le Mans?
Chama-se Arash Motor Company Limited, um nome muito pouco conhecido de uma empresa que desde 2003 constrói veículos super-desportivos, como o Arash GT ou, mais recentemente, o Arash AF-10.
Propriedade do empresário inglês de origem iraniana Arash Farboud, este pequeno construtor independente de GTs afirma pretender aventurar-se em Le Mans, tendo anunciado no seu site a intenção de montar em programa LMP1 para 2011. Mas, embora tratando-se de um construtor automóvel, mesmo que pequeno, a Arash não pretende construir um LMP mas sim usar um disponível no mercado, tendo Farboud, em curtíssimas declarações ao site francês endurance-info.com, afirmado que a escolha do construtor não se encontra ainda feita - apesar de as imagens fornecidas revelarem um Lola B11 coupe... - estando apenas fechada uma parceria com a Judd.
Projecto sério ou golpe publicitário?
Fonte: Endurance-info.com (em francês)
Dome dá por encerrado o projecto 102S coupe
Foi, muito provavelmente, o mais bonito LMP1 coupe construído até hoje, tendo dado provas de que, com o financiamento correcto, seria um adversário a temer, mas após tantos avanços e recuos e perante o facto de nenhum construtor japonês ter alinhado na aventura, a Dome Co. Ltd. decidiu dar por encerrado o dossier LMP1.
Num texto (em japonês) publicado no seu site oficial, a Dome faz um apanhado da sua história em Le Mans, desde a primeira participação em 1979, com o Dome Zero RL, passando pela associação com a Toyota durante os anos 80, e terminando com o 102s, que será finalmente colocado num museu. Apesar de cancelado o projecto LMP, a Dome deixou no entanto a porta aberta a qualquer construtor que esteja interessado em desenvolver um protótipo para as 24 Horas de Le Mans.
Fonte: Comunicado de Imprensa da Dome Co. Ltd.
Oreca coloca LMP próprio em hibernação e aposta tudo na Peugeot
Em entrevista concedida ao site endurance-series.com, Hugues de Chaunac, Presidente do Grupo Oreca, revelou que o projecto Oreca 02 foi colocado em hibernação. Para Chaunac, a Oreca não tem ainda condições financeiras para investir no desenvolvimento de um protótipo vencedor, pelo que a prioridade passa pela ligação a um construtor, nomeadamente a Peugeot.
Embora não queira dar o projecto para o novo LMP como definitivamente fechado, a Oreca está já a negociar com a Peugeot o que poderá ser certamente a aquisição de um dos novos 90X.
De momento, também um pouco parado está o projecto de desenvolvimento de um LMP2 'low-cost', o qual no entanto é mesmo para avançar e será baseado no Oreca 01, tendo Chaunac afirmado ainda que se encontra em desenvolvimento um kit de adaptação dos actuais Oreca FLM09 à classe P2.
Definitivamente posta de parte está a participação na edição deste ano, a primeira, do ILMC.
Fonte: Endurance-series.com (em francês)
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Entretanto a Dyson já confirmou a sua participação no ALMS em 2011 com o apoio da Mazda. Até porque os actuais LMP2 serão os LMP1 a partir de 2011.
Fico triste com a noticia da Drayson abandonar a ALMS mais uma equipe indo assim como foi Audi, Penske, Acura. Se continuar assim só irá sobrar o Lola B06 de Jon Fiel para contar história
Se acontece de um rompimento entre ACO e IMSA o que acho difícil muitas outras equipes irão abandonar a ALMS ou em últimos casos a ACO fazer um campeonato paralelo. Vamos aguardar.
E eu fico curioso por ver o que é que a IMSA, em caso de rompimento com o ACO, terá para oferecer em alternativa ao Grand-Am.
Muita pena minha o fim do projecto do Dome…não sei que valores pedia a Dome, mas o carro tinha pontencial, mais que os Lola, e foi pena. Talvez a Aston teria tido melhor sorte com eles.
Quando às marcas oficiais versus privados, esse discurso é bonito, mas existe um ponto que muita gente esquece. as “marcas” que fizeram historia em Le Mans eram no fundo construtores como Porsche, Ferrari, Jaguar, Bentley, ou seja, pequenos contrutores com produções minimas mas com muita paixão pela competição. Uma boa estrutura privada competir com uma “marca” destas não é o mesmo que pedir à mesma estrutura para competir com “colossos” como o grupo VW ou PSA. Os níveis financeiros e humanos são incomparáveis, e foi por isso que nunca acreditei que a disparidade do regulamento gasolina vs diesel fosse resolvido apenas com recurso a dinheiro. A verdade é que mesmo uma “marca” de antigamente não passaria de uma estrutura semi oficial quando comparada com estes gigantes da industria.
Não digo não às equipas oficiais, mas é preciso ter muito cuidado com os regulamentos, para estes não favorecerem demais o recurso a tecnologias caras e inacessiveis aos mais pequenos.
O problema da Dome terá sido o mesmo de Ícaro – querer voar sem condições apropriadas… E é o mesmo dos pequenos construtores: sonham (e ainda bem) imiscuir-se entre os grandes, na esperança de que alguém lhe dê depois a mão (leia-se, bons patrocínios ou ligação a um grande construtor), investindo tudo o que tem (e muito que não têm…), mas depois não aparece ninguém (ou os que aparecem acabam por não cumprir) e, mais tarde ou mais cedo, as contas por pagar tornam o sonho impossível… Isto não sou eu que o digo, é apenas um brevíssimo resumo do que o próprio Minoru Hayashi revela numa longa missiva (11 páginas!) a que deu o sugestivo título de “Um longo caminho até Le Mans” (e que a falta de tempo me tem impedido de traduzir).
O ‘problema’ dos grandes construtores é que não estão para se sujeitar a regras como as do FIAGT1, que é a única forma (aparte, claro, os troféus, mais ou menos, monomarca…) que eu vejo capaz de garantir o mínimo de competitividade ao maior número possível de equipas. E não havendo uma ‘mão forte’ regulamentar, que imponha regras claras doa a quem doer (mas tenha depois contrapartidas para dar – veja-se a promoção que o FIAGT1 se faz a si próprio, nomeadamente no seu site, e compare-se com o LMS…), acaba por mandar quem tem meio$ para isso…
Já se sabia que o ALMS ia sentir os calos apertados pelo ILMC e iria acusar a tentativa de roubo de protagonismo.
Além disso, a saída gradual das equipas oficiais, os regulamentos nos protótipos que não favorecem particularmente os motores típicos da indústria automóvel americano e a “suposta” vassalagem a um organismo europeu (ACO) deixava adivinhar uma rotura a médio prazo, tal como aconteceu com o Grand-Am no passado, com a IMSA a definir os seus próprios regulamentos.
Será negativo, pois já actualmente as 24h de Le Mans não atraem as equipas americanas com convites nas classes de protótipos, não havendo regulamentos iguais (ou quase) não faz sentido haver convites nem as próprias equipas estarão em condições de competir.
A Mazda já se sabia não ter motor para estas andanças, só assim se explica aceitarem “pagar” à OAK para correr com motor Judd!!! Depois o Lola-Coupe é um carro extremamente caro para correr, em 2011 o seu custo limitará o seu à classe LMP1, pelo que a Dyson procura outras andanças sem parceiros para financiar a cara aventura.
Uma última palavra para a Dome, um bom projecto que não teve o apoio merecido por nenhum construtor. É com muito pena, mas concerteza ouviremos falar da Dome em breve.