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2 de Junho de 2010

Benoit Treluyer: 24 questões para 24 Horas

Depois de ter assinado com a Audi Sport durante o Inverno, Benoît Treluyer está no limiar da suam melhor experiência de sempre em La Sarthe. Antes de se sentar ao volante do protótipo Audi R15 TDI na tentativa de acrescentar uma vitória na maior corrida de automóveis do mundo ao seu currículo, Treluyer fala-nos das 'suas' 24 Horas...

1. Primeira memória das 24 Horas?

A vitória do Mazda 787B com motor rotativo, em 1991! Eu tinha 15 anos e lembro-me de ficar fascinado a ver os carros passarem sob a ponte Dunlop. Foi nesse momento que a minha paixão por Le Mans se acendeu.

2. Primeira participação?

Em 2002, no Dodge Viper da ‘Equipe de France/FFSA’ D, inscrito pela Oreca. Os meus companheiros de equipoa eram o Jean-Philippe Belloc e o Jonathan Cochet.  Julgo ter conduzido nesse ano mais de 11 horas porque o Jonathan teve problemas por causa do calor no cockpit. Acabamos no terceiro lugar da classe.

3. A melhor recordação como piloto?

Também em 2002 e na última volta com o Viper. Acabei as minhas primeiras ’24 Horas’  com o sentimento de ter feito um bom trabalho. Os comissários a acenarem as bandeiras e o público a começar a invadir a pista são imagens que se fixaram na minha mente e memórias que têm estado sempre comigo.

4. O pior momento como piloto?

O ano passado, com o Peugeot 908 HDi FAP! Pouco depois da 4 da madrugada, e tendo acabado de ascender ao quarto lugar apenas atrás dos carros de fábrica, o carro fugiu de lado, repentinamente, e foi bater violentamente nas barreiras de pneus, nos esses de Tertre Rouge esses. Foi a primeira vez que não vi a bandeira de xadrez em Le Mans.

5. Alençon, a tua cidade natal, não é muito longe?

Não quero colocar-me sob qualquer pressão adicional mas, sim, é uma sensação óptima correr tão perto de casa. Para quem, como eu, passa tanto tempo longe de casa, no Japão, quando vejo os meus amigos de infância a prepararem-se para irem para a corrida, é muito especial. E a minha família também vai lá estar.

6. Henri Pescarolo?

É o ‘Mr Le Mans’ mas, mais do que isso, Henri é também uma das maiores personalidades do desporto automóvel, ponto final. Ele ensinou-me imenso e permitiu-me viver momentos de rara intensidade na minha carreira. Este ano vou ter o Dr. Ullrich no muro das boxes. É outro 'gigante' das corridas e tenho aprendido sempre mais um pouco sobre ele de cada vez que o encontro.

7. Objectivos para 2010?

Assegurar uma vitória da Audi! Temos um carro muito competitivo, um bom alinhamento de pilotos com o André Lotterer, o Marcel Fassler ae eu, e ainda mais motivação que nunca. Kristensen, McNish e Capello tem uma história e uma experiência muito mais ricas que nós em Le Mans e com a Audi, mas nós temos a frescura de uma nova parceria!

8. Preparativos para 2010?

Os melhores que já tive! Esta é a primiera vez que tenho a possibilidade de me preparar para a prova desde Janeiro. Geralmente, nessa altura do ano ainda nem sei se estarei em Le Mans. Nos anos anteriores, a minha participação apenas foi acordada um mês antes da prova.

9. A semana de Le Mans?

Começa no sábado, uma semana antes da prova, quando te mudas para os aposentos  onde irás dormir e gauradr os teus objectos pessoais. Tudo tem de estar perfeitamente organizado de forma a que nada te distraia dos teus objectivos finais.

10. O pontapé de saída?

Diria que são as verificações técnicas, na praça dos Jacobinos. É o nosso primeiro contacto com o público e é também o momento em dizes para ti próprio 'é agora, já começou'.

11. Primeiro contacto com o Audi?

Através de uma jornalista amiga que não compreendia como é que ninguém tinha ainda pensado em contratar alguém como o André Lotterer ou eu para correr na Europa. Ela tanto chateou o pessoal da Audi que eles acabaram por finalmente nos oferecerem um teste no, há dois anos, mas eu não pude participar por causa de compromissos com a Nissan. Mas no final do ano passado voltaram a contactar-nos para falarmos sobre Le Mans.

12. Primeiro encontro com a equipa?

Foi um bocado stressante, porque eu queria fazer tudo bem, mas rapidamente comecei a acalmar. A atmosfera é muito profissional mas também relaxada. Não havia pressão e era tudo muito claro e preciso. O objectivo desses primeiros três dias era aprender tudo sobre o carro e a equipa sem complicações.

13. Qualidades do Audi R15 TDI?

É fácil de conduzir, confortável no cockpit e o painel de comandos não tem nada de complicado. Tudo está desenhado a pensar no piloto de forma a que ele relaxe e dê o seu máximo. O motor é fantástico e o carro é muito eficiente em termos aerodinâmicos, o que é muito importante para a performance.

14. Le Mans ainda é uma corrida de endurance?

Claro! Mesmo que o ritmo seja elevado, ainda penso que as questões de resistência são as mais importantes, como ficou provado o ano passado quando o carro vencedor não foi o mais rápido dos  Peugeot. Tens de te manter vigilante com o tráfego e evitar acidentes que podem acontecer a qualquer momento numa prova tão longa. Também tens de ser rápido sem puxar o equipamento até aos seus limites e manter ainda a lucidez ao longo da prova!

15. A recta de Mulsanne?

Nunca corri na recta antiga! Deveria ser bem longa. Hoje, com as chicanes, o desafio já não é o mesmo, mas quando sais de Tertre Rouge, a recta abre-se à tua frente e ainda consegue dar uma sensação incrível.

16. A maior preocupação?

Um toque com outro carro. Com os GTs, isso pode acontecer muito depressa.

17. Chuva ou sol?

Sol, sem dúvida nenhuma! À chuva, e com as velocidades que atingimos num protótipo, nunca é muito agradável. Geralmente, não me incomoda correr à chuva, mas em Le Mans prefiro fazê-lo com sol.

18. A melhor parte da corrida?

Adoro a altura do pôr do sol. As horas de penumbra, ou como dizemos em francês, ‘entre chien et loup’ – entre cão e lobo! Acontecem sempre coisas espantosas nessa altura e conseguimos ver as pessoas a abandonar o circuito, dando-nos a percepção de que as coisas estão a mudar.

19. Dormir?

Fora do carro, essa é a nossa maior preocupação: ter de dormir! É por isso que prefiro turnos longos, porque depois tens tempo para fazer as coisas correctamente - comer bem, verificar o físico, dormir e depois acordar calmamente. Quando tens apenas três horas entre dois turnos nem sequer uma hora consegues dormir.

20. Perseguir ou ser perseguido?

A primeira posição é sempre a melhor! Não consegues controlar melhor a corrida que não seja da primeira posição. Além do mais, ser perseguido significa que está a andar mais rápido.

21. Relações com os colegas de equipa?

Temos de agir como um só! Se a comunicação entre pilotos não for boa, então a informação que vai passar à equipa e aos engenheiros será menos rigorosa. Bas que um piloto altere o equilíbrio de travagem sem dizer nada a ninguém para que o piloto seguinte acabe na gravilha da primeira curva do seu turno. Tem de haver uma comunicação perfeita e uma confiança absoluta entre colegas de equipa. Senão, não funciona.

22. Pit stops?

Podes perder entre 7 a 19 segundos num mau pit stop. Numa corrida normal não é nada, mas em Le Mans pode levar um turno, ou mais, a recuperar em pista esse tempo. As 24 Hours também se ganham nas paragens!

23. Arranque ou chegada?

Nunca fiz o arranque da prova, por isso acho que diria chegada. A chegada também é muito importante, do ponto de vista emocional. Estas stressado no arranque mas feliz na chegada. Hoje em dia a corrida acaba demasiado depressa depois da bandeira de xadrez. Antigamente costumávamos fazer uma volta de honra completa. Era um momento fantástico para os pilotos, mas hoje em dia temos logo de parquear o carro assim que cruzamos a meta.

24. O pódio?

Em Le Mans o pódio adequa-se ao tamanho massivo da prova! É também o lugar onde quero estar às 3 da tarde de 13 de Junho.

Benoit Treluyer nos 1000 Km de Spa 2010. IMAGEM: Audi Motorsport

Fonte: comunicado de imprensa do piloto Benoit Treluyer

1 comentários até ao momento...
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  1. GREG G diz:

    Obrigado por mais esta excelente entrevista que mais uma vez partilham de bom grado com todos, curiosa a expressão usada para definir penumbra, que desconhecia, estamos sempre a aprender e reconhece-lo nunca ficou mal a ninguém. Salut les copains e já mandei mensagem de apoio ao grande Pescarolo que juntamente com Ickx, Kristensen e o malogrado Jean Rondeau considero ser um dos Mr. Le Mans. SDS SPORT!

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