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USCC / 12H Sebring: Rescaldo

Barbosa regressa às vitórias com um grande desempenho da equipa Action Express Racing

por Andrew Remedios, 23 de Março de 2015 Sem Comentários

© José Mário Dias

As 12 horas de Sebring foram dominadas pela Action Express Racing e João Barbosa, que vingaram o desaire em Daytona da melhor forma: com uma contundente vitória sobre tudo e todos. A vitória foi também a primeira da Chevrolet nesta pista em 50 anos e o primeiro triunfo de um português em Sebring. A Corvette Racing bisou nas provas de resistência em GTLM, enquanto Pedro Lamy e Aston Martin foram infelizes, tal como Rui Águas e a AF Corse em GTD.

PROTÓTIPOS: BARBOSA E ACTION EXPRESS DOMINAM A CONCORRÊNCIA

Durante os treinos livres e cronometrados parecia que os P2 tinham a vantagem para esta prova, com os Ligier JS P2 a liderarem quatro das cinco sessões e a serem os mais rápidos em absoluto, incluindo a conquista da pole position por parte do francês Olivier Pla no Ligier Judd #57 da Krohn Racing. João Barbosa foi o melhor entre os DP, com o piloto portuense a colocar o Corvette DP #5 da Action Express Racing na segunda fila da grelha de partida. Dois dos seus concorrentes de peso, o Corvette DP #10 da Wayne Taylor Racing e o Riley Ford EcoBoost #01 da Chip Ganassi, enfrentavam dificuldades para a prova. O Corvette DP dos Taylor tinha problemas nos travões, enquanto o Ford de Ganassi sofria de problemas com a direcção.

Depois de os P2 terem dominado as primeiras duas horas de corrida, Sebastien Bourdais levou o Corvette DP #5 para o topo da classificação com os companheiros de equipa do Corvette DP #31 a subirem também, para 2º lugar, durante a 3ª hora, mas a perda dum pneu acabou por atirar o Corvette DP #31 para trás. Os DPs foram subindo lentamente na classificação durante as primeiras horas enquanto os P2 caíam aos poucos, e a meio da prova a discussão na frente  fazia-se principalmente entre os Corvette DP #5 da AX Racing e #90 da VisitFlorida.com Racing e o Riley Ford #01 da Ganassi. O início da 7ª hora seria o momento definitivo da prova, quando Barbosa alcançou o Riley Ford #01 de Scott Dixon, ultrapassando o neozelandês pouco depois. Durante quase quatro horas a corrida não foi interrompida e, primeiro o portuense, depois o francês Bourdais, aproveitaram para imprimir um ritmo devastador , tendo, no espaço de duas horas, o Corvette DP #5 conseguido dobrar todos os carros em pista, incluindo os segundo classificados.

O francês foi quem esteve mais tempo em pista durante esse período e não deu hipóteses a Scott Pruett no Riley Ford #01. A partir daí foi uma questão de gestão, dos pneus e do combustível, já que o Riley Ford #01 parecia ter melhor desempenho a esse nível, mas a Action Express compensava isso com potência e habilidade bruta, ainda por cima com um problema (barra estabilizadora partida) no DP que impedia a equipa de fazer um acerto completo (algo que parecia favorecer os pilotos, especialmente Bourdais).

Atrás da Action Express, a luta pelos outros dois lugares do pódio foi bastante forte entre o Corvette DP #90, o Riley Ford #01 e o ressuscitado Corvette DP #10. Apesar dos constantes problemas com os travões, incluindo a perda de uma volta para reparações nos travões, os irmãos Taylor e Max Angelelli chegaram ao final da prova na disputa pelo 2º lugar, posição que alcançaram definitivamente a uma hora do fim. O Riley de Dixon acabou por ceder também para o Corvette DP #90 de Westbrook nos últimos 15 minutos da prova. Assim, a Chevrolet e o Corvette DP ficaram com os louros todos num dia em que a marca regressou às vitórias na pista de Florida após 50 anos (em 1965 o Chaparral 2 venceu com Jim Hall e Hap Sharp) e de uma forma brilhante, com a Action Express a liderar 246 das 340 voltas (mais de 70% da corrida).

“Foi uma excelente corrida claro!” afirmou João Barbosa em exclusivo ao Le Mans Portugal. “Durante todo o fim de semana sabíamos que tínhamos um carro competitivo. Apesar de sermos mais lentos que os P2 sabíamos que em corrida seríamos mais fortes, e isso acabou por acontecer. A equipa fez um excelente trabalho de preparação depois da corrida de Daytona: analisámos o que não correu bem e trabalhámos muito nesses aspetos, o que deu frutos. Tivemos um corrida isenta de erros e de problemas! Todos os pilotos fizeram uma corrida sem erros mantendo sempre um andamento rápido e um excelente trabalho de boxes. Todo este conjunto foi dando frutos e dilatando a nossa vantagem para os nossos concorrentes, e terminámos a corrida com 1 volta sobre o 2º classificado! Neste género de corridas não é nada comum e demonstra bem a determinação com que a equipa enfrentou esta corrida. Agora entramos nas corridas mais curtas, tudo pode acontecer, mas estamos em boa posição para defender o nosso campeonato e iremos encarar as restantes corridas com a mesma determinação. Ganhar as 12 Hora de Sebring à geral é um sonho tornado realidade, uma corrida quase mais difícil que uma corrida de 24 horas.”

Acabou por ser um dia de corrida pouco feliz para os P2. No arranque da prova, Olivier Pla segurou a liderança durante a primeira hora, mas com Tracy Krohn a render o francês pouco antes do final da primeira hora, o Ligier Judd #57 começou a perder terreno. Um toque à saída das boxes, problemas com o escape e alguns peões fizeram a equipa perder 4 voltas, o que se revelou demasiado para a equipa recuperar até o final dado o ritmo que teve a corrida, com apenas seis neutralizações, acabando por terminar em 6º lugar, beneficiando de algumas desistências. Por seu lado, o outro Ligier, neste caso com motor Honda, da Michael Shank Racing substituiu o seu motor antes dos treinos cronometrados devido a um problema com a embraiagem mas, logo ao final de uma hora de corrida, Oswaldo Negri trazia às boxes o Ligier #60 com problemas na suspensão.

Pouco depois de resolverem o problema a corrida acabou repentinamente quando o brasileiro fez um peão numa zona rápida da pista numa dobragem a um Porsche GTLM, embatendo violentamente no muro dos pneus. Em relação à equipa Tequila Patron ESM, depois de ‘estacionar’ o projecto HPD coupé, o HPD ARX-04b de 2014 parecia uma boa opção apesar do pouco tempo de preparação. Depois do afastamento do Ligier da Krohn, o HPD #1 assumiu a liderança na segunda hora da corrida mas acabou por não conseguir seguir sempre o ritmo dos DPs. A meio da prova acabou por ceder, primeiro com problemas mecânicos e depois com a direcção partida, situação que obrigou o #1 a desistir. Por seu lado, o #2 tentou substituir os colegas na frente mas o azar também lhes bateu à porta à 7ª hora quando o HPD perdeu potência e também teve que desistir.

Tanto o DeltaWing como os dois Mazda com motor diesel foram uma sombra do que mostraram em Daytona. Apesar de ter uma nova transmissão, o DeltaWing ficou sempre longe da concorrência e logo na primeira volta ficou parado com problemas no motor de arranque. O destino final chegou antes das 3 horas quando Katherine Legge ficou parada na recta da meta com uma falha na suspensão. Por seu lado, nenhum dos dois Mazda Skyactiv-D da SpeedSource chegaram a meio da prova e nunca estiveram perto da frente.

GTLM: CORVETTE BISA APÓS NOVO DESCALABRO DA PORSCHE

A Porsche North America parecia ter esta corrida assegurada, conquistando a primeira fila da grelha e liderando grande parte da prova. No entanto, não conseguiram aguentar até ao fim num verdadeiro colapso como aconteceu a meio da noite em Daytona. A pouco mais de uma hora do fim, os dois Porsche 911 RSR seguiam em primeiro e segundo com uma vantagem de mais de 7 segundos sobre o Corvette C7.R #3 de Antonio Garcia quando começaram as últimas paragens nas boxes. Quando o Porsche #912 de Frédéric Makowiecki  parou, o pneu esquerdo dianteiro teimou em não entrar. Para além de terem perdido muito tempo nessa paragem, tiveram que voltar para colocar o pneu outra vez e ainda uma terceira vez, porque o pneu não ficou bem colocado e tiveram que fazer reparações. Por esse motivo, acabaram a doze voltas dos líderes e afastados da vitória. Pouco tempo depois foi a vez do Porsche #911 de Nick Tandy. Quando o inglês circulava na frente um problema de transmissão fê-lo perder bastante tempo em pista levando-o a cair para 4º lugar.

Antonio Garcia, no Corvette #3, herdou a liderança, algo que parecia difícil de acontecer depois do que tinha acontecido à 3ª hora. Nessa altura, Ryan Briscoe tinha feito um peão e dado um ligeiro toque no muro, quando seguia em 2º lugar em luta precisamente com o Porsche #911. Com os dois Porsche oficial afastados, ficaram também nos lugares cimeiros o Ferrari 458 Italia #62 da Risi Competizione e o Porsche 911 RSR #17 da Falken Tire, dois carros que tiveram histórias muito particulares durante a prova.

O Porsche da Falken Tire luta por se afirmar como um concorrente de peso em quaisquer circunstâncias (e não apenas em condições de chuva), e tanto em Daytona como aqui em Sebring pareceu confirmar esse facto. Durante o último terço da prova, Bryan Sellers, Pat Long e Wolf Henzler colocaram o Porsche nos lugares da frente, e Sellers acabou por liderar a prova durante a 5ª hora. No entanto, durante a segunda metade da corrida, o Porsche #17 ficou afastado da luta entre os Porsche oficiais e o Corvette porque os pneus Falken não se adaptaram tão bem ao baixar da temperatura com o cair da noite. Mesmo depois da hecatoma dos Porsche na parte final não foi grande adversário, tanto para o Corvette, como para o Ferrari da Risi.

Por seu lado, o Ferrari #62 teve uma prova discreta durante as primeiras 10 horas, ora estando entre os primeiros, ora circulando nos últimos lugares da volta dos líderes. Com duas horas a faltarem na prova, e com Giancarlo Fisichella ao volante, o GT de Maranello atirou-se à concorrência. Primeiro foi a fama da equipa de Giuseppe Risi ganhar posições nas boxes, com o Ferrari a subir duas posições, para 4º. Logo depois foi a vez do italiano ganhar lugares em pista, ultrapassando primeiro Garcia no Corvette #3, depois Makowiecki no Porsche #912, para colocar o Ferrari na 2ª posição. No entanto, Fisichella já não conseguiu fazer o mesmo a Patrick Pilet no Porsche #911 e problemas musculares sentidos pelo piloto italiano obrigaram a equipa a fazer uma paragem mais cedo para fazer entrar Pierre Kaffer. Esta situação acabaria por condicionar as hipóteses de vitória de Risi quando os Porsche desmantelaram, já que o alemão teve que fazer uma última paragem nos últimos minutos para abastecimento de combustível, obrigando-os a ‘aceitar’ o 2º lugar atrás do Corvette.

Depois de uma prova difícil em Daytona, a Aston Martin Racing e Pedro Lamy voltaram a ser infelizes em Sebring. O português qualificou o carro em 9º e último lugar da categoria, no dia dos seus anos e, apesar de ter subido um lugar durante o seu primeiro turno na corrida, foi no final da primeira hora quando o português entregou o carro ao gentleman driver Paul Dalla Lana que tudo se desmoronou. O canadiano fez um peão logo na volta de saída e ficou sem um pneu. Seria a primeira neutralização da prova, onde perderam 3 voltas, ficando irremediavelmente fora da discussão. O Vantage #98 acabaria por subir até 6º mas a 12 voltas dos líderes, beneficiando dos problemas de terceiros mas também fruto de uma prova consistente enquanto estiveram em pista.

“Foi uma situação rara, mas que às vezes acontece. A roda saiu e perdemos 11 voltas para os nossos adversários. Tivemos que ser rebocados para as boxes para remediar o problema. Ficámos sem qualquer hipótese de lutar por uma boa classificação. Contudo, conseguimos regressar à pista e testámos várias soluções para a restante temporada, que promete ser muito competitiva”, afirmou Pedro Lamy em comunicado de imprensa.

Por seu lado, Rui Águas também teve um fim-de-semana para esquecer com o Ferrari F458 Italia #49 da AF Corse na categoria GTD. O balanço de desempenho estava um pouco desfavorável para os Ferrari, Audi e Aston Martin em Sebring, e todos sofreram nos treinos. Para além disso, a AF Corse tinha pouca experiência com os pneus Continental, e os mesmos pareciam não se adequarem ao Ferrari, uma queixa frequente dos pilotos da equipa ao longo do fim-de-semana. O italiano Marco Cioci apenas conseguiu colocar o Ferrari #49 na 12ª posição da grelha na classe e, apesar de terem conseguido chegar até ao 7º posto, num rumo que começava a parecer o que tinha ocorrido em Daytona, pouco depois do meio da prova, o Ferrari parou nas boxes para reparações, perdendo 6 voltas e ficando isolado do resto do pelotão, tendo de se contentar com um 10º lugar final.

Após duas das provas rainha do campeonato, de longa duração, o United Sportscar Championship entra na sua fase de sprints, começando com Long Beach daqui a 4 semanas, a que se segue Laguna Seca no princípio de Maio e depois Detroit no final desse mês (fazendo concorrência com a jornada de teste de Le Mans). As etapas de verdadeira endurance regressam com a prova de Watkins Glen, no final de Junho.

USCC (NAEC) / 12H Sebring: Corrida

P.ºN.Cl.EquipaChassis / MotorVLTDif.P.º CL.
1.º5PAction Express Racing [ Barbosa ]Corvette DP34012h01:40.097[ 1.º ]
2.º10PWayne Taylor Racing Corvette DP339-1 volta[ 2.º ]
3.º90PVisitFlorida.com RacingCorvette DP339-1 volta[ 3.º ]
4.º01PChip Ganassi RacingRiley DP339-1 volta[ 4.º ]
5.º31PAction Express RacingCorvette DP338-2 voltas[ 5.º ]
6.º52PCPR1/Mathiasen MotorsportsORECA FLM09334-6 voltas[ 1.º ]
7.º54PCCORE autosportORECA FLM09334-6 voltas[ 2.º ]
8.º57PKrohn RacingLigier JS PS2334-6 voltas[ 6.º ]
9.º38PCPerformance Tech MotorsportsORECA FLM09333-7 voltas[ 3.º ]
10.º3GTLMCorvette RacingChevrolet Corvette C7.R330-10 voltas[ 1.º ]
11.º62GTLMRisi CompetizioneFerrari F458 Italia330-10 voltas[ 2.º ]
12.º17GTLMTeam Falken TirePorsche 911 RSR329-11 voltas[ 3.º ]
13.º24GTLMBMW Team RLLBMW Z4 GTE329-11 voltas[ 4.º ]
14.º911GTLMPorsche North AmericaPorsche 911 RSR328-12 voltas[ 5.º ]
15.º98GTLMAston Martin Racing [ Lamy ]Aston Martin Vantage V8318-22 voltas[ 6.º ]
16.º23GTDTeam Seattle/Alex Job RacingPorsche 911 GT America 318-22 voltas[ 1.º ]
17.º007GTDTRG-AMRAston Martin V12 Vantage318-22 voltas[ 2.º ]
16.º63GTDScuderia CorsaFerrari 458 Italia318-22 voltas[ 3.º ]
19.º93GTDRiley MotorsportsDodge Viper SRT317-23 voltas[ 4.º ]
20.º48GTDPaul Miller RacingAudi R8 LMS317-23 voltas[ 5.º ]
21.º912GTLMPorsche North AmericaPorsche 911 RSR317-23 voltas[ 7.º ]
22.º25GTLMBMW Team RLLBMW Z4 GTE317-23 voltas[ 8.º ]
23.º58GTDWright MotorsportsPorsche 911 GT America 316-24 voltas[ 6.º ]
24.º22GTDAlex Job RacingPorsche 911 GT America 316-24 voltas[ 7.º ]
25.º97GTDTurner MotorsportBMW Z4315-25 voltas[ 8.º ]
26.º33GTDRiley MotorsportsDodge Viper SRT314-26 voltas[ 9.º ]
27.º50PHighway To HelpRiley DP BMW309-31 voltas[ 7.º ]
28.º49GTDAF Corse [ Águas ]Ferrari 458 Italia308-32 voltas[ 10.º ]
29.º85PCJDC/Miller MotorsportsORECA FLM09290-50 voltas[ 4.º ]
30.º8PCStarworks MotorsportORECA FLM09280-60 voltas[ 5.º ]
31.º11PCRSR RacingORECA FLM09267-73 voltas[ 6.º ]
32.º4GTLMCorvette RacingChevrolet Corvette C7.R264-76 voltas[ 3.º ]
33.º2PTequila Patron ESMHonda HPD ARX211-129 voltas[ 8.º ]
34.º16PCBAR1 MotorsportsORECA FLM09194-146 voltas[ 7.º ]
35.º44GTDMagnus Racing Porsche 911 GT America 179-161 voltas[ 11.º ]
36.º1PTequila Patron ESMHonda HPD ARX162-178 voltas[ 9.º ]
37.º73GTDPark Place MotorsportsPorsche 911 GT America 155-185 voltas[ 12.º ]
38.º70PSpeedSourceMazda111-229 voltas[ 10.º ]
39.º07PSpeedSource Mazda104-236 voltas[ 11.º ]
40.º81GTDGB AutosportPorsche 911 GT America 97-243 voltas[ 13.º ]
41.º0PDeltaWing RacingDeltaWing DWC1369-280 voltas[ 12.º ]
42.º60PMichael Shank RacingLigier JS PS246-294 voltas[ 13.º ]
43.º45GTDFlying Lizard MotorsportsAudi R8 LMS23-317 voltas[ 14.º ]
Não Largaram
7PStarworks MotorsportRiley DP BMW
18GTDMühlner Motorsports AmericaPorsche 911 GT America
009GTDTRG-AMRAston Martin V12 Vantage