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USCC / 24H Daytona: Corrida

Barbosa no topo do mundo… pela segunda vez!

por Andrew Remedios, 27 de Janeiro de 2014 12 Comentários

© Rolex / Stephan Cooper

© Rolex / Stephan Cooper

O piloto português João Barbosa, na companhia de Christian Fittipaldi e Sebastien Bourdais, saiu vitorioso das primeiras 24 Horas de Daytona realizadas sob a égide do novo United Sportscar Championship, com uma exibição notável, após pequenos problemas, uma estranha penalização e um final a cheirar a encomenda para um desfecho diferente. Competindo na classe GTD, Filipe Albuquerque ficou à porta do pódio após uma corrida de trás para a frente, enquanto Pedro Lamy e a Aston Martin tiveram uma prova para esquecer na classe GTLM.

© Rolex / Stephan Cooper

© Rolex / Stephan Cooper

O início desta nova era não podia ter corrido melhor se não fosse um terrível acidente pouco antes de cumpridas 3 horas de corrida. Numa altura em que o sol começava a desaparecer no circuito de Daytona, o Ferrari 458 Italia #62 da Risi Competizione conduzido pelo italiano Matteo Malucelli praticamente parou numa recta, devido a uma perda de potência. Pouco atrás surgiu o Corvette DP #90 da GAINSCO Racing conduzido pelo norte-americano Memo Gidley, que tentava dobrar um carro mais atrasado e sem se aperceber do Ferrari lento encostado ao lado esquerdo da pista acertou-lhe em cheio!

A corrida esteve interrompida quase por uma hora e meia, para socorrer os pilotos e remover os destroços. Felizmente, apesar dos dois pilotos terem sido levados ao hospital, tanto Malucelli como Gidley parecem estar fora de perigo. Gidley foi submetido no entanto a cirurgia ao braço e perna esquerdos e terá que ser operado também às costas devido às lesões sofridas.

Para história fica no entanto uma corrida recheada de emoção, com um recorde de público em pista (afirmam os organizadores, embora sem apresentar números), mas também algumas decisões pouco claras em termos de penalizações - sobretudo a última neutralização da prova a 20 minutos do final, inexplicável, a lembrar os piores hábitos da NASCAR, a empresa que comprou o ALMS/IMSA e fundiu estes com o Grand Am.

© Rolex / Stephan Cooper

© Rolex / Stephan Cooper

PROTÓTIPOS: JOÃO BARBOSA FAZ O BIS

João Barbosa e Action Express Racing chegaram a Daytona no Corvette DP #5 com vontade de vingar o resultado de 2013,  com o piloto portuense e os seus colegas Christian Fittipaldi e Sebastien Bourdais, a fazer sentir logo de início que vinham precisamente com esse intuito. O piloto português foi o escolhido para iniciar a corrida e lutou nas primeiras voltas com os dois Riley Ford EcoBoost da Chip Ganassi Racing, mesmo com uma paragem muito cedo devido a um possível problema de pressão de água.

A meio da prova, o trio luso-brasileiro-francês continuava nas posições da frente, juntamente com os Corvette DP #9 dos colegas de equipa, o #10 da Wayne Taylor Racing, e o Riley #02 da Chip Ganassi. Só mesmo o Corvette #9 se iria atrasando aos poucos por ser claramente o conjunto com menos ritmo.

Este cenário manteve-se até à 17ª hora, altura em que o Corvette #5 foi penalizado com uma paragem de 70 segundos por "contacto evitável" com o Porsche #19 da Muehlner, embora tal situação nunca tivesse sido mostrado (e confirmada) durante a transmissão televisiva. Era precisamente o piloto do Porto que conduzia nessa altura e acabou por fazer a paragem, caindo para 4º a uma volta. Quinze minutos depois, o Riley Ford #02 da Chip Ganassi Racing sofreu um furo e demorou bastante tempo a chegar às boxes, permitindo a Barbosa ascender à 3º posição. O #10 da Wayne Taylor Racing via-se assim de repente sozinho na liderança pela primeira vez e o sonho da vitória da família Taylor (pai e filhos) parecia possível a pouco mais de 6 horas do fim.

No entanto, o trio do Corvette #5 não desistiu, e mesmo antes de entregar o carro a Fittipaldi, Barbosa conseguiu mesmo recuperar a volta ao Corvette #10. E quando, a menos de 4 horas do fim, o líder teve uma ligeira saída de pista para evitar um PC que fazia um peão e foi obrigado a fazer uma paragem antecipada, mais uma neutralização pouco depois permitiram a Fittipaldi colar-se aos dois que seguiam à frente, a corrida ficava relançada e as aspirações a nova vitória lusa ganhavam nova vida. Já com o francês Bourdais a fazer o seu último turno, o Corvette #5 passou ambos os carros e entrou na última hora e meia de prova de novo na liderança da corrida. Uma entrada verdadeiramente espectacular do francês, que cedeu depois o carro a Barbosa para um último turno irrepreensível, foi a prova do empenho que os três pilotos tinham em levar de vencida esta batalha.

O último turno de Barbosa foi simplesmente devastador, deixando o italiano Max Angelelli, encarregue do último turno do Corvette #10, sem resposta para o português que chegou a subir a vantagem para 17 segundos. E se não fosse uma neutralização a 19 minutos do fim - por causa de uma saída de pista sem qualquer tipo de consequência... mas útil para 'vitaminar' a luta pela vitória - a corrida estaria aí praticamente decidida. Barbosa, no entanto, enfrentou esta última batalha da forma como havia conduzido o resto da corrida. Ao sinal verde voltou a distanciar-se de Angelelli e não cedeu mais, cruzando a meta ao fim das 24 horas para repetir a sua vitória de 2010 com a Action Express Racing. Para Christian Fittipaldi foi também a sua segunda vitória (a sua primeira aconteceu há precisamente 10 anos atrás), enquanto para Bourdais foi a sua estreia nolugar mais alto do pódio.

Ao contrário do habitual, porque a ocasião assim o exige, as habituais declarações de João Barbosa serão publicadas numa entrevista especial.

Para variar, a Chip Ganassi Racing viu-se sem carros no final da corrida. O Riley Ford #01 sofreu bastante ao longo da corrida a acabou por abandonar, tal como o #02 que teve um final ainda mais desolador já que o abandono foi a 43 minutos do fim com problemas no fundo do carro após ter estado quase sempre entre os três primeiros.

Entre os LMP2, tanto o Oreca Nissan #6 Muscle Milk Pickett Racing como o Morgan Nissan #42 da Oak Racing terminaram entre os dez primeiros (5º e 8º, respectivamente), e embora nunca tivessem estado ao nível dos DPs, foram bastante regulares ao longo da corrida. Se não tivesse havido um problema com o alternador à 6ª hora que o fez perder 15 voltas, era bem provavel que o Morgan da Oak estivesse em luta directo com o Oreca da Muscle Milk.

© Aston Martin Racing

© Aston Martin Racing

GTLM: ASTON MARTIN E PEDRO LAMY AZARADOS NA VITÓRIA DA PORSCHE

As 24 Horas de Daytona foram um regresso para uns e uma estreia para outras marcas na categoria GTLM, e isto foi dominante ao longo da corrida. A Aston Martin Racing e o Vantage V8 #97 de Pedro Lamy nunca conseguiram imiscuir-se na luta pelos lugares da frente circulando sempre nos últimos lugares da categoria com os dois BMW Z4 GTE da BMW Team RLL, que também tiveram um início de corrida mais lento. Na frente da prova, a luta era principalmente entre os dois SRT Viper GTS-R e os dois Porsche 911 GT3 RSR, com os novos Corvette C7.R a chegarem-se à frente aos poucos, tendo o #3 chegando mesmo a liderar pelas mãos de Jan Magnussen.

No entanto, a noite foi brutal. Primeiro, o Aston Martin de Lamy,  perdeu 12 voltas devido com um problema com a direcção; depois, o Corvette #3 foi às boxes duas vezes e não saiu à segunda devido a problemas de sobreaquecimento; e finalmente os dois Viper tiveram problemas que os tiraram também da luta. A corrida ficou assim entregue aos dois Porsche e ao único Corvette em jogo, com os dois BMW Z4 ligeiramente atrás mas à espera da sua sorte (ou do azar dos outros, com ou sem neutralizações). Já ao amanhecer, foi a vez do Porsche #912 ficar pelo caminho com problemas no motor, e, a 4 horas do fim, o BMW #56 perdeu o 3º lugar para os companheiros de equipa do #55 devido a problemas mecânicos.

As declarações de Pedro Lamy podem sem consultadas aqui, em artigo próprio.

Numa altura em que o Porsche #911 e o Corvette #4 se viam numa luta renhida, o azar regressou a duas horas e meia do fim e levou o Corvette às boxes com problemas na transmissão. Parecia que a vitória do novo modelo da Porsche estava garantida na sua estreia em terras do Tio Sam, não fossem as benditos neutralizações. O BMW #55 de Joey Hand, que chegou a estar a duas voltas do líder,  pouco tempo antes estava 'morder os calcanhares' do Porsche de Patrick Pilet, nos últimos minutos. Mas o francês da Porsche acabou por levar a melhor depois do americano Hand ter perdido ligeiramente o controlo do BMW.

Em relação à Aston Martin, a marca britânica acabou por perder ainda mais tempo nas últimos 5 horas, já sem nada a perder, e cruzaram a meta em 8º na categoria e a 69 voltas dos vencedores. Uma corrida difícil, mas a equipa estava feliz por terem cruzado a meta e terem conseguido recuperar o carro após tantos azares.

© Audi Motorsport

© Audi Motorsport

GTD: FILIPE ALBUQUERQUE QUINTO NUMA CORRIDA DE TRÁS PARA A FRENTE E MUITA POLÉMICA

O Audi R8 LMS #35 da Flying Lizard Motorsport tinha uma tarefa difícil: partir de 20º da categoria no meio da confusão. Essa foi a tarefa de Dion von Moltke, empurrando a equipa para uma luta de trás para a frente. Com pequenos préstimos do dono da equipa Seth Neiman, a luta ficou praticamente entregue a von Moltke, Alessandro Latif e o português Filipe Albuquerque, o piloto mais rápido no carro ao longo da corrida. A meio da corrida o conjunto já estava seguro entre os dez melhores e, aos poucos, foi-se chegando ainda mais para frente até ao 5º lugar final, a uma volta dos líderes.

As declarações de Filipe Albuquerque podem sem consultadas aqui, em artigo próprio.

A vitória na categoria GTD ficou, no entanto, rodeado de muita polémica. Nas últimas voltas da corrida, o segundo Audi R8 LMS da Flying Lizard, o #45 de Markus Winkelhock, lutava ferozmente com o líder, o Ferrari F458 Italia #555 da Level 5 Motorsport de Alessandro Pier Guidi (piloto conhecido das corridas em Portugal, onde correu há duas épocas com a Ray Racing Team), tendo os dois se envolvido por duas vezes. Da primeira vez, o Audi ficou ligeiramente tocado e perdeu terreno mas recuperou; mas na última volta, numa tentativa de ultrapassagem num local bastante rápido e com pouco espaço para dois carros, Winkelhock foi obrigado a sair de pista. Pier Guidi cruzou a meta em primeiro lugar no preciso instante que a direcção de corrida lhe atribuía uma penalização por causa do incidente, atirando o Ferrari para 4º. Fruto dos fortes protestos - as imagens televisivas parecem demonstar que o "contacto evitável" invocando não existiu de facto - e apesar do regulamento poder estar de acordo com a decisão tomada, a decisão acabaria por ser revogada, já passavam quatro horas para além do fim da prova, e a vitória devolvida àq Level 5 Motorsports.

Referência ainda para a vitória da CORE Autosport na categoria PC, equipa que fez a pole e ao amanhecer já tinha uma volta de avanço que lhes deu a segurança necessária numa corrida já por si bem gerida pela estrutura que também gere os dois Porsche na categoria GTD. Um fim-de-semana feliz para o conjunto de Jon Bennett e para Mark Wilkins, Colin Braun e James Gue que acompanharam Bennett ao volante do ORECA FLM09 #54 .

Por todas estas razões, avizinha-se um ano em cheio para o novo United Sportscar Championship. A transmissão ficou um pouco aquém, esperando-se que os homens de direito de IMSA e do TUSC se apercebem da necessidade de disponibilizarem um pacote televisivo, radiofónico e virtual ao nível do público global que têm e não apenas se cingirem ao universo norte-americano, porque o TUSC e o NAEC só sobrevivem com esse público global que se viu, por vezes, arredada de acompanhar a prova facilmente.

Fechamos com uma nota para os portugueses. Estiveram em Daytona talvez três dos pilotos mais notáveis do actual panorama português, e este ano em Daytona, com mais azar ou menos azar, tanto o João, como o Filipe e o Pedro, mereciam tanta atenção e tanto destaque como António Félix da Costa e Tiago Monteiro,  até por uma simples razão, que poderá ser ainda mais evidente em 2014: são bem capazes de serem os responsáveis pelos maiores resultados esta época. E Portugal não se pode tentar resumir a apenas alguns... nem ao Futebol.

USCC / 24H Daytona: Corrida

P.Cl.N.EquipaChassis / MotorTempo
1.P5Action Express Racing [ João Barbosa ]Corvette DP24h00:34.760 / 695 voltas
2.P10Wayne Taylor RacingCorvette DP+ 1.461s
3.P9Action Express RacingCorvette DP+ 19.489s
4.P90Spirit Of DaytonaCorvette DP- 2 voltas
5.P6Pickett RacingORECA 03 Nissan- 3 voltas
6.GTLM911Porsche North AmericaPorsche 911 GT3 RSR- 16 voltas
7.GTLM55BMW Team RLLBMW Z4 GTE- 16 voltas
8.P42OAK RacingMorgan Nissan- 17 voltas
9.PC54CORE AutosportORECA FLM09- 17 voltas
10.PC258Star MotorsportsORECA FLM09- 18 voltas
11.P2Extreme Speed MotorsportsHPD ARX-03b- 19 voltas
12.GTLM91SRT MotorsportsSRT Viper GTS-R- 20 voltas
13.PC38Performance Tech MotorsportsORECA FLM09- 26 voltas
14.GTLM56BMW Team RLLBMW Z4 GTE- 27 voltas
15.P02Chip Ganassi RacingRiley Ford- 28 voltas
16.GTLM4Corvette RacingCorvette C7.R- 29 voltas
17.PC52PR1/Mathiasen MotorsportsORECA FLM09- 33 voltas
18.GTD45Flying Lizard MotorsportsAudi R8 LMS- 33 voltas
19.GTD58Snow RacingPorsche GT America- 33 voltas
20.GTD72SMP/ESM RacingFerrari 458 Italia- 33 voltas
21.GTD555Level 5 MotorsportsFerrari 458 Italia- 33 voltas
22.GTD35Flying Lizard Motorsports [ Filipe Albuquerque ]Audi R8 LMS- 34 voltas
23.GTD556Level 5 MotorsportsFerrari 458 Italia- 34 voltas
24.PC8Starworks MotorsportORECA FLM09- 36 voltas
25.GTD94Turner MotorsportBMW Z4- 36 voltas
26.GTD22Alex Job RacingPorsche GT America- 39 voltas
27.GTLM93SRT MotorsportsSRT Viper GTS-R- 42 voltas
28.GTD30NGT MotorsportPorsche GT America- 43 voltas
29.GTD65Scuderia CorsaFerrari 458 Italia- 46 voltas
30.GTD63Scuderia CorsaFerrari 458 Italia- 48 voltas
31.GTD44Magnus RacingPorsche GT America- 50 voltas
32.GTD73Park Place MotorsportsPorsche GT America- 50 voltas
33.GTD64Scuderia CorsaFerrari 458 Italia- 50 voltas
34.GTD23Team Seattle/Alex Job RacingPorsche GT America- 56 voltas
35.P50Highway To HelpRiley Dinan- 64 voltas
36.GTD48Paul Miller RacingAudi R8 LMS- 69 voltas
37.GTLM57Krohn RacingFerrari F458 Italia- 70 voltas
38.GTD51Spirit of RaceFerrari 458 Italia- 75 voltas
39.GTD49Spirit of RaceFerrari 458 Italia- 77 voltas
40.GTD33Riley MotorsportsSRT Viper GT3-R- 80 voltas
41.P31Marsh RacingCorvette DP- 82 voltas
42.PC7Starworks MotorsportORECA FLM09- 83 voltas
43.P01Chip Ganassi RacingRiley Ford- 85 voltas
44.GTLM97Aston Martin Racing [ Pedro Lamy ]Aston Martin V8 Vantage- 85 voltas
45.GTD19Muehlner Motorsports AmericaPorsche GT America- 92 voltas
46.GTD28Dempsey Racing / Konrad MotorsportPorsche GT America- 94 voltas
47.P60Michael Shank RacingRiley Ford- 96 voltas
48.GTD007TRG-AMRAston Martin V12 Vantage- 115 voltas
49.GTD71Park Place MotorsportsPorsche GT America- 129 voltas
50.GTD27Dempsey RacingPorsche GT America- 129 voltas
51.GTD81GB AutosportPorsche GT America- 135 voltas
52.GTD009TRG-AMRAston Martin V12 Vantage- 179 voltas
53.GTD18Muehlner Motorsports AmericaPorsche GT America- 203 voltas
54.GTLM912Porsche North AmericaPorsche 911 GT3 RSR- 206 voltas
55.PC87BAR1 MotorsportsORECA FLM09- 235 voltas
56.P07SpeedSourceMazda SKYACTIV-D- 250 voltas
57.P70SpeedSourceMazda SKYACTIV-D- 326 voltas
58.PC08RSR RacingORECA FLM09- 334 voltas
59.P1Extreme Speed MotorsportsHPD ARX-03b- 336 voltas
60.GTLM3Corvette RacingCorvette C7.R- 366 voltas
61.P0DeltaWing Racing CarsDeltaWing DWC13- 407 voltas
62P78Straworks MotorsportRiley Dinan- 457 voltas
63.PC09RSR RacingORECA FLM09- 518 voltas
64.GTD32GMG RacingAudi R8 LMS- 544 voltas
65.P99GAINSCO/Bob Stallings RacingCorvette DP- 603 voltas
66.GTLM62Risi CompetizioneFerrari F458 Italia- 607 voltas
67.GTD46Fall-Line MotorsportsAudi R8 LMS- 690 voltas