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USCC / Sebring Test

Barbosa arrasa nos primeiros testes oficiais para o USCC — Westbrook levanta voo… literalmente!

por Hugo Ribeiro, 22 de Novembro de 2013 Sem Comentários

© IMSA

Dose dupla neste últimos dias no outro lado do Atlântico! O United SportsCar Championship (USCC) teve os seus primeiros testes oficiais, com duas jornadas consecutivas de dois dias em Sebring e em Daytona, e desfechos bem diferentes. Quanto a tempos, Barbosa foi o mais rápido em ambas as jornadas, mas o momento seria mesmo o espectacular voo de Richard Westbrook em Daytona, felizmente sem consequências para o piloto. Lamy marcou presença em Daytona na estreia no BMW Z4 da Turner.

Com 1:53.266 em Sebring e 1:39.623 em Daytona, o piloto português João Barbosa foi o piloto mais rápido nos primeiros testes oficiais do USCC que tiveram lugar nos dias 17 e 18 em Sebring, e nos dias 19 e 20 em Daytona. Em Sebring, o Corvette #5 da Action Express Racing, que Barbosa irá uma vez mais dividir com Christian Fittipaldi, fez tempos 2 segundos mais lentos que o melhor tempo da qualificação para a classe LMP2, e 10 segundos mais lentos que o Audi R18, mas com as mexidas efectuadas pela IMSA na classe LMP2 — que irá competir de igual para igual com os DP no novo campeonato — estes foram 6 segundos mais lentos do quem em 2013. Já em Daytona, Barbosa bateu o tempo de qualificação de 2013 (1:40.553).

Os Corvette DP presentes em ambas as jornadas de testes apresentaram-se com as evoluções para 2014, nomeadamente com o novo kit aerodinâmico composto por uma asa traseira maior e um difusor traseiro, uma novidade absoluta nos DP.

“Acho que o DP está muito similar a 2013, embora tenha mais cavalos, mais carga aerodinâmica e mais poder de travagem... Acho até que está mais divertido de conduzir, mas as corridas poderão não ser tão emotivas pois as zonas de travagem vão ser menores e estamos mais dependentes da aerodinâmica, e isso não vai ajudar a seguir de perto o carro da frente,”  começou por dizer João Barbosa, em exclusivo ao Le Mans Portugal. “Os treinos em Sebring correram bem. Temos ainda muito pela frente mas foram positivos.”

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Fonte: M. Stahlschmidt / Sideline Sports Photography

O novo kit aerodinâmico promete dar que falar: logo no primeiro dia da jornada de testes em Daytona, dois acidentes poderão ter colocado em cheque as alterações realizadas. No primeiro dia, um rebentamento de um pneu no Corvette DP #90 da Spirit of Daytona levou a que o carro entrasse em pião e acabasse mesmo por levantar voo, acabando por bater violentamente nas protecções depois de várias piruetas... Richard Westbrook acabaria por abandonar o #90 um pouco abalado, mas sem qualquer problema físico. Barbosa também não ganhou para o susto numa situação idêntica, mas acabou por ter mais sorte com o carro a fazer 'apenas' uma espécie de voo rasante à pista.

“Agora em Daytona tudo foi bem diferente! Os treinos estavam a correr bem mas já tinha havido um aviso com o pneu do carro da Spirit of Daytona a rebentar, o carro a levantar voo e a bater forte nas redes de protecção. Depois, na minha última volta do dia, o pneu traseiro direito rebentou àsaída da curva NASCAR 2 e entrei em pião. O carro levantou voo mas felizmente imobilizou-se na pista sem bater em lado nenhum.”

Fonte: John Dagys / Sportscar365.com

Fonte: John Dagys / Sportscar365.com

Após os incidentes, a IMSA decidiu que os protótipos (excepto o DeltaWing...) não voltariam para a pista. A tarefa que a entidade reguladora do USCC terá pela frente não se afigura fácil. Numa altura em que começa a ficar evidente — e várias equipas já confirmaram que irão ficar mesmo de fora até poderem ver em que ponto a classe se encontra — que as alterações e as muitas indefinições no regulamento e no BoP estão a levar as equipas à beira de um ataque de nervos, os problemas surgidos ameaçam infernizar o (pouco) tempo ainda em falta até ao arranque oficial do campeonato. IMSA, Coyote (o construtor dos chassis Corvette) e Continental irão analisar o que se passa, e são esperadas novas mexidas.

“Ainda vamos testar mais dois dias em Dezembro! E estes vão ser ainda mais importantes do que pensávamos, porque depois destes problemas há a possibilidade de haver alterações! E para as 24h de Daytona não falta muito tempo!” refere Barbosa.

Ambos os acidentes ocorreram com os pneus traseiros do lado direito, precisamente o que sofre maior carga no banking de Daytona, e que agora, com as alterações aerodinâmicas que os DP sofreram, chega a ser 60% superior ao habitual. Também ambas as falhas dos pneus aconteceram no momento em que os carros passavam da parte inclinada da pista, do banking, para a parte plana, um momento em que as forças exercidas sobre o pneu traseiro se alteram radicalmente. Também em ambas as situações, os pneus não aparentavam qualquer deficiência nem desgaste anormal, tendo o pneu sofrido uma falha catastrófica.

Mas o problema dificilmente parece ficar resolvido pela parte dos pneus: é que, uma vez mais em ambas as situações, assim que os carros entram em pião e a traseira ficou na direcção onde deveria ficar a frente, a nova e bem maior asa traseira, assim como o difusor, inverteram também o seu papel, e vez de "empurrar" o carro para baixo, fizeram-no levantar voo. João Barbosa sublinha também as mesmas questões.

“Ficou claro que existem dois problemas graves a resolver: primeiro, os pneus que usamos até agora não são capazes de aguentar a carga aerodinâmica que agora temos; e segundo, a facilidade com que os carros levantam voo quando entram em pião! As novas alterações tornaram efectivamente o carro mais rápido. Temos mais 50/60cv e temos mais carga aerodinâmica, assim como travões em carbono. Tudo isso cria mais esforço em vários componentes, sobretudo uma carga considerável extra, que penso a Continental não esperava, nos pneus. Várias equipas, apesar de não terem rebentado pneus, tiveram alguma dificuldade com aquecimento excessivo dos pneus. Felizmente, a IMSA tomou a decisão acertada de não efectuar os treinos hoje, e juntamente com a Continental, irão agora analisar todos os dados e com certeza tomar as melhores decisões para as 24h de Daytona,” conclui Barbosa.

Também difícil parece ser o BoP para a categoria de protótipos. Com conceitos tão díspares como os LMP2 e os DP, os resultados destes quatro dias de testes só sublinham que o caminho de uma desejável equivalência está longe de ser alcançado. Os DP presentes já alinharem com as evoluções para 2014, enquanto os LMP2 já "carregaram" o lastro previsto pela IMSA, e os resultados não parecem ser os esperados: os DP estão um pouco mais rápidos em relação a 2013, mas os LMP2 estão imensamente mais lentos. Mesmo levando em consideração que estes foram apenas testes, a diferença é em certa medida abismal.

Para além de João Barbosa, também Pedro Lamy marcou presença nos testes de Daytona. Lamy deu uma mão à Turner Motorsport, — onde o seu companheiro de equipas na Aston Martin, o gentleman-driver Paul Dalla Lana, habitualmente compete — na estreia da versão GTD do BMW Z4 GT3 que a equipa irá utilizar em 2014. Os tempos específicos de Lamy não são conhecidos, mas a equipa esteve um pouco longe dos seus principais rivais na classe.

Seguem-se os tempos combinados de cada uma das jornadas de testes.

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