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WEC / 24H Le Mans

As estratégias para as 24 horas de Le Mans

por Pedro Correia, 13 de Junho de 2014 Sem Comentários

© FIA WEC

A limitação da quantidade de combustível por volta imposta pelos novos regulamentos reduz bastante as possibilidades estratégicas das equipas, mas não as eliminam completamente. Tal como no passado, caberá aos engenheiros responsáveis por cada carro estabelecer o ritmo mais ajustado para as 24 horas, andando no limite do consumo ou reduzindo ligeiramente o andamento para conseguir estender a autonomia mais uma volta.

Audi

A Audi, regenerando apenas 2 MJ das travagens do eixo dianteiro, tem disponíveis 138,7 MJ de energia, sob a forma de gasóleo, por volta. Isso pode-se traduzir por cerca de 3,94 litros de gasóleo, de um depósito com capacidade para 54,3 litros, o que significa que poderão realizar normalmente 13 voltas por stint.

Capacidade do depósito Combustível por volta Autonomia
54,3 litros 3,94 l/volta 13,78 voltas

No entanto, os Audi não estarão muito longe de ser capazes de realizar 14 voltas entre reabastecimentos, cabendo aos estrategas decidir em cada fase da corrida se é mais favorável andar no limite do consumo ou refrear o ritmo para tentar poupar uns 2 litros de gasóleo, para poder cumprir com segurança 14 voltas com um depósito. A nossa aposta é que a Audi realizará durante o período diurno 13 voltas e durante a noite tentará ir para as 14 voltas, não excluindo a possibilidade do terceiro Audi, de Filipe Albuquerque, adoptar uma estratégia diferente dos carros que pontuam para o campeonato, embora os problemas que estão a rodear a participação do Audi #1 possam significar que o escolhido para uma estratégia mais conservadora possa ser precisamente o carro dos vencedores (vencedor, para sermos mais correctos) do ano passado.

Toyota

No campo japonês, com o TS040 a recuperar 6 MJ de energia, têm disponíveis 139,5 MJ de energia provenientes de gasolina, ou seja, 4,67 litros por volta, dos 68,3 litros de capacidade dos depósitos, traduzindo-se em 14 voltas por stint. Porém, a Toyota revelou em Spa-Francorchamps e Silverstone realizar normalmente uma volta ou duas a menos do que deveria ser possível, rodando no limite do consumo. A confirmar isso está o facto da Porsche, também com 6 MJ recuperados e consequentemente com a mesma alocação de combustível por volta, e que por isso deveria ter revelado igual autonomia, na prática realizou regularmente mais uma volta por stint.

Capacidade do depósito Combustível por volta Autonomia
68,3 litros 4,67 l/volta 14,63 voltas

No dia de testes, a Toyota não passou das 13 voltas numa série de voltas, o que colocaria os carros japoneses ao nível da Audi, não exactamente onde desejariam estar, pois uma classe dois degraus acima na recuperação de energia deveriam garantir uma maior autonomia.  A Toyota poderá estar a jogar pelo seguro, já que a velocidade pura lhes garante não necessitarem de explorar a autonomia extra, escondendo ao mesmo tempo a mão, pois certamente serão capazes de fazer normalmente as 14 voltas caso a competitividade dos adversários a isso obrigue. Não parece tão provável que tentar chegar às 15 voltas seja compensador, no caso da Toyota, em termos de sacrifício da performance.

Porsche

Com a mesma alocação de energia, as contas da Porsche são exactamente iguais às da Toyota. Porém, uma carroçaria com menor arrasto, um motor e uma combinação de sistemas de recuperação de energia mais eficiente deverão significar que a Porsche rodará confortavelmente 14 voltas por cada depósito de combustível, devendo ser capaz de realizar 15 voltas em diversos períodos da corrida, sem grande sacrifício de performance, a exemplo do que já se viu, especialmente em Spa-Francorchamps.

Capacidade do depósito Combustível por volta Autonomia
68,3 litros 4,67 l/volta 14,63 voltas

rebellion

De modo a aproximar os protótipos privados da Rebellion dos carros oficiais, uma decisão de última hora levou a um aumento de 3,7 litros de combustível nos depósitos dos carros suíços, passando este para os 72 litros, e na dispensa da alocação de combustível por volta. Ainda assim, acreditamos que o consumo de combustível não será muito diferente do que seria se o limite estivesse em vigor, uma vez que o recurso a uma quantidade anormalmente superior de combustível asseguraria bons tempos por volta mas aumentaria também o número de paragens nas boxes e poderia mesmo colocar em causa a fiabilidade dos motores.

Capacidade do depósito Combustível por volta Autonomia
72,0 litros 5,30 l/volta 13,58 voltas

Assim, acreditamos que a Rebellion deva realizar regularmente 13 voltas por stint. Entre realizar stints de 13 voltas e de 15 voltas poderão resultar até cinco reabastecimentos extra durante a prova, dependendo do tempo em que o Safety Car ou o limite de velocidade de segurança estiverem activos durante a corrida, cerca de volta e meia no final da corrida. Mas isso seria compensado, por exemplo, por fazer triplos stint com os pneus em vez de duplos. Nesse aspecto a Audi deverá estar mais confortável até porque a sua entrega de potência, principalmente do ERS, é bastante menos brutal que no caso da Toyota e da Porsche, embora nos pareça altamente improvável que se cheguem aos sextuplos stint que fontes próximas da Michelin parecem acreditar, até porque os pneus são uma polegada mais estreitos que no ano passado.

Os dados estão lançados e apenas a corrida, a iniciar-se no sábado às 14 horas (hora portuguesa) poderão dissipar as dúvidas.