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WEC / 24 Horas de Le Mans

ACO apresenta linhas gerais do Regulamento Técnico LMP1 2014

por Press Release (edição: Hugo Ribeiro), 16 de Junho de 2012 6 Comentários

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A semana das 24 Horas de Le Mans foi aproveitada para anunciar os princípios que irão constituir a base do regulamento 2014 para as 24 Horas e para o FIA World Endurance Championship que é co-organizado com a Fédération Internationale de l’Automobile (FIA). Trata-se, aparentemente, de um regresso aos tempos do Grupo C, com a questão da eficiência energética a servir de alvo a todo o regulamento. Eis as linhas mestras:

  1. Eficiência e Desenvolvimento Sustentável
    Graças à limitação de energia disponível, a performance dos carros é condicionada pela sua eficiência térmica. A redução no consumo de combustível pode chegar aos 30% relativamente aos actuais carros. Os sistemas de recuperação de energia serão 4 vezes mais potentes que os actuais.
  2. Desporto e Espectáculo
    A performance dos carros será idêntica à dos carros de 2012. A sua aceleração será melhorada. Os regulamentos foram desenhados de forma a assegurar que estes possam competir livremente sem terem de ajustar a sua forma de conduzir e sem terem de gerir estrategicamente o consumo de combustível. De forma a garantir que a competição continua a ser a chave de ouro e que os espectadores conseguem compreender o que se passa em pista, simplificar e tornar compreensível esteve no fundo das nossas preocupações: o carro que terminar na frente é quem ganha (NdR: ao contrário do indíce de eficiência do Michelin Green Challenge).
  3. Oportunidades Tecnológicas
    Os regulamentos permitem que os construtores mostrem a qualidade do seu trabalho e das tecnologias empregues.
  4. Redução de Custos
    Redução de custos para os grandes construtores (controle e limitação de certas tecnologias) assim como permissão para que as equipas privadas se mantenham competitivas com orçamentos limitados estiveram no centro das preocupações.
  5. Segurança
    Será sempre uma prioridade para o ACO e para a FIA em qualquer evolução regulamentar.
  6. Tecnologia
    As tecnologias elegíveis são, ou deverão ser, utilizadas na produção comercial.

Um grupo de trabalho constituído por construtores de chassis e motores, assim como fornecedores de pneus e combustíveis, realizou 10 reuniões nos últimos 6 meses, tendo também sido auscultadas equipas e outras organizações/indivíduos que foram julgados relevantes. Foram também seis os pontos em que essas discussões se focaram:

  • Definição do factor tecnológico (equivalência energética entre motores diesel e motores gasolina);
  • Definição dos motores autorizados (motores térmicos e sistemas de recuperação de energia);
  • Evoluções aerodinâmicas;
  • Visibilidade dos pilotos;
  • Evolução de chassis e dimensões dos mesmos;
  • Segurança;

Por partes, e em síntese:
Motores Térmicos

  • Motores a 4 tempos a pistão;
  • Capacidade cúbica livre para construtores e alta pressão dos turbos (4 bars);
  • Capacidade cúbica limitada a 5.5Litros nas equipas privadas;
  • Potência controlada por um sistema de medição do fluxo de combustível homologado;
  • Aberturas para o ar livres - fim dos restritores de ar e permissão de sistemas de admissão variáveis;
  • Pressão da injecção de combustível livre;

Sistemas de Recuperação de Energia

  • 5 categorias de energia definidas desde os 0MJ a 8MJ por volta ao circuito de Le Mans;
  • Os sistemas são livres desde que possam ser analisados;
  • Limitação de dois sistemas por carro;
  • Homologação dos sistemas realizada ano a ano. Não serão permitidas evoluções ou mudanças de categoria no decorrer da temporada.

Tabela Sintese

20112014
Privados (Não Híbridos)Todos (Híbridos)
Energia0MJ0MJ2MJ4MJ6MJ8MJ
Peso900Kg830Kg850Kg
Gasolina por VoltaSem limitação (6,13L estimados)4,95L4,80L4,65L4,50L4,42L
Redução no consumo19%22%24%27%28%
Capacidade do tanque75L64,4L
Diesel por voltaSem limitação (5,26L estimados)3,99L3,93L3,81L3,68L3,56L
Redução no consumo24%25%28%30%32%
Capacidade do tanque60L53,3L

Notas:

  • Todos os dados apresentados têm por base uma volta completa ao circuito de Le Mans;
  • Autonomia: diferença até 2 voltas entre 0 e 8MJ, entre um protótipo equipado sem sistema híbrido e um com o sistema híbrido mais potente;
  • Estes valores são indicativos e baseados em simulações;
  • Os valores finais serão confirmados após testes realizados num banco de ensaios em Setembro de 2012;
  • Os construtores inscritos oficialmente não podem competir com carros sem sistemas híbridos.

Protótipos

  • Apenas permitidos protótipos fechados de dois lugares;
  • Peso: 800Kg para híbridos e 830Kg para não híbridos;
  • Largura reduzida de 2000mm para 1900mm (fig.1);
  • Visibilidade melhorada: o piloto irá agora ficar sentado numa posição mais alta e mais chegada à frente, e a altura dos arcos das rodas da frente será diminuída (fig.2a e 2b);
  • Dispositivo aerodinâmico frontal ajustável;
  • Evolução na frente do protótipo de forma a melhorar a eficiência sem comprometer a estabilidade em caso de despiste;
  • Nova posição das aberturas nos arcos das rodas de forma a aumentar a eficiência e reduzir a instabilidade lateral reduzindo o arrasto (fig.3).

Segurança

  • Cabos de retenção nas rodas em caso de impacto;
  • Painéis laterais de protecção em Zylon (um polímero de alta resistência conhecido também por PBO);
  • Caixa de impacto traseira;
  • Novo regulamento sobre a potência das luzes.

Regulamento Desportivo

  • Ajuste da performance dos protótipos sem KERS se houver necessidade de proteger as equipas privadas que os utilizam;
  • O nível de energia disponibilizado poderá ser modificado caso os objectivos para a performance não sejam confirmados pelas simulações;
  • Limitações no número de testes;
  • Limitações no número de motores utilizados;
  • Limitações nos Sistemas Híbridos aceites.

Pontos a reter

  • Será garantida uma grande liberdade tecnológica no que toca ao motor (no conjunto motor + sistema híbrido) na linha do que está a ser desenvolvido em termos de produção comercial;
  • Motores livres em termos de capacidade cúbica, sem restritores de ar nem limitações nas pressões do turbo;
  • Redução até 30% na utilização de combustíveis fósseis;
  • Os sistemas híbridos são livres mas limitados na energia acumulada e no seu número;
  • Protecção das equipas privadas;
  • Todos os protótipos serão fechados para aumentar a segurança; o peso e a largura serão reduzidos.

Fontes: comunicados de imprensa do ACO