LMS | Opinião

A Epsilon Euskadi no LMS

por Vitor Ribeiro, 23 de Fevereiro de 2008 12 Comentários

A Epsilon Euskadi é um projecto cuja componente educacional/académica me desperta grande simpatia e curiosidade, não podendo deixar de ver aí um exemplo que bem podia ser seguido no nosso país. A bem de todos e, sobretudo, do célebre Plano Tecnológico...

A Epsilon Euskadi é um projecto cuja componente educacional/académica me desperta grande simpatia e curiosidade, não podendo deixar de ver aí um exemplo que bem podia ser seguido no nosso país. A bem de todos e, sobretudo, do célebre Plano Tecnológico...

A poucos dias da primeira aparição oficial do primeiro protótipo da Epsilon Euskadi que irá disputar as Le Mans Series 2008, e porque subsistem ainda muitas dúvidas e desconfianças na comunidade online de adeptos desta categoria relativamente às reais capacidades da equipa espanhola fazer alinhar os dois exemplares previstos do ee1, o site Planetlemans.com foi falar com Sérgio Rinland, director de engenharia da equipa, para encontrar respostas a essa e outras questões.

Rinland, é um nome bem conhecido de todos aqueles que acompanharam a F1 durante os anos 80 e 90.
Este argentino de 55 anos, que começou a sua carreira ainda no final dos anos 70 na equipa Chrysler argentina de F2 e chegou a Inglaterra em 1980, esteve na origem dos RAM 01, 02 e 03, equipados com motor Hart, que disputaram o Mundial de F1 em ’84 e ’85. No seu currículo conta com passagens pela Williams (1986); Brabham (1987 e 1989/92); Dallara (1988); Fondmetal (1993); Forti Corse (1995); Benetton (1996/99) e Sauber (2000/02), tendo ainda desenhado para a Eagle, em ’94, um carro para disputar Indy e feito parte da equipa Opel de Keke Rosberg no DTM, em ’95.
Dedicado desde o final de 2002 à sua empresa de consultadoria e ao ensino universitário, aceitou em 2005 o convite de Joan Villadeprat para chefiar o Departamento de Engenharia da Epsilon Euskadi e liderar, em especial, um dos ‘quatro pilares’ (e aquele que considero mais interessante, mas já lá iremos…), deste projecto.

Joan Villadelprat, patrão e principal mentor do projecto Epsilon Euskadi é outro nome bem conhecido dos adeptos da F1. Desde muito novo ‘atacado’ pelo bichinho dos automóveis, Villadelprat decidiu que a F1 era a sua meta no dia em que assistiu à passagem do ‘circo’ pelas ruas do parque de Montjuich, nos arredores da sua Barcelona natal, em 1971, pelo que no final dos anos 70 estava de malas aviadas para Inglaterra onde, em 1979, encontraria trabalho de mecânico na Project Four de Ron Dennis. Com a entrada da Project Four no capital da McLaren, Villadelprat segue o mesmo caminho e ajudará à conquista de três títulos mundiais de pilotos e dois de construtores. Seguindo as pisadas de John Barnard, ruma à Ferrari em 1987, para ocupar o cargo de chefe de mecânicos. Com a saída de Barnard da Ferrari, o catalão segue também o seu caminho, subindo degrau a degrau na hierarquia das equipas por onde passa – director desportivo da Tyrrell (1990/91); director de produção (1992/93) e director de operações (1994/95) da Benetton – encerrando a sua carreira na F1 com uma breve passagem pela Prost Grand Prix.

Mas então o que é que, na minha opinião, torna interessante este projecto e algo mais do simplesmente ‘mais uma’ equipa a disputar um campeonato internacional?

Segundo Rinland (e no site do team Epsilon Euskadi podem ter acesso a mais informação) o projecto assenta em ‘quatro pilares’ e prossegue objectivos mais vastos que a simples disputa de corridas de automóveis. Com a Educação ocupando o primeiro lugar, o Mestrado em Especialização Técnica em Competição Automobilística desenvolvido em parceria com a Universidade de Mondragon permitie anualmente a 50 alunos dos cursos de engenharia, dos quais os dois melhores têm garantido lugar na estrutura da equipa, o contacto directo com as componentes práticas do trabalho em diferentes áreas (aerodinâmica, dinâmica do veículo, grupo moto-propulsor, CAD, programação e gestão de equipa, etc).

A equipa de competição, quarto pilar do conjunto, é nesse contexto considerada a ‘montra’ dos outros três (Educação, Investigação & Desenvolvimento e Produção), consubstanciando e implementando o trabalho produzido nesses âmbitos.

Confesso que, apesar do meu sentimento saudavelmente patriótico me fazer torcer pelas vitórias do Pedro Lamy e da ASM, vou ficar, enquanto adepto sem cor, credo ou bandeira, mais atento aos resultados do projecto Epsilon Euskadi, não podendo deixar de me questionar se este não seria um caminho a seguir com atenção no nosso país (alô Plano Tecnológico?... alô Novas Oportunidades?...alô Empreendedorismo?... alô Projectos de Interesse Nacional?...alô Universidades?...) e, quiçá, copiar naquilo que os resultados demonstram (ou demonstrem) ter de positivo, salvaguardadas as diferenças de escala e as necessárias adaptações a uma diferente realidade.

Lembremos que estava prevista a presença de Ivan Platas, da Epsilon Euskadi, no ‘1º Workshop de Motorsport da Covilhã’, em Dezembro último, para fazer a apresentação do referido Mestrado.

Angel Burgueño ao volante do Epsilon Euskadi ee01. Fonte: www.epsiloneuskadi.com