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Le Mans Portugal com a ASM nos 1000km do Algarve: Dia 2 (Quarta-Feira)

por Hugo Ribeiro, 30 de Julho de 2009 2 Comentários

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Dossier: O Le Mans Portugal com a ASM Team nos 1000km do Algarve — Parte 3 / 8

Hoje chegamos ao circuito apenas à hora de almoço após 90km de viagem (encontro-me 'hospedado' em Tavira onde reside o meu irmão), encontrando a equipa naquele que será possivelmente o almoço mais sossegado dos próximos dias. A equipa esteve durante a manhã a preparar o Ginetta-Zytek para as verificações técnicas que decorreram à tarde, 18 horas no caso da ASM, preparação essa que continuou tarde fora na maior da normalidade... é rotina.

Durante uma pequena pausa após o almoço, estivemos a conversa com os diversos elementos da equipa ficando a conhecer um pouco mais da realidade da ASM. Não sei se o referimos ontem, mas voltamos a o referir: É evidente o orgulho que têm em estar a competir com uma carro que ostenta as cores nacionais, ficando também claro, que apesar dos poucos elementos estrangeiros na equipa, a aposta é mesmo essa — equipa portuguesa, piloto português, técnicos portugueses —, mas não é fácil pois é complicado encontrar gente com experiência, e com formação especifica para estar ao mais alto nível no desporto automóvel.

Também ficamos a conhecer melhor, por via indirecta, o piloto Olivier Pla e a estima que ele tem entre os mecânicos e engenheiros. Não devem ser muitos os pilotos que entram box quando os mecânicos entram, e saem quando estes também o fazem. Ver uma foto do Olivier a aspirar o carro, literalmente, sem ninguém lhe ter pedido para o fazer, dá conta da humildade deste grande talento, que, como os elementos da equipa técnica afirmam, foi um verdadeiro achado. Não só é um piloto rápido e agressivo, competitivamente falando claro está, como também não diz que não quando é preciso sujar as mãos com o carro e faz o que for preciso para ajudar com o carro, tentando sempre passar o máximo de tempo possível com os mecânicos e os engenheiros, apesar deste saberem que muitas das vezes ele deveria era estar a descansar e a prepara-se para o trabalho que tem em mãos: Guiar o GZ 09S da ASM às vitórias.

Como nem tudo corre sempre bem, e por vezes o LMP acaba na gravilha ou no muro, também me revelaram que nessas ocasiões, ele é capaz de chegar à box e em vez de lamentar a curva mal feita que possa ter feito, ou qualquer erro de condução, o Olivier lamenta-se de ter 'estragado' o trabalho que eles, na Box, realizaram para lhe dar a melhor hipótese de lutar pelas vitórias.

Enquanto o via-mos na Box da ASM, tanto ontem como hoje, e vendo o panorama nas restantes boxes, várias vezes nos interrogamos sobre quantos no lugar dele já não teriam pedido a alguém que os levasse de volta ao hotel, ou neste caso, dado o calor infernal do Algarve, quantos não estariam na praia em vez de estar com a equipa nas Boxes. De lá, só saiu devido ao facto de hoje estar programada uma sessão de autógrafos, assim como uma recepção para convidados. Pode parecer de pouco importância, mas a camaradagem entre o Olivier e a equipa é enorme e o carinho como todos falam do Olivier demonstram a capacidade de motivação que este jovem piloto francês têm na equipa técnica.

Durante a tarde, falei com o Data Engineer da ASM, Francisco freitas, que trabalha como freelancer e não a tempo inteiro na ASM. A entrevista, que publicaremos mais tarde pois o dia é curto, que além de uma explicação detalhada dos dados que controla, também abordou a sua carreia e o processo de aprendizagem, académico e não só, que o levou até à ASM como Engenheiro de Dados, ou Técnico de Telemetria se assim preferirem. A não perder...

No final da Tarde, chegou finalmente a hora estipulada para a ASM se apresentar nas verificações técnicas. O carro, à muito que se encontrava pronto, e a equipa partiu em direcção ao início das Boxes para se dirigir ao camião da organização. Em conversa com Luís Rodrigues, responsável pela Logística tanto da equipa do LMS como da equipa de GTs da ASM, este explicou-nos os procedimentos: "O Scrutening processa-se em 4 etapas: 1ª parte, peso e medidas (comprimento, largura e altura da asa), na 2ª parte são verificados os fundos planos e respectiva altura, os difusores, os autocolantes obrigatórios pelo regulamento, na 3ª parte, é verificada toda a parte eléctrica, o carro tem uma caixa de ACO que é verificada, e verificam o motor. E, por fim, são verificadas as luzes que dão a indicação da posição do carro na classificação (primeiro, segundo ou terceiro), o switch que permite verificar, no painel, qual o piloto que está em pista..."

Apesar da toda o trabalho de preparação por parte da equipa, a organização alertou para alguns problemas, no entanto, nada que tirasse o sono à ASM como afirmou o Luís: "Correu tudo bem. Houve apenas duas pequenas coisas: na traseira há que cortar um pouco de carbono, que está ligeiramente para além da medida regulamentar, coisa que se corrige em segundos; a outra é a ausência de uns selos obrigatórios no motor, que a Zytek terá de pedir à organização e colá-los. Por isso, amanhã vamos ter de voltar là para mostrar que já está tudo corrigido. São apenas pormenores de rotina, que não têm nada de especial."

E assim é... podemos garantir que ao longo o dia, alguns dos participantes do LMS foram mais de uma vez às verificações, e a Oreca até teve de levar ambos os Oreca 01 AIM de novo ao camião da organização, algo que não foi necessário a ASM fazer, mas é uma rotina pois à sempre alguma coisa que falta ou que falha, e as verificações técnicas servem precisamente para tal, e não como um exame cujo desfecho pode ser a reprovação. Sempre que é detectado um problema, é sempre dado um tempo à equipa para esta poder proceder às alterações exigidas ou recomendadas.

No regresso à box, a equipa aproveitou para fazer as marcações no chão do pit-lane para os pit-stops, aproveitando para ensaiar o autêntico bailado que é o pit-stop no LMS, onde conseguiu ser em média, 5 segundos mais rápida do que o habitual após testarem uma nova coreografia,