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WEC / 6H Spa: Antevisão

6 Horas de Spa-Francorchamps WEC — Antevisão das estratégias de corrida

por Pedro Correia, 2 de Maio de 2015 Sem Comentários

© FIA WEC

Depois de umas electrizantes 6 horas de Silverstone, corre-se no mítico circuito belga de Spa-Francorchamps nova corrida de 6 horas onde se jogam, além dos preciosos pontos para o Campeonato do Mundo de Endurance, algumas cartadas que poderão ser decisivas para o sucesso ou insucesso nas 24 horas de Le Mans, que estão apenas a seis semanas de distância.

Assim, Porsche e Audi inscrevem um terceiro carro, com as formações a apresentar em Le Mans e a marca dos quatro anéis introduz também a versão aerodinâmica específica para a maratona francesa, substancialmente diferente, projectada para bastante menor arrasto aerodinâmico, sacrificando algum apoio. A grande novidade é que, ao contrário de 2014, em que a opção foi apenas o terceiro carro, sem objectivos em termos de pontuação para o campeonato, foi escolhido para correr na versão "Le Mans", enquanto agora surgem em Spa os dois carros regulares do campeonato a competir na versão "Le Mans", enquanto o terceiro carro, onde pontifica o português Filipe Albuquerque, se apresenta na configuração mais convencional. Uma opção que poderá parecer estranha à primeira vista, já que, apesar de Spa-Francorchamps ser uma pista bastante rápida, com velocidades médias por volta bem acima dos 210 km/h, tem um miolo de curvas de média velocidade em que uma configuração com um pouco mais de apoio aerodinâmico é bastante favorável, o que se verificou em 2014. No entanto, analisando os tempos realizados pelos carros com ambas as configurações em 2015 a situação é diametralmente oposta, pois a versão "Le Mans" é bastante mais rápida também aqui em Spa e um dado que talvez ajude a perceber porquê é o registo de velocidade máxima.

Spa 2014 Spa 2015
Versão Convencional Volta 2:00.738 1:57.633
Vel máx 288.0 km/h 283.5 km/h
Versão "Le Mans" Volta 2:02.347 1:55.114
Vel máx 302.5 km/h 309.5 km/h
Diferença Volta +1.609 -2.519
Vel máx +14.5 km/h +26.0 km/h

Com efeito, enquanto em 2014 a versão "Le Mans" representava um ganho de 14,5 km/h em relação à versão convencional, este ano o ganho é de uns impressionantes 26 km/h, o que ajuda a explica porque é que agora é 2,5 segundos mais rápida, enquanto no ano passado era 1,6 segundos mais lenta. A versão convencional, apesar de subir para o dobro de energia regenerada, apresenta velocidades mais baixas que a versão 2014, o que pode ser explicado pela maior carga aerodinânica, que é comprovada pela forma impressionante como o carro curvava em Silverstone, enquanto a versão "Le Mans" ganha 7 km/h à versão 2014. Mas como se comporta então esta versão no longo segundo sector de Spa-Francorchamps, que engloba a maior parte das zonas sinuosas da pista?

Audi #7 (Lotterer) Audi #7 (Fassler) Audi #8 Audi #9 Toyota #1 Porsche #19
Sector 2 51.974 52.517 52.789 52.509 53.382 52.891

Bem, especialmente quando pilotada por Andre Lotterer, já que ele foi claramente o piloto mais rápido neste sector, com larga margem, mesmo para os seus companheiros de carro e de equipa e sendo quase um segundo mais rápido que os Porsche, quase segundo e meio sobre os Toyota. Isto parece indicar que a versão "Le Mans" do Audi consegue um importante ganho de velocidade de ponta, essencial em Le Mans, mantendo um bom comportamento nas curvas de média velocidade do miolo de Spa-Francorchamps, o que também será importante em zonas de Le Mans como o Tertre Rouge, Indianapolis, as Curvas Porsche ou as Curvas Corvette, além de ser um indicador de que o carro deverá ser capaz de preservar bastante bem os pneus.

Quanto às estratégias para a Batalha das Ardenas, o pouco tempo de pista seca, com os dois primeiros treinos livres a decorrerem com pista molhada, deu-nos pouca indicação das estratégias a adoptar. No campo da Porsche, beneficiando da menor quantidade de combustível por volta, deverá mais uma vez ser a equipa a parar mais tarde, devendo fazer turnos de 25 voltas em condições normais. No campo teórico poderão fazer 26 voltas mas trata-se de uma situação limite que a equipa deverá evitar arriscar, enquanto Audi e Toyota se deverão ficar pelas 24 voltas por turno, isto apesar das 25 voltas serem teoricamente possíveis para os japoneses, a experiência mostra-nos que normalmente não são capazes de esticar o depósito ao máximo permitido.

Carro Toyota Porsche Audi
Classe LMP1-H 6MJ LMP1-H 6MJ LMP1-H 2MJ
Capacidade do Depósito 68.5  litros 68.5  litros 54.3  litros
Energia máxima por volta 79.6  MJ/volta 78.7  MJ/volta 76.9  MJ/volta
Combustível máximo por volta 2.66  litros/volta 2.63  litros/volta 2.18  litros/volta
Voltas por stint 25  voltas 26  voltas 24  voltas

Prevemos um horizonte de 181 voltas para uma corrida sem Safety Car nem zonas de neutralização, o que poderá fazer toda a diferença entre parar a cada 25 voltas ou cada 26 voltas, o que poderá economizar uma paragem, pelo que não surpreenderia se a Porsche, com um terceiro carro, arriscasse um carro a correr para parar a cada 26 voltas, tentando poupar uma paragem, no entanto, para que dê frutos, a perda não pode ser superior a 0,25 segundos por volta, o que poderá ser um pequeno factor adicionar interesse às lutas estratégicas na corrida.

Stint 1 2 3 4 5 6 7
24 Voltas 23 47 71 95 119 143 167
25 Voltas 24 49 74 99 124 149 174
26 Voltas 25 51 77 103 129 155

Com tempo seco previsto para a corrida, estão reunidas todas as condições para grandes batalhas, com um total de oito LMP1 oficiais a que se junta o CLM P1/01 - AER do Team Kolles, que finalmente se conseguiu superiorizar aos LMP2 mais rápidos.