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ELMS / 4H Estoril: Rescaldo

4 Horas do Estoril ELMS: Um balanço

por Pedro Correia, 9 de Novembro de 2014 Sem Comentários

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Começamos hoje uma série de artigos de opinião sobre as 4 Horas do Estoril. O primeiro de todos é da responsabilidade do Pedro Correia — que representou o Le Mans Portugal na etapa portuguesa do ELMS — seguindo-se a opinião de alguns dos nossos leitores que marcaram presença na prova com o bilhete oferecido pelo Le Mans Portugal no pequeno passatempo por nós organizado. Será uma pequenina amostra dos 17 mil fãs presentes na corrida, mais cremos que um importante feedback.

Desde que foram oficializadas as 4 horas do Estoril como a última prova da edição de 2014 das European Le Mans Series que o mote foi dado "Trazer o público de regresso ao Autódromo!".

De facto, há muitos meses que se iniciou um trabalho de divulgação do evento por parte do ACDME com a preciosa colaboração de algumas pessoas que acompanham estas coisas das corridas há muitos anos e deram a cara pelo evento, nomeadamente o director de corrida do WEC e ELMS, Eduardo Freitas e os comentadores Eurosport João Carlos Costa e Ricardo Grilo. Destacamos a ampla divulgação dada durante a transmissão das 24 horas de Le Mans, que inclui mesmo uma entrevista em directo com Eduardo Freitas do seu posto de trabalho em La Sarthe e a presença em estúdio do presidente do ACDME Carlos Lisboa, dada a reconhecida importância desta transmissão, que consegue colocar em frente dos ecrans de televisão uma audiência várias vezes superior a outras transmissões de automobilismo.

A isto somaram-se algumas parcerias com entidades como a CP ou Hoteleiros do Estoril, permitindo descontos nas viagens e estadias para os adeptos de fora de Lisboa, assim como as autarquias mais próximas, Cascais e Sintra, no sentido de garantir transporte de pontos nevrálgicos dos conselhos para o Circuito.

E apenas se pode dizer que o público português correspondeu com um sonoro "Presente"! As vendas dos bilhetes de Paddock (a um preço verdadeiramente de saldo, simbólico, mesmo para a realidade dos rendimentos da maioria dos portugueses) já indiciavam uma moldura bastante simpática para os poucos resistentes vistos habitualmente nas bancadas do Circuito do Estoril, mas os números finais, com estimados 17000 espectadores a marcarem presente durante o fim de semana a serem um número surpreendente, não só para a realidade portuguesa, mas também quando comparado com as restantes provas do ELMS.

Sendo esta prova um sucesso organizativo reconhecido até pelos responsáveis do ELMS e da Nissan, destacaremos os pontos de vista positivos e menos positivos do evento, tentando destacar a visão do mesmo também pelas opiniões colhidas de quem nunca tinha assistido a uma corrida de automóveis ao vivo, como acreditamos ser o caso de muitos dos espectadores que marcaram presença.

Positivo

  • Em primeiro lugar, o público, claro. As bancadas A, B e "Vip" cheias no Domingo, durante a totalidade da prova, ao contrário do que assistimos à prova das Le Mans Series em 2011, em que as bancadas se foram esvaziando ao fim de pouco tempo, resultaram numa moldura humana que já não se via desde do tempo das Finais Internacionais Renault e a sua reconhecida estrutura promocional. Poderão apontar como principal motivo as entradas serem gratuítas e os bilhetes para o Paddock serem bastante acessíveis, mas já muitos fins de semanas de corridas no Autódromo de portas abertas não conseguiram atrair público
  • Os descontos na CP, nomeadamente no Alfa Pendular, facilitou a viagem de muitos adeptos de norte a sul do país e os bilhetes de ida e volta a 1 euro nas linhas de Cascais e Sintra a juntar aos transfer permitiram a muitos a ida às corridas deixando os automóveis em casa
  • A brochura de apoio ao evento distribuída gratuitamente, servindo de spotting guide, com fotos dos carros e pilotos, além da explicação das classes em competição, foi um excelente meio de aproximar os espectadores do que se passava em pista
  • Os horários, compactos, sem grandes intervalos entre sessões, excepto durante a hora do almoço, eram um risco, pois poderiam originar desagradáveis atrasos, mas tudo correu sem problemas, apesar de bandeiras vermelhas no segundo treino livre, na qualificação dos LMP2 e na primeira corrida da AutoGP
  • O pit walk, que não sendo novidade, pelo contrário, habitual nas provas do WEC e ELMS, com 3500 bilhetes de Paddock esgotados, a prioridade dada pelo ACDME em trazer público em grande número em vez de pensar na parte financeira, colocando os bilhetes a um valor mais elevado, terá conquistado muitos adeptos pela possibilidade de chegarem à fala, tirar uma fotografia e trazer uma foto com os pilotos, donde se contavam, por exemplo, um vencedor à geral das 24 horas de Le Mans, diversos vencedores à classe e um antigo campeão do mundo de futebol até
  • Os pilotos portugueses, que distribuíram simpatia pelo público ao longo do fim de semana

Menos positivo

  • Os transfers, principalmente no Sábado e para Cascais, não funcionaram como planeado e aparentemente ninguém sabia esclarecer se efectivamente haveriam autocarros, onde se deveria esperar por eles no Autódromo ao final da tarde, quer por parte dos elementos da empresa de segurança, quer por parte de membros inquiridos do ACDME. Pelo contrário, no caso de Sintra, havia uma responsável da autarquia que esclareceu os adeptos e os encaminhou para os autocarros
  • O episódio do Parque de Estacionamento 1, que estava reservado para a organização do ELMS, algo que nem nos tempos da Formula 1 se tinha visto necessidade, mais ainda quando se percebeu no Sábado que o mesmo estava praticamente vazio, enquanto os espectadores se viam em grandes dificuldades para arranjar estacionamento, a que se juntou a intervenção da Polícia Municipal e da GNR durante a manhã perante os infractores que usaram e abusaram dos passeios e qualquer canto para estacionarem os carros na Avenida Alfredo César Torres. Subitamente, no Domingo, já não foi necessário reservar todo o Parque 1, sendo parcialmente aberto ao público, reforçando a ideia de que a exigência do ELMS terá sido claramente exagerada
  • Com bastante informação divulgada, o acesso à Bancada E, para quem não é da região e não conhece bem a zona, parece ser quase um tabu. Amplamente considerada a bancada que permite aos espectadores uma melhor perspectiva dos carros em acção, informações de como aceder à mesma seriam bem-vindos e ajudariam mesmo a evitar congestionamentos em frente à Bancada A
  • Tratando-se de uma corrida de 4 horas, com tácticas em acção, diversas situações que podem resultar em penalizações e susceptíveis de resultar em avarias, as características acústicas muito peculiares da Bancada A, resultantes da sua cobertura e o barulho dos motores não permitem ouvir as informações transmitidas pelo sistema de som do circuito. Seria útil um sistema que informasse das classificações, diferenças e eventuais penalizações direccionados para as bancadas, sob a forma de ecrans ou placards electrónicos. Compreendemos que esta situação não é fácil de soluccionar, dado que envolve um investimento ou um parceiro disposto a disponibilizar um sistema que teria custos avultados, mas a partir de certo momento uma prova deste género torna-se muito difícil de acompanhar. Havendo um live timing online, nem todos os adeptos dispõem de pacotes de dados nos seus serviços de telemóvel e mesmo alguns que dispunham destes serviços queixaram-se de que nem sempre a qualidade do sinal de rede permitia a ligação 3G necessária.
  • Os eventos de apoio, como a exposição de automóveis clássicos, a feira de memorabilia, os conjuntos musicais, uma excelente ideia para garantir um programa para toda a família, sem monotonia, por alguma razão não pareceram atrair grande atenção, talvez porque o público não esteja habituado a estes eventos paralelos no nosso país.

Uma nota final que não podíamos deixar de fazer, mesmo destacando a simpatia dos pilotos portugueses, foi a sessão de autógrafos espontânea ocorrida nas traseiras da box da JOTA, no Sábado, logo após o final do segundo treino livres, com Filipe Albuquerque a dar um ar de sua graça, fazendo as delícias de dezenas de portadores de bilhetes de Paddock nas imediações, que puderam obter um autógrafo ou tirar uma fotografia com o seu ídolo, que exibiu a sua espontaneidade e simpatia habitual. Sem dúvida que, para aquelas dezenas de adeptos, estava achado o Campeão do fim de semana.