Le Mans / Notícias

11 de Junho de 2010

24H Le Mans: Declarações e algumas breves pós-qualificação

Oxalá este sorriso se mantenha no próximo domingo à tarde... IMAGEM: Peugeot Sport

Cumpridas as três sessões de qualificação previstas para a 78ª edição das 24 Horas de Le Mans, o nosso destaque vai, como é óbvio, para a Peugeot que não só volta a arrebatar a pole position como coloca os seus três restantes carros (os dois oficias e o privado entregue à Oreca) nas posições seguintes, relegando a Audi para uma posição expectativa.

E para nossa grande satisfação,  amanhã, por esta hora, caberá ao português Pedro Lamy a honra de ser o primeiro piloto a assumir o comando do Peugeot 908 HDi FAP #3 com o qual Sebastian Bourdais conquistou o melhor tempo das qualificações. Depositário das esperanças portuguesas em ver um piloto nacional inscrever o seu na galeria dos vencedores da mais prestigiada prova do mundo desde que em 2007 iniciou a sua aventura como piloto oficial da marca francesa na endurance, Lamy procura uma vez mais a vitória que lhe tem escapado.

Certamente mais motivado do que nunca, depois de vencer as duas últimas provas em que participou - nada mais nada menos que os 1000 Km de Spa, com este mesmo  Peugeot 908, e as 24 Horas de Nürburgring, com um BMW M3 GT2 oficial - o piloto da Aldeia Galega quererá certamente fazer jus ao velho ditado que diz que "não há duas sem três".Para já, Bourdais não escondia, no final das qualificação, a satisfação e a confiança: "Esta 'pole' prova que somos fortes, e agora só temos de transformar essa força numa vitória. Hoje trabalhamos e o objectivo dos últimos 15 minutos foi confirmar o equilíbrio do carro e não ir à procura de melhorar o tempo. Agora quero é a corrida comece, que o tempo vai custar a passar até sábado. Temos equipamento, velocidade e pessoal para ganhar, mas precisamos de manter a humildade e esperar também um pouco de sorte."

Sem conseguir (ou sequer tentar?) beliscar o desempenho da marca francesa - para quem largar da frente, em 'casa',  será sempre um factor de motivação extra - e  relegada para lugares 'subalternos', a Audi estará certamente, e de forma inteligente como é timbre dos alemães, a guardar-se para corrida, que é longa e em que tudo pode acontecer. Sem se mostrar preocupado, Ralf Jüttner, Director Técnico da Audi Sport Team Joest, explica: "Foi outro dia sem quaisquer problemas técnicos, o que é uma boa e importante notícia para nós. Analisamos a informação recolhida ontem [NdR: terça-feira] e seguimos o nosso programa. Entre as duas sessões juntamos as peças do 'puzzle' e o resultado foi todos os pilotos ficarem sé sempre bom mas não era o nosso objectivo prioritário. Agora, é esperar pela corrida."

Olivier Quesnel, Director da Peugeot Sport, ciente de que nada está ainda ganho e a procissão ainda vai no adro, não deixa, por isso, de colocar alguma água na fervura: “Trabalhamos no duro e não poderíamos ter feito melhor, mas ainda não ganhamos nada. Estamos prontos, mas isso não quer dizer que venhamos a ter um fim-de-semana fácil. Conquistar a 'pole' é uma coisa, a vitória é outra bem diferente."

Quem também tem motivos para sorrir é Hugues de Chaunac, patrão da Oreca,  cujo Peugeot 908 se  posicionou como 'guarda--de-honra' dos seus três 'irmãos' oficiais, ao conquistar ao quarto melhor tempo da qualificação, e que tem este ano uma grande oportunidade de brilhar jogando na expectativa do que possa suceder aos carros oficiais da marca do leão. "Claramente, o nosso objectivo era encontrar velocidade pura", explicou de Chaunac, que afirmou ainda: "Concentramo-nos na preparação para a corrida, de os pilotos tiveram oportunidade de experimentar várias condições de pista, e quaisquer que elas fossem - pista molhada, a secar, ou seca - eles mantiveram-se no ritmo certo. Todos trabalhamos bem durante estes dois dias. Era para nós importantes estarmos ao mesmo nível dos outros Peugeot. A nossa missão foi cumprida."

Nicolas Lapierre, encarregue de obter o melhor crono para o Peugeot #4, não se fez rogado e quedou-e a apenas menos de 1,5 segundos do tempo de Bourdais. “Trabalhamos muito bem na procura do melhor acerto possível", afirmou o piloto francês, sem no entanto embandeirar em arco. "Testamos diferentes soluções, nomeadamente nos pneus, e tentamos melhorar até ao mais ínfimo detalhe. O carro esteve bem mas ainda temos de encontrar o melhor compromisso nos pneus na altura certa. Vamos ter de trabalhar muito!"

Darren Turner colocou o Lola Aston Martin #007 na frente entre os protótipos a gasolina. IMAGEM: Aston Martin Racing

Melhores entre os protótipos P1 a gasolina e incapaz de contrariar a superior vantagem dos carros a diesel (à excepção dos R10 privados da Kolles), a Aston Martin Racing deu por cumprida a sua missão, afirmando George Howard-Chappell, o Director da marca britânica, que "todos os pilotos fizeram um bom trabalho e os carros não sofreram nenhum dano, tendo-se mostrado bastante fiáveis ao longo das sessões." Para Darren Turner, autor do melhor tempo do carro #009, "o mais importante é que toda a gente pode fazer bastantes quilómetros com o carro e agora só temos de nos concentrar na corrida."

De um pouco mais atrás na tabela, e a seguir aos dois Lola Aston Martin oficias e ao Oreca AIM, irá sair o Lola Aston Martin #008 privado da equipa francesa Signature Plus, ao volante do qual se irá sentar a piloto belga Vanina Ickx, cujo nome dispensa apresentações. Para Vanina, o 11º melhor tempo obtido (quarto entre os carros a gasolina) "é positivo", pois "o nosso engenheiro queria que entrássemos no segundo 30 e o Franck [Mailleux] fez ainda melhor do que isso."

Sendo quase impossível repetir a melhor classificação de sempre de uma mulher em Le Mans, para a Vanina já seria uma grande satisfação ser a melhor entre os carro gasolina. IMAGEM: Jurgen Evers / Vanina Ickx

Reconhecendo que "poderíamos sempre fazer melhor" , a piloto belga afirmou que "o mais importante é que nós os três tenhamos o ritmo certo durante a corrida" e explicou ainda que o Lola Aston Martin corre com "um kit aerodinâmico com pouca carga, o poderá tornar difícil o final de cada um dos nossos turnos. Mas nas rectas longas, o V12 vai poder 'esticar as pernas." Mailleux, por sua vez, mostrava-se algo "despontado por não ter conseguido fazer o 10º tempo", mas, como reconheceu, "isso pouca diferença faz no cômputo geral."

Na classe LMP2, o chapéu terá de ser tirado à Strakka Racing e, em especial, a Danny Watts, que mostrou uma vez mais ser um dos mais rápidos pilotos do actual plantel de endurance. Graças ao excelente HPD ARX01c, um protótipo cuja rapidez é inquestionável e, de momento, imbatível, e aos pneus de qualificação da Michelin, o jovem piloto inglês deixou a equipa inglesa em extâse. "Foi uma volta absolutamente fantástica", afirmou Piers Phillps, Team Maneger da equipa. "Tínhamos visto a Highcroft conseguir ser pouco mais de 1 segundo mais rápida do que nós alguma vez tínhamos conseguido, mas, honra lhe seja feita, o Danny ainda foi capaz de ir buscar mais algum tempo que nem sabíamos que existia."

"O carro é incrível!", afirmou Watts, que não cabia em si de contente. " Simplesmente fez tudo aquilo que se lhe pediu. Estava equilibrado, consistentes, com excelente tracção, mudanças de direcção perfeitas, potência - tudo - e graças a toda a gente envolvida: HPD, Wirth Research, Michelin re, claro, a malta que o preparou e ajustou o 'setup'. E como este é o 'setup' de corrida, estamos assim em boa posição para a disputa das 24 Horas", afirmou ainda o piloto da Strakka.

Danny Watts, imperial, mostrou que velocidade não falta ao HPD - mas será este capaz de resistir às 24 Horas? IMAGEM: David Lord / Strakka Racing

Com o mesmo motor HPD mas instalado num chassis Lola, a RML colocou-se logo a seguir aos dois protótipos HPD, com o terceiro melhor tempo na classe  - mas bem longe dos tempos obtidos por Watts, no carro #42 da Strakka e David Brabham no #26 da Highcroft, que foi segundo - com Tommy Erdos, autor do melhor tempo da equipa a reconhecer que "não havia hipótese de conseguirmos chegar ao segundo 33, mas tenho a certeza que poderíamos ter feito um pouco melhor, com uma volta limpa". Para o piloto brasileiro, teria sido possível chegar "ao segundo 37 baixo", mas, como explicou, "o tráfego era muito imprevisível e não queríamos correr riscos."

Mesmo assim, Phil Barker, Team Manager da equipa de Ray Mallock, mostrava-se satisfeito e confiante para a corrida: "Foi um bom dia de trabalho e estou muito satisfeito com a forma como tudo se desenrolou. Temos um excelente 'set-up' de corrida, o que é importante. Na sessão da noite corremos já com o 'set-up'  de corrida e todos os pilotos se mostraram satisfeitos com o desempenho do carro, o que, tendo em conta que vão passar 24 horas no respectivo cockpit entre sábado e domingo, mostra bem asituação em que estamos."

Entre os pouco GT1 presentes, o Aston Martin DBR9 da Yound Driver AMR levou a melhor, com o checo Thomas Enge a marcar o ritmo, mas por uma diferença muito curta (menos de 1 segundo) para os Ford GT #70 da Marc VDS e #60 da Matech.

Augusto Farfus colocou o M3 #78 na sétima posição da classe GT2, com Charlie Lamm a reconhecer que a BMW ainda tem muito trabalho pela frente. IMAGEM: BMW AG

Na classe GT2, o destaque vai para a penalização de que foi alvo o Ferrari #82 da Risi, ao volante do qual Gianmaria Bruni havia alcançado a pole na classe, que se viu relegado para a cauda da grelha em virtude de ter sido detectada uma desconformidade na gurney flap da asa traseira, pelos que os dois Corvette oficiais irão assim largar das duas primeiras posições.

Ainda longe da performance dos carros mais rápidos da classe, Charly Lamm, Team Manager da BMW Motorsport, reconhecia o muito trabalho que a marca alemã tinha ainda de fazer: "Ontem [NdR: terça-feira], estávamos ainda longe dos mais rápidos. Mas graças a um intenso trabalho de acerto conseguimos, durante o dia de hoje. reduzir essa desvantagem. Para além disso, os pilotos também vão a pouco e pouco encontrando o seu ritmo, o que é crucial aqui em Le Mans e é por isso que estamos satisfeitos. A cada volta que fazemos vamos ganhando cada vez mais experiência e chegando mais próximo dos nosso adversários. Espero que essa tendência se mantenha durante a corrida."

Com os 7º e 11º melhores tempos na classe, a marca alemã, ainda assim esteve melhor que a Spyker, cujo C8 Laviolette #85 além do 13º melhor tempo, muito embora Peter van Erp, Team Manager da Spyker Squadron, se tenha mostrado "satisfeito  com a forma como tudo correu", revelando que a equipa se iria concentrar durante o dia de hoje, sexta-feira, na substituição do motor para a corrida.  Logo atrás, o novo Aston Martin Vantage denotava ainda naturais problemas de juventude - pese embora ter passado incólume a sua primeira prova de fogo não deixe de ser relevante.

Ainda nesta classe, nota final para a desistência, que se lamenta, de um outro Ferrari, o #96 da AF Corse, cujos estragos (bastante extensos, na traseira, com sinais de terem afectado o próprio chassis, conforme o Hugo pôde testemunhar) resultantes do violento acidente de Matias Russo, na terça-feira, se mostraram impossíveis de ser resolvidos em tempo útil, vendo-se a equipa obrigada a retirá-lo da corrida.

Fonte: as declarações foram retiradas dos comunicados de imprensa das respectivas equipas.

Deixe o seu comentário




Newsletter

Loading...Loading...


Redes Sociais