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24h Le Mans: Audi faz pleno, Peugeot cai com estrondo, ASM com sentido do dever cumprido
por Vitor Ribeiro, 13 de Junho de 2010 25 Comentários

Olivier Pla a caminho do sue último turno. IMAGEM. HR/lemansportugal.com
Hecatombe. Foi uma verdadeira hecatombe a que se abateu sobre a Peugeot, com a desistência dos seus quatro protótipos (três oficias e o alugado à Oreca) e a entrega do pódio completo, em bandeja dourada, à sua grande rival alemã, a Audi - e tão cedo, os homens da marca do leão não se esquecerão deste dia e da imagem dos três carros alemães a cortar a meta em formação ordenada...
E para nós portugueses, fica também a imagem do desespero do pole man Sebastian Bourdais que, já equipado para substituir Pedro Lamy no Peugeot #3 que na altura liderava a prova, não escondia a frustração, denunciando aquilo que só viria a ser confirmado pouco depois e, uma vez mais, retiraria a Lamy a hipótese de acrescentar ao brilhante currículo a vitória em Le Mans que lhe tem escapado.
Mas antes de lá chegarmos, comecemos pela categoria P2, aquela que motivou a nossa ida a Le Mans, para acompanhar a 5ª aventura da equipa portuguesa Quifel ASM Team na clássica francesa de endurance - uma aventura para a qual a equipa partia cheia de esperanças e boas expectativas, mas da qual regressa com o menor dos prémios de consolação.
Terminar a prova, depois de um quarto lugar em 2008 e de três desistências, a última das quais ao fim de apenas quatro horas de prova em 2009, merece obviamente destaque, pois só quem conhece Le Mans perceberá o desafio que a prova representa e o quanto o simples terminar a prova já constitui para muitos, e em particular para os que, como a ASM, não possuem orçamentos bem 'recheados', prémio mais do que suficiente numa prova desta natureza.
A prova do Ginetta Zytek português até nem começou mal, dentro do que era esperado face ao poderio demonstrado pelos HPD da Strakka e Highcroft na qualificação. Com uma estratégia diferenciada da Strakka, que apostava em turnos triplos para Danny Watts e Johnny Kane e duplos para Nick Leventis, procurando dessa forma, certamente, poupar ao seu 'elo mais fraco' tempo de pista e o risco de se repetirem os erros de Spa, a ASM dava preferência a turnos triplos para todos, de forma a poupar Miguel Amaral ao grosso do período nocturno da prova.
A ideia era apostar na contenção e na expectativa, não 'correndo' atrás dos HPD no que seria uma louca tentativa de não os deixar fugir demasiado, tarefa que seria inglória, dada a diferença, visível nos tempos da qualificação, entre os dois protótipos. Menos dois ou três segundos por volta, que a equipa acreditava ser Pla capaz de fazer, pouca diferença faria e seria antes um risco muito elevado.
Tudo corria bem, com o carro a rodar consistentemente entre o 3º e o 4º lugares, até um pião seguido, cerca de duas voltas depois, de um furo lento ter deixado Miguel Amaral um pouco mais distante do Lola HPD da RML - incidentes normais de corrida, no entanto, que estavam ainda longe de pôr em causa um bom resultado. O pior estava ainda para acontecer.
Até aqui, com os HPD #42 e #26 a distanciarem-se a um ritmo impressionante, Pla, Hughes e Amaral, nos seus primeiros turnos, limitavam-se a manter debaixo de olho o Lola HPD da RML e o Pescarolo Judd #35 da OAK, sempre na expectativa do que se passasse à sua frente.
Mas eis que, cerca das 5:00 da madrugada, o alarme soa na box da equipa portuguesa. Pla regressa com problemas de transmissão, que tem de ser trocada, e com isto perde cerca de 5 voltas caindo para o 5º lugar da classe e ficando com o pódio cada vez mais distante.
Mas como um mal nunca vem só, eram cerca das 7:00 da manhã quando Miguel Amaral, de volta ao volante, perde ligeiramente o controlo do carro na travagem para Arnage e tem uma ligeira saída de pista, e sem consequências, pelo menos substantivas, no carro prossegue. Mas logo na travagem seguinte uma das rodas bloqueia e o gentleman driver português pouco pode fazer - o carro bate forte e a equipa vê-se agora obrigada a uma paragem mais longa para tentar recolocar o carro em condições de, pelo menos, terminar a corrida.
E é já com cerca de 50 voltas de desvantagem para o HPD #42 da Strakka, que o protótipo da equipa de António Simões regressa à pista. Com o pódio à distância de uma hecatombe entre os carros que seguiam à sua frente, a Pla, Hughes e Amaral e à equipa ASM restava agora procurar cumprir os serviços mínimos - levar o carro até ao fim e ser a primeira equipa portuguesa a participar e terminar a prova.
Ainda antes de ser substituído, Amaral ainda sofreu um 'chega para lá' de um Audi - algo, infelizmente, normal da parte dos carros da P1 que se julgam no direito de passar quando, onde e como querem - e que o diga também um dos Corvette, como procurava explicar Oliver Gavin...
Sem esconder alguma tristeza por não saírem de Le Mans com um pódio - que era, confessadamente, o grande objectivo da equipa depois de o ano passado se ter sagrado campeã LMS - o sentimento reinante no seio da equipa portuguesa era, claramente, o do dever cumprido. Ao olharmos para a tabela final, é impossível não deixarmos de amargamente pensar que, não fossem os problemas havidos - mas Le Mans é sempre Le Mans... - e ao invés do 7º lugar entre os P2 e 20º da geral alcançados, bem poderia a ASM levar para casa um pódio na classe e um histórico lugar entre os 10 primeiros... de facto, o carro da Strakka foi o segundo (!) melhor dos carros a gasolina e entre os 10 primeiros classificaram-se 5 (!) carros da classe P2, o que diz bem dos problemas que se abateram sobre os P1.
Voltando ao início, e como dissemos atrás, a hecatombe na P1 começou logo no final do turno do Pedro Lamy, quando este se vê obrigado a fazer uma volta quase completa com aquilo que aparentava ser, senão pneu furado, problemas de suspensão. O carro chega ao pit e de imediato é recolhido. Bourdais, já equipado para entrar, é o primeiro a saber o veredicto e não consegue esconder o desalento - o problema poderá ter sido a quebra de um ponto de fixação da suspensão, com consequências, irreparáveis no imediato, na monocoque. Era o principio de uma prova negra, muito negra, para a marca do leão.
Absolutamente autoritários, como já o haviam demonstrado na qualificação, os Peugeot entraram 'a matar'. Lamy, a quem coube a honra de largar da primeira posição, graças à volta canhão de Bourdais na qualificação, não se faz rogado e segura a liderança. A marca francesa coloca os seus quatro carros na frente, com o 908 entregue à Oreca a servir de tampão aos Audi, e começa a cavar uma diferença aparentemente intransponível, não fosse Le Mans uma corrida de... resistência.

Pedro Lamy, em quem se depositavam as esperanças portuguesas numa vitória à geral, foi uma vez mais infeliz. IMAGEM: Frederic Le Floc / DPPI
E, de facto, talvez tenha sido isso que Olivier Quesnel e os seus homens tenham esquecido: que em Le Mans não ganha necessariamente quem anda mais rápido mas sim quem chega ao fim... em primeiro! Bater sucessivamente a volta mais rápida, levar o carro aos limites, quase como se sentissem a necessidade de humilhar, logo de início, os seus vizinhos e rivais, talvez não tenha sido a estratégia mais inteligente - se é que foi essa a estratégia, pois é sempre muito fácil falarmos no fim, mas só quem lá anda sabe as linhas com que se cose e há imponderáveis para os quais não há nada a fazer.
Neste entretanto, já Nigel Mansell havia saído de pista, após Mulsanne, pouco mais de 20 minutos passavam sobre o início da prova. O carro bate fortemente e a equipa médica é chamada, tendo o ex-campeão de F1 inglês ter de ser retirado do carro com ajuda. Felizmente, terá sido mais o choque que outra coisa, saber-se-ia mais tarde. Acabava assim, mal tinha começado, o sonho da família Mansell, faltando saber agora se a equipa (depois de já ter falhado Spa, supostamente para se preparar melhor para Le Mans...) regressará ao LMS...
Entretanto, a luta pelas primeiras posições prossegue... entre os pilotos da Peugeot, com os três Audi na expectativa, logo atrás. Kristensen, com cerca de 3:30 de corrida causa algum nervosismo ao não evitar um desaguisado com o BMW Art Car, levando Wolfang Ulrich a protestar com alguma veemência junto de Charly Lamm... Enfim, um bom motivo de interesse e discussão certamente para os jornais alemães, esta luta particular entre os dois colossos da indústria automóvel alemã.
Com seis horas de prova, os três Peugeot sobreviventes prosseguem a sua heróica caminhada, enquanto logo atrás seguiam dois dos Audi, com o #7 a perder uma posição para o Lola Aston Martin #007 devido à paragem nas boxes mais prolongada a que se vira obrigado na sequência do toque no Art Car da BMW. Na P2, os HPD dominavam a seu belo prazer, com a ASM em 3º e uma vantagem de cerca de dois terços do circuito sobre o fiável Pescarolo Judd #35 da OAK e uma volta sobre o Lola HPD da RML. Na LMGT1, o Corvette #73 da LAA aproveitava os problemas no Ford GT #60 da Matech, tendo o carro 'feminino' #61 da equipa suíça de Martin Bartek já desistido com um principio de incêndio. Na LMGT2, dominava o Ferrari #82 da Risi mas com o Corvette oficial #64 por perto. Aqui é justo referir a extraordinária luta entre estes o dois carros, com Jaime Mello, no carro italiano, e Oliver Gavin, no americano, a protagonizarem alguns dos melhores momentos da corrida, até o Ferrari começar a sentir problemas na caixa de velocidades que o fariam atrasar-se irremediavelmente.
Pouco depois de passadas as primeiras seis horas de prova, o luso-francês Manu Rodrigues, na sua primeira participação em Le Mans e sem qualquer experiência anterior em protótipos, não consegue evitar uma forte saída de pista, com danos significativos na frente do carro. Nesta altura, também o outro luso-francês presente, Frédéric da Rocha, estava fora de prova, uma vez que a sua equipa, a Pegasus de Claude e Julien Schell, não terá conseguido resolver um problema na caixa de velocidades do seu novíssimo Norma M200 Judd, um carro que fazia a sua estreia absoluta nesta corrida.
E eis que durante a 8ª hora, os alarmes voltam a soar na box da Peugeot, sendo desta vez Gené, que seguia na liderança a encostar o carro #1 para reparações a problemas no alternador, deixando agora o carro #2 na frente, seguido do Peugeot da Oreca. De regresso à pista, irá mais tarde bater o tempo da pole de Bourdais, na tentativa de regressar aos lugares da frente. Durante a noite e parte da manhã, irá estar ao rubro a luta entre Audi e Peugeot, naquele que terá o sido o melhor período da prova, na medida em que os problemas que vão afectando os Peugeot irão acrescentar à prova a emoção que lhe parecia arredada ao início, com o 'rato' (Peugeot) a ver-se obrigado a fazer o papel de 'gato' oferecendo-nos alguns belos momentos de aproximação aos Audi, que entretanto se foram chegando à liderança, e ultrapassagens onde a força dos carros franceses era evidente e os alemães pouco podiam fazer para contrariar - a não ser... resistir resistindo até ao final, que é afinal do que se trata Le Mans!
Mas, já depois de Montagny, que liderava na altura a prova, se ver obrigado ao princípio da manhã a encostar o Peugeot #2 em Tertre Rouge, com um principio de incêndio, naquela que era segunda desistência entre os carros franceses, eis que novo golpe de teatro deixa Olivier Quesnel em lágrimas e, sem palavras, a não conseguir mais que responder à repórter do Eurosport com um acenar de cabeça. Era 1:00 da tarde, cumpria-se a 362ª volta e faltavam apenas duas horas para o final.
Hughes de Chaunac, patrão da Oreca a quem fica agora acometida a ingrata tarefa de salvar a 'honra do convento' da marca francesa, consola Quesnel, que não consegue esconder a profundidade da desilusão - e, quem sabe, do receio das consequências que tamanho 'espalhanço ao comprido', passe a expressão, possa ter no programa futuro da Peugeot na endurance... Poderão de facto aquelas lágrimas esconder a consciência de 'espada de Dâmocles' que se encontrava suspensa sobre esse programa? Até que ponto novo sucesso seria necessário para convencer os responsáveis Peugeot a prosseguir o esforço de produzir novo carro ou desenvolver o híbrido já apresentado o ano passado? Só tempo o dirá, ficando agora também por saber se, perdido o prémio mais apetecido, a Peugeot irá procurar a consolação possível investindo no titulo do LMS... a continuar nos próximos episódios.
Na box da Audi, os sorrisos começam-se a abrir, e nem Reinhold Joest consegue conter um sorriso mais maroto...
Mas a história da 78ª edição das 24 Horas de Le Mans ainda não termina aqui, porque não tardará muito que o consolador de Chaunac venha também a precisar de... consolo! Pois como não há duas sem três - nem, pelos vistos, três sem quatro... - passada cerca de meia-hora sobre a desistência do último 908 oficial, também Loic Duval, na altura ao volante do 908 da Oreca, encosta o último representante da marca francesa na zona da curva Indianapolis, com sintomas idênticos aos que o #2 havia apresentado.
Fim de festa, fica o registo do bonito gesto de Quesnel a ir à box da Audi cumprimentar Ulrich e aplaudir a equipa alemã. Fica bem. Ulrich, por sua vez, também acaba por deixar soçobrar a sua habitual e germânica frieza e não consegue evitar algumas lágrimas, mas de felicidade, por um 1-2-3 que estaria, por certo e inicialmente, bem longe das suas cogitações mais optimistas.
Para a história fica a imagem dos três carros alemães a cruzarem a meta em formação ordenada no adeus do R15 a Le Mans.
Para a Peugeot deverá ficar uma boa lição, a colocar em lugar bem visível no carro que venham a desenvolver para o futuro.
Para Pedro Lamy fica o desconsolo de mais uma oportunidade ingloriamente perdida.
Para a ASM, e como dissemos atrás, a satisfação do dever cumprido e a consciência da dificuldade que irá ser fazer frente, no que resta do LMS, ao HPD da Strakka , o qual é de facto - e sobretudo nas mãos de Danny Watts - de outro 'campeonato', pese embora o desconsolo por não ter chegado ao tão ambicionado - e merecido - pódio.
Para finalizar, vale a pena assinalar que o Oreca AIM acabaria por herdar já no final da prova a 'vitória' entre os 'gasolinas', depois da desistência do Lola Aston Martin #007 oficial, com o HPD da Strakka a ser, surpreendemente, segundo, graças à hecatombe entre os P1 que permitiu ainda a entrada de mais outros quatro (!) P2 entre os dez primeiros da geral. E sem a Pescarolo presente, merece ainda destaque a colocação de dois Pescarolo Judd LMP2 (da OAK Racing) entre os dez primeiros, demonstrando a fiabilidade dos carros do recordista de presenças em Le Mans que se viu este ano afastado da pista ao fim de mais de 40 (!) anos de presenças ininterruptas (primeiro como piloto, depois como chefe de equipa). Na classe LMGT1, a Larbre passaria o duro teste ganhando uma corrida para a qual os bonitos Ford GT não pareceram talhados, enquanto na LMGT2 a vitória acabaria por sorrir ao Porsche #77 da Felbermayr, beneficiando dos problemas que o Ferrari da Risi e os dois Corvette oficiais tiveram.
Logo que possível, publicaremos uma entrevista a Henri Pescarolo efectuada durante o fim-de-semana, bem como uma galeria de fotos do trabalho da equipa ASM durante as últimas horas e da prova em geral. Também brevemente contamos publicar a crónica dos últimos dias do lemansportugal.com com a equipa portuguesa, a cujos membros, e em especial a António Simões e Maurício Pinheiro, desde já enviamos os parabéns pelo trabalho realizado e muito agradecemos o acolhimento que nos deram.
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Consigo entender o ponto de vista do colega Carlos Videira e valerá a pena entendermos o que ontem aconteceu, mesmo se também eu tenha censurado (talvez pelo que aconteceu ao nosso Lamy) a opção estratégica que certamente considero errada, já o disse, tomada pela marca francesa.
Dentro desta corrida houve muitas corridas e uma delas foi a da Peugeot. Se por um lado censuro a opção da Peugeot por ser tudo menos racional por outro lado quer-me parecer que esta corrida vai ser lembrada durante muito tempo.
Analisando rapidamente e em termos gerais as corridas que houve em Le Mans e sem me querer armar em poço de sabedoria podemos encaixá-las em alguns poucos tipos distintos e práticamente opostos de estratégia.
1º Modelo 1- A corrida dominada por um grande concorrente que inscreve vários carros e utiliza todos os meios para vencer, empregando primeiro um carro lebre que vai estoirar puxando pelos adversários, para depois ver os adversários, fracos, cairem derrotados pelo ritmo da lebre. Casos de 1966, 1970 e 1971. Casos recentes das vitórias da Audi que se encaixam também grosso modo nesta categoria. Outras certamente.
2º Modelo 2- A corrida é dominada por um grande concorrente que inscreve vários carros e utiliza todos os meios para vencer empregando primeiro um carro lebre que vai puxar pelos adversários. Ao contrário da hipótese anterior, o grande concorrente perde quase todos os peões em jogo restando-lhe finalmente um carro que é derrotado pela sabedoria do adversário, como dizem os franceses, rusé! 1969!
3º Modelo 3- A corrida que conta com dois adversários fortes, cada um deles atirando para a frente carros lebre que se degladiam e destroem mutuamente. A eles sucedem-lhes outros carros das mesmas equipas que entre si lutam e destroem-se novamente. os grandes protagonistas desaparecem e fica um outsider finalmente, segunda ou terceira equipa que ganha discretamente, caso de 1965.
A corrida de ontem foi atípica. Não encaixou em nenhum destes modelos clássicos. Dois adversários muito fortes defrontaram-se com armas quase iguais. O protagonista pretendeu impor o ritmo desde os treinos procurando bater a concorrência. O adversário por sua vez, muito experiente não se deixou levar e deixou-se ficar para trás, enquadrado num esquema de andamento muito rigoroso e acertado. Basta ver que o Mcnish tentou duas ou três vezes passar o Lapierre e não conseguindo, deixou-se ficar para trás não insistindo.
A Peugeot insistiu no ritmo elevado e perdeu o primeiro carro que desde a volta de lançamento fazia estranhos sinais de fumo. Sucedeu-lhe um segundo carro quando o primeiro desistiu. Problemas diversos foram obrigando os Peugeot a perderem progressivamente terreno e a deixarem passar os Audi.
Mas é aqui que eu quero chegar e agradecer à Peugeot o espectáculo.
A Peugeot, nunca baixou os braços e quando perdia um carro lançava para o combate o outro que lhe estava a seguir, até queimar positivamente todos os trunfos mas nunca se dando por vencida, perdeu todos os carros até ao último! Vaidade, arrogância, obsessão ou rivalidade entre pilotos, se quase tudo é censurável ficou-nos de facto este espectáculo fantástico de uma equipa que nunca virou as costas e que lutou até ao fim pela taça.
Penso que é um feito inédito, um tipo de corrida que nunca se viu ( não me lembro de tamanho estrondo em Le Mans ) mas para nós espectadores, foi fantástico e mesmo inesquecível.
Acho que vale a pena pensarmos nisto e vermos a corrida sem os óculos baços do racionalismo e da lógica pois se não fosse isso teriamos provavelmente assistido apenas a mais uma edição das 24 horas, com alguns motivos de interesse mas sem o desenvolvimento épico e apaixonante que esta corrida conseguiu ter.
Quanto aos 1000 Km do Algarve, não vou ter a sorte de estar lá de novo este ano e fazer a minha reportagem particular numa pista que merece receber estes carros fabulosos.
Acabadinho de falar com o Hugo, posso-te reafirmar que a Peugeot, aos olhos de toda a gente em Le Mans, sofreu de um problema que geralmente dá mau resultado: a sofreguidão. Ponto.
Imaginemos que a Peugeot não tinha forçado o ritmo. Não se distanciava assim tanto da Audi, não se punha, ‘à maluca’, a bater o tempo da qualificação (para quê, corroboro a pergunta do Ricardo), e, pelo contrário, fazia-nos acreditar que afinal não tinham assim tanta vantagem que a qualificação tinha sido fogo de vista e Audi afinal podia lutar pela vitória. Talvez tivéssemos, provavelmente (isto são tudo conjecturas, mas a piada destas discussões é essa), luta até ao final, com todos muito próximos e uma luta ao rubro. Como a Peugeot manteria sempre uma reserva de performance (uma espécie de powerboost…), a qualquer momento poderia puxar um bocadinho para manter a Audi em sentido… Se calhar, aí sim, teríamos uma corrida fantástica, com os Peugeot a chegarem ao fim com menos de uma volta para a Audi, mas… a chegarem. Porque me parece que a reserva de performance da Peugeot, relativamente à Audi, dava para isso.
Eu confesso que não vejo nada de fantástico na performance da Peugeot. Le Mans é sagacidade, é tenacidade, organização, capacidade de trabalho e trabalho em equipa, determinação, estratégia, inteligência, capacidade de sacrifício, paciência, capacidade de resistência (humana e material)… e também a velocidade, claro. Mas não apenas a velocidade. Só com muita, muita sorte alguém vence Le Mans só com velocidade.
E eu tenho pena, muita pena, porque, mais do que nunca, esperava que o Lamy ganhasse finalmente.
Bem Haja “Le Mans Portugal” pelo vosso trabalho, pois o meu não me deixou estar a par de nada.
Foi o trabalho mais completo que li sobre o assunto.
Ainda não digeri bem esta estranha corrida. O mais parecido que vi (sim, já tenho uns anitos) foi a marcha demencial do Porsche 917 LH em Le Mans de 1969 (Elford-Attwood) que rodava entre 6 a 10 segundos por volta mais rápido que todos os outros e manteve o mesmo ritmo durante 18 horas, quando já tinha a corrida largamente na sua mão… até partir o motor a duas horas do final.
A ânsia de esmagar a Audi, eventualmente de a humilhar com um resultado desonroso fez com que as desvantagens claras do projecto R15 Plus revertessem a seu favor. Podiam ter perdido um carro por partir o motor enquanto rodava em tempos perto da pole. Mas insisistir na mesma abordagem após o 1º e, ainda pior, após o 2ª aviso… enfim, nem sei bem como classificar esta corrida e a atitude dos franceses.
Lembras Le Mans 69 e lembras muitíssimo bem. Eu se tivesse visto a corrida na altura de certeza não me lembraria, pois ainda não tinha idade para isso, mas já li o suficiente para conhecer a história. E ainda hoje andei com ela na cabeça, a propósito de um comentário que está aí mais abaixo. De facto, ninguém nas corridas (salvo raras e honrosas excepções) para dar espectáculo e emoção mas para… ganhar. Sendo que ‘ganhar’ pode ter diferentes significados consoante sejam os objectivos mas ambiciosos ou mais comedidos – uns ganham chegando em primeiro, outros chegando ao pódio, outros apenas por chegarem o fim e alguns simplesmente estando lá.
Eu também fico com a impressão de a Peugeot ter cometido ‘harakiri’, de terem carro para controlar a corrida sem levar o carro aos limites (mantendo alguma ‘emoção’, ou seja, não se distanciando em ‘demasia’) e no entanto…
É claro que o azar existe (como dizem os espanhóis, ‘que las ay, las ay’…), mas… não terá sido azar a mais?
Enfim: será que com isto a Peugeot faz o resto do LMS (alô Portimão…) para levar o titulo e salvar (o que resta d)a face? E qual será a consequência disto tudo no futuro da marca na endurance? Eu nem quero imaginar as caras dos senhores do conselho de administração…
Devemos partir do principio que a Peugeot fez a corrida no ritmo que consideravam adequado ! com os milhares de kms de testes , certamente sabiam qual era o seu ritmo natural de corrida ! Ainda não sabemos qual a causa de falencia dos motores (motor partido é muito lato…) Poderá até se uma falha de algum fornecedor !
Em qualquer caso a Peugeot fez uma corrida fantastica de ritmo elevado quando comparado com a Audi ! O mérito desta , é igual ao mérito de Matt. Wilson ,se este ganhar uma prova do WRC por todos os outros desistirem !
Experimenta perguntar ao Olivier Quesnel (ou ainda melhor, aos administradores da Peugeot) se eles gostariam de trocar uma corrida ‘fantástica’ como a que fizeram este fim-de-semana pela ‘falta de mérito’ da Audi. Ou será que as lágrimas do Quesnel eram de felicidade por terem feito uma corrida ‘fantástica’? Daqui por vinte anos já ninguém se lembra de nenhuma corrida fantástica da Peugeot mas sim do 1-2-3 da Audi…
As lágrimas eram claro de raiva ! numa coisa dou-te razão , daqui a 20 anos nimguém se recordará que a vitória da Audi foi uma vitoria à Matt. Wilson…
Consideravam adequado rodar em prova em tempos melhores que a Pole position???
Também vi essa e mesmo até ao fim. Foi verdadeiramente a história de David e Golias…
Repararam Olivier Q, quando desiste o último carro pega no seu Blackberry e liga á familia Peugeot
a pedir a demissão?
Parabens Lamy, pela pole, parabens ASM por chegar ao fim, pro ano estou em LE MANS com Portimao de caminho. Força continuem
A maior derrota que já presenciei nesses 25 anos como fã de automobilismo. O fracasso da Peugeot foi maior que seu domínio nos treinos, e acho que nem Doctor Ulrich imaginava que a Audi saísse de La Sarthe com os três primeiros lugares, já que o carro mais novo era justamente o R15+ e não 908.
Pois é agora é fácil comentar falar e opinar estratégias de corrida … se os Peugeot tivessem ganho os mesmos que cantam agora a vitória da Audi estaria a cantar a vitória da Peugeot do tipo “Esmagadores, depois de dominarem os treinos os Peugeots impuseram-se na corrida e foram reis e senhores …”
Enfim a habitual postura invertebrada de quem está sempre “from the bright side”…
Se os Peugeot não tivessem corrido da forma como o fizeram não teria havido nem corrida nem emoção!
E como tudo na vida e independentemente do rigor e pragmatismo a sorte foi aziaga para a Peugeot e desta vez não protegeu os audazes.
Cumprimentos
Como seria de esperar,excelente reportagem do Le Mans Portugal.
Como seria de esperar,vitória da Audi sustentada no rigôr e no pragmatismo.
Não seria de esperar,a atribulada prova de Miguel Pais do Amaral.
Não seria de esperar,a prematura desistência do Pedro Lamy.
Grande vitória da Audi numa edição das 24H verdadeiramente de resistência. Lamy com a malapata do costume, e a ASM com uma corrida honrosa, mas sem louros.
Fantástica cobertura do Le Mans Portugal, nomeadamente o chat que nos permitiu ter um acompanhamento verdadeiramente por dentro da corrida. Pena que quando a ASM começou a ter problemas estivesse tudo a dormir…LOL
ASM missão cumprida! Melhores sds para toda equipa! Le Mans Portugal ok! Peugeot não consegue dar carro vencedor a Lamy!
Sds sport!
Muito pouco, ou nada a acrescentar ao magnifico relato da prova.
Os meus parabéns à ASM, terminar as 24h é por si só já um grande feito. Pode ter sabido a pouco, mas já é um feito digno de nota.
Parabéns ao Le Mans Portugal, que com as suas noticias e o seu chat contribuiu para tornar esta corrida ainda mais interessante.
Um Grande Abraço !!!
Desde os treinos que era de recear a hecatombe.
Quatro carros nos primeiros lugares da grelha, o que interessa tal rapidez numa prova de 24 horas? Quanto esforço mecânico não foi imposto aos 908 para relegarem os Audi para tão longe na grelha. 3 segundos de avanço para os Audi para quê? Em vez de um ritmo assente em opções estratégicas de poupança e regularidade, o que se viu foi sempre um ritmo desmesuradamente rápido marcado por rivalidades e exibicionismo. E não estou a falar de Lamy que é sem dúvida dos melhores da equipa. É evidente que no fim é possível falar mas só quem não sabe o que são as 24 horas, é que poderia acreditar que tamanha rapidez poderia não cobrar nada.
Óptima corrida foi porém o que se viu. Decepção, surpresa e competição. Que mais se pode desejar? Apenas os melhores votos para o nosso Pedro e que da próxima vez consiga um lugar na Audi, que bem o merece.
E tal como todos os restantes colegas do forum tenho que vos agradecer o apoio e as notícias frescas a toda a hora.
Um grande abraço para os irmãos Ribeiro.
Parabéns ao Le Mans Portugal por esta excelente cobertura da prova.
Antes de mais um enorme obrigado a toda esta equipa que nos manteve sempre informados e cujo chat nos permitiu passar da melhor forma uma série de horas; obrigado a vós !
Quanto à prova, penso que a infantil história da lebre e da tartaruga retrata bem este fim de semana em Le Mans ! A Peugeot foi a lebre; rápidos (sempre a fazer menos dois a tres segundos por volta) acabaram por ceder de diferentes formas, sendo no entanto a desistencia do carro de Lamy das coisas mais estranhas que eu tenho visto (a fibra de carbona não parte com duas cantigas ). Muito se tem falado do ritmo elevado a que os Peugeots seguiram; bom se iam nesse ritmo era porque tinham a certezqa de o poder fazer (não acredito em suicidios planeados nestas coisas…) terá faltado um pouco de sorte !(ou algo, que só mais tarde saberemos).
A Audi demonstrou que est “Plus” ´´e um carro resistente mas pouco rápido ! è uma espécie de focus no WRC, só com uma falha da citroen podem ganhar ! foi ir correndo e esperar que a vitória caísse do ceu aos trambulhões ! foi o que aconteceu ! Não tiveram vantagem no uso de pneus, no consumo nem na performance ! o dr Ulrich ainda não deve estar em si coma forma como a vitória caiu do ceu ! (podemos imaginar no jogo entre Portugal e a coreia do norte, em que 5 ou 6 portugueses se lesionem …) No p2 O “nosso” ASM tudo fez para acabar e conseguiu ! esperava-se mais; é verdade bastava terem a mesma sorte da Audi, ir andando e esperar… Coseguiram acabar mesmo depois de amassarem o carrro , o que implica grandes estadias nas boxes. Parabens ao team ASM !
Os meus Parabens à ASM pela participação e ao Le Mans Portugal por uma excelente cobertura do evento.
Que a ASM domine em Portimão.
Um Abraço !!!!