24H Le Mans Entrevista Notícias
24 Horas de Le Mans: Equipa suíça 100% feminina à procura de lugar na história
Quando o ACO divulgou a lista das 55 equipas que viram confirmada a sua inscrição nas 24 Horas de Le Mans, não se pode dizer que a inclusão do Ford GT #61 da Matech, em detrimento do seu 'irmão' #60, tenha constituído uma surpresa.
Sendo certo que em termos meramente desportivos ou competitivos talvez fizesse mais sentido o contrário, o maior mediatismo que a anunciada (e posteriormente confirmada) tripla feminina de pilotos que a Matech fazia alinhar no seu Ford GT #61 terá 'falado mais alto' e levado o ACO a assegurar, desde logo e sem esperar por eventuais desistências, uma vaga para aquele que será certamente um dos carros mais procurados pelas objectivas e microfones...
Felizmente para a competição - e também para a Matech... - e sem qualquer desprimor para com Natacha Gachnang, Cyndie Allemann e Rahel Frey, o trio masculino Thomas Mutsch, Romain Grosjean e o entretanto confirmado Jonathan Hirschi viriam posteriormente a ganhar também o direito a participar na prova, graças às desistências entretanto ocorridas.
Mas por muito que se critique esse eventual excesso de atenção mediática a um carro, não há como evitar dar destaque à presença, que apesar de tudo continua a ser, senão rara, pelo menos pouco vulgar, de uma tripla de pilotos 100% feminina numa das principais provas de um desporto (ou espectáculo) que continua a ser profundamente masculino e onde às mulheres só parece ser reservado um papel meramente 'decorativo'. Honra lhes seja feita, por isso, pois como nos reconheceu Cyndie Allemann, "as corridas de automóveis têm sido desde o início um desporto masculino, sendo essa, claro, a ideia que toda a gente incute às raparigas", razão, entre outras certamente, para que poucas se aventurem nesse meio.
Mas que "as coisas estão a mudar para melhor, a cada ano que passa", Cyndie, a única das três jovens pilotos da Matech que respondeu às nossas questões, não tem dúvidas, "pois há cada vez mais mulheres a correr e a chegar cada vez mais longe", e por isso acredita "que será cada vez mais fácil para as mulheres ganharem respeito no desporto automóvel, no futuro, e uma vez ganho o respeito dos adversários, deixa de fazer diferença quem se senta no cockpit."
Natacha, Cyndie e Rahel serão apenas a 6ª equipa 100% feminina, em 78 edições da prova, a disputar a clássica francesa, e não serão ainda suficientes (mesmo contando com Vanina Ickx, a quarta mulher a apresentar-se em Le Mans, este ano) para fazerem a participação feminina na prova ultrapassar sequer os 2% do total de pilotos registados (para saber mais sobre o assunto, ver aqui)! Para Cyndie, tal não tem nenhum significado especial, uma vez que "assim que coloco o capacete, pouco interesse se sou homem ou mulher - sou simplesmente um piloto! E mesmo que o facto de sermos uma equipa 100% feminina atraia mais atenções, o que tenho a fazer é cumprir o meu trabalho como piloto profissional."
Mas a presença da Matech na edição deste ano das 24 Horas de Le Mans não se destaca apenas pela inscrição de uma equipa 100% feminina. De facto, se mais não fosse, o simples facto de fazerem regressar a Le Mans um dos modelos e silhuetas das mais icónicas e míticas da história da prova já seriam suficientes para atrair as atenções. Versão moderna do fabuloso Ford GT40 que se deu ao luxo de vencer quatro edições consecutivas da prova, entre 1966 e 1969, derrotando a Porsche e a Ferrari no seu próprio terreno, o Ford GT com que a marca americana quis assinalar, em 2003, o centenário da sua fundação - homenageando, ao mesmo tempo, aquele que é, ainda hoje, um dos seus ícones - embora muito longe de aspirar a repetir os feitos do seu antepassado, não deixa de fazer reavivar as memórias de uma das épocas áureas dos sportscars.
Honrada por ter sido seleccionada para participar nas 24 Horas de Le Mans, Cyndie, apesar da sua juventude, não ignora a importância simbólica do actual Ford GT - "um carro fantástico, lindo e com uma história rica" - reconhecendo "sentir o peso da história do Ford GT e a excitação com que as pessoas vêm o seu regresso", ainda para mais numa prova como as 24 Horas de Le Mans, "corrida onde qualquer piloto sonhar tomar parte", e a jovem suíça não foge à regra.
Falta saber, dada a falta de experiência de qualquer uma delas neste tipo de carros e provas, como irão elas enfrentar o desafio. Até agora só um excesso (?) de cautela justificará o fraco andamento demonstrado. Cautela que não surpreende, sobretudo depois dos acidente de Natacha, em Abu Dhabi, e Rahel (este, felizmente, sem consequências), em Spa, pois a palavra de ordem, este ano, é "simplesmente conhecer melhor o carro e a melhor forma de o conduzir, aprender a trabalhar com os colegas de equipa e com a equipa e ir melhorando o desempenho em pista de forma a entrar [no Mundial GT1] no top ten."
Para já, e relativamente em Le Mans, Cyndie e Rahel deverão contar a experiência de Natacha Gachnang, a única das três que conhece a pista graças à prova da Formula Le Mans que disputou em 2009: "Claro que a experiência é fundamental para se conseguir andar rápido o mais cedo possível. Irei aprender o mais que puder e ouvir os conselhos da minha colega de equipa. Como trabalhamos em conjunto, a experiência dela será uma importante ajuda."
A inexperiência das três jovens suíças não é porém nada que preocupe Martin Bartek, patrão da equipa Matech, que na entrevista que nos concedeu em Março (ver aqui) não hesitou em afirmar a sua total confiança na sua tripla de pilotos feminina que irá assim procurar inscrever o seu lugar na já longa história das 24 Horas de Le Mans.
A Cyndie Allemann o nosso muito obrigado pela simpatia e disponibilidade, e votos de boa sorte e um bom resultado às três.




Mas a curiosidade vai para o sexo das/dos “pit babes”… será que vamos ter modelos masculinos a posar com o carro?
Quanto às capacidades delas como pilotos, conheço muitas mulheres que deixam muitos homens a comer o seu pó… a ver vamos
A Natacha já recuperou da perna partida?
Segundo declarações que prestou ao site oficial do FIA GT1, a conclusão da sua recuperação estava prevista para Junho, mas sem especificar se a tempo das 24 Horas ou não. Ela consta da lista que a Matech confirmou ao ACO, mas como tu sabes isso é apenas um pro forma , pois se ela não estiver ok não há nada a fazer.
Hummmmmmmmmmm, demasiado vestidas para poder comprovar as “colidades” das moças.
Penso que tenho de lhes fazer uns castings antes de vos poder afiançar que sejam boas “pilotas”!!!!
Vá, olha que esta é uma casa de respeito…
Por isso primeiro faço-lhes um casting em privado.
Mas agora a sério não sei o que poderão fazer mas que é um belo golpe publicitário isso é.
Claro que é um belo golpe publicitário: vê lá quem nem nós, que somos gente séria, resistimos
Agora a sério: não é de esperar que façam grande coisa. O acidente da Natacha retirou-lhes a possibilidade de correrem juntas pelo menos uma vez antes da prova, e mesmo que ela possa correr, não deverá ainda estar a 100%, pois sempre são uns meses sem pegar num carro. Para além de que lhes falta experiência carro mais lento, enquanto o outro carro da equipa ganhou uma das corridas). Só entendo isso como estando a correr ‘com pinças’, para não comprometerem aquele que é o principal objectivo, as 24 Horas. Mas oxalá me engane.
Só conheço a Natacha pessoalmente de ter trabalhado com ela na AutoGP!
Mas digo que se as outras conduzirem tão bem quanto ela…podem ter um resultado muito melhor.
A técnica de travagem dela é muito superior à grande maioria dos homens pilotos! O Engº de Pista dela disse-me que a nível de travagem só o Jos Verstappen consegue ser melhor…
Para terem uma ideia a nível de pressão de travagem (que pode ser convertida para força exercida no pedal) na zona inicial da travagem ela aplica quase 50% mais do que qualquer outro piloto!