Le Mans
24 Horas de Le Mans ‘09: análise à classe LMP2
por Hugo Ribeiro, 27 de Fevereiro de 2009 3 Comentários
Depois da analise aos inscritos na classe LMP1 para as 24 Horas de Le Mans de 2009, debruçamo-nos agora sobre a classe LMP2.
Na classe LMP2 também se verificaram algumas agradáveis novidades, sendo a maior de todas ao envolvimento oficial da Porsche Motorsport no apoio ao Team Goh (que inscreve o RS Spyder ex-Van Merksteijn) e à Poulsen/Essex.
Embora nunca o tenha dito 'preto no branco', a Porsche sempre deixou a entender a sua discordância com o modelo competitivo da ACO, que subdivide os protótipos em duas classes cuja única diferença (reduzindo ao básico, obviamente) está na dimensão dos motores e no peso, pois olhando para os actuais LMP - desde o Lola B08 aos Ginetta-Zytek 07S e 09S, passando pelos (agora) Oreca-Courage LC7x (excepto o actual modelo E do LC70 LMP1) e Pescarolo 01 - são exteriormente idênticos nas suas versões LMP1 e LMP2, e, justo ou não, é uma questão de conceito, os regulamentos penalizam os LMP2 de forma a que estes não possam lutar de igual para igual com os 'irmãos mais crescidos' LMP1. Encontrando na IMSA (organizador do ALMS) um parceiro que trocou o modelo competitivo da ACO por um que tirasse proveito dos poucos LMP inscritos na sua competição - dessa forma providenciando um espectáculo impossível num país onde só havia, regra geral, 3 LMP1 inscritos, sendo 2 deles os Audi R10 TDi oficiais - a Porsche não tem assim demonstrado grande interesse em estar presente numa prova onde apresenta um currículo invejável e (quase, pelo menos proximamente) inigualável (16 vitórias contra as 9 da segunda melhor marca, a Ferrari), desinteresse que se estende ao seu parceiro privilegiado no ALMS, a Penske Racing, que também nunca fez valer os seu convites directos para Le Mans por força do seu domínio na classe LMP2 nos EUA.
Consecutivamente, circulam rumores que apontam para a 'ascenção' da Porsche à classe LMP1 num futuro muito próximo, que tarda em chegar mas que parece ser inevitável. Há muito que se fala estar a Porsche já a desenvolver um LMP1 e há mesmo quem aposte que este terá motorização híbrida, gasolina/eléctrico, motorização que parece ser a grande aposta da ACO para o próxima regulamentação a entrar em vigor em 2011 - e a prórpia marca alemã, aliás, prepara-se mesmo para lançar o Cayenne Híbrido em 2010. Desta forma, é difícil resistir a uma leitura onde o aparecimento súbito da Porsche não seja visto por outra razão que não o de recolher o máximo de informação possível em Le Mans de forma a preparar um regresso em grande. Por outro lado, em 2008 foram vistos técnicos da Toyota nas boxes da Dome, e o rumor de uma eventual aliança entre os dois construtores tarda a confirmar-se e dia após dia parece cada vez mais improvável.... mas, apenas parece.
Assim,com um carro ráido, fiável e já com provas dadas, o Team Goh e a Poulsen/Essex apresentam-se como as grandes favoritos à vitória na classe LMP2, onde para além do forte apoio técnico, há ainda que contar com dois dos melhores pilotos oficiais da Porsche, Sascha Maassen e Manu Collard, que a marca alemã fez incluir no 'pacote' a disponibilizar ao Team Goh à Poulsen/Essex, respectivamente . Mas a armada Porsche não se fica por aqui...

Uma projecção do que poderá ser o aspecto do Porsche Vitaphone, pelo talentoso Andy Blackmore (www.andyblackmoredesign.com)
A Vitaphone Racing, detentora de um convite pela vitória no campeonato FIA-GT de 2008, e depois de o ano passado tse ter apresentado com aum Aston Martin DBR9 GT1 'alugado' à Strakka Racing, optou este ano pelo Porsche RS Spyder, ascendendo assim à LMP2. A Vitaphone participa no FIA-GT com um Maserati MC12, da classe GT1, carro que nunca foi homologado pela ACO para a mesma classe, e chegaram a circular rumores de que esta estaria a tentar convencer a ACO, a título excepcional (os actuais GT1 serão utilizados pela última vez este ano), mas acabou por se inscrever na classe LMP2 com o Porsche que, ao que tudo indica, será o mesmo que a Horag Racing utilizará ao longo do Le Mans Series, e para o qual procurava financiamento para se apresentar em Le Mans. A Vitaphone deverá apostar em Michael Bartels, patrão da equipa, e no seu habitual companheiro Andrea Bertolini. E apesar da experiência de Miguel Ramos em Le Mans (duas participações), caso se confirme que o RS Spyder é o da Horag Racing, será de esperar que esta coloque um ou dois dos seu pilotos, com Didier Theys à cabeça.
Mas no que toca a equipas semi-oficias na LMP2a história continua...
A OAK Racing (ex-Saulnier Racing) trocou neste defeso a colaboração que havia recentemente iniciado com a Pescarolo por um aliciante convite de colaboração com a Mazda, através da sua filial francesa, a Mazda France, e apresentar-se-á em Le Mans com dois Pescarolo 01 motorizados pelo construtor nipónico. Esta colaboração, que certamente será bem mais pequena e contida do que a Mazdaspeed proporciona à Dayson Racing no ALMS, ainda não sentiu o toque do asfalto e só em Paul Ricard é que poderemos ver qual o seu real valor competitivo, sendo que em 2008 surpreendeu pela positiva (o melhor LMP2 não-Porsche ao longo do Le Mans Series) mas com o Pescarolo 01 ainda e então equipado com o motor Judd.

O Ginetta-Zytek 09s, o novo LMP na equipa portuguesa. IMAGEM: Hugo e Nuno Pereira (Estoril-Race-Photos)
A portuguesa Quifel ASM Team e a GAC Racing (ex-Trading Performance) defenderão as cores do construtor independente inglês Ginetta Zytek, com a ASM claramente um passo à frente pois deverá contar com uma relação preferencial, indo este ano utilizar o novíssimo 09S, equipado também com um revisto e melhorado motor Zytek. Os LMPs da Zytek já deram provas de que, e em boas mãos, são capazes de ombrear sem receios com qualquer outro LMP, Porsche incluída, e não há duvidas que a Ginetta Zytek encontrou na ASM um parceiro capaz de levar os protótipos ingleses ao lugar mais alto do pódio. Além disso, a ASM conta com uma tripla de pilotos muito forte, com Paes do Amaral a afirmar-se como um dos melhores gentlemen-drivers do LMS, Olivier Pla a demonstrar um enorme rapidez em pista e um terceiro piloto de luxo, Guy Smith, muito experiente e também muito rápido, e já co uma vitória à geral nas 24 Horas de Le Mansno currículo - em 2003 na companhia de Rinaldo Capello e Tom Kristensen, ao volante do fabuloso Bentley Speed 8.
Mas a luta pelos lugares do pódio promete mais animação, com a Lola representada por 4 equipas, todas com o B08 coupé, sendo a RML claramente a mais forte, levando já décadas de experiência em Le Mans, e que este ano terá também a Mazda como fornecedor de motores, após ter terminado a colaboração que mantinha com a MG. Com o mesmo conjunto Lola Mazda, surge a Kruse Schiller Motorsports, que este ano avançou também para a compra de um Lola coupé (na verdade é um upgrade do chassis anterior). Com conjuntos Lola Judd, aparecem sem surpresa a Speedy Racing Team Sebah e a Racing Box, a qual depois de uma experiência desastrosa em 2008 (no LMS) com o desactualizado Lucchini apresenta-se este ano com expectativas bem altas, tendo adquirido dois novos LMP da Lola (o 2º ficou entre as reservas).
Por fim, a equipa Bruichladdich - Bruneau, com o seu Radical SR9 AER, justifica a sua presença pela regularidade da sua participação e pelo facto de o seu já desactualizado Radical SR9 ser bem mais competitivo do que o WR LMP2 Zytek, que mais uma vez ficou de fora da clássica francesa.
| Nº | Equipa | Chassis / Motor |
|---|---|---|
| 5 | Navi Team Goh | Porsche RS Spyder |
| 24 | OAK Racing | Pescarolo 01 / Mazda |
| 25 | RML | Lola B08/86 / Mazda |
| 26 | Bruichladdich - Bruneau | Radical SR9 / AER |
| 30 | Racing Box SRL | Lola B08/80 / Judd |
| 31 | Team Essex | Porsche RS Spyder |
| 33 | Speedy Racing Team Sebah | Lola B08/80 / Judd |
| 35 | OAK Racing | Pescarolo 01 / Mazda |
| 40 | Quifel ASM Team | Ginetta Zytek 09S |
| 41 | GAC Racing Team | Zytek 07S |
| 44 | Kruse Schiller Motorsports | Lola B09/86 / Mazda |
| 49 | Vitaphone Racing Team | Porsche RS Spyder |
Reserva
| Nº | Equipa | Chassis / Motor |
|---|---|---|
| R4 | Barazi Epsilon | Zytek 07S |
| R5 | Gerard Welter Racing | WR LMP2 Zytek |
| R10 | Racing Box SRL | Lola B08/80 / Judd |
AMANHÃ:
24 Horas de Le Mans ‘09: análise à classe GT1 e GT2
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tambem sou de acordo em haver 2 categorias pois caso contràrio aconteceria como na f1 em que as equipas que andassem na cauda do pelotâo mais cedo ou mais tarde teriam que abandonar a disciplina e não teriamos tantos carros em pista.
Realmente não faz muito sentido a diferença entre os LMP 1 e 2. Então não fazia muito mais sentido uma categoria só??
O retorno da Porsche oficial na LMP1 é um sonho mas estou em crer que o campeonato dos LMP2 vai ser muito mais disputado e emocionante.
Boa analise. Obrigado.
Abraço
É tudo uma questão de conceito, que só foi realmente contestada pelos fãs quando a Porsche decidiu apostar na LMP2. Pessoalmente sou favorável à existência de duas classes de protótipos… e faço-me explicar.
A ACO, embora não o assuma preto no branco (e a confusão começa logo aí), pretende que a LMP1 seja destinada a equipas oficiais (ou equipas de fábrica) e a equipas/construtores independentes com recursos financeiros capazes de fazer frente aos grandes construtores. Na LMP2, deveriam ficar a pequenas equipas/construtores independentes e as pequenas equipas privadas. Parece simples: Uma classe para os ‘big boys’, e outra para que os pequenos tenham algo porque lutar.
Problemas:
- Como definir o que é um construtor independente?
- Até que ponto uma equipa como a Penske é uma equipa independente ou privada?
- Porque não permitir um pequeno construtor a possibilidade de lutar pela geral?
- Numa situação de equidade, como justificar a uma Audi ou Peugeot, que uma equipa com (teoricamente) menos recursos faça proveito de um carro mais leve embora menos potente como um LMP2 (que têm vantagem em circuitos mais sinuosos como se viu no ALMS) e consiga vencer à geral contra um LMP1 de fábrica?
O formato não é novo, e ao longo da história por diversas vezes houveram classes diferentes dentro na mesma categoria de carros, como nos anos 80 com o Grupo C1 e Grupo C2 onde a ACO parece ter ido buscar a inspiração. A verdade, é que uma equipa como a ASM, com recursos limitados, têm mais chances de ganhar seja o que for neste modelo, no que num com uma única classe de protótipos. No ALMS, os LMP2 mesmo com um regulamento que lhes providenciava equidade com os LMP1, foi evidente que só as equipas com forte apoio oficial de grandes construtores (Acura e Porsche) é que conseguiam fazer frente aos Audi. Os restantes, mesmo a equipa semi-oficial da Mazda (BK Motorsports) pouco melhor conseguiam fazer do que os seus congéneres aqui na europa.
Não será justo, que uma equipa que não conseguia montar um estrutura como a Pescarolo, ou a Oreca, possa lutar por um prémio? Quem quiser tentar a sua sorte na LMP1, frente aos tais ‘big boys’, é livre de o fazer, e quem não quer fazer apenas figura de corpo presente, encontra assim um pequeno oasis onde pelo menos poderá lutar por algo mais do que tentar ficar dentro dos 10 primeiros.