LMS | Notícias
1000km do Algarve: Peugeot do Team Oreca foi rei e senhor na noite algarvia
por Hugo Ribeiro, 18 de Julho de 2010 6 Comentários
Foi sem grande surpresa que o Peugeot 908 HDi-FAP 908 #4 do Team Oreca Matmut venceu ontem os 1000km do Algarve, 3ª prova pontuável para o Le Mans Series, dominando a corrida de fia a pavio e sem rival.
Já era de certa forma esperado este desfecho, embora o ACO tenha resolvido intervir dando mais 4% de aumento no restritor aos P1 a gasolina (na prática, uma entrada de ar com mais 7mm), a se seguiu uma sessão de qualificação estranhamente equilibrada com os P1 a gasolina muito próximos do Peugeot diesel. O que não se esperava era mais uma encenação da largada tipo Le Mans...
Mas o equilíbrio ficaria por aqui porque na corrida tudo voltou a uma certa naturalidade, não sem antes a Rebellion Racing ter decidido comprometer a normalidade da prova ao colocar-se desnecessariamente numa situação que lhe causou óbvia penalização... em ambos os carros. Com efeito, ambos os Lola B10/60 Rebellion da equipa suíça ver-se-iam atirados para o fundo da grelha por diferentes motivos: o #12 devido ao patim de madeira apresentar um desgaste superior ao permitido, e o #13 por ter trocado de pneus entre a qualificação e a corrida. Sobre esta última situação convém lembrar que os carros tem de usar no primeiro turno da prova o mesmo set de pneus que havia sido usado na qualificação.
No arranque, os Lola da Rebellion rapidamente começaram a subir na tabela, e em duas voltas já Neel Jani no #12 era 7º da geral e Andrea Belicchi, no #13, 8º. Enquanto Belicchi ficou por ali, sentindo uma enorme dificuldade em ultrapassar os P2 mais rápidos, Jani foi puxando ao máximo o Lola Rebellion até alcançar e ultrapassar o Lola Aston Martin #008 da Signature Racing, que ia tentando dar a réplica possível ao Peugeot do Team Oreca. Mas a animação na P1 ficaria por aqui, e o Team Oreca prosseguiria sem adversários à altura rumoàquela que é a sua primeira vitória da temporada, colocando sob pressão, com os pontos amealhados, o Audi #7 da Audi Sport Team Joest que lidera a classificação da P1, mas agora por muito pouco.
Já na P2 foi tudo menos o esperado, a partir de perto meio da prova, pois até essa altura o HPD #42 da Strakka liderou a classe com o Ginetta-Zytek 09S #40 da ASM a seguir de perto, pelas mãos de Olivier Pla, até que um despiste de Miguel Amaral, quando havia tomado o comando do P2 da equipa portuguesa, deitou tudo a perder (em separado publicamos a cronica da prova da ASM). Mas se o desanimo já era muito no seio da equipa, rapidamente passou a frustração quando o HPD da Strakka Racing, maior rival da ASM nesta prova, também desiste com problemas mecânicos.
Com estas duas desistências é a OAK Racing que assume o comando mas por pouco tempo, acabando também o Pescarolo Judd #35 por desistir enquanto o #24 se atrasava. No fim, a vitória sorriria à RML, que não vencia uma prova do LMS desde os 1000km de Spa de 2007. Um excelente resultado para a tripla Erdos/Newton/Collins e para o Lola HPD #25 da equipa inglesa. O Team Bruichladdich faria também uma excelente resultado ao terminar em segundo lugar enquanto um terceiro lugar na classe, caído do céu, acerta em cheio na modesta Pegasus Racing dando-lhe o seu melhor resultado no LMS até agora.
A FLM também foi uma caixinha de surpresas, com as duas principais equipas a caírem em menos de 30 voltas. Aliás, a Hope PoleVision (que ocupava os 1º e 3º lugares do campeonato) cometeu mesmo uma verdadeiro Hara-Kiri em solo lusitano, pois se o seu Oreca FLM09 #48 não faria mais de 1 volta, já os lideres do campeonato, o #47, não foram além das 3 voltas... Curiosamente, o segundo classificado do campeonato, o #49 da Applewood Seven, seguiu-lhes as pisadas e também encostou às boxes deixando o caminho livre para o domínio da DAMS, que venceu com o #44 conduzido por Warren Hugues e Jody Firth e colocou o seu segundo carro no segundo lugar.
Na classe Saleen... ou GT1, a Larbre venceu recolocando uma certa ordem natural das coisas na classe que se aproxima da sua extinção no endurance.
Na GT2, a vitória sorriu à equipa italiana AF Corse mas a animação foi enorme, com ambos os Ferrari F430 da AF Corse, os dois Porsche 997 RSR do Team Felbermayr Proton e o Spyker (antes de se ver afectado com problemas) a proporcionarem uma corrida muito disputada. No final, uma vez mais a AF Corse repetiu a dobradinha, com Jaime Melo e Gianmaria Bruni a vencerem na noite algarvia no Ferrari #96.
A volta mais rápida da corrida foi realizada por Nicolas Lapierre no Peugeot #4 do Team Oreca, com o tempo de 1:32.375, realizada a 10 voltas do final da prova.
A próxima prova realiza-se em Mogyoród (Budapeste) no circuito de Hungaroring nos dias 21 e 22 de Agosto, uma prova com uma formato idêntico à corrida de Portimão.
1000Km da Algarve: Corrida
| Cl. | N.º | Nat | Equipa Chassis - Motor | Pilotos | P.º | Voltas |
|---|---|---|---|---|---|---|
| P1 | 4 | ![]() | TEAM ORECA MATMUT Peugeot 908 HDi-FAP | Olivier Panis Nicolas Lapierre Stéphane Sarrazin | 1.º | 215 |
| P1 | 12 | ![]() | REBELLION RACING Lola B08/60 - Rebellion | Nicolas Prost Neel Jani | 2.º | 210 |
| P1 | 008 | ![]() | SIGNATURE RACING Lola Aston Martin | Pierre Ragues Frank Mailleux Vanina Ickx | 3.º | 209 |
| P2 | 25 | ![]() | RML Lola B08/80 - HPD | Mike Newton Tommy Erdos Ben Collins | 4.º | 201 |
| P2 | 41 | ![]() | TEAM BRUICHLADDISH Zytek 07S/2 | Karim Ojjeh Tim Graves Thor-Christian Ebbesvik | 5.º | 193 |
| FLM | 44 | ![]() | DAMS Oreca FLM09 - Chevrolet | Warren Hughes Jody Firth | 6.º | 193 |
| GT2 | 96 | ![]() | AF CORSE Ferrari F430 GT | Jaime Melo Gianmaria Bruni | 7.º | 192 |
| FLM | 43 | ![]() | DAMS Oreca FLM09 - Chevrolet | Gary Chalandon Andrea Barlesi Alessandro Cicognani | 8.º | 191 |
| GT2 | 95 | ![]() | AF CORSE Ferrari F430 GT | Giancarlo Fisichella Toni Vilander Jean Alesi | 9.º | 191 |
| GT2 | 77 | ![]() | TEAM FELBERMAYR PROTON Porsche 997 GT3-RSR | Marc Lieb Richard Lietz | 10.º | 191 |
| GT2 | 92 | ![]() | JMW MOTORSPORT Aston Martin Vantage | Rob Bell Darren Turner | 11.º | 190 |
| GT2 | 88 | ![]() | TEAM FELBERMAYR PROTON Porsche 997 GT3-RSR | Christian Ried Martin Ragginger Wolf Henzler | 12.º | 190 |
| GT2 | 94 | ![]() | AF CORSE Ferrari F430 GT | Luís Pérez Companc Matias Russo | 13.º | 190 |
| GT2 | 89 | ![]() | HANCOOK TEAM FARNBACHER Ferrari F430 GT | Dominik Farnbacher Allan Simonsen | 14.º | 189 |
| GT2 | 91 | ![]() | CRS RACING Ferrari F430 GT | Andrew Kirkaldy Tim Mullen | 15.º | 189 |
| GT2 | 85 | ![]() | SPYKER SQUADRON Spyker C8 GT2-R - Audi | Peter Dumberck Jeroen Bleekemolen | 16.º | 188 |
| GT2 | 76 | ![]() | IMSA PERFORMANCE MATMUT Porsche 997 GT3-RSR | Raymond Narac Patrick Pilet | 17.º | 188 |
| GT2 | 90 | ![]() | CRS RACING Ferrari F430 GT | Phil Quaife Pierre Ehret Pierre Kaffer | 18.º | 187 |
| FLM | 45 | ![]() | BOUTSEN ENERGY RACING Oreca FLM09 - Chevrolet | Nicolas de Crem Bernard Delhez Dominik Kraihamer | 19.º | 187 |
| P1 | 13 | ![]() | REBELLION RACING Lola B08/60 - Rebellion | Andrea Belicchi Jean Christophe Boullion | 20.º | 186 |
| GT1 | 50 | ![]() | LARBRE COMPETITION Saleen SR-7 - Ford | Gabriele Gardel Patrice Goueslard Fernando Rees | 21.º | 184 |
| P2 | 36 | ![]() | PEGASUS RACING Courage LC75 - AER | Julien Schell Frederic Da Rocha | 22.º | 179 |
| FLM | 46 | ![]() | JMB RACING Oreca FLM09 - Chevrolet | Peter Kutemann Maurice Basso John Hartshorne | 23.º | 175 |
| GT1 | 66 | ![]() | ATLAS EFX-TEAM FULL SPEED Saleen SR-7 - Ford | Carlo van Dam Stephane Lemeret Julien Schroyen | 24.º | 171 |
| P2 | 24 | ![]() | OAK RACING Pescarolo 01 - Judd | Jacques Nicolet Mathieu Lahaye | 25.º | 153 |
| Não Classificados (não terminaram ou não cumpriram 70% da distância — 150 voltas) | ||||||
| P2 | 42 | ![]() | STRAKKA RACING HPD ARX-01c | Nick Laventis Danny Watts Jonny Kane | 26.º | 120 |
| P2 | 35 | ![]() | OAK RACING Pescarolo 01 - Judd | Richard Hein Guillaume Moreau | 27.º | 91 |
| P2 | 40 | ![]() | QUIFEL ASM TEAM Ginetta-Zytek 09S/2 | Miguel Amaral Olivier Pla | 28.º | 91 |
| GT2 | 75 | ![]() | PROSPEED COMPETITION Porsche 997 GT3-RSR | Marco Holzer Richard Westbrook | 29.º | 38 |
| FLM | 49 | ![]() | APPLEWOOD SEVEN Oreca FLM09 - Chevrolet | Damien Toulemonde Mathias Beche | 30.º | 26 |
| FLM | 47 | ![]() | HOPE POLEVISION Oreca FLM09 - Chevrolet | Steve Zacchia Luca Moro Olivier Lombart | 31.º | 3 |
| FLM | 48 | ![]() | HOPE POLEVISION Oreca FLM09 - Chevrolet | Christophe Pillon Vincent Capillaire Nico Verdonck | 32.º | 1 |

Lapierre, Sarrazin e Panis no lugar mais alto do pódio de Portimão. IMAGEM: DPPI
Artigos Relacionados
- Aí está de novo a corrida que põe o Inferno Verde a ‘arder’, com Pedro Lamy à procura de fazer (ainda mais) história
- Pedro Lamy confiante para o grande desafio no Nordschleife
- Rodrive aposta na subida ao pódio em Jarama
- Beirão da Veiga e o convite da Novadriver: “Estou certo que teremos uma formação bastante forte”
- SunTrust vence corrida ‘quente’ — João Barbosa 7º após corrida de trás para a frente…
- Domínio absoluto da Muscle Milk em Laguna Seca — Duarte Félix da Costa teve estreia… curta!
- ‘Pole Position’ para a SunTrust em New Jersey — João Barbosa larga da 4ª posição
- Francisco Carvalho reforça GOODSENSE
- HPD da Muscle Milk imperial na qualificação para Laguna Seca — Duarte Félix da Costa foi 4º na estreia no ALMS
- Duarte Félix da Costa disputa ALMS em Laguna Seca com a Libra Racing
- Dobradinha entre os ‘gasolina’ coroa Rebellion como a melhor equipa privada em Spa
- Quarto lugar entre os ‘mundialistas’ mantém OAK Racing na luta pelo título LMP2







Neel Jani
Vanina Ickx
Tommy Erdos
Karim Ojjeh
Thor-Christian Ebbesvik
Toni Vilander
Richard Lietz
Luís Pérez Companc
Allan Simonsen
Frederic Da Rocha
Richard Hein


Loading...
Ora viva.
Sobre a prova…, está tudo dito e resumido. Uma largada com “cheirinho” a nostalgia que ficou muito bem na foto e mais um ridículo “acerto”, claro que insuficiente, na aproximação das motorizações D/G. Bem, mas isso já a “gente” sabia e não foi por essa razão, que fomos ao AIA. Reforço que os custos de deslocações ao Algarve, ficam caros, mas realmente já havia esquecido que boas que são as condições atmosféricas, naquele Autódromo, ou seja…, no Algarve. É realmente um grande mais valia… É um regalo estar relativamente bem instalado (sentado), ouvir as mais diversas “arquitecturas” mecânicas, o por do sol como fundo, a noite estrelada e a temperatura que nunca pois em causa a opção do pólo e dos calções. Na verdade, não seria possível reunir estas condições, noutro ponto geográfico, neste país. Todo o resto, como o apoio só dos “furgões” (que me perdoem, mas ausentei-me e fui refrescar…), os poucos ou menos “vistosos” inscritos e as desistências (principalmente da ASM, naturalmente), não me retiraram esse prazer e voltar a repetir… Fiquei com a ideia que a “casa” estava mais composta que o ano passado (acabar ás 23H00, talvez tenha ajudado), não tanto na largada, mas ao longo da noite…
É isto, para mim, que faz uma corrida e no seu todo, foi muito positivo. Uma reclamação já repetitiva (por mim e por muitos…), que é a falta de uma torre de classificação à geral. O som não é alternativa, sendo difícil com o próprio barulho da prova e a gestão da locução feita?!, e as “luzinhas” nos carros, ajudam, mas não satisfazem a curiosidade da disposição na classe mais rápida (após terceiro) e na possível proximidade entre as classes mais rápidas…
Deixo aqui uma questão aos entendidos (Ribeiros…): Como é que é feita esta gestão entre a ACO e o AIA? Naturalmente temos compromissos financeiros com a ACO, certo? Pergunto porque preocupam-me as noticias como:”O estado ainda não pagou, concretamente 3 milhões de Euros, ao ti Bernie pela prova GP2 em 2009″ – Devemos ficar descansados? HHuuummmm!
Fiquem bem…
Não há razões para ficarem descansados, e brevemente iremos publicar um texto de rescaldo onde vamos explorar esse tema, mas entre os diversos problemas, não se encontram a falta de pagamentos à organização do LMS. Já agora, segundo o Jornal de Negócios da semana anterior à corrida, o LMS em Portimão está orçamentado em pouco mais de 900 000 €…
Está muito completa e informativa esta vossa resenha sobre as peripécias da prova.
No que toca à luta pela vitória à geral e no contexto da classe LMP1, não se pode dizer que tenha havido supresas de maior, uma vez que o Peugeot da equipa Oreca era o claro favorito, ainda para mais com 3 pilotos de grande qualidade ao volante, muito velozes e com grande experiência em corridas deste género. Pena é que a equipa de Hughes de Chaunac não se tenha socorrido dos serviços do Pedro Lamy como chegou a ser aventado.
Para as nossas cores a prova foi madastra, não só porque era desejável uma presença mais expressiva ao nível de pilotos, mas também porque a ASM concluiu esta jornada de forma inglória, quando todos nós ansiavamos justificadamente por uma corrida de grande nível (precisamente aquele que a equipa de António Simões já por muitas vezes nos habituou).
A grande animação centrou-se justamente na classe GT2 onde o equilíbrio foi a nota dominante, só se fazendo luz quanto aos vencedores já na fase final da prova.
Tive pena de não me ter juntado aos diversos amigos que seguiram a prova no A.I.A., mas como me parece (e espero) que esta prova está a ganhar raízes sedimentando-se no calendário das LMS, certamente que em 2011 terei, à semelhança de 2009, a oportunidade de voltar a ver estes bólides de eleição.
Como nota final gostaria de salientar a prestação de Nicolas Prost que, estando muito longe da alta bitola que o seu progenitor atingiu, ainda sim vai conseguindo construir um currículo interessante, constituindo as LMS uma óptima forma de ir trilhando, passo-a-passo, a sua carreira.
Não sei se a prova está assim a ganhar tantas raízes como julgas…
Este ano estiveram bem menos pessoas do que em 2009 e se a organização do LMS já ficou um pouco mais agradada com o preço dos bilhetes, por outro lado houve alguns aspectos que já ficaram longe de agradar. Sabemos que a organização de Patrick Peter, por iniciativa própria (este dever é do organizador do evento em si) andar a consultar uma série de pessoas e entidade para saber quais as razões pelo fraco numero de espectadores e o que poderia ser feito para melhorar nesse sentido.
É minha convicção, e a de muitos no paddock, que esta será muito provavelmente a última visita do LMS a Portugal, apesar do acordo feito ainda contemplar a realização de mais uma prova para 2011.
Quanto ao Nicolas Prost, de facto tem evoluído bastante aqui na categoria mas parece-me ainda distante das capacidade do seu companheiro de equipa, o Neel Jani.
Boas,
primeiro que tudo foi um prazer finalmente conhecer um dos fundadores do site, sempre deu para tirar umas ideias com pessoal mais entendido que eu, ao vivo e a cores!
Depois, devo confessar e disse-o várias vezes ás várias pessoas que nos acompanhavam, que parecia que havia muito mais gente este ano no circuito. E devo mesmo dizer que já bem perto das 10 horas da noite, quando voltei para a bancada principal(andei a a aproveitar os bilhetes com acesso a todas as bancadas…) que foi difícil arranjar um bom lugar para ver o fim da prova e a cerimónia de entrega dos prémios.
Mas se for como dizes, que o rumor insistente que o LMS fará a sua ultima visita ao autódromo, devo dizer que ao fim e ao cabo, não me surpreende. Sejamos honestos e francos e isto já foi amplamente debatido aqui, o nosso país não tem uma cultura automobilística. Não tem. Tudo o que passe do rally ou da F1 é perfeitamente ignorado pelas massas e pelos meios de divulgação. E se os bilhetes este ano estavam mais baratos, ainda assim não foi suficiente para trazer mais publica ás bancadas.
O centro da Europa tomará o nosso lugar, para bel prazer das equipas que evitam fazer deslocações de 1500 ou mais kms e dos organizadores, que continuam a sua marcha ciclópica para um desastre, quer seja pela instituição desta Intercontinental Cup, que cada dia que passa me convence menos e do umbigo de ouro do ACO, para o qual eles só tem olhos, que é o fim de semana das 24 horas.
Ainda assim, e se este foi de facto o canto de cisne da prova portuguesa do LMS, gostava que tivesse partido em melhor forma e com um pouquinho mais de dignidade. Não da prova ou dos seus intervenientes, mas sim de todos nós, portugueses, que nem o que é bom e original neste país conseguimos proteger e potenciar. Muita sorte para a ASM, para o que resta do campeonato.
Penso que há vários factores a contribuirem para a falta de público nas provas automobilísticas em Portugal. Essa discussão, aliás, é recorrente. Se bem me recordo, logo após a edição de 1984 do GP de Portugal de F1, foi debatido com alguma profundidade o exíguo número de espectadores que se deslocou a essa prova. É certo que a concorrência das televisões e da internet é forte. Hoje em dia, em algumas modalidades – lembro-me por exemplo dos Indycars que disponibilizam no site oficial, gratuitamente, corridas em directo onde o internauta escolhe as câmeras que quer, nos ângulos da pista que deseja, no interior dos carros dos pilotos que mais gosta – a cobertura televisiva é muito completa e informativa, contrastando com algumas lacunas a esse nível nas corridas ‘ao vivo’, onde se torna por vezes difícil ao espectador perceber as incidências da prova. Nessa matéria, creio que as administrações dos autódromos portugueses deverão investir de forma a proporcionar a quem presencia as corridas maior informação e, em alguns casos, maior comodidade também. Mas o escasso número de público presente em Portimão. também terá origem em diversas insificiências das entidades que organizaram a corrida propriamente dita, matéria que se estende se calhar às LMS enquanto competição. Sei que a filosofia das LMS parte do pressuposto de privilegiar as equipas não oficiais, estimulando a sua participação numa competição de grande importância e visibilidade de molde a que não sejam ofuscadas pelo poderio, aos mais diversos níveis, dos grandes construtores. Todavia, se entendermos a noção de campeonato como o somatório de todas as provas que compõem o seu calendário, na qualidade de adepto da modalidade tenho muita dificuldade em compreender e até aceitar que os regulamentos sejam permissivos ao ponto de não obrigar os construtores – no caso Peugeot e Audi – a participar nas LMS em todas as corridas da temporada. Das duas uma: ou as LMS assumem com clareza que são uma competição vocacionada para os construtores ditos ‘garagistas’ e impossibilitam a participação de equipas com o cunho ‘oficial’; ou, possibilitando-o, devem arranjar forma dos construtores se inscreverem e participar na totalidade das provas de uma época. Se em 2009 tivemos no Algarve a participação da Aston Martin a título ‘oficial’, este ano a prova foi ignorada por completo pelas marcas envolvidas neste série. Estou em crer que a falta de nomes sonantes e dos grandes porta-estadartes das LMS – Peugeot e Audi, enquanto equipas; Lamy, Kristensen, Pirro, Gené, Capelo, etc… como pilotos mais emblemáticos da disciplina -, foi um motivo desincentivador da presença mais expressiva de público. Em cartaz – literalmente – estava prevista a presença de Nigel Mansell e respectiva descendência, ausência que se terá feito sentir sobretudo perante a comunidade inglesa radicada e de férias no Algarve, que dessa forma não pode ver em acção um dos mais carismáticos pilotos britânicos. Os problemas que enfrenta a equipa ‘Pescarolo’ também terão sido um factor para não congregar a presença de mais público, dada a importância e a lenda que o velho Henri personifica no âmbito das corridas de endurance. A tudo acresce outro factor. O programa das provas de apoio a esta corrida foi demasiado pobre para sequer ser considerado. As diferenças entre 2009 e 2010 nesta matéria não podiam, aliás, ser mais esclarecedoras. Se o ano passado tivemos como provas de suporte, as World Series by Renault, a demonstração de carros históricos, a Supercopa Léon Espanha, a fórmula Le Mans – este ano integrada na corrida principal, pois se assim não fosse a grelha de partida apresentar-se-ia algo pobre em termos de protótipos/barquetas – e os Superturismos italianos, este ano, por muito respeito que me mereçam os respectivos pilotos e equipas inscritos, ver meia dúzia de furgões a andar em pista não me pareça que seja apelativo para trazer público ao AIA. O ano passado procurou trazer-se ao endurance os públicos dos fórmulas, dos turismos, dos históricos, dos troféus. Este ano, pelos vistos, o que se tentou trazer terá sido a capacidade de carga de furgões: é pouco. Por outro lado, em termos dos pilotos nacionais este ano vimos a nossa representação cinjir-se ao Miguel Pais do Amaral, quando o ano passado tinhamos além deles o Tiago Monteiro e o Miguel Ramos como legítimos contendores pela vitória na corrida. Custa-me a aceitar que para esta prova não se tenha conseguido arranjar forma da Aurora Racing, por sinal sedeada no Algarve, não tenha colocado os seus dois carros em acção, dando oportunidade ao Gião, Parente e Martins de se exibirem perante o seu público, matéria que se estende, também, ao demais contingente português que tão boa conta de si tem dado no contexto dos GT espanhóis. Além de tudo isto, acredito que o facto do sobrinho do Ayrton Senna ter corrido no Algarve em 2009 também terá trazido algum público à prova, não propriamente pelas qualidades como piloto, mas sobretudo pela simbologia que o seu apelido encerra. Espero, claro, que a prova Algarvia se sedimente no campeonato, até porque creio que a dependência dela, como de várias outras, não está tanto na moldura humana que a presencia em directo – aspecto que toca a todas as competições, F1 incluída -, mas se calhar mais nos shares que consegue obter televisivamente. Nesse aspecto, por ser uma corrida com uma mescla diurna/nocturna e pelo facto da pista do AIA oferecer uma espectacularidade que poucas na Europa conseguem, acredito que em termos televisivos o show oferecido é quase inigualável. Para concluir, há que louvar este vosso espaço por nos franquear as portas de uma discussão em tonos destes temas, tão saudável quão necessária.
Abraço a ambos