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18 de Julho de 2010

1000km do Algarve: Peugeot do Team Oreca foi rei e senhor na noite algarvia

A largada tipo Le Mans versão Sec.XXI... IMAGEM: DPPI

Foi sem grande surpresa que o Peugeot 908 HDi-FAP 908 #4 do Team Oreca Matmut venceu ontem os 1000km do Algarve, 3ª prova pontuável para o Le Mans Series, dominando a corrida de fia a pavio e sem rival.

Já era de certa forma esperado este desfecho, embora o ACO tenha resolvido intervir dando mais 4% de aumento no restritor aos P1 a gasolina (na prática, uma entrada de ar com mais 7mm), a se seguiu uma sessão de qualificação estranhamente equilibrada com os P1 a gasolina muito próximos do Peugeot diesel. O que não se esperava era mais uma encenação da largada tipo Le Mans...

Mas o equilíbrio ficaria por aqui porque na corrida tudo voltou a uma certa naturalidade, não sem antes a Rebellion Racing ter decidido comprometer a normalidade da prova ao colocar-se desnecessariamente numa situação que lhe causou óbvia penalização... em ambos os carros. Com efeito, ambos os Lola B10/60 Rebellion da equipa suíça ver-se-iam atirados para o fundo da grelha por diferentes motivos: o #12 devido ao patim de madeira apresentar um desgaste superior ao permitido, e o #13 por ter trocado de pneus entre a qualificação e a corrida. Sobre esta última situação convém lembrar que os carros tem de usar no primeiro turno da prova o mesmo set de pneus que havia sido usado na qualificação.

Uma prova solitária praticamente desde o seu inicio para o Team Oreca. IMAGEM: DPPI

No arranque, os Lola da Rebellion rapidamente começaram a subir na tabela, e em duas voltas já Neel Jani no #12 era 7º da geral e Andrea Belicchi, no #13, 8º. Enquanto Belicchi ficou por ali, sentindo uma enorme dificuldade em ultrapassar os P2 mais rápidos, Jani foi puxando ao máximo o Lola Rebellion até alcançar e ultrapassar o Lola Aston Martin #008 da Signature Racing, que ia tentando dar a réplica possível ao Peugeot do Team Oreca. Mas a animação na P1 ficaria por aqui, e o Team Oreca prosseguiria sem adversários à altura rumoàquela que é a sua primeira vitória da temporada, colocando sob pressão, com os pontos amealhados, o Audi #7 da Audi Sport Team Joest que lidera a classificação da P1, mas agora por muito pouco.

Já na P2 foi tudo menos o esperado, a partir de perto meio da prova, pois até essa altura o HPD #42 da Strakka liderou a classe com o Ginetta-Zytek 09S #40 da ASM a seguir de perto, pelas mãos de Olivier Pla, até que um despiste de Miguel Amaral, quando havia tomado o comando do P2 da equipa portuguesa, deitou tudo a perder (em separado publicamos a cronica da  prova da ASM). Mas se o desanimo já era muito no seio da equipa, rapidamente passou a frustração quando o HPD da Strakka Racing, maior rival da ASM nesta prova, também desiste com problemas mecânicos.

A RML consegiu obter o que lhes fugia desde 2007. IMAGEM: DPPI

Com estas duas desistências é a OAK Racing que assume o comando mas por pouco tempo, acabando também o Pescarolo Judd #35 por desistir enquanto o #24 se atrasava. No fim, a vitória sorriria à RML, que não vencia uma prova do LMS desde os 1000km de Spa de 2007. Um excelente resultado para a tripla Erdos/Newton/Collins e para o Lola HPD #25 da equipa inglesa. O Team Bruichladdich faria também uma excelente resultado ao terminar em segundo lugar  enquanto um terceiro lugar na classe, caído do céu, acerta em cheio na modesta Pegasus Racing dando-lhe o seu melhor resultado no LMS até agora.

A FLM também foi uma caixinha de surpresas, com as duas principais equipas a caírem em menos de 30 voltas. Aliás, a Hope PoleVision (que ocupava os 1º e 3º lugares do campeonato) cometeu mesmo uma verdadeiro Hara-Kiri em solo lusitano, pois se o seu Oreca FLM09 #48 não faria mais de 1 volta, já os lideres do campeonato, o #47,  não foram além das 3 voltas... Curiosamente, o segundo classificado do campeonato, o #49 da Applewood Seven, seguiu-lhes as pisadas e também encostou às boxes deixando o caminho livre para o domínio da DAMS, que venceu com o #44 conduzido por Warren Hugues e Jody Firth e colocou o seu segundo carro no segundo lugar.

Na classe Saleen... ou GT1, a Larbre venceu recolocando uma certa ordem natural das coisas na classe que se aproxima da sua extinção no endurance.

Com este resultado, o Ferrari #96 é agora um forte candidadto ao título. IMAGEM: DPPI

Na GT2, a vitória sorriu à equipa italiana AF Corse mas a animação foi enorme, com ambos os Ferrari F430 da AF Corse, os dois Porsche 997 RSR do Team Felbermayr Proton e o Spyker (antes de se ver afectado com problemas) a proporcionarem uma corrida muito disputada. No final, uma vez mais a AF Corse repetiu a dobradinha, com Jaime Melo e Gianmaria Bruni a vencerem na noite algarvia no Ferrari #96.

A volta mais rápida da corrida foi realizada por Nicolas Lapierre no Peugeot #4 do Team Oreca, com o tempo de 1:32.375, realizada a 10 voltas do final da prova.

A próxima prova realiza-se em Mogyoród (Budapeste) no circuito de Hungaroring nos dias 21 e 22 de Agosto, uma prova com uma formato idêntico à corrida de Portimão.

1000Km da Algarve: Corrida

Cl.N.ºNatEquipa
Chassis - Motor
PilotosP.ºVoltas
P14Bandeira da FrançaTEAM ORECA MATMUT
Peugeot 908 HDi-FAP
Bandeira da França Olivier Panis
Bandeira da França Nicolas Lapierre
Bandeira da França Stéphane Sarrazin
1.º215
P112Bandeira da SuiçaREBELLION RACING
Lola B08/60 - Rebellion
Bandeira da França Nicolas Prost
Bandeira da Suiça Neel Jani
2.º210
P1008Bandeira da FrançaSIGNATURE RACING
Lola Aston Martin
Bandeira da França Pierre Ragues
Bandeira da França Frank Mailleux
Bandeira da Belgica Vanina Ickx
3.º209
P225Bandeira do Reino UnidoRML
Lola B08/80 - HPD
Bandeira do Reino Unido Mike Newton
Bandeira do Brazil Tommy Erdos
Bandeira do Reino Unido Ben Collins
4.º201
P241Bandeira do Reino UnidoTEAM BRUICHLADDISH
Zytek 07S/2
Bandeira da Arabia Saudita Karim Ojjeh
Bandeira do Reino Unido Tim Graves
Bandeira da Noruega Thor-Christian Ebbesvik
5.º193
FLM44Bandeira da FrançaDAMS
Oreca FLM09 - Chevrolet
Bandeira do Reino Unido Warren Hughes
Bandeira do Reino Unido Jody Firth
6.º193
GT296Bandeira da ItaliaAF CORSE
Ferrari F430 GT
Bandeira do Brazil Jaime Melo
Bandeira da Italia Gianmaria Bruni
7.º192
FLM43Bandeira da FrançaDAMS
Oreca FLM09 - Chevrolet
Bandeira da França Gary Chalandon
Bandeira da França Andrea Barlesi
Bandeira da Italia Alessandro Cicognani
8.º191
GT295Bandeira da ItaliaAF CORSE
Ferrari F430 GT
Bandeira da Italia Giancarlo Fisichella
Bandeira da Finlandia Toni Vilander
Bandeira da França Jean Alesi
9.º191
GT277Bandeira da AlemanhaTEAM FELBERMAYR PROTON
Porsche 997 GT3-RSR
Bandeira da Alemanha Marc Lieb
Bandeira da Austria Richard Lietz
10.º191
GT292Bandeira do Reino UnidoJMW MOTORSPORT
Aston Martin Vantage
Bandeira do Reino Unido Rob Bell
Bandeira do Reino Unido Darren Turner
11.º190
GT288Bandeira da AlemanhaTEAM FELBERMAYR PROTON
Porsche 997 GT3-RSR
Bandeira da Austria Christian Ried
Bandeira da Austria Martin Ragginger
Bandeira da Alemanha Wolf Henzler
12.º190
GT294Bandeira da ItaliaAF CORSE
Ferrari F430 GT
Bandeira da Argentina Luís Pérez Companc
Bandeira da Argentina Matias Russo
13.º190
GT289Bandeira da AlemanhaHANCOOK TEAM FARNBACHER
Ferrari F430 GT
Bandeira da Alemanha Dominik Farnbacher
Bandeira da Autralia Allan Simonsen
14.º189
GT291Bandeira do Reino UnidoCRS RACING
Ferrari F430 GT
Bandeira do Reino Unido Andrew Kirkaldy
Bandeira do Reino Unido Tim Mullen
15.º189
GT285Bandeira da HolandaSPYKER SQUADRON
Spyker C8 GT2-R - Audi
Bandeira do Reino Unido Peter Dumberck
Bandeira da Holanda Jeroen Bleekemolen
16.º188
GT276Bandeira da FrançaIMSA PERFORMANCE MATMUT
Porsche 997 GT3-RSR
Bandeira da França Raymond Narac
Bandeira da França Patrick Pilet
17.º188
GT290Bandeira do Reino UnidoCRS RACING
Ferrari F430 GT
Bandeira do Reino Unido Phil Quaife
Bandeira da Alemanha Pierre Ehret
Bandeira da Alemanha Pierre Kaffer
18.º187
FLM45Bandeira da BelgicaBOUTSEN ENERGY RACING
Oreca FLM09 - Chevrolet
Bandeira da Belgica Nicolas de Crem
Bandeira da Belgica Bernard Delhez
Bandeira da Austria Dominik Kraihamer
19.º187
P113Bandeira da SuiçaREBELLION RACING
Lola B08/60 - Rebellion
Bandeira da Italia Andrea Belicchi
Bandeira da França Jean Christophe Boullion
20.º186
GT150Bandeira da FrançaLARBRE COMPETITION
Saleen SR-7 - Ford
Bandeira da Suiça Gabriele Gardel
Bandeira da França Patrice Goueslard
Bandeira do Brasil Fernando Rees
21.º184
P236Bandeira da FrançaPEGASUS RACING
Courage LC75 - AER
Bandeira da França Julien Schell
Bandeira de Portugal Frederic Da Rocha
22.º179
FLM46Bandeira da FrançaJMB RACING
Oreca FLM09 - Chevrolet
Bandeira da Holanda Peter Kutemann
Bandeira da Suiça Maurice Basso
Bandeira do Reino Unido John Hartshorne
23.º175
GT166Bandeira da AustriaATLAS EFX-TEAM FULL SPEED
Saleen SR-7 - Ford
Bandeira da Holanda Carlo van Dam
Bandeira da Belgica Stephane Lemeret
Bandeira da Belgica Julien Schroyen
24.º171
P224Bandeira da FrançaOAK RACING
Pescarolo 01 - Judd
Bandeira da França Jacques Nicolet
Bandeira da França Mathieu Lahaye
25.º153
Não Classificados (não terminaram ou não cumpriram 70% da distância — 150 voltas)
P242Bandeira do Reino UnidoSTRAKKA RACING
HPD ARX-01c
Bandeira do Reino Unido Nick Laventis
Bandeira do Reino Unido Danny Watts
Bandeira do Reino Unido Jonny Kane
26.º120
P235Bandeira da FrançaOAK RACING
Pescarolo 01 - Judd
Bandeira do Monaco Richard Hein
Bandeira da França Guillaume Moreau
27.º91
P240Bandeira de PortugalQUIFEL ASM TEAM
Ginetta-Zytek 09S/2
Bandeira de Portugal Miguel Amaral
Bandeira da França Olivier Pla
28.º91
GT275Bandeira da BelgicaPROSPEED COMPETITION
Porsche 997 GT3-RSR
Bandeira da Alemanha Marco Holzer
Bandeira do Reino Unido Richard Westbrook
29.º38
FLM49Bandeira do Reino UnidoAPPLEWOOD SEVEN
Oreca FLM09 - Chevrolet
Bandeira da França Damien Toulemonde
Bandeira da França Mathias Beche
30.º26
FLM47Bandeira da SuiçaHOPE POLEVISION
Oreca FLM09 - Chevrolet
Bandeira da Suiça Steve Zacchia
Bandeira da França Luca Moro
Bandeira da França Olivier Lombart
31.º3
FLM48Bandeira da SuiçaHOPE POLEVISION
Oreca FLM09 - Chevrolet
Bandeira da Suiça Christophe Pillon
Bandeira da França Vincent Capillaire
Bandeira da Belgica Nico Verdonck
32.º1

Lapierre, Sarrazin e Panis no lugar mais alto do pódio de Portimão. IMAGEM: DPPI

6 comentários até ao momento... deixe o seu!

  1. Zé Rico diz:

    Ora viva.
    Sobre a prova…, está tudo dito e resumido. Uma largada com “cheirinho” a nostalgia que ficou muito bem na foto e mais um ridículo “acerto”, claro que insuficiente, na aproximação das motorizações D/G. Bem, mas isso já a “gente” sabia e não foi por essa razão, que fomos ao AIA. Reforço que os custos de deslocações ao Algarve, ficam caros, mas realmente já havia esquecido que boas que são as condições atmosféricas, naquele Autódromo, ou seja…, no Algarve. É realmente um grande mais valia… É um regalo estar relativamente bem instalado (sentado), ouvir as mais diversas “arquitecturas” mecânicas, o por do sol como fundo, a noite estrelada e a temperatura que nunca pois em causa a opção do pólo e dos calções. Na verdade, não seria possível reunir estas condições, noutro ponto geográfico, neste país. Todo o resto, como o apoio só dos “furgões” (que me perdoem, mas ausentei-me e fui refrescar…), os poucos ou menos “vistosos” inscritos e as desistências (principalmente da ASM, naturalmente), não me retiraram esse prazer e voltar a repetir… Fiquei com a ideia que a “casa” estava mais composta que o ano passado (acabar ás 23H00, talvez tenha ajudado), não tanto na largada, mas ao longo da noite…
    É isto, para mim, que faz uma corrida e no seu todo, foi muito positivo. Uma reclamação já repetitiva (por mim e por muitos…), que é a falta de uma torre de classificação à geral. O som não é alternativa, sendo difícil com o próprio barulho da prova e a gestão da locução feita?!, e as “luzinhas” nos carros, ajudam, mas não satisfazem a curiosidade da disposição na classe mais rápida (após terceiro) e na possível proximidade entre as classes mais rápidas…
    Deixo aqui uma questão aos entendidos (Ribeiros…): Como é que é feita esta gestão entre a ACO e o AIA? Naturalmente temos compromissos financeiros com a ACO, certo? Pergunto porque preocupam-me as noticias como:”O estado ainda não pagou, concretamente 3 milhões de Euros, ao ti Bernie pela prova GP2 em 2009″ – Devemos ficar descansados? HHuuummmm!
    Fiquem bem…

    • Não há razões para ficarem descansados, e brevemente iremos publicar um texto de rescaldo onde vamos explorar esse tema, mas entre os diversos problemas, não se encontram a falta de pagamentos à organização do LMS. Já agora, segundo o Jornal de Negócios da semana anterior à corrida, o LMS em Portimão está orçamentado em pouco mais de 900 000 €…

  2. Jux diz:

    Está muito completa e informativa esta vossa resenha sobre as peripécias da prova.

    No que toca à luta pela vitória à geral e no contexto da classe LMP1, não se pode dizer que tenha havido supresas de maior, uma vez que o Peugeot da equipa Oreca era o claro favorito, ainda para mais com 3 pilotos de grande qualidade ao volante, muito velozes e com grande experiência em corridas deste género. Pena é que a equipa de Hughes de Chaunac não se tenha socorrido dos serviços do Pedro Lamy como chegou a ser aventado.

    Para as nossas cores a prova foi madastra, não só porque era desejável uma presença mais expressiva ao nível de pilotos, mas também porque a ASM concluiu esta jornada de forma inglória, quando todos nós ansiavamos justificadamente por uma corrida de grande nível (precisamente aquele que a equipa de António Simões já por muitas vezes nos habituou).

    A grande animação centrou-se justamente na classe GT2 onde o equilíbrio foi a nota dominante, só se fazendo luz quanto aos vencedores já na fase final da prova.

    Tive pena de não me ter juntado aos diversos amigos que seguiram a prova no A.I.A., mas como me parece (e espero) que esta prova está a ganhar raízes sedimentando-se no calendário das LMS, certamente que em 2011 terei, à semelhança de 2009, a oportunidade de voltar a ver estes bólides de eleição.

    Como nota final gostaria de salientar a prestação de Nicolas Prost que, estando muito longe da alta bitola que o seu progenitor atingiu, ainda sim vai conseguindo construir um currículo interessante, constituindo as LMS uma óptima forma de ir trilhando, passo-a-passo, a sua carreira.

    • Não sei se a prova está assim a ganhar tantas raízes como julgas…
      Este ano estiveram bem menos pessoas do que em 2009 e se a organização do LMS já ficou um pouco mais agradada com o preço dos bilhetes, por outro lado houve alguns aspectos que já ficaram longe de agradar. Sabemos que a organização de Patrick Peter, por iniciativa própria (este dever é do organizador do evento em si) andar a consultar uma série de pessoas e entidade para saber quais as razões pelo fraco numero de espectadores e o que poderia ser feito para melhorar nesse sentido.

      É minha convicção, e a de muitos no paddock, que esta será muito provavelmente a última visita do LMS a Portugal, apesar do acordo feito ainda contemplar a realização de mais uma prova para 2011.

      Quanto ao Nicolas Prost, de facto tem evoluído bastante aqui na categoria mas parece-me ainda distante das capacidade do seu companheiro de equipa, o Neel Jani.

      • sinnercitizen diz:

        Boas,

        primeiro que tudo foi um prazer finalmente conhecer um dos fundadores do site, sempre deu para tirar umas ideias com pessoal mais entendido que eu, ao vivo e a cores!

        Depois, devo confessar e disse-o várias vezes ás várias pessoas que nos acompanhavam, que parecia que havia muito mais gente este ano no circuito. E devo mesmo dizer que já bem perto das 10 horas da noite, quando voltei para a bancada principal(andei a a aproveitar os bilhetes com acesso a todas as bancadas…) que foi difícil arranjar um bom lugar para ver o fim da prova e a cerimónia de entrega dos prémios.

        Mas se for como dizes, que o rumor insistente que o LMS fará a sua ultima visita ao autódromo, devo dizer que ao fim e ao cabo, não me surpreende. Sejamos honestos e francos e isto já foi amplamente debatido aqui, o nosso país não tem uma cultura automobilística. Não tem. Tudo o que passe do rally ou da F1 é perfeitamente ignorado pelas massas e pelos meios de divulgação. E se os bilhetes este ano estavam mais baratos, ainda assim não foi suficiente para trazer mais publica ás bancadas.

        O centro da Europa tomará o nosso lugar, para bel prazer das equipas que evitam fazer deslocações de 1500 ou mais kms e dos organizadores, que continuam a sua marcha ciclópica para um desastre, quer seja pela instituição desta Intercontinental Cup, que cada dia que passa me convence menos e do umbigo de ouro do ACO, para o qual eles só tem olhos, que é o fim de semana das 24 horas.

        Ainda assim, e se este foi de facto o canto de cisne da prova portuguesa do LMS, gostava que tivesse partido em melhor forma e com um pouquinho mais de dignidade. Não da prova ou dos seus intervenientes, mas sim de todos nós, portugueses, que nem o que é bom e original neste país conseguimos proteger e potenciar. Muita sorte para a ASM, para o que resta do campeonato.

      • Jux diz:

        Penso que há vários factores a contribuirem para a falta de público nas provas automobilísticas em Portugal. Essa discussão, aliás, é recorrente. Se bem me recordo, logo após a edição de 1984 do GP de Portugal de F1, foi debatido com alguma profundidade o exíguo número de espectadores que se deslocou a essa prova. É certo que a concorrência das televisões e da internet é forte. Hoje em dia, em algumas modalidades – lembro-me por exemplo dos Indycars que disponibilizam no site oficial, gratuitamente, corridas em directo onde o internauta escolhe as câmeras que quer, nos ângulos da pista que deseja, no interior dos carros dos pilotos que mais gosta – a cobertura televisiva é muito completa e informativa, contrastando com algumas lacunas a esse nível nas corridas ‘ao vivo’, onde se torna por vezes difícil ao espectador perceber as incidências da prova. Nessa matéria, creio que as administrações dos autódromos portugueses deverão investir de forma a proporcionar a quem presencia as corridas maior informação e, em alguns casos, maior comodidade também. Mas o escasso número de público presente em Portimão. também terá origem em diversas insificiências das entidades que organizaram a corrida propriamente dita, matéria que se estende se calhar às LMS enquanto competição. Sei que a filosofia das LMS parte do pressuposto de privilegiar as equipas não oficiais, estimulando a sua participação numa competição de grande importância e visibilidade de molde a que não sejam ofuscadas pelo poderio, aos mais diversos níveis, dos grandes construtores. Todavia, se entendermos a noção de campeonato como o somatório de todas as provas que compõem o seu calendário, na qualidade de adepto da modalidade tenho muita dificuldade em compreender e até aceitar que os regulamentos sejam permissivos ao ponto de não obrigar os construtores – no caso Peugeot e Audi – a participar nas LMS em todas as corridas da temporada. Das duas uma: ou as LMS assumem com clareza que são uma competição vocacionada para os construtores ditos ‘garagistas’ e impossibilitam a participação de equipas com o cunho ‘oficial’; ou, possibilitando-o, devem arranjar forma dos construtores se inscreverem e participar na totalidade das provas de uma época. Se em 2009 tivemos no Algarve a participação da Aston Martin a título ‘oficial’, este ano a prova foi ignorada por completo pelas marcas envolvidas neste série. Estou em crer que a falta de nomes sonantes e dos grandes porta-estadartes das LMS – Peugeot e Audi, enquanto equipas; Lamy, Kristensen, Pirro, Gené, Capelo, etc… como pilotos mais emblemáticos da disciplina -, foi um motivo desincentivador da presença mais expressiva de público. Em cartaz – literalmente – estava prevista a presença de Nigel Mansell e respectiva descendência, ausência que se terá feito sentir sobretudo perante a comunidade inglesa radicada e de férias no Algarve, que dessa forma não pode ver em acção um dos mais carismáticos pilotos britânicos. Os problemas que enfrenta a equipa ‘Pescarolo’ também terão sido um factor para não congregar a presença de mais público, dada a importância e a lenda que o velho Henri personifica no âmbito das corridas de endurance. A tudo acresce outro factor. O programa das provas de apoio a esta corrida foi demasiado pobre para sequer ser considerado. As diferenças entre 2009 e 2010 nesta matéria não podiam, aliás, ser mais esclarecedoras. Se o ano passado tivemos como provas de suporte, as World Series by Renault, a demonstração de carros históricos, a Supercopa Léon Espanha, a fórmula Le Mans – este ano integrada na corrida principal, pois se assim não fosse a grelha de partida apresentar-se-ia algo pobre em termos de protótipos/barquetas – e os Superturismos italianos, este ano, por muito respeito que me mereçam os respectivos pilotos e equipas inscritos, ver meia dúzia de furgões a andar em pista não me pareça que seja apelativo para trazer público ao AIA. O ano passado procurou trazer-se ao endurance os públicos dos fórmulas, dos turismos, dos históricos, dos troféus. Este ano, pelos vistos, o que se tentou trazer terá sido a capacidade de carga de furgões: é pouco. Por outro lado, em termos dos pilotos nacionais este ano vimos a nossa representação cinjir-se ao Miguel Pais do Amaral, quando o ano passado tinhamos além deles o Tiago Monteiro e o Miguel Ramos como legítimos contendores pela vitória na corrida. Custa-me a aceitar que para esta prova não se tenha conseguido arranjar forma da Aurora Racing, por sinal sedeada no Algarve, não tenha colocado os seus dois carros em acção, dando oportunidade ao Gião, Parente e Martins de se exibirem perante o seu público, matéria que se estende, também, ao demais contingente português que tão boa conta de si tem dado no contexto dos GT espanhóis. Além de tudo isto, acredito que o facto do sobrinho do Ayrton Senna ter corrido no Algarve em 2009 também terá trazido algum público à prova, não propriamente pelas qualidades como piloto, mas sobretudo pela simbologia que o seu apelido encerra. Espero, claro, que a prova Algarvia se sedimente no campeonato, até porque creio que a dependência dela, como de várias outras, não está tanto na moldura humana que a presencia em directo – aspecto que toca a todas as competições, F1 incluída -, mas se calhar mais nos shares que consegue obter televisivamente. Nesse aspecto, por ser uma corrida com uma mescla diurna/nocturna e pelo facto da pista do AIA oferecer uma espectacularidade que poucas na Europa conseguem, acredito que em termos televisivos o show oferecido é quase inigualável. Para concluir, há que louvar este vosso espaço por nos franquear as portas de uma discussão em tonos destes temas, tão saudável quão necessária.

        Abraço a ambos

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