A Peugeot venceu os 1000km de Spa com aparente à vontade neste seu regresso ao Le Mans Series, que deverá ter nova réplica nos 1000km do Algarve. A tripla Pagenaud/Minassian/Klien impôs-se sem apelo nem agravo e embora a Pescarolo e a Aston Martin tenham estado sempre por perto, a verdade é que os 30kg de lastro que o ACO impôs aos protótipos a diesel estão longe de poder criar condições de igualdade entre estes e os protótipos a gasolina e só as várias situações de bandeiras amarelas permitiram uma constante re-aproximação entre os LMP's da frente.
São vários os analistas e formularem a opinião de que a Peugeot veio a Spa 'treinar-se', e se realmente se sentisse ameaçada tinha conseguido retirar bem mais do 908 do que o que parece ter conseguido. Nunca forçou o andamento durante os treinos e fez serviço mínimo na atribulada qualificação, apresentado-se ao longo da prova sempre com as distâncias controladas para os seus mais directos adversários. Olhando para o segundo Peugeot, fica claro que há ainda problemas de fiabilidade a resolver, e só aqui o pelotão a gasolina poderia ter razões para sonhar mais alto - em Spa, porque em Le Mans, Peugeot e Audi serão as únicas a atingir o pódio.
Atrás da marca do leão, Oreca, Pescarolo e Aston Martin voltaram a brindar os fãs com mais uma prova emotiva dando mostras da enorme competitividade que existe entre as principais equipas não-diesel. O Team Oreca apresentava-se mesmo com um novo protótipo, sendo evidente algum nervosismo e ansiedade em torno do novo pacote, pese embora as constantes declarações de confiança nos resultados obtidos nos testes anteriores. No fim, o novo Oreca 01 AIM não comprometeu e mostrou ter anulado uma determinada vantagem que quer a Aston Martin quer o também novo Pescarolo 01 Judd (evo) teriam mostrado em Barcelona. Depois de um segundo lugar em Barcelona, Tinseau e Boullion repetiram a classificação, mas desta vez à frente dos seus mais directos adversários. Menos sorte teve a dupla franco-portuguesa Jouanny/Barbosa, com Jouanny a sair forte no Radillon quando seguia perto dos 280km/h, evitando por muito pouco um choque frontal com consequências que poderiam ser bem sérias, a poucas voltas da entrada de Barbosa, que assim viu toda a prova na boxe e nem se chegou a sentar no carro, no domingo, uma vez que o warm-up havia sido cancelado devido ao intenso nevoeiro matinal. Bruno Senna, com o novo Oreca, também saiu de pista com resultados idênticos. Dois carros destruídos e preocupações acrescidas para Le Mans, sobretudo para a Oreca pois a Pescarolo só terá um dos seus LMP1 em La Sarthe.
Entre os restantes, nota positiva para os Audi da Kolles, que pese embora estarem ainda longe do que poderão fazer, deram um ar da sua graça terminado em 6º e 7º e fazendo uma prova bem melhor do que em Barcelona, com os pilotos a mostrarem-se mais ambientados com as situações de tráfego intenso. O Lola b08/60 Aston Martin da Speedy-Sebah é que continua a dar dores de cabeça aos seu mecânicos, e pese embora já ter dado mostras de poder lutar pelo pódio, continua a sofrer imensos problemas mecânicos que o impossibilitam de alcançar melhores posições.
Na LMP2, a vitória do Porsche RS Spyder do Team Essex já seria, até certa medida, esperada (aqui não há problemas de 'equivalência'...) mas a verdade é que, apesar da vitória segura, o carro que conta com o apoio oficial da Porsche Motorsport está longe do domínio exercido em 2008. Pena é que esta entrada seja única e exclusiva para Spa e não possamos confirmar nas restante provas do LMS, comparativamente, o crescendo de performance evidenciado pelos Lola Judd e pelos Ginetta-Zytek. Precisamente um desses Lola Judd, o da Speedy-Sebah, foi o que mais luta deu ao Porsche RS Spyder dinamarquês e no fim da corrida, com o muito inexperiente (nestas andanças) Christian Poulsen ao volante, a vitória poderia ter mudado de dono. Em Spa foi serviço mínimo (Poulsen não chegou a completar os 45 minutos regulamentares para classificação) mas em Le Mans não há como fugir. O RS Spyder ainda têm uma fiabilidade quase à prova de bala do seu lado, mas entre os 3 pilotos há claramente um (Poulsen) que poderá colocar a corrida em risco.
O Lola Judd #29 Racing Box repetiu o terceiro posto de Barcelona, mas acabaria por ser desclassificado no fim da prova, tornando o fim-de-semana de Spa negro para a equipa italiana, que viu o #30, vencedor em Barcelona, fora de prova logo na 7ª volta, mas as esperanças para Le Mans continuam bem altas. Igual sorte - desclassificação - teve o Zytek 07S/2 da regressada Barazi-Epsilon, que destruiu de forma inglória a excelente prestação que a equipa teve em Spa, mas a desistência de mais um GT1, levará a equipa de novo a Le Mans como 'prémio' de consolação. Desta forma, o único Pescarolo Mazda da OAK Racing, precisamente a versão evo que a equipa pôde estrear em Spa, rematou o pódio na classe, que acabaria por servir de prémio pela corrida segura e regular do melhor classificado entre as equipas com motores Mazda,os quais continuam a sofrer imensos problemas causados, segundo dizem, pela qualidade da gasolina, que parece afectar o acabariam penalizados com dois pontos negativos por terem sido forçados a mudar de motor após este ter cedido.
Também desclassificado foi o Radical SR9 da Bruichladdich Bruneau, o que, a juntar às outras duas, permitiu à estreante Pegasus Racing obter os seus primeiros 5 pontos no LMS. Mas a maior beneficiada ainda acabaria por ser a equipa portuguesa Quifel-ASM Team, que chegou a liderar a corrida entre os LMP2 após (mais) um excelente arranque de Olivier Pla, que tendo largado da 4ª posição rapidamente chegaria à cabeça da corrida na sua classa. Em termos de campeonato, os dois pontos assim ganhos mantêm a ASM na linha da frente o que, a juntar à desclassificação do #29, fez com que o campeonato não ficasse já inclinado para uma das equipas.
Numa classe onde só havia 3 concorrentes, todos tinham à partida razões para sorrir ainda antes mesmo da prova começar. A GT1, que teria sido preferível ser já extinta e não esperar pelo final deste ano, pouca história tem e terá para contar. A IPB Spartak e a Luc Alphand são as duas equipas verdadeiramente competitivas nesta classe, pois os Sallen da ARC Bratislava e da Larbre não se inscreveram para Spa (e muito provavelmente não o voltarão a fazer) e a entrada da JetAlliance (apenas em Spa para preparar Le Mans) não trouxe nada de novo, antes pelo contrário: fizeram demasiados erros, e em Le Mans não há perdão.
Entre as equipas habituais, desta vez a LAA levou a melhor, e nem a troca de fornecedor de pneus, da Michelin para Dunlop, parece ter comprometido a performance do Corvette, mas a IPB Spartak poderá sempre dizer que faltavam dois dos seu habituais pilotos para justificar a volta de atraso com que acabou a prova. Em Le Mans, com dois Corvettes oficiais, a história será bem diferente!
Na GT2, um golpe de teatro no fim da prova virou a classificação do avesso. O vencedor, o Porsche 997 GT3 RSR #77 do Team Felbermayr Proton, acabaria por ser desclassificado após as verificações técnicas, o que motivou o óbvio protesto e recurso, que até hoje ainda está por decidir.
Quanto à corrida, o #77, que conta com o apoio oficial da Porsche, dominou toda a prova e obteve a sua segunda vitória consecutiva - em pista - apesar de alguma réplica dada pelos Ferrari F430GT do Team Modena (que acabaria em segundo, sendo mais tarde considerado o vencedor) e da JMW.
Quanto aos portugueses, Francisco Cruz Martins acabou por fechar o Top 10 com o segundo Porsche da Felbermayr Proton, mas este Porsche, que não contando com o apoio da Porsche, ao contrário do #77, talvez por isso esteja ainda longe andamento deste, mas este é um ano de aprendizagem para o jovem Cruz Martins, que estará, dizem, a ser seguido pela Porsche com muita atenção. Por outro lado, os companheiros de equipa não serão também dos mais rápidos entre os GT2.
O luso-francês Manuel Rodrigues, no Ferrari da JMB não logrou terminar, devido a problemas de suspensão, mas a verdade é que o Ferrari também esteve sempre longe dos lugares da frente e o Europeu de GT3, a que está mais ambientado, é bem diferente da realidade do Le Mans Series.
E, já daqui a um mês, temos a prova pela qual sempre esperamos, ano atrás de ano....
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